quinta-feira, 29 de junho de 2017

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 2





O resto da escola o tratou... Diferente depois disso.


Todo mundo ainda estava olhando para ele, mas os olhares eram cautelosos e hesitantes. Os sonserinos, especialmente, estavam a lhe dando um olhar estranho. No entanto, eles não estavam zombando dele e por isso ele estava agradecido. Os lufanos ainda o olhavam com raiva. Ele achou que era uma mistura de não confiarem em alguém com um talento descaradamente escuro, combinado com o fato de que sua performance quase perfeita colocava o desempenho de Cedrico muito nas sombras.


O fato de que cada um deles franzindo o cenho para Harry e dele respondendo com um sorriso de presunção, provavelmente também não ajudava muito, mas ele gostava de ver a reação deles. Sempre que um lufano realmente tivesse a coragem de tentar dizer algo desagradável para si ou mostrar um desses emblemas idiotas de “Potter Fede”, ele sibilaria para eles e eles, praticamente, "se molhavam" e tentavam fugir.


Harry ria do quão terrivelmente assustados os alunos na escola pareciam estar com a ofidioglossia. Ele também se deleitou com a nova descoberta sobre ofidiomagia, na qual teve acesso recente.


Era algo tão maravilhoso, pena nunca ter percebido que poderia fazer isso antes. Mas ele reconheceu a si mesmo que, antes de muito recentemente, tentava fingir com todas as suas forças que ele não possuía tal habilidade negra e estranha. Ele queria tanto ser apenas normal que preferia ignorar completamente o poderoso talento.


Mas ele não mais temia isso. Era uma habilidade “morta” muito útil. A coisa mais notável que ele descobriu sobre chamar sua magia usando a ofidioglossia foi que ele não tinha necessidade de usar uma varinha quando ele fazia isso. Um silencio calmo e um pequeno movimento de seus dedos e ele podia direcionar e usufruir de sua magia em dezenas de maneiras diferentes.


Harry percebeu que o seu novo conhecimento e consciência de ofidiomagia, sem dúvida, veio da presença escura em sua mente, e ele se perguntou se essa mesma presença era a fonte da sua capacidade de usar a língua oral.


Se fosse, ele percebeu que as perspectivas eram ligeiramente preocupantes. O diretor havia lhe dito, no final do segundo ano, que Harry ganhou alguns dos poderes de Voldemort na noite em que o homem lhe deu sua cicatriz. Era a presença escura os poderes que ele obteve de Voldemort?


Certamente isso explicaria o porquê dele ter tido medo do poder quando era mais novo, caso a presença escura estivesse associada ao assassinato de seus pais. Mas não parecia ser nada a respeito disso nesse instante. Era o poder dele agora. Ele não se importava de onde tinha vindo originalmente. Ele não tinha mais medo. Ele não se esconderia disso, nem exercitaria toda sua energia lutando contra isso quando a tal coisa não era nem mesmo uma ameaça.


Abraçá-lo era muito mais fácil e isso o fazia muito mais forte. Harry se sentiu melhor, mais feliz e mais confiante. Sua magia vinha até ele com incrível facilidade, ele ficou muito mais poderoso. Sua mente funcionava melhor e ele entendia as coisas com muito mais rapidez.


Se recusou a desistir apenas porque o poder poderia ter vindo originalmente de Voldemort. E daí?! Era o poder dele agora. Era dele e ele não iria desistir. Ele gostava demais daquilo, parecia algo muito bom.


Ainda assim, quando Harry foi dormir naquela noite e se envolveu na presença, ele falou sobre suas preocupações e a sua teoria sobre da onde ela havia vindo. Sua suposição de que o poder já havia sido Voldemort antes de se tornar de Harry. A presença não respondeu muito, parecia hesitante e Harry quase teve a impressão de que estava preocupado.


A presença não queria ser separada de Harry novamente. Temia que Harry construísse as paredes de volta e que fosse deixada sozinha novamente. Harry podia sentir que isso era verdade e rapidamente assegurou a presença de que ele não tinha intenção de reconstruir o muro.


Suas garantias pareciam acalmar as preocupações da presença porque ela o abraçou com um calor ainda maior. Parecia que a presença estava agradecendo-o. Ela não queria ser abandonada, não queria ficar sozinha novamente e nem Harry.


No dia seguinte, os grifinórios e corvinos tiveram DCAT e Harry enrolou um pouco na cama e, arrastou-se para a aula, já que não havia ido para café da manhã. Ele não estava realmente evitando o café da manhã porque sentia que precisava se esconder de todos os olhos sussurrantes e interrogatórios silenciosos, toda hesitação autoconsciente nele era por causa da grande irritação e raiva que viria se alguém estúpido o suficiente chegasse para enfrentá-lo por causa do seu uso de magia "escura" ou qualquer pessoa idiota o suficiente para zombar dele publicamente. Então não - ele não estava evitando o café da manhã para se esconder, ele estava evitando que ele evitasse amaldiçoar alguém e, com isso, acabasse em uma detenção.


Agora ele estava sentado na classe de Defesa, cercado por olhos curiosos, questionadores e até medrosos . Ele suspirou com frustração e voltou a se concentrar na palestra do professor Moody.


— No nosso mundo, existem três afiliações mágicas: a luz, a escuridão e os neutros. A maioria das magias é neutra e pode ser facilmente usada por qualquer pessoa. A maioria dos bruxos tem o foco no neutro, mas alguns feiticeiros sentem um poderoso “puxão”, Algo que guia sua magia, chamando-os para longe do neutros, para um dos dois lados. Esses feiticeiros terão uma afinidade natural pela magia do lado escolhido e encontrarão feitiços mais curiosos dessa natureza.


"Qualquer um pode lançar qualquer tipo de magia se eles são poderosos o suficiente e se incomodam em aprender. Mas a afinidade de um mago, de certa forma de magia, tornará mais fácil ou mais difícil aprender e executar alguns feitiços”.


“Um bruxo escuro encontra os feitiços de magia negra como sendo algo natural para ele. Ele se sente bem realizando-os e os feitiços chegam para ele com muita facilidade. Isso significa que ele pode lançar feitiços escuros mais rápido e sem exercer muita energia. As reservas de energia duram mais tempo quando estão lançando magia negra”.


“Um mago neutro terá um tempo muito mais difícil lançando feitiços especificamente escuros. Quando um mago neutro lança feitiços escuros, esses feitiços causarão um vazamento muito maior nas reservas mágicas desse mago e levará mais tempo para lançar”.


“Então, se você é um mago neutro ou "da luz" e está duelando contra um mago escuro, e ele está jogando feitiços escuros e maldições em você, mesmo que você conheça esses mesmos feitiços escuros, ele será muito melhor e mais rápido ao lançar esses feitiços do que você. Você se sairá muito melhor se lançar feitiços neutros, se você tem afinidade por magia neutra, ou feitiços de luz, se você tem afinação por magia leve. Você poderá lançar mais ligeiro e não drenará sua magia tão rapidamente”.


"Certos escudos e feitiços defensivos são especificamente de natureza leve. Se você é naturalmente neutro, terá problemas com esses feitiços de luz do que os encantos de proteção neutra. O Patrono é um excelente exemplo. É um feitiço de afinidade “de luz” muito poderoso, essa é uma das razões pelas quais é tão difícil de aprender. A magia de algumas pessoas simplesmente não quer ou pode cooperar com o feitiço –Moody dizia enquanto balançava a cabeça observando a sala de aula, inclinando-se ligeiramente contra a mesa para suportar melhor sua perna de madeira.


— Isso significa que a maioria dos feiticeiros escuros não podem se defender contra criaturas escuras como dementadores? – Uma menina de corvinal perguntou com um tom surpreendido.


— Não necessariamente. O feitiço é mais difícil para um servo escuro aprender e executar do que um servo da luz, mas, como eu disse, qualquer um pode aprender qualquer feitiço se tal pessoa for suficientemente poderosa e dedicada a dominá-lo. E ter que gastar qualquer um tempo prolongado em torno de dementadores é um grande incentivo para dominar o feitiço – disse Moody, dando a todos um olhar bastante afetado.


Outra menina Corvinal ergueu a mão e Moody assentiu com a cabeça, deixando-a falar.


— Como a magia de uma pessoa se alinha como sendo leve, escuro ou neutro?


— Boa pergunta, – ele disse com sua voz grosseira – tão jovem como vocês estão todos agora, as chances são de que vocês ainda são muito neutros em suas magias. Você terá uma afinidade mágica desenvolvida ao longo do tempo e devido a uma combinação de diferentes fatores.


“Primeiro é seu nascimento. Todos nascem mais prováveis para ir de um lado ou outro com base na afinidade dos seus pais, mas isso pode ser dominado por outros fatores também. Um desses fatores é a forma como você é criado e o outro é livre. Você pode escolher conscientemente o tipo de magia que você usa e praticar mais frequentemente do que outras, e quanto mais você trabalha em feitiços que se inclinam de um lado ou outro, mais sua afinidade por esse lado aumentará".


Hermione ergueu a mão e Moody acenou com a cabeça para ela.


— Então ... é uma batalha entre a natureza e a criação? – Ela disse, e o velho mago ergueu uma única sobrancelha e fez sinal para que ela continuasse. – Bem... É como se um mago nascesse em uma família escura – todos na família deles antes de sempre haviam ficado escuros –, mas digamos, esse mago foi criado de maneira diferente, ou pessoalmente escolheu ir para a luz.


O comentário de Hermione fez Harry imediatamente pensar em seu padrinho Sirius e ele suspirou. Harry não tinha ouvido falar de Sirius desde a lareira com flú e ele ainda foi interrompido, isso a várias semanas antes.


— Correto, Senhorita Granger. Cinco pontos para a Grifinória. A mesma coisa pode ser dita para alguém que vem de uma família “da luz”, mas é criado por outra pessoa. Digo, por exemplo, um órfão. Pode ser que seu sangue seja “da luz”, mas se ele for orientado de uma certa maneira ou simplesmente escolher um outro caminho, ele pode facilmente acabar com a afinidade para magia negra. Em todo o caso, em seu estágio atual e em sua educação mágica, é improvável que muitos de vocês tenham muita afinidade para luz ou escuridão.


— Eu aposto que alguns dos sonserinos já têm afinidade pelo escuro – murmurou Ron calmamente para Seamus, que estava sentado ao lado dele. Harry revirou os olhos para comentário do ruivo e suspirou.


Sentiu a sensação de picada na parte de trás do pescoço, o que sugeria que alguém o olhava fixamente. Ele olhou ao redor e viu que havia vários pares de olhos olhando para ele em vários graus de preocupação. Ele percebeu de repente como eles estavam interpretando os comentários de Moody como um relacionamento direto com Harry e franziu o cenho para eles.


Ele não gostou exatamente do seu professor de DCAT alimentando o já ardente fogo da especulação sobre seu status de potencial mago escuro.


No entanto, o mais estranho era a percepção de que ser acusado de ser um escuro não o horrorizava tanto quanto fazia antes. As pessoas eram apenas ovelhas ignorantes. Deixe-os pensar o que eles quisessem. Não importava para ele. Ele havia sobrevivido à primeira tarefa, saiu com o melhor tempo e a maior pontuação. Porque importava tanto o que ele escolheu para fazer isso?


A mesma corvinal do início levantou a mão novamente e Moody empurrou o queixo para ela.


— Hum... existe uma maneira de dizer qual é a afinidade de uma pessoa? Um feitiço ou algo assim?


— Há, mas é difícil de lançar. Leva muito foco. Se feito corretamente, uma aura colorida aparecerá em volta da pessoa. Branco para neutro. Azul para luz e vermelho para escuro. A cor pode ser um azul claro ou cor-de-rosa se a magia da pessoa estiver mais para neutro do que qualquer outro lado, a leve coloração denotará a força com a qual suas magias se inclinam para uma direção ou outra.


— Harry, queremos conversar – disse Hermione quando ela apareceu atrás dele logo depois que ele entrou pelo buraco do retrato naquela noite, depois do jantar.


Harry franziu o cenho, mas rapidamente dominou sua expressão em uma máscara neutra e virou-se para encarar Hermione e Ron logo atrás dela.


— O que foi? – Harry perguntou bruscamente. Ron e Hermione se encolheram com seu tom áspero.


— Hum, talvez possamos falar em algum lugar mais privado? – Hermione perguntou timidamente enquanto olhava para todos os olhos curiosos, atualmente focados no “antigo” trio dourado. Harry irritou-se, mas fez uma rápida varredura da sala, observando Dino, Seamus e Neville em vários pontos ao redor deles.


— Claro – disse Harry, indo em direção às escadas. Percorreu o caminho até elas, sem se preocupar em olhar pra trás para ter certeza de que o estavam seguindo. Ele podia dizer que estavam sem olhar. Suas auras mágicas empurravam a sua própria, dizendo-lhe exatamente onde estavam em relação a si mesmo.


Harry caminhou direto em direção a sua cama, mas sentou-se na cadeira da mesa de estudos ao lado. Ele relaxou casualmente no local e cruzou a perna esquerda sobre o joelho direito, esperando com uma falsa paciência enquanto os outros dois ainda se mexiam.


Ron se sentou na sua própria cama, que dava diretamente em frente a onde Harry estava, enquanto Hermione tirou a cadeira da mesa de Ron e sentou-se nela. Nenhum de seus amigos ia de encontro aos seus olhos. Ele se perguntou se eles finalmente tinham entendido.


— Vocês queriam alguma coisa? – Harry perguntou com ar de irritada impaciência.


Ron e Hermione trocaram olhares, e ambos nem pareciam saber o que dizer ou qual deles deveria dizer. Finalmente, Ron falou. Harry ficou surpreso. Ele esperava que Hermione tivesse sido a única a arrastar Rony.


— Você realmente não colocou seu nome naquele copo, não é? – Ron murmurou enquanto olhava para baixo.


— Finalmente, você entendeu? – Harry murmurou com uma voz áspera – O que provocou tal mudança?


— Bem, eu só acho que ninguém em sua juízo perfeito realmente gostaria de enfrentar um dragão assim – murmurou Ron.


— Você queria, – Harry apontou instantaneamente, e as orelhas de Ron ficaram coradas. – você queria a fama e a glória. Você queria tanto que você se esqueceu de que eu não queria isso.


— Eu sei Harry. Desculpe!


— Não Ron! Não. Desculpa, não é suficiente desta vez! Você deveria ser meu melhor amigo. Você deveria me conhecer . Como você poderia acreditar que eu colocaria a fama, a glória e o dinheiro sobre a nossa amizade?!


Harry parou e olhou Hermione.


— E você! Eu sei que tenho um desprezo insalubre pelas regras e tendo a ignorá-las e me coloco em perigo por causa disto, mas quando eu já fiz isso por algum tipo de ganho pessoal?


"Toda vez que eu me arrisquei e ignorei as regras, foi para salvar alguém que estava com problemas! O fato de que qualquer um de vocês poderia honestamente acreditar que eu colocaria meu nome naquela taça e arriscaria a minha vida apenas para ter fama – falou a palavra com aversão – só prova que nenhum de vocês me conhece ou confia em mim!"


— Harry! Eu sou tão idiota, desculpe! – Hermione disse, se exaltando.


— Não! Vocês me abandonaram quando eu precisava de vocês mais do que nunca! Você percebe por que eu provavelmente entrei neste torneio estúpido? Alguém me quer morto! Alguém está esperando que eu acabe sendo morto durante uma das tarefas, eles querem se livrar de mim e tudo vai parecer um acidente! Me dê uma boa razão para que eu perdoe qualquer um de vocês.


— Sinto muito, Harry! Não estávamos pensando! – Hermione disse com lágrimas banhando suas bochechas.


— Sim, isso é óbvio – disse Harry com um forte olhar.


Ron e Hermione compartilharam um olhar desesperado antes de se voltarem para Harry com suposição.


— O que podemos fazer, Harry? – Hermione disse com uma pequena voz desesperada – O que posso dizer para fazer me perdoar?"


Harry cruzou os braços sobre o peito e deu-lhe um longo e difícil olhar.


— Eu não sei, – ele disse com uma voz fria – eu realmente não sei.


— Eu estou realmente arrependido, amigo, desculpe! – Ron disse abaixando a cabeça e sacudindo-a com tristeza – Eu estava sendo um idiota e tolo. Eu deveria ter acreditado quando você me disse que não havia feito isso. Eu estava apenas... Eu era estúpido. Eu estava tão bravo que você havia conseguido mais uma coisa para ser famoso enquanto...


— Enquanto você se sentia na minha sombra? – Harry terminou por ele. Sua voz era estranhamente fria. Não era algo que Ron ou Hermione costumavam ouvir na voz de Harry. Ron olhou para cima, assustado, mas eventualmente ele acenou com a cabeça. – Você sabe que eu não quero minha “fama” certo? – Harry falou quase que retoricamente. Sua voz ainda era plana e fria. Era... errada, de alguma forma. – A única razão pela qual eu sou famoso é porque eu não morri. Quão estúpido é isso?! Toda vez que eu ouço “o-menino-que-sobreviveu” só serve para me lembrar que estou vivo e meus pais estão mortos. Sou famoso por algo que nem me lembro, e desprezo cada minuto – Ele finalizou com um silvo terrivelmente duro.


Ele se sentou melhor e deixou sua perna relaxada, atravessando a outra.


"Se você realmente me conhecesse como os melhores amigos deveriam, você teria percebido isso. Você deveria ter sabido que eu não gosto da fama, eu a odeio. Por que diabos eu iria ir buscar mais dela? Ninguém que me interessa está em perigo por causa deste torneio, eu não preciso salvar ninguém, proteger qualquer coisa ou impedir ninguém de fazer alguma coisa. Eu poderia ter apenas um simples e chato ano escolar por apenas uma vez, mas não! Não, alguém colocou meu nome naquela maldita taça e, em vez de vocês estarem lá para mim, ambos se voltaram contra!" Ele terminou com uma voz áspera e elevada que os alvos tremerem.


Harry fechou os olhos e trancou a mandíbula. Ele soltou uma respiração lenta, tentando liberar a raiva que estava fervendo-lhe por baixo da pele. Harry podia sentir sua magia girando ameaçadoramente e de repente percebeu que havia algo mais nisso. Não era apenas a magia dele que estava com raiva.


Seus olhos se abriram e ele percebeu o seu coração batendo ligeiramente quando percebeu quão familiar era a presença extra que sentia. Era a presença escura que existia no fundo da mente. Mas não estava tão profundamente dentro de si naquele momento. Estava na superfície e girava com raiva ao redor dele. Ele sentia uma vibração protetora, defensiva e irritada.


Ele ficou atordoado. A presença escura veio para tentar protegê-lo? Defendê-lo do que quer que fosse que estava deixando Harry tão bravo?


Harry começou a se acalmar e sentiu a presença escura recuar imediatamente. Isso era algo que teria que examinar mais atentamente e logo.


Ele levantou-se e o movimento foi tão repentino que tanto Hermione quanto Ron saltaram ligeiramente.


— Vão – disse Harry, logo que ele se afastou de ambos.


— Mas Harry! – Hermione começou a implorar, ele apertou a mão e finalmente encontrou seus olhos. Instintivamente, ele passou por seus pensamentos superficiais e descobriu que realmente estava arrependida. Ela sentia-se horrível pelo jeito que ela o havia tratado e realmente sentia como se o tivesse abandonado, mas ela também estava preocupada com seu comportamento recente e queria confrontá-lo sobre o uso de ofidioglossia no torneio. Harry franziu o cenho.


— Vou pensar sobre isso. Preciso de tempo. Deixe-me sozinho por um tempo, tudo bem? – Ele disse, tentando encobrir a raiva que os pensamentos dela tinham provocado em si.


Infelizmente, Hermione assentiu com a cabeça e se virou para ir. Ron hesitou por um momento antes de suspirar e seguir atrás de Hermione.


Uma vez que ambos partiram, Harry caminhou até sua cama e sentou. Ele estava em conflito. Ele sabia no fundo que provavelmente nunca mais confiaria nesses dois. Ele simplesmente sabia que não conseguiria. Não podia confiar em quem poderia encontrar outra razão para abandoná-lo quando outra “oportunidade” dessas aparecesse. Ele não podia confiar neles. Se o fizesse, ficaria desapontado, sendo deixado de lado e até mais desesperado. Esse não era um risco que estava disposto a tomar.


Sua mente vagou para o estranho impulso de magia da presença escura. Ele deveria ter chamado a magia? Esse pensamento quase o animava um pouco. Se realmente fosse um pouco do poder de Voldemort, dentro dele, ele poderia controlar e manejar...


Harry fez uma pausa. Ele não deveria estar entusiasmado com isso. Ele sabia que não deveria. Isso deveria incomodá-lo, assustá-lo ou confundi-lo. Isso era algo sobre o qual ele devia estar cauteloso, não entusiasmado! Este era um pouco do poder de Voldemort! Voldemort era malvado! Ele era um assassino lunático e psicótico! Certo?


Sim! Ele assassinou os pais de Harry, matou e torturou centenas, talvez até milhares de pessoas! Ele começou uma maldita guerra, pelo amor de Merlin! Isso costumava assustar Harry quando ele se preocupava por ter algo em comum com Voldemort. A idéia de que ele e Voldemort poderiam ser iguais em qualquer coisa tinha horrorizado Harry, mas agora ele estava animado com a perspectiva de ser capaz de controlar algum poder do Lorde das Trevas?


Talvez não houvesse algo errado com ele.


Como ele mudou tanto? Só faz um mês, mas os pensamentos de Hermione mostraram que ela notou uma diferença em seu comportamento.


Claro que ele estava agindo de forma diferente! Ele não era tão autoconsciente ou miserável como costumava ser e ele parou de deixar o que outras pessoas pensavam ditar suas ações! Um pouco de confiança pode realmente mudar o comportamento externo de uma pessoa. E só porque ele não tinha medo de sua própria sombra ou porque ele não encolhia mais o seu próprio poder não significava que ele iria acabar com um malvado megalomaníaco como o Voldemort!


Não importava de onde o poder tivesse vindo. Era agora de Harry. Se ele pudesse aprender a controlá-lo, então ele faria!


Ele acenou com a cabeça com determinação.


Harry queria se deitar, fugir para dentro de sua mente naquele momento e lá para investigar a presença escura, mas se segurou. Ainda era cedo e ele tendia a perder o controle do tempo quando entrava em sua mente a noite. Geralmente adormecia dessa maneira e ele tinha lição de casa para fazer. Suspirou pesadamente e levantou a cama pegando sua bolsa em seguida. Ele faria o trabalho e iniciaria a sua investigação assim que tudo estivesse terminado.


Harry estava frustrado pela quantidade de tempo que levou para finalmente chegar na cama aquela noite. Precisou emprestar a Seamus as suas notas de Feitiços e então Neville realmente pediu sua ajuda para o ensaio de DCAT. Não era muito frequente que Nevile pedisse ajuda. O menino estava obviamente estressado por estar tendo tantos problemas com os feitiços recomendados e tinha visto como Harry os havia realizado com bastante facilidade nas práticas da aula.


Apesar da tentação de expulsar o outro menino, Neville sempre foi geralmente gentil com Harry e, mesmo quando toda a escola estava evitando-o, Neville ainda havia sido legal com ele e fez par com ele nas aulas, então Harry assentiu e ajudou o garoto o máximo que pôde.


Finalmente, ele escapou de todos os seus companheiros do dormitório, afastou as tapeçarias ao redor da cama e mergulhou na montanha de almofadas e edredons. Fechou os olhos, regulou sua respiração e instantaneamente entrou no fundo de sua paisagem mental.


Sentiu-se mais quente e mais acolhido do que costumava sentir. Tinha lentamente ficado cada vez mais confortável à medida que o tempo havia progredido. Ele gostava disso. A pequena massa escura já não era tão sem forma. Havia sido mais borrada e vaga. Agora era mais como uma névoa em torno de algo mais tangível. Pequenas vertentes da escuridão se estendiam da base dela, como se fossem vinhas que subiam pelo chão.


Harry inclinou a cabeça para o lado e examinou as mudanças com curiosidade. Alguma parte dele pensou que ele provavelmente deveria se preocupar por conta desse novo desenvolvimento e ele estava honestamente um pouco incerto sobre o quanto ele não estava perturbado. Ele não se importou com o fato daquilo ter mudado. Ele sequer havia se incomodado pelo muito óbvio crescimento que aquilo tinha sofrido. Em vez disso, estava apenas curioso.


Se aproximou e examinou com mais profundidade.


Ainda tinha aspectos de "almofada" sem forma que ele tinha relaxado no último mês, mas havia mais agora e era maior; Mais espalhados.


Ele se ajoelhou e estendeu a mão, acariciando-a com um gesto estranhamente afetuoso. Parecia que... Sim, era legal. Confortável. Sentia-se em casa... o que quer que isso significasse.


Harry costumava pensar que Hogwarts o fazia se sentir em casa, mas já não tinha tanta certeza. A casa do Dursley certamente o fez se sentir assim, ele tinha certeza disso. Mas aqui... Ele sentiu que ele pertencia a aqui. Claro, aqui não era realmente um lugar físico, então não poderia realmente estar em casa, mas sentia-se mais como em casa do que em qualquer outro lugar.


Harry recostou-se na massa escura e relaxou. Ele sentiu que toda a tensão do dia desapareceu instantaneamente e ele suspirou alegremente. Esticou a mão ao longo do "chão" e passou os dedos por um dos “ramos” escuros que saiam da massa e espalhavam-se no plano de chão branco e ambíguo.


Aquilo se contraiu ligeiramente enquanto era tocava. Uma onda de alegria quente disparou através dele no contato. O ramo se aproximou dele e se enrolou em torno do seu dedo. Uma explosão de formigamento elétrico disparou através dele, falhando um pouco a sua respiração, ele ficou surpreso com a sensação agradável. A presença também ficou satisfeita e eles tiveram essa experiência conjunta e chocantemente gloriosa. Harry se sentiu inteiro naquele momento. Conectados dessa maneira mais direta o enchia de um sentimento forte e maravilhoso .


Ele estendeu a mão dele e encontrou um dos outros tentáculos. Envolveu sua mão ao redor dele e foi preenchido com outra vibração poderosa e agradável. Ele soltou uma respiração lenta e fechada quando o calor subiu maravilhosamente dentro de si.


“Merlin,é tão bom!” Ele ofegou mentalmente.


Ele afundou de volta na presença e puxou os tentáculos com as mãos, cruzou os braços sobre a forma de tinta escura, como se fosse um abraço. Ele ofegou e gemeu por se sentir tão glorioso, literalmente envolvido com a presença escura.


Ele nunca quis que a sensação acabasse, nunca quis soltar... Ele se derreteu no maravilhoso sentimento e lentamente entrou na inconsciência.


— Meu senhor, se pudéssemos simplesmente fazê-lo sem o menino.


— Não! – Ele sibilou com raiva. Tolos insolentes! Como se atrevem a questioná-lo? – Eu quero o menino! Barty, relatório!"


— Sim, meu senhor – o homem correu para a frente e se ajoelhou, inclinou a cabeça e depois olhou através de suas pestanas com reverência. – O menino sobreviveu à primeira tarefa e nossos planos estão concretizando.


— Bom, bom. O que você precisou fazer para garantir a sobrevivência do menino? Foram dragões, não foi?


— Eu não fiz nada, meu senhor. Na verdade, algo surpreendente foi revelado durante a primeira tarefa.


Sua curiosidade foi atingida em pico. Ele não esperava que o menino passasse a primeira tarefa sem algum tipo de intervenção. Mas, novamente, o maldito pirralho Potter parecia ter Felix Felicis correndo por suas veias.


— O que, exatamente, foi revelado? – zombou com curiosidade.


— O menino... Ele é um ofidioglota.


Ele piscou em choque e descrença.


— O que! – Sibilou.


— Ele... Ele passou pelo dragão sem um único arranhão. Era como se ele tivesse ordenado que o animal se abaixasse e recuasse. Ele sibilou para ela na língua das cobras e caminhou logo depois, agarrou o ovo dourado e caminhou de volta à saída.


Na língua oral?


Como foi possível? Como o menino poderia, possivelmente, ser um ofidioglota? Ele estava certo de que ele conhecia todas as linhas que mantiveram qualquer vestígio de sangue velho de naga*, e os Potter certamente não era uma dessas linhas. Ele tinha um Black como um antepassado, mas a última linha Black mostrava sinais de que havia morrido há mais de 300 anos. A mãe do menino era uma nascida-trouxa, então não era dela...


— Aparentemente, o garoto sempre teve o talento – ou pelo menos ele tem isso a tanto tempo quanto se lembra. Ele usou a habilidade para acessar a Câmara Secreta no segundo ano.


Um choque atordoante o consumiu. O menino descobriu a câmara? E em seu segundo ano! Ele não havia descoberto até o quinto, e isso foi após anos de busca dedicada. Mas... Certamente o menino não pode ganhar o controle sobre o basilisco, certo?


— A Câmara! Você ouviu alguma palavra sobre um basilisco? – Ele sibilou com raiva.


— Morto. O menino matou.


— O QUE! – ele gritou. Fúria ardia dentro de si.


Como tudo isso aconteceu e ele não ouviu nada a respeito? A Câmara foi descoberta?! O basilisco, destruído?! – O garoto fez isso no segundo ano? – ele disse com certa descrença. Certamente, não era possível. Um mero menino de doze anos nunca poderia esperar derrotar o grande basilisco de Salazar. Essa criatura era mais temível do que...


Resmungou com frustração e raiva.


Ele estava tão fraco agora mesmo! Ele odiava o quão fraco se sentia. Quão indefeso ele estava. Quanto tempo ele desperdiçou. Ele tinha coisas para fazer! Tarefas importantes que só ele conseguiria e, em vez disso, ele teve que desperdiçar seu tempo e esforços em uma criança! Para piorar a questão, foi reduzido a depender de alguém como Rabicho. Era nojento!


Barty era melhor, pelo menos, mas ele sempre tinha que ir.


Este corpo patético que ele criou o segurava, mas sua conexão com sua magia ainda era tão fraca e errática, isso na melhor das hipóteses. O mais simples dos feitiços o deixava exausto. Ele precisava do sangue do menino!


Se ele pudesse apenas conseguir o menino, ele poderia ser restaurado para sua antiga glória e retomar seu trabalho.


Harry piscou os olhos e apertou-os contra a luz do sol brilhante através da parte pequena das cortinas de cama. Ele se sentiu estranhamente... Formigando. Uma espécie de...Vertigem. Era estranho. No começo, ele não se lembrava de nada esquisito, mas as imagens passaram por sua mente e ele se lembrou do sonho.


Passada as imagens, ele franziu a testa. Por um lado, estava quase certo de ter tido uma visão... O que ele sonhou era parecido com as mesmas visões que ele tinha tido no final do verão. Estava na mesma casa. O mesmo quarto. E tinha Rabicho e aquele outro homem que ele não reconheceu. Do que Voldemort o chamou mesmo?


E, no entanto, a sensação da visão era inteiramente diferente.


Harry nunca tinha tido uma visão de que ele não despertava com dor agonizante. Sua cicatriz sempre doía horrivelmente após uma visão. Ele sempre acordava de uma com a cabeça em chamas e lutava contra aquilo horrivelmente.


Mas agora ele se sentiu bem. Ótimo mesmo. Bem descansado e energizado.


Ele levantou a mão e puxou os dedos suavemente sobre sua cicatriz. A energia era agradável.


Aquilo foi estranho.


Ele nunca conseguiu se lembrar de sentir sua cicatriz assim. Sempre queimava, coçava e latejava, mas nunca o fazia se sentir bem.


Sentia a pele ao redor da cicatriz e ela estava quente ao toque, mas não se parecia inflamada como costumava parecer depois de uma visão.


Talvez não tenha sido uma visão real? Era apenas um sonho? Somente seu subconsciente reunindo coisas familiares e colocando-o em algo novo?


Harry não sabia.


Outra semana veio e foi. Harry abriu o ovo que ele havia obtido da primeira tarefa várias vezes, mas não tinha idéia do que fazer com ele. O objeto gritou horrivelmente quando aberto e o ruído era inteiramente ininteligível.


Durante a primeira semana após a tarefa, ele considerou visitar Hagrid em algum momento, mas o meio-gigante tinha ficado um pouco nervoso em torno dele na aula desde a sua performance com a ofidioglossia. Ele tentou esconder bem e ainda realizou conversas amigáveis ​​com Harry quando o garoto se aproximava do homem em aula, mas Harry podia ver a mudança na postura de Hagrid. Harry viu o jeito que Hagrid olhou para ele pelo canto de seus olhos às vezes com preocupação.


Harry queria acreditar que ele estava apenas sendo paranóico e vendo demais coisas onde não existiam, mas ele não conseguia se convencer completamente disso.


As coisas não estavam também melhorando com Ron ou Hermione. Ambos tentaram falar com ele de vez em quando, mas ele simplesmente não estava pronto para deixar nenhum deles entrar em sua vida. Ele não tinha certeza se nunca iria se sentir pronto para deixar. Harry tinha certeza de que, se ele realmente estivesse se sentindo tão sozinho como ele realmente estaca antes, ele provavelmente teria corrido para eles agora, mas ele simplesmente não sentia a necessidade. Ele não se sentia sozinho. Ele passava todas as noites agarrado em seu sombrio companheiro. E a presença no dia a dia da vida estava crescendo. Literalmente.


A forma e o tamanho da presença escura em sua mente aumentaram lentamente de tamanho a cada dia que passava. Os tentáculos chegavam por ele agora, quando ele se afundava em sua paisagem a cada noite. Eles se envolviam em torno dele por conta própria e ele sentiu... Ele senti-se a vontade. Ele se sentiu... Necessário. E estar no abraço era tão... Bom.


Com o passar dos dias, ele começou a sentir a presença mesmo quando acordado. Ele não precisava se afundar em sua mente para chegar a ele, ele poderia chamá-lo mesmo quando consciente. E ele fez.


Era pequeno no início. Pequenos pinos de consciência na parte de trás da mente durante as aulas ou refeições; Mas era o suficiente para não se sentir sozinho. Ele sentiu como se houvesse alguém lá com ele, mantendo-o em sua mente.


No começo, ele só receberia pequenas sensações de sentimentos. Impressões de seus pensamentos. E o apoio dele era encorajador. A frequência e a duração da sua presença cresceram à medida que os dias passavam e a percepção de seus pensamentos e sentimentos também. A consciência aumentava e ele podia sentir isso. No final da segunda semana desde a primeira tarefa, dava para mantê-lo de companhia durante a maioria de suas aulas.


Lhe deu dicas quando ele lidava com algumas coisas na aula. Tinha empatia com sua raiva, quando seus companheiros o confrontavam ou zombavam abertamente dele. Concordava com sua raiva, as vezes, até mesmo a tinha por conta própria. E era divertido em suas observações mentais. Ele desenvolvia um comentário interessante de sarcasmo seco, alimentado por seu próprio ressentimento amargo que entrava dentro dele e seu companheiro se revelou como tendo um bom senso de humor.


As interações entre Harry e seu companheiro sombrio não foram verbais em nenhum sentido literal. A presença meramente se comunicava através de idéias, emoções e impressões. Ou pelo menos, eles haviam feito isso até este ponto.


Agora era 9 de dezembro e Harry tinha Poções. O desempenho de Harry melhorou drasticamente em todas as aulas, já que ele tirou a barreira que estava segurando seu companheiro escuro, mas seu desempenho prático em Poções ainda era bastante abismal.


Uma melhor conexão e uma maior compreensão de sua magia o ajudaram na maioria das outras classes, mas não o ajudava a preparar poções. Sua clareza mental e sua maior capacidade de leitura, compreensão e retenção de informações de livros didáticos ajudaram com a teoria e pelo menos seu trabalho escrito melhorou. Mas, como Harry continuava a evitar Ron, ele estava em parceria com Neville nas últimas seis semanas, e qualquer vantagem que a compreensão aprimorada de poções de Harry era destruída pelos nervos de Neville.


Por isso, Snape tinha dispensado a maior parte de seu trabalho de classe durante o último mês. Eles não obtiveram crédito por isso. Era algo que Harry achou completamente exasperante. Ele estava cansado do idiota gorduroso sempre o excluindo.


Ele chegou à aula sozinho e tomou o assento ao lado de Neville, o mesmo que ele havia tomado das outras aulas durante as últimas 6 semanas. Ron lançou-lhe um olhar triste e suspirou antes de começar a cavar em sua bolsa para pegar alguns de seus materiais.


Snape entrou rapidamente na sala com vestes pretas ondulando atrás de si. Ficaram na frente da classe.


— Os exames estão próximos – ele começou em uma voz silenciosa e mortal – Eu ouso dizer que duvido que muitos de vocês, cabeças-ocas estão preparados remotamente para eles.


Seus rígidos olhos negros atravessaram a aula, perfurando cada um deles com seu olhar gelado. Ele zombou desdenhosamente antes de dar alguns passos para a frente.


— Vamos ver o quão preparado vocês estão?


A turma se sentou em absoluto silêncio esperando que ele começasse. Nunca era uma coisa boa quando Snape decidia espontaneamente iniciar testes em cima deles.


— Goyle! Qual é o antídoto para a solução inchaço?


Goyle saltou no assento e ficou completamente perdido. Snape riu de frustração quando o menino grande se avermelhou e olhou desesperadamente para Malfoy que estava sentado ao lado dele, parecendo mortificado.


— Bulstrode, você pode ajudá-lo? – Snape rejeitou.


— Hum... Bezoar, senhor.


— Finnegan! O que a poção armadillo bile faz?


O maxilar de Seamus caiu solto. Você podia ver sua mente desesperadamente procurando algo, qualquer coisa, mas ele simplesmente se sentiu atordoado. A mão de Hermione estava no ar, é claro, mas Snape a ignorou.


— Patético. Feche a boca, Finnegan. Malfoy, responda a pergunta.


— Poção de nítida inteligência, senhor – Malfoy disse com um sorriso presunçoso no rosto.


— Bom. Nomeie dois outros ingredientes utilizados na poção".


A sobrancelha de Malfoy franziu por um momento, mas ele parecia encontrar uma resposta em suas memórias.


— Besouros de escaravelho e raízes de gengibre.


— Bom. Dez pontos para Sonserina – Snape disse e o sorriso de Malfoy se alargou.


— Potter! – Harry suspirou internamente, mas segurou-o e se sentou mais reto, tentando se preparar para o que estava por vir – Nomeie um uso de ovos de ashwinder*.


Os lábios de Harry se separaram quando ele tentou procurar sua memória por qualquer menção de ovos de ashwinder em seu livro, mas honestamente não conseguia se lembrar. Ele estava prestes a suspirar e admitir que ele simplesmente não sabia quando a presença lhe sussurrou .


No começo, ele não tinha certeza do que era. Ele sentiu como se ele estivesse com as palavras em sua cabeça, mas elas estavam tão quietas e macias que ele quase instantaneamente se convenceu de que havia imaginado, mas então ele o ouviu novamente.


Comidos inteiros... Cura...


— Hum, eles podem ser comidos inteiros. Eles podem curar – Harry respondeu rapidamente, já tendo percebido a impaciência do mestre da poção.


A sobrancelha de Snape levantou-se minuciosamente e você conseguiu ver uma graciosa surpresa nas suas características por um momento antes de ser rapidamente mascarada.


— Correto. Nomeie três ingredientes para poção de Confusão – Snape disse um instante depois.


Harry quase franziu o cenho. Ele sabia, de fato, que essa poção não era algo que eles haviam estudado naquele ano. Ele abriu a boca para dizer isso - que, ele ainda não tinha visto, e, se de fato tivesse falado, provavelmente teria garantido uma detenção, mas as palavras foram interrompidas por mais sussurros.


Escorbuto...


...Grama escocesa...


...Aipo...


A voz emitiu tremores pela coluna e ele teve que conter um suspiro. Ele rapidamente se reuniu e retomou o contato visual com seu professor.


— Hum, escorbuto, grama escocesa e aipo?


— Você está me perguntando Potter, ou me afirmando? – Snape disse sarcasticamente, mas Harry ainda podia ver a surpresa no rosto do homem.


— Afirmando, senhor.


Snape olhou para ele por um longo momento antes de balançar a cabeça.


— Correto. Quais são os efeitos de comer folhas Alihosty* e qual é o antídoto?"


Ah! Eu conheço aquele! Er ... bem, eu sei metade disso. Harry pensou.


— Alihosty causa histeria quando ingerido – disse Harry, mas sua voz diminuiu no final da frase, já que ele não conseguia se lembrar do que era o antídoto. Ele havia lido Alihosty no início do ano e não havia revisitado aquele capítulo do livro de texto desde que sua mente havia se “esclarecido”.


Glumbumble*...


...Causa melancolia...


Harry piscou e mordeu o lábio enquanto a voz deslizava por sua mente novamente e ele teve que conter outro tremor. As palavras eram transpirais e breves, mas foi o suficiente para desencadear sua memória. Ele sorriu.


— O fluido de glumbumble é usado para fazer o antídoto. Geralmente causa melancolia, mas exclui a histeria causada pelo alihosty quando fabricado corretamente.


Snape estava olhando para ele com olhos desconfiados e agora Harry rapidamente puxou uma máscara de calma inocência.


— Nomeie duas poções em que as partes do jobberknoll* são usadas – Snape disse bruscamente.


Harry estava começando a se irritar por ainda estar sendo questionado e considerou sugerir ao professor que ele deveria deixar os outros alunos participar também, mas ele não era estúpido ou suicida, então ele não fez isso.


Soros da verdade... Memórias...


O canto dos lábios de Harry virou uma fração enquanto a voz doce respirava falava em sua mente.


— Veritaserum e várias poções de memória – Harry responde facilmente.


Veritaserum não estava no currículo do ano. Na verdade, nem sequer seria mencionado até o 7º ano. As partes de Jobberknoll eram usadas em alguns soros de verdade mais simples e mais fracas, uma das coisas que ele havia pesquisado anteriormente. Harry conhecia os ingredientes para Veritaserum porque ele também havia procurado especificamente por isso.


Os olhos suspeitos de Snape estavam aborrecidos e miravam em Harry agora, ele estava em um óbvio aborrecimento pelo fato de Harry ter respondido às malditas perguntas.


Sua expressão de repente se moveu e ele sorriu de um jeito bastante malvado. Harry franziu a testa um pouco, não gostando do que provavelmente resultaria dessa expressão.


— Qual é outro nome para a planta “falso pennyroyal”, e nomeie uma poção em que é usada – ordenou Snape.


Harry quis zombar de volta para o homem. A planta “falso pennroyal”? Que diabo é isso?


A presença sorriu e Harry sentiu um sorriso espalhado por seus lábios. Ele não tinha ideia do que era, mas o companheiro tinha. Os sussurros chegaram rapidamente e ele repetiu as palavras de volta ao professor.


— Isanthus brachiatus ou fluxweed. É usado na poção Polisuco, mas tem que ser escolhido quando a lua está cheia – Harry respondeu com facilidade e sorriu de forma bastante gentil. Ele não podia evitar isso. Ele estava gostando muito mais do que ele esperaria.


Os olhos de Snape brilharam com fúria por um momento antes de esmagar a reação.


— Correto – ele resmungou e olhou para a classe atordoada. – Bem, por que vocês não estão tomando notas? – Ele cuspiu com raiva e todos começaram a se arranhar rapidamente em seus pergaminhos.


Harry teve que lutar para conter a risadinha que tentava escapar de dentro de si. Era como o seu primeiro dia na classe de poções, tudo de novo. Exceto que desta vez ele teve as respostas.


E Snape estava furioso.


Harry ficou surpreso porque ele não conseguiu dar pontos para a sua casa, mas era de Snape que estávamos falando.


Harry ficou desapontado por não ter ouvido a voz novamente durante o resto da tarde. A presença apenas permaneceu em sua consciência por alguns curtos períodos de tempo durante o almoço e depois em Feitiços, era emocional e o comentário das imagens foi mais limitado. Harry quase teve a impressão de que ele estava cansado, ele se preocupou com isso brevemente. Harry estava ansioso para entrar em sua mente naquela noite para verificá-lo, então ele correu com sua lição de casa e rapidamente saiu da sala comum.


Ron estava olhando para ele de uma maneira engraçada toda vez que ele fugia para a cama cedo, mas ele não se importava com o que Ron pensava e sempre ignorava. Ele correu pelas escadas, guardou a bolsa e os suprimentos no porta-malas, rapidamente retirou sua roupa até ficar de boxer e subiu na cama.


Com um movimento de seu pulso e um silvo silenciado, as cortinas em volta da cama foram fechadas. Ele sentiu a magia se curvar ao redor dele deliciosamente e ele sorriu. Ele realmente estava começando a adorar parselmagic. Era tão fácil e obedecia-o sem nenhum esforço. Ele também adorou a idéia de que lhe deu uma vantagem incrível sobre os que lhe rodeavam. Ele nem sequer tinha que confiar em sua varinha. Ele ainda usava sua varinha para a magia normal, é claro, mas, graças a sua magia diferente, Harry não ficava indefenso sem ela, como qualquer ficava, na escola, quando era desarmado.


Ele se deitou na montanha dos travesseiros, aproveitando o luxuoso conforto deles e a boa qualidade do edredom e lençóis. Ele não conseguiu sequer imaginar voltando para o colchão rígido, lençóis desgastados e manta fina que ele havia deixado nos Dursleys quando o verão viria. Ele teria que comprar uma roupa decente e encontrar uma maneira de impedir que os malditos trouxas roubassem dele. Ele teria que encontrar algum tempo para que pudesse chegar ao Beco Diagonal para que ele pudesse ter trocado um pouco de seu dinheiro mágico por libras. Talvez ele finalmente pudesse comprar uma roupa decente também...


Ele não queria esperar até o verão para isso. Ele estava cada vez mais assombrado pelos castigos de Duda. Ele transfigurou algumas das suas camisas e calças em algo apresentável, mas ele precisava comprar roupas. Talvez ele faria isso no próximo fim de semana de Hogsmeade...


Harry suspirou e limpou a cabeça. Ele estava perdendo o tempo.


Com facilidade praticada, ele mergulhou em sua paisagem mental e foi diretamente ao ponto escuro onde seu companheiro residia em sua mente.


Harry apareceu no local onde sempre via a mancha escura. E mudou de forma novamente. A grande neblina escura ainda estava lá - embora estivesse cobrindo mais terreno -, mas isso estava acontecendo lentamente há algum tempo. Os tentáculos escuros ainda estavam disparando dele em todas as direções, rastejando mais e mais para fora e o plano de chão branco e indescritível era tingido de cinza, manchando-o levemente. Novamente, essa mudança estava acontecendo gradualmente, então o crescimento não foi uma surpresa. O que foi uma surpresa foi que parecia haver uma figura sentada no local onde Harry sempre descansava.


A figura não era inteiramente sólida e parecia apenas uma silhueta negra, mas era inegavelmente uma figura.


Harry aproximou-se lentamente. Seu coração estava batendo com grande emoção. Ele sabia que isso deveria lhe preocupar. Ele realmente estava preocupado. Realmente havia uma voz racional no fundo de sua mente, gritando que isso era algo ruim, mas a parte dele que estava estranhamente extasiada era muito mais forte.


Harry chegou a ficar de pé diretamente diante da figura negra mostrada, agora, em silhueta. Ele estava com a respiração irregular em antecipação. Estava excitado, mas ele não sabia o que fazer. A cabeça da figura estava abaixada, mas quando Harry parou, ergueu a cabeça e olhou para ele. Harry podia sentir uma sensação emocionada sobre seu companheiro e ele sorriu.


A figura era masculina e não era apenas uma cópia de Harry. Ele podia dizer isso. Seu companheiro era notavelmente mais alto. Magro e pouco musculoso, mas com ombros largos e uma postura poderosa. A figura era apenas uma escuridão ligeiramente translúcida, mas Harry ainda podia dizer que ele estava sorrindo para ele.


Hesitantemente, Harry estendeu a mão para o companheiro. Sua mão chegou ao ombro da figura e veio contra a massa sólida. O sorriso de Harry se espalhou ainda mais. Tocando a figura, enviou vibrações maravilhosas através de seus dedos e mão. Seu estômago sentiu que estava cheio de borboletas ansiosas. Ele deixou toda a sua mão descansar sobre o ombro das figuras e ofegou quando a mão oposta da figura subiu e se agarrou suavemente sobre a mão de Harry.


Seu estômago se revirava maravilhosamente e seus joelhos ficaram fracos com a força da sensação repentina.


Ele ouviu um eco de um suspiro e olhou para cima para ver uma expressão fraca e surpresa que enfeitava as características sombrias e translúcidas de seu companheiro.


Seus olhos encontraram o abismo preto de seu companheiro. A maioria da figura era meio nebulosa e faltava uma forma sólida, mas as íris de seus olhos eram sólidas, pretas e brilhantes. Os olhos de Harry trancaram nas órbitas preto-onix e ele sentiu como se pudesse se perder em suas profundezas.


— Bonito... – Harry ditou as palavras, sem sequer querer realmente fazer isso.


A figura sorriu, gentil e Harry sentiu um tom de vergonha por um momento antes dele mesmo sorrir e riu de suas próprias palavras.


O braço livre da figura ergueu lentamente. Uma sombra negra arrastava os movimentos, como um eco com queda de tempo. Harry observou com admiração quando a mão levantou-se e os “dedos” passavam suavemente sobre sua bochecha. Ele ofegou e sua cabeça caiu ligeiramente enquanto seus olhos se fechavam sem ter vontade própria.


Foi um gesto surpreendentemente íntimo. Era tão pequeno e simples e ainda assim os sentimentos que o preenchiam eram tão profundos. Ele quase sentiu como se ele chorasse com a força de tudo isso.


Ele se puxou de volta e abriu os olhos novamente para encontrar aqueles profundos abismos negros olhando para ele e sorrindo.


Harry...


O eco sussurrado de uma voz vibrou através do vasto espaço aberto de sua paisagem mental e enviou arrepios pela própria alma de Harry. Era uma voz tão linda. Ele queria ouvir mais. Ele queria que ele falasse mais alto e mais claro.


— Você falou comigo hoje – disse Harry em um sussurro como se tivesse medo se ele falasse alto demais, quebraria algum tipo de feitiço.


A figura assentiu e sorriu. Ele podia sentir que a afirmação era divertida. Harry sorriu.


— Obrigado por isso, por sinal – disse Harry com uma risada. – Parecia que Snape estava prestes a ter um desmaio, ele estava tão ofendido que eu consegui responder suas perguntas.


O riso ecoou pelo espaço e encheu Harry de alegria e fez com que ele se sentisse zonzo.


Quando se acalmou, os dois ficaram parados, tocando-se e olhando os olhos uns dos outros. Harry percebeu que perdeu a noção de tempo em algum momento e piscou. Ele abaixou a cabeça, sentindo-se um pouco envergonhado com a facilidade com que ele se deixou hipnotizar por esses olhos.


— Você... Você pode conversar comigo agora. Como? – Ele perguntou, finalmente.


Por que... Você deseja. Você me quer.


Foi seu... Desejo.


...Você me capacitou... Me deu força.


Você se compartilha comigo... Me permite acessar... Você.


Acessar sua magia.


Você tem...Uma magia maravilhosa, Harry. Tão bonito. Tão poderoso...


Pego apenas um pouco disso, e isso...Me alimenta... Muito. Devo me ajustar... Preciso de tempo... Vou crescer... Ficar mais acostumado...


... Tão surpreendente.


Harry piscou de surpresa ao seu companheiro enquanto as palavras ecoavam pelo espaço ao seu redor.


— Então... – Harry começou hesitante enquanto pensava nas palavras. – Você alcançou a minha magia e eu lhe dei o poder? É assim que você tem forma agora e por que você pode falar?


Sim...


Mas só porque... Você deseja. Só porque... Você permite.


A magia é sua... Harry. Não consigo tocá-lo... Sem você.


Sem sua permissão.


Harry balançou a cabeça e olhou para baixo, pensativo. Ele não tinha dado permissão explicitamente, já que ele honestamente não tinha idéia que tudo isso fosse possível, mas ele teve que admitir que ele realmente havia desejado que seu companheiro fosse mais do que uma nuvem de neblina. Ele adorou ter tentáculos envoltos em torno dele e desejou, em mais de uma ocasião, que fossem braços que estivessem envolvidos em volta dele.


Ele também tinha gostado muito quando seu companheiro tinha começado a se comunicar com ele, e tinha desejado que ele pudesse se comunicar com mais do que emoções ambíguas e imagens.


Agora ele podia falar com Harry usando palavras.


Ele.


Harry tinha que admitir que, mesmo antes desse ponto, ele pensava em seu companheiro escuro como homem, mas geralmente evitava rotulá-lo como tal em seus pensamentos. O tempo que ele passou envolto em seu companheiro às vezes era extremamente... Íntimo, e agora que não havia como negar o fato de que seu companheiro era um homem, ele estava com medo de que de alguma forma seu companheiro se sentisse estranho.


Como se ele tivesse lido a mente de Harry, a figura recuou, soltando a mão de Harry, que permaneceu em seu ombro durante todo esse tempo e esticou os braços, como se os oferecesse a Harry.


A respiração de Harry falhou um pouco. Sentia-se levemente consciente de si mesmo. Era mais difícil se permitir fazer isso quando não havia como negar que era uma pessoa com quem ele estava. Não era apenas uma porção ou representação de si próprio. Mas ele já sabia disso há muito tempo. Ele sabia que seu companheiro escuro não era apenas uma outra parte de sua própria mente. Seu companheiro era uma presença estrangeira, dentro da mente de Harry.


Harry respirou profundamente, reunindo sua coragem. Ele queria isso. Ele não permitiria que algum embaraço estúpido e injustificado o impedisse de fazê-lo. Seu companheiro ganhou uma forma porque Harry queria isso.


Ele deu um passo à frente e lentamente se envolveu seus braços em torno da cintura da figura enquanto ela envolveu seus longos braços ao redor de seu ombro. Ele segurou Harry perto e seus peitos ficaram pressionados juntos. Um gemido assustado escapou dos lábios de Harry quando sentiu o aumento da aceitação e ele se sentia revigorado por todo o seu corpo com o contato glorioso.


Um gemido longo e contente percorreu seus lábios e ele abraçou a cintura de seu companheiro ainda mais apertado.


Ele nunca abraçou alguém antes. Na verdade, Hermione havia o abraçado, mas Harry sempre tinha aceitado e simplesmente ficava parado desconfortavelmente até que ela soltava. Ele tinha ficado preocupado com a ideia de que não ssabia como abraçar adequadamente alguém, mas agora que ele estava envolvido nos braços de seu companheiro, era como se tudo estivesse certo. Tudo era exatamente como deveria ser.


Seu companheiro abaixou a cabeça e descansou o queixo sobre a cabeça de Harry. Suas mãos começaram a esfregar lentamente calmamente as costas de Harry e Harry sentiu-se derretido nos toques gentis. Parecia tão bom. Ele se sentiu tão completo e contente. Uma das mãos de seu companheiro deslizava e fazia caminho para os cabelos pretos e bagunçados de Harry. Seus longos e delgados dedos foram penteando através dos fios desgrenhados e massagearam o couro cabeludo de Harry em um círculo calmante.


Harry quase sentiu como se ele gemesse, era tão incrível. Suas mãos cruzaram as vestes transparentes e negras que envolviam a forma da silhueta de seu companheiro e ele enterrou o rosto no ombro dele, respirando profundamente.


Ele ficou surpreso ao descobrir que ele podia sentir o cheiro do outro homem. Ele se perguntou sobre isso. Considerando que tudo o que estava experimentando estava tudo na mente, era um tanto estranho que seus sentidos externos registrassem algo aqui. Mas ele podia sentir e ouvir seu companheiro, então ele supôs que fazia sentido que pudesse sentir o cheiro dele também.


Os dois ficaram ali, entre a névoa negra que enchia o ponto escuro na parte de trás da mente de Harry, segurando-se mutuamente por muito tempo. Quanto mais eles abraçavam, mais e mais a névoa negra começava a se espalhar, e mais manchado e cinzento o chão se tornava. Eventualmente, Harry escorregou para a inconsciência com um sorriso satisfeito em seu rosto.

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