quinta-feira, 29 de junho de 2017

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 4









— Caramba, Harry! Como você fez isso?! - Exclamou Ron quando os três deixaram a sala de aula de DCAT e começaram a abrir caminho para a grande escadaria. Era terça-feira e eles finalmente terminaram todas as aulas do dia e sobrava espaço ainda para o horário da janta.
— Fiz o que? – Harry respondeu ligeiramente confuso quanto ao "que" Ron estava se referindo agora. Ele tinha tido a impressão de que Ron foi inconsciente da maioria das coisas que ele fez na ultima meia hora.
— Isso... Que... Essa coisa que você fez! O que foi isso?
— Ron, sinceramente, eu não tenho ideia do que você está falando – Harry mal conseguiu esconder o ar de exasperação irritada em sua voz.
— Harry, acho que Ron está se referindo ao feitiço não verbal que você usou e que fez o manequim de treinamento se desintegrar – disse Hermione, enquanto lhe dava um olhar bastante cauteloso através de seus olhos estreitos .
— Oh aquilo? – Harry respondeu. Não tinha sido o feitiço de nível mais alto que ele usara em sua classe de Defesa naquele dia, embora ele tenha certeza de que ninguém tenha notado os mais interessantes.
Cada um tinha sido colocado na frente de um manequim encantado que foi feito para enviar feitiços aleatórios para eles. Moody lhes disse para desativar o manequim da maneira mais rápida e eficientemente quanto fosse possível e fazê-lo sem se deixar enfeitiçar. Harry cuidou disso de maneira bastante eficiente. Seu feitiço o atingiu no seu primeiro disparo, e o desabilitou completamente. Definitivamente eficaz.
Foi mais tarde que ele começou a ser criativo e fez um pouco mais de... Magias sutis ao redor da sala de aula.
Harry ficou entediado, já que ele completou sua tarefa primeiro. Ele estava encostado na parede, bem trás, na sala de aula, observando como o resto de seus colegas de classe eram repetidamente atingidos por feitiços menores, apenas animavam objetos e foram incapazes de realizar seus ataques além dos encantos fracos e pequenos escudos contra seus manequins. Foi patético, na verdade. Então ele começou a mexer com as pessoas - apenas enviando maldições e feitiços menores aqui e ali, só para se divertir. Eles tinham sido complexos e sutis, e o fato de ele ter feito tudo sem que ninguém mais percebesse envio-lhe uma grande excitação na espinha dorsal.
Mas Ron não estava entusiasmado com os resultados sutis de Harry. Ron não teria notado nenhum deles, mesmo que Harry tivesse feito isso enquanto segurava sua varinha diretamente sob o nariz do ruivo. Não. Ron nunca apreciou a sutileza. Ele estava entusiasmado com o estúpido feitiço que ele usara no início da aula. Harry mal conseguiu abster-se de revirar os olhos.
— Sim, isso – disse Hermione, com um tom bastante acusatório. – O que foi isso, Harry? Onde você aprendeu algo assim?
— Erm ... Li em um livro, em algum lugar. Não lembro onde exatamente – Harry disse com um encolher de ombros desdenhoso. A verdade era que seu companheiro tinha sussurrado em sua orelha uma semana antes quando ele estava tentando encontrar diferentes maldições e feitiços para praticar na preparação para o torneio. Ele ainda não sabia qual seria a próxima tarefa, mas ele não viu nenhum mal com a prática de maldições. Parecia um uso bastante decente do seu tempo livre.
— Eu não ouvi você dizer nada quando o jogou – disse Ron, sua voz ficou cheia de admiração. – Você realmente o lançou sem dizer nada!
Hermione sorriu com exasperação.
— Merlin, Ron! Harry tem feito quase todo seu trabalho de classe sem verbalizar por mais de um mês! Como você não pode ter notado!?
— Sério?! – Exclamou o garoto, virando-se para Harry.
— Uh ... sim, Ron. Eu tenho – Idiota, distraido, imbecil. Harry pensou quando revirou os olhos. Seu companheiro explodiu em gargalhadas, tornando muito difícil para Harry manter um rosto inexpressivo até que ele parou de rir.
— Como você aprendeu a fazer isso! – Exclamou Ron.
— Aprendi enquanto eu estava estudando sozinho - você sabe - para o dragão – Harry disse em um tom bastante irritado.
As orelhas de Ron ficaram coradas e ele olhou para os pés.
— Então, que magia foi? – Hermione perguntou, virando-se para Harry e dando-lhe um visual bastante expectante – Quero dizer, a que você usou hoje em Defesa.
Harry apertou o queixo com irritação, tentando amenizar o desejo de cercá-la e lhe dizer para se importar com o suas próprias coisas. Em vez disso, ele respirou devagar e puxou para seu rosto uma máscara desinteressada.
— Se chama distraxi — ele respondeu quando teve certeza de que poderia manter a raiva fora da sua voz.
Hermione franziu a testa.
— Eu nunca ouvi sobre isso.                                                        
Harry não conseguiu evitar de revirar os olhos desta vez.
— Obviamente – ele observou sarcasticamente.
Eles chegaram ao primeiro andar e começaram a abrir caminho para o hall de entrada.
— Que feitiço é exatamente? – Hermione prosseguiu. – Quero dizer, o que isso faz?
A mão de Harry estava tão forte na bainha da manga do manto que os dedos estavam ficando brancos, mas conseguiu manter um exterior vagamente calmo.
— É um feitiço que dissolve, Hermione. Literalmente significa arrancar em pedaços. – A verdade era que não era um feitiço. Era uma maldição. Mas ele sabia que Hermione só iria lhe irritar se admitisse isso a ela.
— Sim, mas quais são os limites? Certamente, você não poderia usar esse feitiço contra... Contra uma pessoa, você deveria? Nós deveríamos estar praticando uma maneira de parar alguém nos atacando com feitiços leves, Harry. Certamente você não usaria esse feitiço contra uma pessoa, não é?
Harry parou e se virou para olhar nos olhos dela. Seu rosto estava na maior parte em branco, mas a irritação ainda estava totalmente clara. Suas pálpebras estavam ligeiramente abaixadas e suas sobrancelhas estavam planas.
— A tarefa era parar o manequim com ataques e não ser atingido. O desafio era passar do encanto do escudo do manequim e desativá-lo. Eu fiz isso.
— Bem, sim, mas você não deveria encontrar uma maneira de fazer isso de um jeito que pudesse ser usado em um cenário real? Você poderia usar esse feitiço para parar um manequim, mas você não poderia fazer isso se fosse uma pessoa real... Certo? O que esse feitiço faria contra uma pessoa real?
— O que exatamente você está sugerindo? – Ele perguntou, sem rodeios.
— Bom, parece um pouco... Destrutivo, é tudo. Você tem certeza de que é apenas um feitiço? Parecia uma maldição, Harry. Especialmente porque conseguiu superar o escudo do simulador de treinamento tão facilmente...
— E o diffindo não é destrutivo? Bombarda não é destrutivo? E sobre o Confringo? – Ele perguntou num tom zombeteiro.
— Onde você quer chegar? – Hermione perguntou, assumindo uma postura bastante defensiva.
— Meu ponto é que todos esses feitiços são neutros e são ensinados como parte do currículo padrão de defesa de Hogwarts, e todos eles são destrutivos também. O maldito bombarda é ensinado nas aulas! Não vejo como o feitiço que eu fiz pode ter sido pior.
— Bombarda não é ensinada até o sexto ano, Harry!
— Você usou isso no ano passado! – Ele apontou.
— Bem, sim, eu leio os livros de classes superiores e você não respondeu a minha pergunta. O que esse feitiço faria se fosse usado em uma pessoa viva?
Os olhos de Harry se estreitaram e ele olhou furiosamente para a morena de cabelos grossos.
— Isso faria exatamente o que fez com o manequim – ele murmurou com um sussurro áspero.
Os olhos de Hermione se arregalaram lentamente e Harry se virou e continuou a caminhar pelo corredor. Hermione ficou atordoada no lugar e Ron ficou parado com a cabeça girando para frente e para trás, de Hermione para Harry, antes de correr depressa pelo corredor para alcançar o amigo.
— Você está brincando, certo, amigo? – Ron falou enquanto alcançava os passos bruscos de Harry. – Quero dizer... Rasgou aquele manequim em pedaços e o dissolveu em poeira! Em tipo... cinco segundos! Não aconteceria realmente isso com uma pessoa, certo?
Harry resmungou de frustração quando ele parou e se virou para olhar para seus "amigos".
— Você sabe por que a maldição da morte é chamada de maldição?
Ron balançou, mas sacudiu a cabeça, não.
— Porque isso é tudo o que pode fazer. Isso te mata É rápido, indolor e, pra ser honesto,  provavelmente a forma mais humana que você pode matar uma pessoa. Você sabe quantas outras magias podem matar uma pessoa? Centenas, provavelmente, milhares se você for criativo o suficiente.
"Você pode matar uma pessoa se você cortar a garganta com um diffindo bem lançado. Você pode matar alguém com uma bombarda, caso você a exploda em uma janela, ou perto de uma borda, ou exploda um grande pedaço de algo duro perto da cabeça. Se você  colocar força suficiente no feitiço, você provavelmente pode deslocar uma pessoa com a confringo! Que merda, gente, você pode matar uma pessoa com um lápis se você realmente quiser! Apenas porque eu usei um feitiço que poderia ser usado para matar alguém não significa que é só isso que vou usar. *Você precisa se livrar de todas as facas só porque alguém poderia esfaquear seu olho com uma?*
— Não... Claro, mas esse feitiço parecia um feitiço muito escuro, Harry – sussurrou Hermione enquanto ela estava ao lado de Ron. – Simplesmente... Senti que era das trevas.
— Bem, não é. É um feitiço neutro como os outros e seu uso não têm a ver com mutilar ou matar uma pessoa – gritou Harry. Claro, não é apenas um feitiço neutro... ele silenciosamente admitiu a si mesmo. – Além disso, você pensa honestamente que eu seria estúpido o suficiente para usar um feitiço escuro na escola? Na aula!
— Você está dizendo que você conhece alguns?! – Hermione ofegou.
Harry rosnou de raiva.
— Não, claro que não! – Bem... Talvez alguns... Mas não é como se fosse lhe dizer isso. Ele modificou a frase mentalmente e seu companheiro riu.
— Bem, eu realmente espero que não! É a classe de Defesa Contra a Artes das Trevas e não a classe das Artes das Trevas!
— Merlin! Eu aprendo alguns feitiços fora do currículo padrão e, de repente, você está pensando que "Harry Potter está ficando escuro" como a maioria!
— Eu simplesmente não vejo por que você precisaria aprender um feitiço que rasga as coisas assim! – Hermione argumentou, defensivamente.
— Duh... O Torneio Tri-Bruxo, tocou os sinos ai, Hermione? Você sabe, eu realmente preferiria não acabar morto este ano. Eu vou aprender o que for preciso para sobreviver a essa coisa.
Hermione abriu a boca, mas fechou-a e olhou para baixo.
— Sinto muito, Harry. Você está certo.
— Obrigado! – Harry disse com irritação enquanto jogava as mãos no ar.
Hermione suspirou pesadamente e voltou para o corredor. Os três voltaram a caminhar até o Grande Salão.
— Você está se saindo muito bem nas aulas ultimamente – Hermione sussurrou com uma voz muito mais tranquila depois de um momento de silêncio incômodo.
Harry entrecerrou os olhos e olhou para ela com desconfiança por um momento antes de encobrir isso, assumindo uma expressão tímida forçada.
— Er, obrigado.
— Você... Você acha que você poderia me ensinar alguma magia não-verbal que você estava fazendo? Talvez me apontar para qualquer livro que você tenha aprendido?
Harry piscou para ela com surpresa.
— Uh... Eu... Eu realmente não conheço Hermione. Quero dizer, não lembro exatamente de algum livro ou de qualquer coisa.
Hermione parou e olhou para ele com uma sobrancelha franzida e confusa.
Como você aprendeu então?
— Eu apenas fiz... Comecei a fazer isso. Eu tive uma epifania antes deste período, num sábado de manhã, quando eu estava pensando muito. Na verdade não posso explicar isso, mas eu descobri como tocar na minha magia de uma maneira que eu nunca havia feito antes. Eu apenas... Entendo agora. Ainda não tenho idéia de como instruir alguém sobre isso.
Ela franziu a testa e suspirou.
— Oh... Tudo bem.
O trio entrou no grande salão e abriu caminho para a mesa da Grifinória. Harry conseguiu evitar conversar na maior parte da refeição. Ron e Seamus, que estavam sentados em frente a Harry e Hermione na mesa, entraram em uma discussão acalorada sobre um próximo jogo de Quadribol entre os Morcegos de Ballycastle* e os Canhões de Chudley*. Hermione acabou comendo enquanto lia, e Harry estava agradecido pela oportunidade de ficar sozinho por um tempo. Ele sabia que teria que aproveita-lo enquanto pudesse, já que seus amigos esperavam que ele ficasse com eles na sala comum para fazer sua lição de casa.
Harry acabava de comer quando ouviu um barulho estridente de Ron. Ele olhou para cima e viu o maxilar do amigo pendurado, a boca estava praticamente descansando sobre a mesa. Um olhar para a esquerda revelou uma expressão idêntica que adornava o rosto de Seamus.
Harry estava prestes a perguntar o que eles estavam olhando quando ele sentiu alguém batendo em seu ombro. Ele virou em seu assento e viu ninguém menos que Fleur Delacour, logo atrás dele.
Seus olhos se arregalaram e seus lábios se separaram de surpresa apenas por breves momentos antes de se virar totalmente com um sorriso confiante e assentir com a cabeça.
— Mademoiselle Delacour, que prazer te ver nesta bela noite – disse Harry com uma seriedade simulada, dando um aceno engraçado com sua cabeça. Ela riu e revirou os olhos para ele. Harry ouviu um ruído estranho emanar de algum lugar na garganta de Rony, mas ignorou.
— Por favor, 'arry. Me chame de Fleur – ela disse sorrindo.
— Minha senhora, você me honra – disse Harry, ainda sorrindo de forma gentil. – Então, a que devo o prazer...? Você já tomou sua decisão?
— Eu tomei – disse ela, sorrindo ainda mais.
— Você vai me manter ansioso aqui? Estou absolutamente desesperado com a expectativa.
Ela riu.
— Você realmente é muito divertido. Espero que continue me divertindo com no Baile de Yule.
As sobrancelhas de Harry levantaram demonstrando um breve questionamento.
— Isso significa que você aceitou meu convite?
Ela revirou os olhos e riu suavemente.
— Sim, 'arry. Eu aceito.
Harry sorriu para ela.
— Perfeito.
— Eu vou te avisar depois sobre o local que você pode me pegar para irmos ao Baile, mais só quando o evento se aproximar.
— Estou ansioso para isso.
— Eu também – ela disse com um sorriso amigável enquanto se afastava – Até mais, ‘arry.
—  Tchau, Fleur.
Harry voltou-se para a mesa, rindo levemente e sentindo uma sensação de sucesso. Ele olhou para cima e olhou para a longa mesa da Grifinória... E para as outras mesas também - estavam todos olhando para ele.
O rosto de Ron era quase tão vermelho quanto seu cabelo e ele estava fazendo barulhos com sua garganta.
— Você está bem, Ron? – Harry perguntou com uma preocupação falsa.
— Isso foi o que eu acho que foi? – Seamus perguntou em um suspiro sufocado.
— O que você pensa que foi? – Harry perguntou, sorrindo.
— Foi... Espere, você pediu a Fleur Delacour para ir ao baile com você! – Seamus exclamou.
— Sim – Harry disse, encolhendo os ombros desdenhosamente.
— Quando?
— Hum... Na semana passada. Na manhã depois que McGonagall anunciou o baile.
— Sério?!
— Sim.
— E ela acabou de aceitar! – Seamus continuou, sua voz foi aumentando em cada palavra.
Harry riu e balançou a cabeça de forma afirmativa.
— Sim, Seamus. Eu perguntei pra ela e ela disse que sim – Harry falou devagar, como se ele estivesse falando com uma criança pequena.
A mandíbula de Ron agora estava flutuando para cima e para baixo e seus olhos estavam estranhamente dilatados. Harry alcançou a mesa e acenou com a mão na frente do rosto de Rony.
— Você está bem, amigo?
— F-ff-fleu... –  ele começou a gaguejar.
Harry revirou os olhos e voltou para Seamus.
— Então, você já perguntou a alguém?
— Oh, sim. Pedi a Lavender. Ela disse que sim.
— Parabéns.
Seamus tossiu uma risada.
— Nah, Harry. Se alguém estivesse felicitando qualquer um, eu deveria estar parabenizando você. Eu não consigo acreditar que você teve a chance de perguntar a Fleur! E mais... Eu não posso acreditar que ela disse "sim"!
Harry riu.
— É realmente tão difícil acreditar que eu poderia ter um par?
— Não é isso, Harry. É só que ela é Fleur Delacour! E você é apenas um aluno normal!
— Ff-fl-fl... – Ron continuou a gaguejar, idiota.
Harry riu.
— Sim, eu sei. Penso que o fato de que eu seja capaz de falar com ela sem gaguejar e babar como um idiota balbuciante realmente melhorou minhas chances, no caso.
O maxilar de Ron fechou-se e o rosto ficou vermelho novamente.
— Porém, eu não sei como você consegue – disse Seamus com admiração em sua voz. – Quero dizer... Você estava apenas falando com ela de um jeito tão fácil ali! Como você não pode ficar meio idiota em torno dela?
Harry encolheu os ombros e se abaixou para pegar sua bolsa.
— Eu não sei, eu simplesmente não sei. – Ele se virou para Hermione, que lhe estava dando um pequeno sorriso e ele revirou os olhos para ela. – Eu vou voltar para a sala comum. Vejo você mais tarde, ok?
— Tudo bem. Até mais tarde, Harry – respondeu Hermione.
Na manhã seguinte, no café da manhã, uma coruja com pintas cinzas atravessou o grande salão, juntamente com as inúmeras outras corujas e se acomodou na mesa em frente a Harry. A emoção de Harry cresceu e ele rapidamente alcançou o pergaminho que estava envolto na perna do animal. Ele a deu um pedaço de bacon e rapidamente desenrolou a carta.
— De quem é isso, amigo? – Rony perguntou com a boca cheia de ovos triturados. Harry mal conseguiu parar o desprezo que queria se espalhar por seu rosto quando alguns pedaços da comida caíram da boca do Ron sobre a mesa.
Desprezível...
Ele balançou a cabeça e olhou de volta para a carta. Era do boticário, o Sr. Mulpepper,  do Beco Diagonal.
Harry rapidamente leu a carta e em seus lábios foi formado um sorriso diabólico.
— O que é Harry? – Hermione perguntou enquanto se inclinava um pouco sobre o ombro dele.
Harry franziu o cenho e fechou rapidamente o pergaminho antes dela poder lê-lo. Ele mascarou seu aborrecimento e assumiu uma expressão simples e inocente.
— Eu ordenei algumas coisas do boticário em Hogsmeade, mas eles não tinham alguns dos ingredientes que eu precisava, então eles recomendaram que eu escrevesse para um boticário no Beco Diagonal. Estes são materiais que eu precisava.
— Que tipo de ingredientes? – Hermione perguntou, franzindo o cenho ligeiramente confusa.
— Eu precisava de algum sangue de Re’em.
Hermione pálida.
— Meu Deus, pra que?!
Harry revirou os olhos.
— Para uma poção.
Hermione franziu o cenho com leve irritação.
— Isso é obvio, Harry. Que poção você está tentando preparar?
— Uma poção pra reforçar a musculatura pra a próxima tarefa – Harry mentiu facilmente.
— E é permitido poções na próxima tarefa? – Ela perguntou surpresa.
— Claro. É por isso que foi dado a pista com tanta antecipação. Quanto mais cedo você descobrir, mais tempo você ter para se preparar.
— Oh. Isso faz sentido. Então você descobriu...
— Mmmmm – Harry cantarolou de uma forma bastante incomum enquanto tomava um pouco de comida. – Assim que todos os meus ingredientes aparecerem, eu vou ter que gastar algum tempo na preparação lá nas masmorras.
— Nós podemos ajudá-lo, amigo – disse Ron. Harry quase resmungou. Como se eu quisesse sua ajuda com poções.
— Não –  Harry disse com facilidade. – É para a tarefa. Eu devo fazer isso sozinho.
— Oh, ok.
Harry sorriu. Muito fácil.
Agora, ele tinha uma ótima desculpa pra se afastar deles para fabricar sua poção sem ter que dar desculpas extras. E ele sempre poderia falar que as poções nas quais ele estava fazendo lavavam vários dias para se preparar e, com isso, se afastaria deles ainda mais.
Na manhã seguinte, uma pequena caixa do Boticário de Hogsmeade chegou carregada por duas corujas marrons. Dois dias depois, a caixa contendo os ovos de Runespore e o sangue de Re’em chegou do Beco Diagonal. Era o último dia do semestre e Harry tinha um exame de poções naquele dia. Fabricação de antídotos.
Harry sabia que ele teria um tempo mais fácil com sua poção se ele realmente tivesse permissão para usar o laboratório de poções durante o intervalo, ao invés de tentar se esgueirar ou tentar preparar as poções em algum lugar mal equipado para fazê-las, então ele decidiu perguntar a Snape depois da aula.
O exame foi surpreendentemente fácil. Harry estava bastante certo de que ele tinha escrito a maioria das respostas corretamente e, como sua poção prática foi elaborada sozinha em vez de com um parceiro, ele conseguiu concluí-la sem nada explodir. Ele completou com um quarto de tempo atrás de Malfoy, Daphne Greengrass e Hermione, mas sua poção parecia melhor do que o de Greengrass, ele nunca esperava fazer melhor em poções do que Hermione ou Malfoy.
Infelizmente, já que era uma aula de prova, significava que, uma vez que Harry terminou o teste, não havia nada para ele fazer até que os outros tivessem terminado ou o tempo tivesse estourado. Quase todos saíram quando o tempo acabou e Ron olhou para Harry com uma leve confusão quando viu o amigo ficar para trás depois de entregar sua poção e o pergaminho que continha o teste.
Não demorou muito para que Harry ficasse incrivelmente entediado, então ele pegou a bolsa e tirou o livro de poções da seção restrita.
As duas poções "não restritas" que Harry planejava preparar eram uma poção restauradora nutricional avançada e uma poção de reestruturação de osso e músculo.
Ambas as poções, no entanto, normalmente exigem que Harry as tome todos os dias por anos até atingir o nível de correção que ele queria ganhar. Eles gradualmente conseguiriam corrigiam o dano causado por uma década de desnutrição.
A terceira poção - a que ele obteve do livro de seção restrita - era uma poção aceleradora e tinha sido inventada por um mago que achava que as outras duas poções, e outras poções restauradoras como elas, demoravam muito. Isso aceleraria e ampliaria os efeitos das outras duas poções, além de ter uma série de benefícios menores.
Ele ainda precisaria preparar as duas primeiras poções e tomar uma dose todos os dias, mas apenas por dois meses em vez de vários anos. A poção aceleradora seria tomada na oitava vez, ou seja, uma vez por semana. Ele precisaria tomar essa dose idealmente em um momento em que ele poderia permanecer na cama por doze horas sem ser perturbado, porque seria doloroso e o deixaria completamente acamado.
Assim, seu plano era fazê-lo nas noites de sexta-feira ou sábado e encontrar alguma desculpa sobre treinamento ou algo assim, para manter seus amigos afastados. Claro que ele ainda precisava descobrir onde ele iria ficar enquanto sofria essas sessões. Ele ainda estava trabalhando nessa parte.
Harry começou a passar por alguns dos capítulos posteriores do livro de poções. Poções e Rituais de Melhoria Permanente de Scaliea Vanity. Era um livro fascinante. Tudo colocado no livro era... Bom, permanente. Os rituais de aprimoramento da memória, as poções de fortalecimento físico, promovem o aumento drástico da clareza mental e do pensamento cognitivo.
Harry teve que admitir que mais do que alguns eram tentadores. No entanto, eles tendem a ter efeitos colaterais que seriam visivelmente óbvios para ele se arriscar a fazer muitos deles na escola. Possivelmente, depois que ele se formasse passaria a fazer vários deles.
Claro, as poções que ele estava planejando tomar mostrariam uma mudança obviamente  visível também. Esperava que ele pudesse alegar que teve um surto de crescimento mágico e que se exercitou para ficar em forma no torneio.
Ele olhou de volta para o livro.
Definitivamente, havia um número razoável de coisas que ele estava interessado em tentar mais tarde. Ele desejava que pudesse apenas copiar a maldita coisa, mas negocio sobre direitos autorais impediu-o de fazer isso. Ele considerou apenas mantê-lo pra si. Ele realmente não tinha sido "verificado" pela bibliotecária, então ninguém sabia que ele tinha, mas Harry suspeitava que houvesse encantos em todos os livros da biblioteca que os impediam de serem removidos da escola.
Escreva o... Editor...
Harry piscou e depois revirou os olhos para si mesmo por não ter pensado nisso sozinho. Ele virou a página da capa e procurou qualquer informação sobre o editor. Ele o encontrou imediatamente e puxou um pedaço de pergaminho para copiá-lo.
Jasper Beech; Crespus Publishing
Ele escreveu uma carta perguntando se poderia comprar uma cópia do livro diretamente deles, assim que terminasse com Snape.
Falando nisso... Harry olhou ao redor da sala e viu que Goyle e Lavender Brown eram os únicos que ainda restavam na sala. Nenhuma das poções parecia muito promissora e Harry duvidava que Snape tivesse paciência para esperar que os dois as finalizassem.
Ao descobrir que ele poderia usar o tempo que ainda tinha, Harry começou a escrever para a editora. Era algo bem simples. Apenas perguntando sobre o livro específico e se ele poderia ou não comprar uma cópia diretamente da editora e, se ele não pudesse, perguntava também se havia um revendedor no qual ele poderia entrar em contato. Assinou a carta sob o mesmo nome, Notechus Noir, que ele havia usado com o boticário, dobrou-o e o colocou na capa de seu livro.
Olhou para cima vendo Snape caminhar furiosamente pela sala e olhar para Lavender e Goyle. O homem rosnou para eles apenas para pegar o que eles tinham e transformar as “poções” em seus testes. Harry arrumou suas coisas e se sentou na cadeira, esperando até que os outros dois terminassem.
Assim que a porta da masmorra se fechou atrás de Goyle, Snape girou e olhou para Harry.
— Potter, – ele sibilou em um tom silencioso e ameaçador – o que você ainda está fazendo aqui?
— Eu preciso preparar algumas poções para a próxima tarefa. Estava planejando fazê-lo durante as férias de Natal e estava esperando que pudesse fazê-las em um dos seus laboratórios de poções – disse Harry rapidamente, chegando direto ao ponto. Ele sabia que enrolar só irritaria mais Snape.
O mestre das poções estreitou os olhos e olhou para Harry de forma especulativa.
— E você realmente precisa usar uma das minhas salas de aula para essa pequena tarefa sua? – Snape zombou com ar de ceticismo.
— Eu creio que sim. Preciso de um lugar calmo onde eu possa me concentrar e onde eu não terei nenhum amigo da minha casa respirando no meu pescoço. Eu também preferiria fazê-lo em um laboratório de poções devidamente equipado, em alguma sala de aula vazia aleatória. Eu queria obter sua permissão primeiro e me certificar que não estaria causando qualquer inconveniente usando um dos seus laboratórios.
O lábio de Snape enrolou com desdém.
— Que atitude diferente de você mesmo, Potter. Atendendo as necessidades de outras pessoas e as regras de consideração antes dos seus próprios interesses...
Internamente, Harry revirou os olhos. Externamente, Harry manteve uma expressão perfeitamente em branco.
— Estaria tudo bem, senhor?
Os olhos de Snape se estreitaram e ele observou Harry durante um longo minuto antes de dar um rápido aceno de cabeça.
— Você pode usar o laboratório de poções B. Ele permanecerá sem uso durante toda a pausa.
Os cantos da boca de Harry viraram para cima num sorriso pequeno e imperceptível.
— Obrigado, senhor – ele disse ansiosamente. – Eu realmente aprecio sua boa vontade.
Snape pareceu desgostoso e rapidamente enxotou Harry da sua sala de aula.
Harry rapidamente deixou as masmorras e começou a abrir caminho para o corujal. Se ele tivesse sorte, ele poderia enviar essa carta antes que Ron ou Hermione o alcançasse de novo, então ele não precisaria mentir sobre pra quem ele estava escrevendo ou por quê.
No dia seguinte, sábado, uma vez que o almoço terminou, ele abordou Ron e Hermione, lhes informando que começaria a preparar suas poções e não estaria disponível para o resto do dia.
Coletou todos os ingredientes dele em uma única caixa e os pegou, juntamente com os utensílios necessários para preparar os materiais para o laboratório de poções B. Rapidamente configurou tudo.
Levou toda a tarde e uma parte da noite para preparar a primeira poção. Ele tinha uma grande quantidade de objetos quando terminou. Conjurou tudo numa caixa de madeira e seis dúzias de frascos de vidro pequenos. Ele mediu cuidadosamente dois meses de doses e coloque uma dose em cada frasco.
Guardou todos os seus suprimentos em sua nova caixa cheia de poções e limpou seu local de trabalho. Ele fez um rápido feitiço que encolheu a caixa de madeira e, em seguida, uma barreira de amortecimento em torno dela antes de colocá-la na bolsa e sair da masmorra.
Ele estava completamente “morto” quando finalmente terminou e se dirigiu para a cama.
O dia seguinte foi o mesmo. Ele criou a poção de crescimento muscular e ósseo, e demorou bastante tempo também. Mais uma vez, ele conjurou outra caixa de madeira e outro grande conjunto de pequenos frascos de cristal – tudo era maior desta vez, já que a dose desta poção era cerca de três vezes mais grossa que a outra.
Chegou segunda-feira e Harry tomou sua primeira dose de cada uma das duas poções. Não eram boas, mas também não eram tão ruins como algumas das outras poções que ele tomou quando estava aos cuidados de Madame Pomfrey ao longo dos anos.
Sexta-feira era o baile de Yule, então Harry planejou fazer a primeira dose da poção aceleradora no sábado à noite, até o domingo de manhã. Mas primeiro ele tinha que preparar. Como ele sabia que essa levaria um tempo mais longo, ele planejava deixar Ron e Hermione logo após o café da manhã. Cerca de metade da refeição, chegou uma coruja com o que parecia um catálogo de atacado de pedidos por correspondência na perna da ave. Harry olhou para ele com leve confusão por um momento antes de removê-lo do pássaro e deu-lhe algumas salsichas.
Após um exame mais aprofundado, Harry percebeu que era da editora de livros, Crespus Publishing, de onde veio seu livro de poções. Ele sorriu ao ler uma pequena nota anexada do Sr. Jasper Beech; Proprietário e editor, dizendo que o livro que ele indagava tinha uma edição mais nova disponível e que ele poderia comprá-lo diretamente deles, usando seu serviço de ordem das corujas. Os detalhes foram incluídos em seu catálogo.
Harry empurrou-o em sua bolsa e disse a Ron e Hermione que ele estava saindo para começar a trabalhar em sua poção. Ron gemeu sobre Harry estar desperdiçando suas férias com trabalhos de poções e Hermione lhe disse para se certificar de que ele ainda tinha tempo para dedicar aos trabalhos de casa nas férias.
Harry se segurou e conseguiu ir embora sem dizer algo sarcástico para eles. Fazendo assim seu caminho para as masmorras.
Harry não conseguiu descrever o quanto ele estava agradecido pela presença de seu companheiro quando se tratou de preparar a última poção. Era um assunto incrivelmente delicado e era, honestamente, acima do nível dele. Mas seu companheiro foi surpreendentemente paciente e sua orientação sempre o manteve no caminho certo.
Durante as pausas entre os ingredientes ou entre os momentos em que ele teve que ficar de pé e mexê-lo tantas vezes no sentido anti-horário antes de adicionar um único movimento no sentido horário, Harry se sentou na sua cadeira de trabalho e folheou o catálogo.
Tornou-se bastante óbvio imediatamente que a Crespus Publishing se especializava em livros questionáveis ​​sobre questões questionáveis. No entanto, alguns desses assuntos "questionáveis" provocaram uma onda de curiosidade excitante em Harry.
Ele mastigou a borda de sua pena, travando uma batalha interna. Um sorriso perverso se espalhou por seus lábios fazendo-o rir e deu de ombros quando colocou a pena no pergaminho e marcou todos os livros que ele queria pedir.
Havia alguns.
Quando o jantar passou, Harry terminou. Sua poção parecia uma lama prateada semi-translúcida. Saiu da concha e entrou nos oito frascos que a comportaria. Não se imaginou gostando de engolir isso, mas ficou surpreso ao descobrir que realmente cheirava muito bem.
Harry limpou o local de trabalho, empacotou os suprimentos e abriu caminho para a torre da Grifinória. Ele guardou suas coisas, antes de pegar o formulário de pedido de sua bolsa e correr para o corujal.
O resto da semana passou pacificamente. Todas as manhãs, tomava outra dose das duas primeiras poções e passava o dia lendo na sala comum ou relaxava na cama, dentro da sua mente com seu companheiro.
A coloração cinzenta e manchada se espalhou por quase todos os espaços da sua paisagem mental. A névoa negra também ocupava quase um quarto do grande espaço e dava a seu companheiro mais espaço para vagar. Harry descobriu que poderia fazer a massa escura e ambígua – que ele uma vez relaxou – ficar em uma forma específica, se ele desejasse, então ele o transformou em um grande sofá de couro preto estofado.
A coisa toda estava em sua cabeça e ter um sofá para descansar não afetava efetivamente o tempo que passava com seu companheiro, era um luxo que ele gostava de dar a si mesmo, então ele manteve lá.
Além disso, ele gostava da imagem dos dois enrolados no grande sofá de couro. O couro também era legal e luxuoso contra a pele, mesmo que ele soubesse que isso estivesse apenas em sua cabeça.
Harry não estava presente para o incidente real, mas Ron aparentemente conseguiu ofender Hermione no início da semana. Ele, de repente, percebeu que Hermione era uma menina e lhe pediu para ir ao baile com ele, num ataque de desespero, enquanto também insinuou que ela não poderia ter um par para ir ao tal baile. O pobre idiota também tinha sido estúpido o suficiente para apontar que, embora fosse ruim que um cara aparecesse sem um par, era absolutamente mortificante para uma menina.
Hermione se recusou a falar com ele depois disso.
Em algum momento, naquele mesmo dia, Ron finalmente ficou tão horrorizado com a perspectiva de aparecer na dança sem um par que ele acabou gritando um "convite" para a primeira garota que ele havia encontrado no momento - o que aparentemente tinha sido Parvati Patil.
Noite de terça-feira, Harry se sentou em sua mente com seu companheiro e ambos tentaram achar a um lugar privado onde ele poderia tomar sua poção. Ele precisava de um lugar onde ninguém poderia incomodá-lo. Poderia lançar encantos silenciosos, então não precisava necessariamente ser um a prova de som, mas essa possibilidade – de ser um lugar fora do alcance do som – não seria tão ruim.
Harry estava frustrado com a falta de opções e, finalmente, entrou no sono, ainda não tendo certeza sobre o que faria.
Ele acordou aquela manhã com inspiração. Por alguns minutos sólidos, ele tinha certeza de que ele conhecia o lugar perfeito onde só ele poderia ir e ninguém poderia incomodá-lo. Então a realidade caiu sobre si como um balde de água gelada e ele franziu a testa.
A Câmara... Foi o que ele pensou. Ele poderia ir para a Câmara e não se preocupar com absolutamente ninguém que possa o interromper, mas então ele se lembrou do estado da Câmara e de quão completamente enojado com o lugar que ele estava.
Além disso, também havia um grande basilisco apodrecido lá embaixo. Já deveria estar com um cheiro ruim lá. Agora, haveria o benefício adicional de dois anos de do corpo de uma cobra gigante em decomposição.
Harry fez uma careta.
No entanto, ele estava tendo a impressão distinta da pequena presença que ele sentia de seu companheiro no fundo de sua mente. Ele ainda deveria investigar a idéia.
Após o almoço, ele disse a Ron e a Hermione que ele precisava verificar uma poção que tinha deixado a um baixo fogo de longa duração e que ele não sabia quanto tempo ficaria longe. Correu até a torre da Grifinória e pegou seu manto de invisibilidade e o mapa do Maroto. Ele entrou em uma sala de aula vazia no terceiro andar, se cobriu com o manto e ativou o mapa. Uma vez que ele tinha certeza de que ninguém estava “atrás” de si e que ninguém estava por perto para vê-lo ir para o banheiro de Murta, ele foi ao 2º andar e entrou.
Felizmente, o fantasma parecia ausente, então ele foi direto para a pia que não funcionava e sibilou § abra § na torneira. A pia se moveu e se afastou, revelando uma ampla abertura num túnel profundo e escuro.
O lábio de Harry virou num sorriso desagradável à vista do túnel. Ele não queria ir deslizando, coisa que tinha feito no segundo ano. Se perguntou se ele deveria ter trazido sua vassoura junto com ele. Logo sentiu a presença de seu companheiro crescer em sua mente.
Escadas...
— Huh?
Chame as... Escadas.
Harry franziu a testa, confuso por um momento, mas ele se ajoelhou na beira do buraco e sibilou.
As bordas lisas do túnel de repente começaram a mudar de forma e degraus estreitos e íngremes surgiram. A primeira seção era tão íngreme que era praticamente uma escada estreita, mas ainda era uma tremenda melhoria. Harry sorriu.
Ele começou a descer e, uma vez que a cabeça dele estava abaixo da entrada, ele sibilou o comando fechado a passagem o deixando instantaneamente envolto na escuridão. Ele puxou sua varinha e lançou um lumus para iluminar a ponta. Não demorou muito para descer, e uma curta distância do túnel alargou-se e mudando para um deslizamento gradual o suficiente para que ele pudesse atravessar os degraus sem se dobrar ou descer como se fosse uma escada.
Ele terminou de descer e entrou no túnel maior que estava preenchido com os ossos de inúmeras coisas mortas. Quando ele encontrou a seção de túnel que cedeu ligeiramente, sibilou alguns feitiços de banimento e ajeitou a pilha de pedras, revelando uma sensação de calor que vinha da sua magia e que girava ao redor dele, percorrendo-o. Ela formigou de maneira deliciosa fazendo seu estômago enrolar enquanto ele fazia coisas grandes como mover tais pedras. Infelizmente, ele raramente tinha a oportunidade de fazer coisas grandes como essa.
Harry pensou que, mesmo se ele não usasse a Câmara para tomar sua poção, ele ainda poderia vir ali para praticar magia em particular. Esse pensamento o deixou excitado e um grande sorriso se espalhou por seus lábios.
Ele encontrou a segunda entrada e a abriu com outro assovio. Se preparou para uma onda de horrível odor podre, mas ficou surpreso ao descobrir que não houve aumento significativo no cheiro de coisas mortas.
Entrou na Câmara e logo viu o cadáver do basilisco. Quase esqueceu quão enorme era o maldito animal.
Ele realmente lutou contra esse monstro quando tinha doze anos?
Balançou a cabeça, ficou cheio de uma raiva fervente pois sabia que ele havia sido forçado a uma situação como essa. Por que diabos ele tinha que continuar lidando com essas coisas? No entanto, os professores não eram capazes de entrar ali via oral, então eles não poderiam ter chegado à câmara, mas não havia realmente nenhuma maneira de usar magia para encontrar o lugar?
Embora, ele acreditava, que Slytherin provavelmente tinha tido muitos problemas para manter o lugar escondido, então a magia convencional deveria ser inútil, especialmente se você não sabe o que está procurando.
Ainda assim... A escola não tem proteções que detectam artefatos escuros? Por que o diário nunca foi detectado? Todos alegaram que as proteções de Hogwarts deveriam ser uma das mais poderosas do mundo e que a escola era o lugar mais seguro na Grã-Bretanha.
Harry bufou.
Aham, claro.
Eram apenas palavras vazias. As proteções não detectavam merda nenhuma. E se o fizeram ou Dumbledore não sabia como lê-los ou os ignorou de bom grado.
Inferno! Voldemort esteve na escola por um ano inteiro, preso na parte de trás da cabeça de Quirrell! O que essas proteções poderiam mesmo faze? Elas não conseguiram pegar Voldemort que estava na escola bem na parte de trás da cabeça de um professor, e nem um artefato escuro como aquele diário. Claramente, eram inúteis.
Harry balançou a cabeça.
Ele sempre esteve sozinho. Ninguém o protegeu. Ninguém nunca o fez. Ele sempre teve que cuidar de si mesmo. Ele teve que cuidar de si mesmo no Dursley e isso não mudou nem um pouco quando entrou no mundo mágico. Tudo o que mudou foi que agora mais pessoas estavam tentando matá-lo.
E por quê? Ele percebeu que mal sabia.
Harry lutou contra eles simplesmente pra se defender. Apenas tentando desesperadamente se manter com vida. Ele entrou na metade das suas aventuras-bagunças porque ele sentiu a necessidade de tentar salvar as pessoas, mas qual era o objetivo de correr como um idiota, salvando pessoas se tudo o que queriam era matá-lo?
Ele suspirou pesadamente e tentou retirar os pensamentos incômodos da sua mente. Harry começou a avaliar a enorme serpente e ficou levemente perplexo em constatar como ela parecia... Intacta.
Não estava apodrecido!
Magicamente preservada... A voz de seu companheiro explicou com um sussurro de respiração que enviou um arrepio na sua espinha dorsal.
Harry acenou com a cabeça e olhou para a monstruosa besta aprovando aquilo. Realmente era uma pena que ele tivesse tido que matá-la. Claro que era isso ou ser comido.
Vá para a estátua...
Harry parou e se virou para olhar a grande estátua de Salazar Slytherin, na qual o basilisco havia surgido dois anos. Ainda estava aberta e ele rapidamente se aproximou dela. Ele olhou para a escuridão e entrecerrou os olhos. Ele ergueu o braço e enviou uma série de pequenas bolas incandescentes de luz no local, cada uma parando cinco pés mais abaixo do que a última e acendendo o longo do grande túnel.
Ele percorreu um caminho surpreendentemente longo.
Cerca de 20 metros de distância depois, sentiu um desejo preenchê-lo. Ele sentiu que estava vindo de seu companheiro, mas a sua presença permanecia em silêncio. Harry olhou ao redor do grande túnel em que ele estava de pé e sentiu um pulso de magia na parede ao lado dele. Ele estendeu a mão e a escovou contra a superfície lisa e rochosa. Havia algo lá e ele aproximou sua varinha.
Uma pequena serpente foi esculpida na rocha. Curioso, ele se inclinou e sussurrou § Abra §, só para ver se iria funcionar.
Um segundo depois, uma costura apareceu na pedra lisa na forma de uma porta. A rocha se afundou e deslizou para o lado revelando uma entrada.
Curioso, Harry entrou e ficou atordoado com o que encontrou.
Era uma sala de estudo. E estava revestido com uma espessura grossa de poeira. O local era do mesmo tamanho que o escritório de Dumbledore. Havia um tipo de espreguiçadeira luxuosa, uma mesa esculpida em madeira e bem ampla e uma grande cadeira de madeira alta também esculpida com desenhos de cobras ondulando as pernas e no apoio das costas. As paredes estavam alinhadas – do chão ao teto – com prateleiras, todas cheias de livros.
Harry se aproximou e começou a examinar a sala ansiosamente.
Ele lançou um lumos maxima e enviou a luz brilhante até o teto para iluminar melhor o espaço enquanto ele explorava. Embora fosse verdade que estava coberto de poeira, não era o suficiente para o valor de mil anos. Tom Riddle deve ter entrado neste lugar também, ele raciocinou. Provavelmente limpou alguns livros durante seu tempo em Hogwarts.
Harry caminhou até a espreguiçadeira e com uma varredura rápida de sua varinha e um redemoinho controlado de sua magia, toda a poeira e a sujeira foram banidas.
Parecia de veludo ou algo semelhante. Era um verde esmeralda profundo e tinha pequenos botões pretos brilhantes na forma de caveiras costuradas nas costas e no lado, puxando o tecido de pelúcia, a cada seis polegadas ou mais.
Ele passou a mão pelo tecido e o sentiu suave e macio na sua pele. Ele sorriu. Isso era perfeito.
Ele poderia descer aqui uma vez por semana para tomar sua poção e ter a garantia de privacidade completa. E ele poderia praticar seu trabalho de magia aqui embaixo na câmara com o basilisco. Sabia que as salas das escolas não detectaram nada aqui embaixo, então não havia tanta preocupação...
Ele parou e sentiu uma sensação de antecipação emocionada subir por ele. Ele poderia tentar alguns desses... Feitiços escuros... Ele se sentia seguro, realmente, lançando algum deles, já que sabia que não havia alguma coisa que detectasse para o que ele estava fazendo. Além disso, ele realmente não tinha nenhum lugar privado o suficiente para fazer tais coisas antes. Agora ele tinha.
Ele só tinha mais algumas pequenas reservas sobre praticar magia negra. Sua opinião sobre o ramo da magia mudou drasticamente nos últimos dois meses, embora ele não conseguisse identificar exatamente o porquê.
Era tudo magia. Leve, escuro, neutro. Era muito conhecimento para se limitar apenas a um ou dois ramos da magia, ele estava apenas se segurando. Se mantendo ignorante de um poderoso bem de conhecimento e magia, parecia algo idiota para ele agora.
Ele estava na escola para aprender magia e, pela primeira vez desde que ele chegou a Hogwarts, ele se viu consumido com fome de conhecimento. Cada novo feitiço que ele aprendeu - cada nova teoria que ele entendeu - mais excitado ele se tornava. Era emocionante exercer esse poder.
Por que ele não deveria aprender a usar todos os ramos da magia que o interessavam?
Harry passou duas horas explorando a sala de estudo e os livros contidos nela. Ele estava literalmente alegre - vibrando com entusiasmo. Ele deslizou dois livros em sua bolsa e deixou a sala. Ele continuou pelo longo túnel e encontrou a enorme câmara onde o basilisco vivia. Estava cheio de ossos e sujeira e Harry rapidamente saiu para retornar à câmara de entrada e depois voltou a subir as escadas.
Ele verificou o Mapa para se certificar de que tudo estava limpo antes de comandar a pia para se afastar pra que ele pudesse sair. Ele glamuriou a capa de um dos livros para parecer seu livro de transfiguração e se instalou em uma das cadeiras da sala comum.
Ron tentou fazer com que Harry se juntasse a ele num jogo de xadrez, mas Harry disse que estava ocupado e não podia. Hermione sorriu com aparente aprovação para a nova e estudiosa atitude de Harry. Harry sorriu, internamente. Ela dificilmente daria tal aprovação se soubesse que ele estava lendo sobre os fundamentos da teoria da obscuridade.

Um comentário:

  1. Primeiramente gostaria de te dar os parabéns sabe? ?
    Para uma puta desprovida de qualquer senso de criatividade você se manteve discreta sabe??
    Perdão, erro meu é te citar como puta afinal putas não ficam de página em página plagiando a fic dos outros! !
    Sim sua cadela arrombada do caralho eu sei quem você é!
    Sei todas as fics que tu plagiou aliás eu tirei print de tudo e entrei em contato com os autores OK?
    Você não merece o sobrenome Potter!
    Aliás você seu resto de squib misturado com sangue ruim nem merece a honra de se referir a nobre casa Sonserina! !
    E
    U

    S
    E
    I

    D
    E

    T
    U
    D
    O


    E POSSO FAZER DE SUA VIDA UM INFERNO! !
    Então tome vergonha nessa sua cara de trasgo mongoloide e apague os perfis fake OK??
    Estarei de olhos abertos !!

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