quinta-feira, 29 de junho de 2017

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 3








Ele se recostou na luxuosa poltrona de veludo e suspirou em grande frustração. Tocou o livro que descansava no colo. Suas mãos minúsculas e ósseas - que seguravam o dito objeto - o agoniavam, isso não acontecia porque o livro era especialmente grande e sim porque ele era extremamente pequeno.
O homúnculo que ele criou para si mesmo o tomou nesse último ano e meio e, para completar, a conclusão não teria sido possível se ele não tivesse adquirido os serviços de Rabicho. Um fato que ele não queria admitir.
Ele estava finalmente em uma forma física que não estava constantemente à beira de dissolver ou morrer, e ele tinha acesso a sua própria magia mais uma vez - embora ela fosse instável e seu uso o esgotasse rapidamente.
Ele odiava estar assim. Era uma provocação. No entanto, era melhor do que aquela meia-vida que existia nele antes disso – algo que o deixou tão perto e, no entanto, tão longe de ter um corpo totalmente funcional e finalmente poder se concentrar em suas tarefas. Estar nesta forma lhe dava um gosto do que era ter finalmente um corpo de volta, mas o corpo em si era tão patético e fraco, só servia para frustrá-lo e enfurecê-lo.
Ele precisava do sangue do menino para completar adequadamente o ritual que ele havia projetado. Não poderia se dar ao luxo de permitir que a proteção ridícula continuasse e somente o uso do sangue do menino faria isso. Ele tinha que admitir que não havia entendido completamente a natureza da proteção oferecida ao menino por sua mãe. Essa ignorância o irritava demais.
Temia que a existência e o mistério por trás disso fossem ligados, de alguma forma, a essa maldita profecia. Ele precisava se livrar dessa ameaça para que pudesse retomar seu trabalho! Era tudo muito importante pra ele ser vencido por um garoto ignorante, que só estava agindo cegamente nas ordens desse velho odiosamente louco!
Mas esperar a oportunidade certa de agir era irritante.
E para agravar as coisas, ele estava entediado. Horrivelmente e terrivelmente entediado.
Ele olhou para o livro no colo dele e suspirou. Tinha lido isso décadas atrás. Relê-lo agora era um pouco interessante, apenas isso. Ele queria enviar Rabicho para buscar mais alguns livros, mas não podia arriscar que seu criado fosse visto pelo público. Já estava sendo arriscado demais enviá-lo a aldeia trouxa vizinha para buscar suprimentos e coisas aleatórias. Tinha que esperar até que Barty pudesse retornar novamente.
Ah, Barty... Lealdade implacável. O homem o adorava, sem dúvida. Havia sido tão afortunado quando descobriu que seu servo ainda estava vivo e bem... Ou algo assim, já que passou vários anos em Azkaban e depois muitos outros anos sob o Imperius, trancado na casa de seu próprio pai. Apesar da sanidade levemente questionável de Barty, ele sabia que ele poderia confiar na lealdade dele.
Por sua vez, Rabicho ficou inteiramente longe conta de sua covardia. O homem estava aterrorizado com sua própria sombra. Era patético. Ele desejou poder chamar um servo mais competente para o seu lado, mas não podia arriscar. Ainda não. Ele ainda estava muito fraco e seus servos estavam todos com muita força e ignorantes da imagem do Voldemort de agora. Se eles sentissem sua fraqueza, eles poderiam facilmente tentar se aproveitar disso e ele não estaria em posição de detê-los. Então ele teria que começar todo esse processo desgastante novamente como ele tinha feito depois que o Garoto havia destruído Quirrell.
Estúpido e patético Quirrell. Mas ele ainda se fazia um servo melhor que Rabicho. Ele zombou do nome com grande desgosto em sua mente. Estava em um estado tão triste e patético que ele tinha sido reduzido a confiar em um rato tão nojento. Repugnante.
Logo... Logo ele seria devolvido a toda a sua glória. Ele reuniria seus velhos seguidores e recrutaria sangue novo. Ele precisava restaurar o poder das trevas e desmontar a montanha do dano que o tolo Dumbledore causara com sua insensata loucura.
Ele só podia esperar que ele não estivesse atrasado demais. Seu trabalho era imperativo, e ele sentia o tempo trabalhando contra si. Ele tinha que completar suas tarefas e colocar as coisas de volta em equilíbrio ou todos estariam condenados, luz e trevas juntos. Como Dumbledore poderia ignorar voluntariamente os sinais de sua própria destruição estava além do entendimento dele. O homem era um idiota. Seus ideais condenariam a todos.
E ele não iria se afundar com os trouxas. Não. Ele lutaria para devolver a magia o seu lugar legítimo, mesmo que ele tivesse que agarrar esse caminho com unhas e dentes. Era seu dever jurado e ele não deixaria mais isso passar.
Ele só precisava de tempo... Mas o tempo estava trabalhando contra ele. Tinha trabalhado contra ele por tanto e tanto tempo.
Ele suspirou de frustração novamente, desejando que pudesse encontrar uma maneira de acelerar as coisas. Ele cavou dentro de si mesmo para tocar as mais sombrias de suas magias. A magia que era dele, a magia que era única. A magia que lhe foi dado pela própria Magia como parte de sua tarefa.
Essa magia nunca o havia deixado mas, sem forma corpórea, havia pouco que podia fazer com isso. Pelo menos ela lhe forneceu força para fazer o homúnculo*.
Ele puxou a magia e girou em torno de si mesmo, saboreando a habilidade de fazer isso, pelo menos isso. E ele sabia que sua força só aumentaria com o passar do tempo.
Ah... Lá estava de novo. O Tempo. Sempre o tempo. Tudo demorava e ele ainda tinha pouca paciência.
Ele criou outra onda de magia e riu levemente com a sensação que o preenchia. Isso era poder. Poder que só ele poderia exercer de forma adequada.
Encantador e delicioso poder. E ele usaria isso para restaurar o mundo como deveria ser. Ele só precisava de tempo.


Harry acordou com um suspiro que instantaneamente se transformou em um gemido enquanto suas costas arqueavam a cama. A magia rodopiava por ele em um estado assustador e dançava ao longo de sua pele como pequenas faíscas de energia.
Quando recuperou o foco, a onda se dissipou como uma brisa agradável e ele soltou um suspiro. Piscou através das pesadas pálpebras e franziu a testa enquanto tentava peneirar suas memórias para entender o que acabara de acontecer.
Ele estava com seu companheiro. Eles ficaram lá – dentro de si – juntos por... Por muito tempo. E foi maravilhoso...
E então... E então ele estava sentado nessa cadeira de estudo novamente. A cadeira era boa. O tecido era elegante e suave e havia um fogo na lareira à esquerda. Ele estava lendo um livro.
E era um livro brilhante... Coisas fascinantes... Coisas tentadoras...
Eu me pergunto se há um lugar na escola onde eu poderia experimentar alguns desses feitiços...
Mas sentiu-se aborrecido com isso. Ele tinha lido isso antes... Há muito tempo... E sua sensação de impaciência, por ter que esperar, havia sido muito frustrante para permitir que ele se concentrasse no livro especifico. Ele precisava...
Harry se sentou.
Puta merda!
Tinha sentido tudo como se fosse tão real. Ele se lembrava como se fosse ele, ele mesmo, lá. Se sentou por quase três minutos sólidos passando as lembranças antes mesmo de perceber que ele era Voldemort!
Harry balançou a cabeça. Não! Não, ele não era Voldemort. Ele simplesmente estava vendo através dos olhos de Voldemort.
E ouvindo seus pensamentos. Pensando com seu mente. Como se fossem meus pensamentos. Pensamentos e sentimentos que me fizeram sentir como se fossem inteiramente meus. E a magia! Foi... foi incrível!
Harry se sentiu abalado e respirou fundo. Ele desejou que seu companheiro estivesse lá para ele. Não gostou do jeito que se sentiu naquele momento. Envolveu seus braços em torno de si mesmo, imaginando que aquele pouco calor era o mesmo de quando estava nos “braços” de seu companheiro.
Ele queria aquele calor de volta. Ele precisava disso. Precisava para que ele não se sentisse sozinho. Não queria mais se sentir sozinho. Não queria. Nunca mais.
Assim como seu corpo estava começando a sacudir e tremer com sua onda irracional de solidão, a presença apareceu em sua mente e ele suspirou aliviado.
Harry...?
— Você está aqui – Harry respirou um sussurro enquanto sorria e se deixava cair contra os travesseiros.
O que aconteceu?
Harry balançou a cabeça e riu fracamente do quão ridículo foi o seu ataque de quase pânico.
Estou bem, pensou Harry em sua mente.
O que aconteceu? Seu companheiro repetiu com sua voz de seda, de um jeito mais estável agora.
Eu... Eu tive uma visão.
Você viu... Através de seus olhos...?
Harry acenou com a cabeça, apesar de estar deitado na cama sozinho e conversando com uma pessoa dentro de sua mente.
Sim
Isso...Chateia você? Você viu alguma coisa... Que você não gostou?
Harry balançou a cabeça e suspirou. Não, nada como isso. Ele estava sentado na sala de leitura. Eu acho que o que realmente me aborreceu foi que eu nem percebi que eu era ele. Eu deveria poder perceber a diferença entre sua mente e a minha... certo?
Não tenho certeza disso, Harry... Mas agora acabou... Eu estou aqui.
Harry sorriu enquanto sentia o calor de seu companheiro abraçar sua mente e um glorioso tremor dançava em seu estomago por conta das palavras suaves.
Finalmente, Harry levantou, afastando as cortinas de sua cama. Seus colegas de dormitório ainda estavam dormindo. Era cedo, mas lançou um tempus rápido que dizia que o café da manhã seria servido em uma hora. Harry poderia tomar um bom e longo banho e absorver a água quente sem ter que compartilhar o banheiro com os outros – já que eles sempre dormiam até o último minuto possível.
Harry recolheu seus artigos de higiene pessoal, puxou uma toalha e boxer, entrando no banheiro em seguida. Colocou suas coisas de lado de um jeito despojado, se virou e o olho dele pegou o espelho ao lado e, por algum motivo, ele parou. Ficou ali olhando para si mesmo. Raramente fazia isso. Não gostava de olhar para si. Harry nunca teve uma auto-imagem muito positiva. Uma década de desnutrição e negligência o deixaram estranho e meio frágil. Ele também era pequeno para sua idade e sabia que era inteiramente o resultado de lhe ser negado comida adequada por tanto tempo.
Ele tinha um tônus muscular decente. Anos de trabalho manual em torno da casa e quintal dos Dursley, compostos por três anos de quadribol, pelo menos lhe deram isso. Mas ele ainda parecia desagradável. Ele podia facilmente ver suas costelas e sua clavícula era muito óbvia.
Ele se perguntou, de repente, se havia algo que ele pudesse fazer com a magia. Ele era um feiticeiro, afinal!
Mas um glamour não seria suficiente. Ele não queria esconder, nem disfarçar sua aparência. Ele queria realmente corrigi-la. Corrigir o dano causado por aqueles repugnantes e porcos trouxas.
Poções...
A voz sussurrou e ele piscou de surpresa e depois corou levemente. Ele havia esquecido que ele não estava realmente "sozinho" no banheiro. Ali estava ele, ficando totalmente nu diante de um espelho...
A presença riu da sua súbita onda de pensamentos. Harry conseguiu se recuperar do constrangimento e rapidamente se afastou do espelho. Ele caminhou até o chuveiro, abriu a torneira e ajeitou a temperatura. Ah... Sim, aquela era a temperatura perfeita.
Harry começou a espumar o shampoo em seus cabelos e reorientou-se sobre o que seu companheiro havia dito.
Então, uma poção, hein? Ele perguntou mentalmente.
Existem vários. Deve ser tomado... Programado... Ao longo do tempo.
Harry assentiu com a cabeça. Isso fazia sentido. Se fosse uma mudança física real, provavelmente não seria instantânea. Provavelmente seria melhor se fosse uma mudança gradual. Se ele de repente mudasse durante a noite, as pessoas notariam.
Vou orientá-lo... Para os livros. Vá para a... Biblioteca... Depois.
Harry sorriu.
Ele estava ansioso por isso. A perspectiva de ser capaz de consertar pelo menos algo que os trouxas nojentos haviam feito com ele, o deixava ansioso. Ele rapidamente terminou o banho e voltou para o dormitório. Ele vestiu suas roupas e saiu para o café da manhã. Ainda havia algumas horas antes da Transfiguração. Se ele comesse rápido o suficiente, provavelmente poderia fazer uma rápida pesquisa de livros antes de ter que ir para a aula.


Sua visita à biblioteca tinha sido parcialmente bem sucedida. Ele tinha pego dois livros diferentes de poções, mas o que seria o mais útil estava aparentemente na seção restrita. Ele planejou voltar aquela noite com seu manto de invisibilidade. Provavelmente poderia ter obtido permissão de um de seus professores para pesquisar na seção restrita, pois poderia ter algo que o ajudasse a se preparar para a próxima tarefa, mas ele não tinha absolutamente nenhuma idéia do que era a próxima tarefa, já que ainda não conseguiu descobrir o que fazer com o maldito ovo.
Ele precisava descobrir isso em breve...
Harry atravessou rapidamente os corredores em direção à sala de aula de Transfiguração. Ele perdeu a noção de tempo e a aula começaria em breve. Atravessou a porta exatamente quando o sino tocou e ele rapidamente se sentou em uma cadeira na ultima fila, suspirando em alívio.
Hermione virou em seu assento e olhou para ele com preocupação e desaprovação óbvia por chegar tão tarde. Seu brilho foi quebrado quando McGonagall limpou a garganta e chamando assim a atenção da classe.
Em vez de entrar diretamente no modo “professora”, McGonagall anunciou que a folha de inscrição para aqueles que ficavam na escola durante as férias havia acabado de ser colocado na sala comum.
— Agora, antes de todos vocês tomarem a sua decisão, eu deveria deixar todos vocês cientes de um desenvolvimento muito importante para as festividades das férias deste ano... Este ano, Hogwarts será o anfitrião da celebração do baile de Yule* – McGonagall fez uma pausa e olhou para os grifinórios. Os olhos das garotas se iluminaram com entusiasmo, enquanto os rostos dos meninos se encheram quase que instantaneamente de medo.
— O baile de Yule, como o nome mostra é, antes de tudo, uma dança. Ela será realizada na véspera de Natal, e qualquer pessoa no quarto ano ou mais será bem-vinda. Terceiranistas podem comparecer se tiverem um par do quarto ano ou acima.
Neste momento, alguns sussurros de irritação encheram a sala, mas um olhar afiado de McGonagall trouxe o silêncio.
Alguns minutos a mais de conversa e McGonagall concluiu seus anúncios começando a lição real de transfiguração. Harry não tinha certeza exatamente sobre o que pensar do Baile de Yule. Ele não tinha absolutamente nenhum desejo de lidar com alguma maldita dança e se perguntou se ele poderia fugir ou apenas ignorar o assunto, mesmo que ele ficasse nas férias. Rapidamente se concentrou no trabalho de classe e quase se esqueceu completamente da celebração quando a aula chegou ao fim.
— Sr. Potter, fique para trás – disse McGonagall, enquanto Harry começou a arrumar seu livro, pergaminho e pena. Harry franziu a testa, assentiu com a cabeça e terminou de recolher as coisas, levantando-se da mesa.
— Gostaria de algo, professora? – Harry perguntou assim que o último aluno tinha deixado a sala.
— Sim. Eu queria informá-lo que, como um dos campeões Tri-Bruxo, você e sua parceira deverão participar da valsa tradicional no início da celebração. Você vai precisar de assistência para se preparar para isto, vou fazer aulas de dança neste fim de semana para aqueles estudantes que precisam.
Harry piscou.
— Espera... Eu tenho que ir ao baile? – Harry perguntou rapidamente.
McGonagall franziu os lábios e franziu a testa.
— Sim, Sr. Potter. Claro. Você é um dos campeões. Sua participação é obrigatória.
Harry gemeu e resmungou internamente.
Ótimo... apenas ótimo.
— Oh... Tudo bem – murmurou, tentando afastar uma parte de sua amarga irritação. Ele suspirou pesadamente e olhou de volta para a professora. – Hum... sim, acho que provavelmente vou precisar dessas... Lições – disse em com apático resmungo.
— Certo, Sr. Potter. A aula de dança será realizada no sábado às 15h.
Harry deu-lhe um sorriso bastante falso junto com um agradecimento e despediu-se antes de correr para a aula de DCAT.


— Nossa, cara! Você pode acreditar? Uma dança! Ugh! – Ron disse enquanto se sentava pesadamente no banco ao lado dele aquela noite no jantar.
Harry olhou para Ron com uma sobrancelha levantada, mas não respondeu imediatamente. Ron já tentou essa tática várias vezes; Conversar com Harry como se nada tivesse acontecido entre eles, na esperança de que Harry agisse da mesma forma que antes e eles pudessem voltar para o modo como as coisas costumavam ser.
Harry suspirou pesadamente, renunciando ao tédio de uma conversa com seu colega de dormitório ruivo. Ele não consideraria o menino como seu amigo novamente, mas até Harry percebia como ele estava sendo terrivelmente anti-social ultimamente. Ele mal falava com alguém fora das interações de classe obrigatória. Ignorar todas as pessoas que ele conhecia não era uma tática sábia. Ele não se importava realmente com o que as pessoas pensavam dele, mas não era estúpido o suficiente para pensar que a posição social e a opinião pública não eram importantes.
— Sim... uma dança – Harry disse sem entusiasmo, enquanto esfaqueava uma linguiça de porco.
O rosto de Ron se iluminou ligeiramente com a esperança de finalmente ter conseguido algum tipo ou resposta de Harry e ele pressionou.
— Então, acho que isso significa que temos que obter parceiras.
Harry revirou os olhos.
— Sim. Parceiras – resmungou e franziu a testa. Ele realmente não gostava dessa idéia. Ele não estava nem vagamente interessado em qualquer pessoa na escola. Sendo forçado a pedir uma garota aleatória... Ele não queria, considerava uma “parceira” algo apenas irritante.
— Alguma idéia de quem você quer levar? – Ron perguntou, tentando desesperadamente empurrar a conversa para frente.
Harry suspirou e se afastou levemente da mesa. Ele olhou ao redor do grande salão, esperando que seus olhos simplesmente caíssem sobre uma boa candidata e salvasse-lhe do incômodo de ter que realmente pensar sobre isso.
Sua breve pesquisa não estava chegando a lugar nenhum e ele suspirou, resignado a ter que pensar sobre essa escolha quando viu um conjunto de túnicas azuis, liderado por Fleur Delacour.
Harry sorriu.
— Talvez eu pergunte a Fleur – ele riu antes de olhar para seu prato, fazendo outro impulso violento de seu garfo na pobre linguiça indefesa.
Ron estremeceu em choque, sufocando um pouco sobre o suco de abóbora e olhou para Harry como se estivesse bravo.
— Você está brincando certo? – Sua voz se quebrou.
Harry olhou para Ron com uma cara de “blefe” perfeitamente reta por quase um minuto antes de lhe dar um sorriso largo, rindo e balançando a cabeça.
— Sim, Ron. Provavelmente – ele disse, transformando o sorriso em algo malicioso.
Embora, ele acrescentou, mentalmente para si mesmo, seria muito engraçado se o cara que honestamente - de toda a escola - não se importasse com a meia-veela, fosse quem tivesse de ir à dança com ela.
Talvez ele perguntasse. Apenas para ver o que ela diria. Se ela recusasse - o que ela provavelmente faria... Ele era jovem e tinha apenas catorze anos, afinal, não é grande coisa. Certamente, não quebraria seu coração e então ele poderia simplesmente perguntar a outra sobre isso.
Mas, se ela realmente dissesse que sim, talvez durante a maldita dança, ele poderia descobrir se ela sabia sobre o ovo. As pessoas fazem contato visual quando dançam. Seria uma questão simples de ir para sua mente e encontrar qualquer informação sobre a próxima tarefa.
Um sorriso irônico se espalhou por seus lábios. Não era um plano ruim.
A presença de seu companheiro cresceu em sua mente e Harry sentiu  que ele estava rindo em acordo.
Definitivamente, era um bom plano.


No dia seguinte, Harry esperou na entrada do grande salão, encostado na parede e com o livro de poções que ele havia roubado da seção restrita na noite anterior. Ele estava lendo isso enquanto observava o grupo de garotas francesas. Elas geralmente chegavam muito cedo, de modo a evitar a multidão de babadores – garotos hormonais – que tendiam a persegui-las regularmente.
Como era o dia seguinte de anuncio do baile, parecia provável que elas fossem abordadas.
Inferno, Harry estava planejando a mesma coisa maldita. Ele só esperava fazê-lo sem parecer um completo idiota.
Ele tinha lido todo o caminho através das instruções sobre a primeira poção que estava tentando preparar para começar a corrigir seu corpo pateticamente subdimensionado, e estava prestes a começar a reler os passos apenas para se certificar de que ele pegou todos os pequenos detalhes que precisaria para fazer tudo direito, quando ele percebeu o azul pálido do canto do olho.
Se afastou a parede, fechou o livro e deslizou-o para dentro da bolsa. Ele assumiu uma posição confiante e um sorriso calmo, mas seguro de si mesmo.
A confiança era a chave, mas não arrogância. Era um equilíbrio exato e ele teria que fazer tudo corretamente ou então seria apenas outro "menino idiota" clamando por sua atenção.
À medida que as meninas se aproximavam, várias delas o observavam cautelosamente, algumas delas até o olhavam com raiva. O rosto de Fleur permaneceu principalmente passivo, com um tom de curiosidade.
— Bom dia, mademoiselle Delacour, – Harry disse com um sorriso ligeiramente arrogante e um pequeno arco – eu gostaria de saber se poderia pedir um momento do seu tempo? – Ele disse enquanto estava de pé e sorria de forma atrevida.
A sobrancelha de Fleur subiu numa fração pequena, juntamente com o canto de seus lábios. Ela pareceu considerar por um momento mas assentiu e lançou um rápido olhar às garotas que a rodeavam, silenciosamente lhes pedindo para que a esperassem.
Harry balançou a mão para o lado, os dois se afastaram do grupo para um lugar marginalmente mais privado, cerca de três metros de distância.
— Você quer algo, Monsieur Potter? – Ela perguntou um momento depois.
— Sim, eu estava pensando se você poderia considerar ir ao Baile de Yule comigo – disse Harry com facilidade e um sorriso simples, mas sincero. Não houve a menor sugestão de medo ou incerteza em qualquer das suas palavras ou ações. Ele podia dizer pelo olhar que ela achou tudo bastante surpreendente. Atónita porque um estúpido garoto de 14 anos teria a chance de perguntar a ela.
— Você quer que eu vá para ao baile com você? – Ela perguntou com uma mistura de choque e curiosidade divertida em seus olhos.
— Essa é a idéia geral, então sim – Harry disse com um rápido aceno de cabeça e um sorriso – Você está interessado?
Ela olhou para ele por um longo minuto, e Harry percebeu que estava pensando honestamente.
— Vou levar sua proposta em consideração – disse ela finalmente. – Eu tem outros preetendentes interessados, como eu tenho certeza que você deve está ciente.
Harry sorriu e riu calmamente.
— Oh, tenho certeza que há muitos outros morrendo de vontade de te perguntar. Rapazes mais velhos. Talvez até mais interessantes, embora eu ache que isso seja difícil de imaginar – ele disse com o nariz ligeiramente no ar, antes de sorrir amplamente e rir – Embora eu garanta que nenhum deles será uma presença tão divertida. Ainda assim, eu entendo completamente – disse Harry, dando-lhe outro pequeno arco de cabeça. Ela realmente riu levemente e o sorriso de Harry só cresceu em resposta – Tente não me manter em espera por muito tempo, ok?
— É claro. Issu seria grosseiro. Eu te informo assim que tiver escolhido.
Harry sorriu de novo e acenou com a cabeça.
— Obrigado.
Ela sorriu de volta para ele com diversão cintilando em seus olhos.
— Você parece muito mudado desde o início do ano, Monsieur Potter.
Harry olhou-a com brincadeira.
— Bem, ser forçado a um torneio mortal faz maravilhas para motivar uma pessoa a crescer um pouco. Eu tive algumas mudanças bastante poderosas na minha vida nos últimos dois meses – ele terminou dando de ombros de uma forma desdenhosa.
— O seu desempenho foi muito surpreendente. Eu não sabia que você era um ofidioglota. É um talento raro.
— Sim, é sim – disse Harry com outro gesto desdenhoso antes de se debruçar em um discurso em um sussurro conspiratório simulado:
"Eu costumava tentar mantê-lo em segredo porque todos aqueles sussurros sobre eu ser um mago escuro costumavam me deixar com uma opinião idiota sobre mim mesmo, mas consegui superar isso – ele terminou com uma risada.
— Oh?
— Sim. Deixe-os acreditar no que eles querem. É um talento que possuo e não vou evitar uma habilidade perfeitamente legítima, só porque algumas pessoas estão um pouco assustadas com isso
— Hm – ela fez um pequeno ruído de aprovação e sorriu para ele. Ele sorriu um pouco mais largo.
Ela revirou os olhos para Harry, mas seu sorriso só cresceu.
— Eu devo ir. Minhas amigas estão esperando e temos o café da manhã para tomar.
— Claro – Harry curvou-se e balançou a mão, fazendo um gesto de volta para a entrada onde seus amigos ainda estavam de pé, sussurrando furiosamente. Uma multidão de outros estudantes parecia estar por lá também.
Ela riu dele e balançou a cabeça.
— Você é muito divertido, Monsieur Potter.
— Por favor, me chame de Harry – ele disse quando começou a caminhar ao lado dela, de volta para seus amigos.
— Tudo bem," arry "–  disse ela. – Eu vou deixar você saber quando eu tomar minha decisão.
— Obrigado.
Entraram no grande salão e se separaram. Fleur e as outras garotas Beauxbatons se dirigiram para uma mesa especialmente preparadas para elas e Harry foi caminhando com confiança para a mesa da Grifinória. Dean era o único de seu ano já lá e ele estava olhando para Harry com o maxilar ainda aberto, praticamente descansando sobre a mesa.
Harry sentou-se e rapidamente começou a arrumar seu prato enquanto fingia estar alheio a todos os pares de olhos ciumentos, atualmente treinados sobre ele. O sorriso não deixa seus lábios.
Seu encontro com a francesa tinha sido incrivelmente fácil. Harry riu quando ele pensou em quão completamente impossível teria sido a apenas dois meses antes.
Merlin, ele estava tão feliz por não ser mais tão estúpido, fraco e idiota.


Cada dia que passava, seu companheiro conseguia ficar mais e mais com ele e durante longos tempo. As palavras vinham cada vez mais facil. No final da semana, eles foram quase capazes de manter uma conversa fluida por meia hora antes de seu companheiro cansar e ter que voltar para dentro mente de Harry.
Harry perguntou a ele o porque de ficar cansado tão facilmente depois de falar com Harry quando estava acordado e ele respondeu dizendo que, para ficar na consciência externa de Harry, ele tinha que tirar da magia de Harry. Ele explicou, com sua maneira de sussurro quebrada, que a magia de Harry, e sua magia não era totalmente compatíveis e era preciso muita força para ele usar essa energia. Mas essa retransmissão de palavras reais, em vez de emoções, tomou mais força do que ele possuía por conta própria.
No entanto, ele disse a Harry que, a cada dia que passavam, as duas fontes mágicas cresciam cada vez mais, e se tornava mais fácil para ele encostar no núcleo de poder de Harry, por isso ele estava aumentando a capacidade de ficar por mais tempo e falando mais.
Harry não estava inteiramente certo do que fazer com essa revelação e se perguntou se ele deveria se preocupar com o fato de seu tipo mágico estar se tornando mais como o de seu companheiro... E o que diabos isso significava.
Ele suspeitava que estava relacionado com a forma da mente, uma vez branca, e agora grisalha. Mas ele não conseguiu pensar que isso era ruim. Quanto a área cinzenta se espalhava, mais confortável sentia lá.
Por um momento, ele sentiu que o branco tinha sido muito brilhante . Sempre que ele entrava em sua mente, ele se afastava apressadamente para o canto escuro e enterrava o rosto no abraço de seu companheiro. Ele odiava olhar para a extensão branca. Era “cegante” e impertinente. Começou a irritá-lo com o brilho e, como cada vez mais era deslocado para cinza, sentia-se cada vez mais satisfeito e confortável.
Ele queria que mudasse mais rápido. Ele estava cansado do “branco”.


Harry ordenou que uma coruja fosse ao boticário em Hogsmeade com uma lista de ingredientes que ele precisaria para as três poções diferentes que planejava fazer. Eles responderam lhe dizendo que podiam providenciar tudo o que precisava, exceto o sangue Reemis*, que eles não tinham. Eles recomendaram um boticário na Travessa do Tranco chamado Sr. Mulpepper que se especializava em peças de animais mágicos exóticos, o que Harry agradeceu.
Harry também precisava de alguns ovos de Runespoor* para a poção que ele tirou do livro da seção restrita, mas ele sabia que era melhor pedir ao apicultor de Hogsmeade.
Runespores estavam protegidos, por isso era ilegal vender seus ovos. Eles ainda eram negociados no mercado negro, é claro, mas Harry não tinha idéia de como entrar em contato com alguém assim.
Talvez este Sr. Mulpepper da Travessa do Tranco fosse de alguma ajuda.
Harry escreveu uma resposta ao Boticário de Hogsmeade confirmando o pedido e depois outro para Gringotts, pedindo-lhes para transferir os fundos necessários diretamente para o proprietário. Uma vez que o boticário teve seu dinheiro, eles enviariam Harry um pacote com os ingredientes especificados e ele poderia começar sua preparação das duas de três poções.
Ele agradeceu que nenhuma das poções que ele precisasse fazer fosse tão complicada quanto a poção polissuco tinha sido. Nenhum ingrediente tinha que ser colhido na lua cheia ou tinha que passar por um mês de cozimento lento.
Não. As três poções que ele planejava fazer poderiam ser fabricadas em questão de horas e pronto para começar um horário de consumo imediatamente após.
Ele não podia esperar.
Mas, é claro, ele teve que esperar, já que ele ainda estava faltando dois ingredientes-chave para a poção mais importante do lote.
Ele escreveu rapidamente uma carta à loja em Knockturn Alley sob o apelido, Notechus Noir. Ele foi com Noir com respeito ao seu padrinho Sirius, já que Noir significava "preto" em francês. Seu companheiro sugeriu Notechus. Era um nome latino para cobra-tigre e seu companheiro disse que se adequava a ele – embora de que jeito Harry realmente não conseguia entender. Seu companheiro também fez sugestões úteis sobre o que exatamente dizer e como fazer para obter o que ele queria sem ter um excesso de suspeita. Esperando que funcionasse. Ele poderia ter assim seus ovos de Runespoor sem problemas consideráveis.


Naquele sábado, aconteceram as lições de dança, e um número surpreendentemente grande de grifinórios apareceu para ela. Aparentemente, sua diretora de casa havia sido bastante insistente. Ela não queria que seus leões parecessem um bando de babuínos bobocas que balbuciam em bando no baile.
As meninas estavam ansiosas e alegres, enquanto os garotos estavam estranhos e envergonhados. Harry teve que lutar para segurar sua risada com a idiotice de seus colegas. Eles estavam praticamente suspirando em terror e, quando instruídos a colocar a mão na cintura das suas parceiras, a maioria deles parecia ter acabado de dizer era pra colocar a mão em cubos de ácido fervente.
Harry tinha sido a primeira cobaia já que, quando McGonagall pediu um voluntário para dançar com ela e demonstrar para o resto da turma, ele tinha sido o único disposto a fazê-lo.
Os gêmeos assobiaram e gritaram para ele e ele piscou para eles, baixando a cabeça divertidamente antes de tomar a mão da professora e colocar sua mão sobre a cintura dela sem a mínima hesitação.
Por fora, ele estava rindo selvagemente dos olhares atordoados de seus companheiros de classe.
Era apenas a sua professora! Claro, a mulher tinha idade suficiente para ser sua avó, então não era como se ela estivesse a fim dele.
Os movimentos de Harry estavam bastante complicados no início. Enquanto ele tentava lembrar os passos e continuava dançando no tempo da música ao mesmo tempo, mas ele pegou tudo rápido o suficiente e McGonagall lhe deu um pequeno sorriso de aprovação.
Foi pouco depois disso que ela forçou o resto dos alunos reunidos a parcerias e começou a dar instruções para cada um deles. Harry esperou do lado enquanto ela caminhava pelo grupo, dando conselhos específicos aos que mais estavam sendo ruins... O que era a maioria deles. Harry observou e fez notas mentais sobre o que tentar e o que evitar especificamente, bem como quem evitar na pista de dança, para não ser derrubado.
Finalmente, McGonagall voltou para ele e ele a levou de volta à pista de dança com uma leve risada.
Ele facilmente reencontrou seu ritmo e entrou numa dança confortável.
— Devo dizer, Sr. Potter, estou bastante impressionado. Você pegou rapidamente.
Harry sorriu.
— Obrigado professora. Eu tentei.
Ela levantou uma sobrancelha, mas ele pôde ver o canto da boca torcendo contra o desejo de sorrir.
— Sim, aparentemente sim – ela respondeu secamente, apenas fazendo Harry sorrir mais largo. – Eu realmente queria elogiá-lo. Sua performance de classe, neste último mês, teve uma ótima melhoria. Seu trabalho escrito também teve uma mudança drástica para o melhor.
— Sim, bem, ter que enfrentar pessoas três anos mais velhas do que eu em um torneio praticamente projetado para me matar é uma grande motivação para estudar mais – disse Harry com um leve ar de sarcasmo.
— Eu imagino que seja. Estou orgulhoso de como você parece estar lidando com a pressão, embora eu também tenha percebido que você não parece estar falando com muitos de seus colegas de classe.
— Eu diria que eles não estão falando comigo.
— Nem o senhor Weasley ou a senhorita Granger? Vocês três sempre pareciam tão próximos, mas nunca mais o vejo com eles. Nunca mais o vejo com ninguém hoje, Sr. Potter. Devo admitir que estou um pouco preocupada com você.
Harry sentiu-se tenso e teve que lutar para evitar que uma expressão ruim se espalhasse pelo rosto. Ele queria saber o que ela estava pensando e percebeu que era uma ótima oportunidade para ver se conseguia fazer uma varredura mental enquanto dançava. Ele não tinha sua varinha em sua mão e também não a teria no baile. O companheiro lhe disse que poderia fazê-lo se focasse o suficiente, então decidiu tentar.
Inclinou a cabeça e fez contato visual. Ele chamou a magia para ele e entrou em sua mente com surpreendente facilidade. Ele quase não passava da superfície de seus pensamentos. Krum tinha sido capaz de dizer que ele estava na mente dele e Harry não duvidava que uma professora tão antiga e experiente como McGonagall poderia ter um senso mais definido de uma invasão mágica em sua mente do que os estudantes que ele tentou fazer isso até agora. Então, ele não estava disposto a arriscar a sua exposição ao se aprofundar ali. Da mesma forma, ele queria saber o que a professora pensava sobre seu comportamento social recente, então ele demorou, escolhendo pedaço por pedaço enquanto os olhava.
Retraido. Anti-social. Quieto. Facilmente irritado. Ela o viu desafiar várias pessoas na última semana. Ela também o viu lançar alguns olhares desagradáveis em um casal de sonserinos que o provocavam sobre o último artigo de Skeeter. Ela também estava preocupada com seu comportamento em relação a alguns dos lufanos. Parte de seu pensamento sugeria que ele estava deprimido, no entanto, havia outra pequena voz que pensava que seus "sintomas" também poderiam ser de origem mais escura. A frase "magia negra" continuava flutuando em sua mente, cercada de preocupação. Ele “saiu” e franziu o cenho.
— Eles lhe deram um tempo difícil, não deram? – ela perguntou em um tom mais suave e mais silencioso que o surpreendeu um pouco já que ela realmente parecia que se importava. Ele piscou, não completamente certo de como ela esperava que ele respondesse a isso.
— Sim, bem, toda a acusação de que eu trapaceei para colocar meu nome na taça já foi muito ruim por conta própria – e, claro, ninguém acreditava em mim quando eu disse que não havia feito isso. Então, havia aquele artigo ridículo da Skeeter que apenas fez tudo ficar muito pior. E mesmo depois de ter marcado o mais alto na primeira tarefa, o fato de eu usar a língua das cobras para fazer isso só criou uma paranóia e uma nova onda de rumores sobre eu ser das trevas – disse Harry, rolando os olhos de um jeito dramático rindo logo em seguida, esperando que suas palavras excluíssem parte de sua paranóia.
A professora McGonagall deu-lhe um olhar dura.
— Sim... Sobre isso...
— Ah, não você também – Harry gemeu e parou de dançar, desse jeito ele podia olhar para ela melhor – Porque você acredita que a língua das cobras é algo das trevas? – Ele perguntou. Várias pessoas ao seu redor ouviram e alguns olhos pousaram sobre eles.
Os olhos de McGonagall se arregalaram e ela franziu a testa para várias pessoas, dando-lhes um olhar que dizia “continue dançando” e todos eles realmente continuaram instantaneamente. Claro que eles ainda ficaram por perto para escutar e continuaram a atirar alguns olhares furtivos.
— Suponho que não seja, Sr. Potter, embora muito pouco seja realmente conhecido sobre a ofidioglossia. Aqueles que possuíam a habilidade geralmente não compartilhavam informações sobre isso, – ela disse finalmente quando ela se concentrou novamente nele – ainda assim, não acho que você deveria estar empenhando seus esforços na busca desse ramo de magia.
— Por que não? – Harry perguntou, cruzando os braços e dando-lhe um olhar bastante indignado. Ele não a deixaria fugir sem lhe dar uma resposta honesta.
— Embora seja verdade que a ofidioglossia pode não ser um talento sombrio, a maioria dos feiticeiros que possuíam a habilidade eram magos escuros.
— Então, ser capaz de falar e entender a língua, instantaneamente me torna um mago escuro? – Harry respondeu, indignado.
—– Não, claro que não. Eu simplesmente quero dizer que os feitiços que foram criados, especificamente com essa linguagem, foram criados por feiticeiros escuros e, como tal, são feitiços escuros.
— Bem, eu nem usei nenhum feitiço na primeira tarefa – disse Harry, revirando os olhos.
Ela piscou para ele, aparentemente surpreendida e confusa com essa afirmação.
— Você não usou?
— Não! Bem, eu joguei aqueles feitiços de fogo na minha roupa, e o escudo de fogo que eu mantive no antebraço acima da mão, mas aqueles eram apenas feitiços normais. O material da língua de persel* era simplesmente eu dizendo ao dragão que o ovo de ouro que estava no ninho era o ovo impostor e que, se chocasse, comeria todos os outros ovos. Eu disse a ela que eu iria retirá-lo e prometi não ferir nenhum de seus ovos enquanto eu o pegava. Dragões estão relacionados o suficiente com as serpentes , a língua que eles falam e entendem é uma variante da língua das cobras. Eu tive o benefício adicional de ter obtido a Fireball Chines. Os dragões asiáticos são os mais próximos das serpentes e entendem a ofidioglossia quase perfeitamente. Tudo o que fiz foi conversar com ela.
— Foi só isso? – McGonagall respondeu, surpreendida.
— Sim. Foi só isso – disse Harry com um tom que a fazia não duvidar de sua honestidade.
Claro que ele havia deixado de lado algumas coisas. Ele usou bastante magia persuasiva e confundus enquanto enviava os comandos na linguagem oral. Mas McGonagall não precisava saber disso e tampouco o grupo de pessoas que estavam em pé à sua volta e os escutavam ativamente.
— Hmf – McGonagall fez um barulho pequeno e surpreso na garganta, mas depois acenou com a cabeça. – Muito bem então. Ainda assim, eu não recomendaria nenhuma busca extensa no campo de Parselmagic.
— Como eu poderia? Não é como se houvesse algum livro sobre o assunto na biblioteca – Harry disse, revirando os olhos quando ele deu um passo à frente e retomou sua posição anterior, eles começaram a dançar novamente.
Ela continuou a fazer pequenas correções em seu jeito e no tempo para dar certos passos, mas rapidamente lhe disse que ele tinha uma base muito sólida e o deixou para que ela pudesse dar outra volta pela sala para ajudar os outros.
Harry parou para um lado e relaxou contra a parede. Seu companheiro juntou-se a ele em sua mente e os dois fizeram comentários silenciosos sobre o quão idiota a maioria de seus colegas de classe ficariam quando se deparassem com grande pista de dança.
Surpreendentemente, Neville estava fazendo o melhor dos meninos do seu ano. Os gêmeos e Lee Jordan também, eles se encontravam confiantes o suficiente para que, mesmo quando tropeçavam, conseguiam rir e se recuperar rapidamente.
A maioria das garotas parecia frustrada e irritada com qualquer garoto com quem estivesse sendo seu parceiro de dança, muitos deles ainda pareciam nervosos e inseguros o suficiente para cometer muitos erros.
— O que você está fazendo aqui aleatoriamente? – A voz de Hermione percorreu a sua própria risada interna e ele virou a cabeça para vê-la caminhar e se apoiar na parede ao lado dele.
— McGonagall disse que eu tinha um bom controle sobre as coisas e ela precisava rodar a sala para ajudar os outros. E você?
— Ron ficou envergonhado e atualmente está se encolhendo contra a parede naquele lugar – disse Hermione, acenando com a cabeça para o lado oposto da sala.
Harry riu.
— Sim, bom, parecia que ele estava fazendo um trabalho muito patético. Estou impressionado que ele até tenha aparecido – Harry riu e depois olhou de volta para Hermione. Ela estava olhando com expectativa para os casais que ainda estavam dançando.
— Quer outra chance com isso? – Ele perguntou, fazendo um gesto para a “pista” de dança com a mão.
Ela ficou por um momento atônita antes de sorrir timidamente e balançar a cabeça.
Ele riu e se afastou da parede, levando-a para a pista de dança.
Era estranho dançar com Hermione, mas não tão estranho quanto era dançar com sua diretora de casa, então Harry rapidamente superou qualquer estranheza que sentiu na situação.
Seus movimentos foram um pouco estranhos no início, mas Harry rapidamente encontrou sua zona de conforto e Hermione pegou rápido o suficiente graças à sua habilidade surpreendentemente impressionante de liderança. Uma vez que eles tiveram um ritmo confortável, Harry achou que faria bem uma pequena conversa. Isso fazia parte do acordo e ele precisava poder dançar e conversar ao mesmo tempo, se ele fosse levar Fleur. Ela esperaria por isso...
— Então... Você ficou alegre com essa coisa de dança? – Ele perguntou, não se preocupando com a resposta.
Ela sorriu timidamente e acenou com a cabeça.
— Sim, acho que fiquei realmente.
— Alguém já lhe chamou? – Ele perguntou levemente mais curioso agora.
Ele se perguntou se Ron poderia ter feito isso... Mas imediatamente descartou o pensamento. Ron estava muito longe para perceber que Hermione era realmente uma garota.
Hermione corou um pouco e seu sorriso aumentou um pouco. Harry sorriu.
— Ah, alguém tem então, hein? Alguém que eu conheço?
Ela puxou o lábio entre os dentes, como se estivesse debatendo seriamente se lhe dizia ou não. Ele não podia imaginar por que Hermione poderia estar hesitante em dizer a ele e se perguntou se ela estava envergonhada por isso. Ele cavou dentro de si mesmo e concentrou mais um pouco de sua magia, preparando-se para outra tentativa sem varinha de leitura mental. A magia fez seu estômago dar cambalhotas e ele se sentiu um tanto atordoado por isso. Ele quase tropeçou um pouco com a exagerada onda de poder, mas conseguiu recuperar e retomar a dança sem interromper muito o fluxo.
Ela ergueu os olhos com um olhar curioso, claramente confundida por seu tropeço repentino e o estridente tremor de sua respiração. Quando seus olhos entraram em contato, ele entrou em sua mente e começou a escavar suas memórias. Esta era uma intrusão muito mais profunda do que ele estava disposto a arriscar com sua diretora de casa, mas ele estava confiante de que Hermione não notaria nada. Finalmente, ele encontrou uma imagem mental de Viktor Krum, de pé sobre ela, cercada por pilhas de livros na biblioteca. Ele estava tropeçando um pouco em seu inglês e na verdade conseguiu parecer estranhamente nervoso – algo que Harry achou bastante surpreendente para o búlgaro que tinha sempre um excesso de confiança. Harry escolheu as palavras Baile de Yule  na memória confusa e viu Hermione corar, abaixando a cabeça e balançando a cabeça enquanto um grande sorriso se espalhava por seus lábios.
Ele saiu de sua mente e piscou de surpresa.
Certamente não...? Krum? Mesmo! Ele quase riu.
— Eu acho que vou manter isso em segredo, se você não se importar – Hermione disse enquanto um sorriso pequeno e secreto espalhava seu rosto.
Harry riu e deu de ombros.
— Tudo bem pra mim. Mantenha seus segredos – ele disse em tom de brincadeira enquanto continuava se recuperando de sua descoberta chocante.
Viktor Krum! Com Hermione! Hah!
Harry podia sentir seu companheiro rindo na parte de trás de sua mente também.
— E você? Você pensa em perguntar para alguém? – Hermione perguntou, esticando os ombros e assumindo uma postura mais confiante.
— Já perguntou para alguém, na verdade. Ela tem muitos pretendentes em potencial interessantes, então ela disse que me avisaria quando escolhesse alguém – ele terminou com uma risada.
— Oh? Quem?
— Fleur – disse Harry com um sorriso largo e divertido. Hermione ficou atônita.
— Você perguntou a Fleur! – Ela aparentemente achou isso ainda mais chocante do que achou a coisa toda de Krum.
Ele acenou com a cabeça e riu levemente.
— Sim. Foi na mesma manhã que McGonagall nos contou sobre o baile.
O rosto de Hermione mudou instantaneamente para a preocupação.
— Você não se enganou, não é? – Ela perguntou em um sussurro abafado.
Harry bufou.
— Honestamente, essa coisa de veela realmente não me afeta. É meio engraçado ver os outros garotos caindo naquilo como idiotas.
Hermione lhe deu um olhar céptico.
— Se a coisa ”veela” não afeta você, por que você perguntou a ela?
— Pensei que seria engraçado... Quero dizer, toda a população masculina da escola está apaixonada por ela. Achei que seria divertido se o único cara que não está obcecado com a garota a conseguisse levar para o baile. Além disso, eu imagino que ela provavelmente gostaria de ir ao evento com alguém que ainda conseguisse conversar em vez de apenas babar por ela o tempo todo.
Hermione olhou para ele com um olhar bastante incrédulo.
— Então, você não está apaixonada por ela? – Ela repetiu, ceticamente.
Harry riu e balançou a cabeça.
— Nem mesmo um pouco.
— Mas... Bem, por que não? Quero dizer, eu não entendo a fixação por trás disso, é claro, mas eu sou uma garota. Compreendo que é uma magia muito poderosa e muito poucos podem lutar contra ela. A aura de uma veela supostamente chama os homens. É por isso que todos os meninos ficam tão idiotas em torno dela. Por que você não ficaria idiota com ela também?
Harry abriu a boca para dizer algo, mas parou por algum motivo. Ele parou e, pela primeira vez depois que Hermione e Ron o abandonaram após o Dia das Bruxas, ele considerou confiar nela.
À medida que as palavras passavam por sua mente, ele soube que elas eram verdadeiras e quase riu quando foi atingido pela poderosa realização. Ele não o fez. Em vez disso, ele ficou seus olhos em Hermione e sorriu suavemente.
— Honestamente, Hermione?
Ela acenou com a cabeça, empurrando-o para continuar.
Ele suspirou, mas seus lábios ainda eram agraciados com um sorriso suave e resignado.
— Honestamente... Eu não acho que garotas são o meu tipo.
Hermione piscou para ele com uma evidente confusão no rosto.
— Você não... – ela começou a dizer quando seus lábios se abriram com surpresa e o entendimento surgiu em seus olhos – Você... Você quer dizer que você gosta de...
— Caras? Sim... Sim, acho que sim – Harry disse, dando de ombros e uma honestidade de aceitação incomum em seus olhos.
— Oh... oh, Harry – Hermione disse, parando e olhando para seus olhos verdes. – Há quanto tempo você sabe disso? – Ela perguntou em voz baixa.
Ele encolheu os ombros e inclinou a cabeça um pouco.
— Eu não sei... Não muito tempo. Eu acho que só começou a fazer sentido agora, mas uma parte de mim já sabia disso há mais de um mês.
— Tão recentemente? – Ela disse, aparentemente surpreendida por isso.
Harry riu.
— Sim, bem, eu realmente não me deixei pensar demais em relacionamentos antes disso. Eu sempre estava um pouco ocupado tentando não ser morto por algo ou alguém, ou tentando passar meus verões com os trouxas, trancados no meu quarto Não há muitas oportunidades para fazer auto-realizações profundas quando você passa cada momento de vigília realizando trabalho manual exaustivo.
Hermione parecia estar prestes a continuar falando, mas ficou quieta e fez uma careta com o que acabara de dizer. Sua mente parecia estar tentando absorver algo, mas ela balançou a cabeça, como se estivesse passado por isso e voltou ao tópico.
— Então... Então você descobriu isso enquanto Ron e eu -
— Enquanto vocês dois me abandonaram? Sim. Quando você fica sozinho, isso lhe dá muito tempo para pensar nas coisas.
Hermione abaixou a cabeça e teve a decência de parecer terrivelmente envergonhada.
— Sinto muito que você tivesse que passar por isso sozinho, Harry – ela sussurrou com tristeza. – Eu estava sendo tola.
— Sim... Você estava – Harry disse simplesmente.
Ela olhou para cima e seus olhos estavam cheios de tristeza e remorso.
— Você vai me perdoar, Harry?
Não, nunca.
— Claro – ele mentiu sem esforço, dando-lhe um sorriso suave e reconfortante – Tudo está bem agora. Nós estamos bem, Hermione.
— Mesmo? – Ela perguntou com um suspiro esperançoso e sorriu para ele mais brilhante do que ele esperaria. Ele assentiu com a cabeça e ela rapidamente envolveu seus braços ao redor dele, puxando-o para um abraço.
Ele endureceu instantaneamente e teve que lutar contra a vontade de se afastar dela. Não gostou da sensação de que ela o segurasse. Nem um pouco. Não era como quando seu companheiro o segurava. Não havia um senso confortável de lar nesse abraço. Somente um desconforto incompreensível. Mas ele sabia que precisava tentar suavizar seu relacionamento público com ela e Ron. As pessoas ficariam com menos suspeitas dele se  restaurasse sua amizade com eles. E seria muito mais fácil para ele se as pessoas não desconfiassem se si.
As pessoas o observavam tão perto quanto podiam e isso era irritante. Ele os ouvia sussurrando sobre ele; O fato de que ele tão obviamente se distanciou de seus velhos amigos só adicionou combustível ao fogo da especulação em torno dele estar virando "escuro".
Ela finalmente o soltou e se afastou, corando um pouco e abaixando a cabeça. Hermione sorriu para e seu rosto brilhou com alívio e felicidade.
— Obrigado, Harry – ela disse com uma voz suave.
— Pelo que?
— Por me dar outra chance.
— Claro. Nós somos amigos, certo? Eu não poderia ficar com raiva de vocês para sempre.
Ela sorriu de novo e abaixou a cabeça. Ele ouviu um pequeno suspiro aliviado escapar de seus lábios.
Simples. Agora, é claro, ele teria que lidar com o aborrecimento de realmente falar com eles regularmente novamente e ele definitivamente não estava ansioso para isso.
Harry apenas conseguiu se abster de gemer de frustração.

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