quinta-feira, 29 de junho de 2017

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 6





No dia seguinte, Harry passou algum tempo na biblioteca procurando por alguma coisa que pudesse ser útil para a tarefa. Era difícil pedir ajuda a Hermione, pois ele tinha lhe dado a impressão de que já sabia sobre a segunda tarefa e que as poções que ele estava preparando eram para ela.
Se ele admitisse que ainda existiam coisas a serem feitas, ela iria querer saber o que as poções realmente faziam e ele não estava disposto a dizer isso a ela.
Ele estava ficando bem frustrado com a biblioteca – especialmente com todas as pessoas que estavam lá. Ainda era Natal, graças a Merlin! Por que havia tantos malditos alunos pelo local? Baile estúpido. Harry realmente perdeu o silêncio que lhe teria sido concedido durante as férias, em circunstâncias normais, graças ao baile, quase todos os alunos, do quarto ao sétimo ano, ficaram para trás.
Foi nesse ponto que ele se lembrou de todos os livros na sala de estudo de Slytherin, na Câmara. Bem, pelo menos ele não teria que lidar com outros estudantes enquanto procurava por esses livros.
Harry foi até a Torre da Grifinória, pegou seu manto, seu mapa e sua bolsa e voltou a descer as escadas. Ron lembrou a ele sobre a oferta do jogo de snap, mas Harry recusou, dizendo que precisava fazer algum trabalho para a segunda tarefa e rapidamente saiu.
Dez minutos depois, Harry estava entrando na sala de estudo de Slytherin e pousando a sua bolsa na mesa.
Harry se sentou na espreguiçadeira e olhou para a sala de livros. A maioria deles... Bem velhos. Obviamente. Ele estava com medo de tocar em alguns deles por que pareciam que com a menor passagem de mão, desmoronariam. Afinal de contas, eles tinham mil anos.
Alguns, no entanto, estavam em condições muito melhores do que outros. Ele podia sentir fragmentos de magia pela sala e percebeu que sentia uma espécie de lembrança sobre um feitiço de preservação. Estava enfraquecido e já havia falhado em certas seções da sala.
Ele também notou que havia uma pilha de livros cuidadosamente empilhados em um lado da sala, que estavam em condições muito melhores do que qualquer um dos outros. Eles também apresentavam uma magia mais recente do que o restante.
Harry teorizou que esses eram livros que Riddle havia restaurado ou reparado durante seu tempo como estudante em Hogwarts. Ele podia ver por que, após um exame mais aprofundado, a maioria desses livros parecia incrivelmente interessante.
Harry suspirou pesadamente e se perguntou se poderia encontrar alguma coisa para ajudá-lo com a tarefa aqui. Certamente, neste tesouro do conhecimento, ele acharia algo útil.
Ele se levantou e caminhou até a pilha de livros que Riddle havia restaurado, agachou e começou a ler os títulos.
Feitiço de busca...
A voz de seu companheiro sussurrou em sua cabeça e Harry parou.
O quê?
Há um feitiço... Para procurar... Assunto nos livros. Muito mais rápido.
Sério? Por que você não mencionou isso anteriormente na biblioteca?
...
Harry ergueu os olhos e suspirou.
Tudo bem, o que é?
Invenio ... o movimento da varinha...é em forma de “S”. Fale... Invenio... E depois a palavra... Ou frase... Você já estará procurando.
Harry balançou a cabeça e sorriu amplamente. Ele decidiu testá-lo em algo primeiro, então ele pegou o primeiro livro na frente dele, olhou o título, Passo a passo: Através do Inconsciente da Mente, de Clair Videre. Suas sobrancelhas se elevaram quando seu interesse atingiu o pico.
Ele colocou o livro no chão ao lado dele e tirou a varinha. Ele chamou a magia que estava dentro de si e cantarolou em agrado a sensação que girava em torno dele tão facilmente. Apontou sua varinha para o livro, fez o movimento em S e disse "Invenio Mente”.
Uma redemoinho amarelo surgiu da ponta de sua varinha e começou a dançar ao redor do livro. A palavra Mente na capa brilhou em amarela por um momento e então todo o livro começou a brilhar levemente. Ele se abriu de repente e as páginas começaram a passar rapidamente, desde o inicio até o fim do livro. Quando terminou, ele notou que muitas páginas pareciam estar brilhando no mesmo tom de amarelo da capa, aparentemente, estavam marcando a palavra “mente”  que estava em tais paginas. Ele percebeu que um livro sobre a magia da mente provavelmente usaria muito a palavra “mente”, então fazia sentido.
Ele sorriu para seu sucesso e fez um rápido finito. O brilho desapareceu. Harry estava prestes a colocar o livro de volta ao local em que encontrou, quando fez uma pausa, sorriu e colocou-o na bolsa ao invés disso.
Estava pensando em procurar sobre a próxima tarefa. Se perguntou sobre o que aprenderia sobre ela em um livro escrito sobre o assunto. Ele ainda não sabia se havia um nome para o que ele estava procurando e estava interessado em ver o que ele poderia aprender em um cenário mais estruturado do que suas próprias tentativas cegas de descobrir seu próprio caminho através dele.
Ele voltou para a pilha de livros e tentou pensar em uma boa palavra-chave ou frase para pesquisar. Achou que a questão da água provavelmente era a mais urgente para começar. Natação, visão e respiração.
Ele franziu a testa.
Ei, tem que ser uma citação exata para encontrá-la no livro ou posso fazer uma busca por vários conceitos e achar coisas próximas ao que procuro?
Ele... Irá agir de acordo com o que você procura... Conceitos... Se isso for o que deseja.
Harry sorriu e agradeceu seu companheiro. Ele levantou sua varinha para os livros, fez um movimento em forma de S dizendo "Invenio nadando, respirando, água”.
O redemoinho amarelo saiu da varinha novamente e começou a dançar ao redor dos livros. Continuou a agir por um bom tempo enquanto procurava através das dezenas de livros. Harry se sentou e esperou, olhando por um momento ao redor do escritório bagunçado. Ele realmente deveria tentar limpar o lugar um pouco...
Finalmente, sentiu a magia terminar e olhou as pilhas. Havia vários livros destacados em amarelo e ele começou a amontoar cada um em seus braços.
Ele trouxe a pilha pequena para a mesa ao lado da espreguiçadeira e os colocou ali. Puxou o primeiro da pilha e se sentou para trás, ficando confortável.
As Transformações Serpentinas da Ofidiomagia
Por Apala Denisonia
Uma das sobrancelhas de Harry se levantou enquanto olhava o titulo com curiosidade. O livro estava em ótimas condições. Na verdade, obviamente não tinha idade suficiente para ter sido colocado aqui por Slytherin. Ele verificou a capa e viu que isso só foi impresso há cerca de 100 anos.
Deve ter sido um livro que Riddle deixou aqui. Harry pensou para si mesmo.
Ele abriu o livro para a seção que seu feitiço de busca identificou com o amarelo mais brilhante e começou a ler. Estava descrevendo uma Serpente do Mar* e os benefícios da forma em natação. O ar respiratório ainda era necessário, porque os répteis não têm brânquias, mas na forma, se pode prender a respiração por vinte minutos entre as respirações. O livro dizia que, se uma estadia prolongada debaixo d'água fosse necessária, o feitiço da cabeça de bolha poderia ser usado. Harry fez uma pausa e olhou para o livro com uma leve confusão. Era óbvio que ele estava perdendo algo importante e decidiu voltar para a introdução do livro.
“Em circunstâncias normais, a transfiguração de humano para animal é algo muito perigoso para se tentar. Quando transfigurada em um animal, o mago assume a mente e a capacidade mental desse animal e, como tal, perde a habilidade de exercer magia. O mago que se transfigura por completo em um animal não será capaz de se transfigurar de volta.
Outro magia pode reverter o feitiço, mas sem esse backup, eles poderiam ficar “presos” desse jeito, indefinidamente.
Um animago é um mago que possui a capacidade inata de se transformar em uma determinada forma animal e sem assumir sua personalidade.
Quando um animago se transforma na sua forma animal, mantêm sua capacidade mental humana, bem como sua capacidade de realizar a magia necessária para devolvê-los à sua forma humana normal. A transformação “animago” é apenas isso - uma transformação. Não uma transfiguração.
A transformação de animago tem algumas desvantagens também. Em primeiro lugar, leva um tempo médio, pelo menos, dois anos para dominar a habilidade - assumindo que a pessoa seja capaz de fazer isso em primeiro lugar. Segundo, o fato de que a pessoa não é capaz de decidir qual a forma animal que tomará. E em terceiro lugar, eles só podem assumir essa forma pela vida inteira. Não há oportunidade de aprender formas de animais adicionais, portanto, se a forma animal que eles assumem não é desejável ou vantajosa, eles terão desperdiçado dois anos de estudo para nada.
É fato estabelecido que os feiticeiros que possuem habilidade na língua das cobras são descendentes de feiticeiros que se cruzaram com uma das raças humanoides-serpentes - na maioria das vezes, os Naga da Índia, mas em alguns casos, também podem ser originários dos Yuan-ti do leste da Ásia. Tanto o Naga como o Yuan-ti possuíam a habilidade natural de se transformar em seres humanos e usaram essa habilidade em suas façanhas de seduzir e abusar de seres humanos crédulos.
Alguns, no entanto, tomaram um ser humano como companheiro e são os descendentes de sua prole que possuem a capacidade de usar e manipular essa antiquíssima magia.
Devido a essa descendência do sangue de criaturas mágicas, muitos feiticeiros que herdaram a habilidade de falar a língua das cobras e realizar a magia das cobras, também possuem a capacidade de se transformar em várias formas de serpente.
Não é uma transfiguração, mas uma transformação, como a transformação animago. Ao contrário da transformação animago, essa habilidade não limita o mago a uma única forma. Múltiplas formas podem ser aprendidas através da prática e dedicação.
Um benefício adicional sobre a transformação animago é que, se você é capaz dessa habilidade, é improvável que leve mais de dois a três meses de prática para realizar uma transformação completa pela primeira vez. Cada forma adicional será mais difícil de assumir e levará mais tempo e prática para dominar.
A maioria dos magos ofidioglotas* tem uma ou duas formas serpentinas que eles preferem e dominam, mas são capazes de assumir outras mais para diferentes necessidades específicas.
Os capítulos seguintes detalham algumas das formas mais comuns identificadas em magos ofidioglotas e as melhores maneiras de alcançar essas formas através da prática e meditação.”
Harry fez uma pausa e olhou para o livro em suas mãos. Será que ele possivelmente poderia executar qualquer uma dessas transformações? Ele meio que duvidou, já que não era biologicamente descendente de magos ofidioglotas. Ganhou sua habilidade de Voldemort. Se a capacidade de fazer essa transformação era porque eles eram descendentes de er... Nagas, ou alguma coisa assim, duvidava que ele também a tivesse. Mas, novamente, era uma transformação mágica, então quem sabe?
Vale a pena investigar, pelo menos. Ele ainda estava um pouco confuso sobre a transformação total em uma coisa de serpente do mar. Isso significava que ele realmente se tornaria uma pequena cobra? Poderia ser útil... Ele provavelmente poderia nadar muito rápido como uma pequena cobra, mas um pequeno corpo reptil poderia manter o frio do lago preto por uma hora? E sobre a respiração? Ele teria que procurar este feitiço “cabeça de bolha” que havia mencionado. E se ele fizesse isso no torneio, o Ministério acharia que ele era um animago e teria de fazer um registro?! Ele seria punido por não estar registrado já? O que ele sabia era que você não precisava se registrar como um animago até chegar aos 17, então talvez ele não precisasse fazer tal coisa. De preferência, ele faria isso sem que ninguém percebesse que ele havia feito.
Harry voltou ao capítulo sobre a forma de serpente do mar para ler suas características específicas para ver se seria realmente era adequada para o que ele precisava. Ele ainda tinha uma pequena pilha de livros para examinar, então, se isso não fosse, ele poderia verificar os outros.
Trinta minutos depois, ele terminou o capítulo e teve um número razoável de perguntas respondidas.
Ele não seria cobra "pequena", se fizesse a transformação. Na verdade, ele provavelmente seria uma cobra muito grande. Sua massa corporal seria deslocada para a forma de uma serpente, tanto quanto ele tivesse como humano, ele ainda seria como uma cobra, mas mais esticada... Uma forma serpentina alongada.
No livro dizia que, nessa forma, ele poderia nadar incrivelmente rápido. As serpentes do mar eram extremamente ágeis e rápidas na água e seus corpos eram literalmente um longo tubo de músculo, as tornando muito perigosas para se tentar enfrentar. A serpente do mar também tinha uma pálpebra secundária que era transparente, para que ela pudesse facilmente abrir os olhos debaixo da água sem irritação. Além disso, eles aparentemente, tinham uma boa visão noturna. Além de tudo isso, ele também teria veneno mortal!
O ponto negativo era que Harry ficaria com o sangue frio e a temperatura da água do lago negro seria inegavelmente desagradável, mas um feitiço de aquecimento lançado antes da transformação poderia ajudar a evitar o frio durante a tarefa.
Ele não seria capaz de lançar magia tradicional enquanto estivesse em sua forma de serpente, já que ele não podia realmente falar ou usar uma varinha, no entanto, ele ainda seria capaz de lançar alguns ofidiomagias, já que apenas precisaria sibilar.
Parecia que a melhor estratégia para uma estada prolongada debaixo da água seria lançar esse feitiço “cabeça de bolha” sobre o nariz e a boca e lançar outro feitiço, agora de aquecimento completo, enquanto ainda fosse humano, pular na água e se transformar quando fosse suficientemente profundo demais para que as pessoas não pudessem vê-lo. Claro, isso só funcionaria assumindo que não haveria algum tipo de sistema mágico de observação ou vigilância criado para que os presentes pudessem assistir os campeões sob a água.
Ele quase esperava que Dumbledore pudesse providenciar isso. De que outra forma ele seria capaz de dizer se alguém estava em sérios apuros e precisa de ajuda?
Ainda assim, a transformação parecia uma opção viável para sua tarefa. Mesmo que ele acabasse por se registrar como um animago. E se ele entrasse em "problemas" por não ter se registrado, poderia simplesmente ressaltar que não era realmente uma transformação animago, embora não quisesse falar sobre tal técnica diferente.
Assumindo, claro, que ele aprendesse a transformação antes de meados de fevereiro, quando a próxima tarefa iria acontecer. Ah, e assumindo que ele ainda era capaz de fazê-lo... Uma parte dele ainda duvidava seriamente.
Harry começou a ler o primeiro capítulo. Ele descrevia um canto de ofidiomagia de som bastante complicado que cavava profundamente no seu núcleo ofidiomágico e mostrava se você era capaz da transformação ou não.
Ele leu algumas vezes e seu companheiro o ajudou algumas vezes, explicando conceitos que confundiram Harry. Finalmente, ele se levantou e caminhou até o centro da sala. Ele fechou os olhos e se concentrou na imagem de uma serpente em sua mente. Ele começou a sibilar quase que silenciosamente um tipo de canto rítmico e sentiu que a magia das cobras começaram a girar ao redor dele. Ele agarrou a magia e a puxou mais para a superfície.
Era elétrica e intoxicante. Sua magia normal e sua magia das cobras eram tão diferentes, mas se lhe pedissem para explicar como, ele não conseguiria. A sua magia parecia apenas... Embriagante, de alguma forma. Isso o fazia se sentir tonto.
Enquanto ele continuava tirando mais e mais da sua magia, ele sentia a cabeça cada vez mais clara e difusa. Suas pálpebras ficaram pesadas e em sua boca surgiu um estranho sorriso. Estranho, sibilou e risadinhas escaparam de seus lábios transformando-se em altas gargalhadas. A magia atingiu um pico tremendo antes de subitamente deixá-lo em uma grande explosão de energia escura. Ele ofegou em choque e caiu com os joelhos nos chão. A força daquilo o fez cair, de um jeito meio inclinado, apoiando-se com as palmas das mãos no piso de pedra frio. Ele permaneceu lá, imóvel por um longo momento, ofegante e tremendo pelo choque que seu corpo acabara de experimentar.
Harry abriu os olhos e percebeu que ele estava brilhando levemente. Era de um verde sutil e estava rapidamente desaparecendo. Aquilo o fez sorrir amplamente.
Ele conseguia realizar a transformação.
Ele permaneceu lá por mais alguns minutos, antes de sentir que a força suficiente voltou para permitir que ele se levantasse. Seus membros ainda se pareciam como geléia, mas ele conseguiu chegar à espreguiçadeira e se sentar. Fracamente puxou o livro para o colo e começou a ler novamente. Ele queria que isso funcionasse. Ele faria funcionar. E mesmo que ele não conseguisse fazê-lo funcionar a tempo para a tarefa... Aquilo era fascinante demais para não aprender.


Uma semana se passou desde que Harry havia achado a opção de transformação por ofidiomagia, ele estava passando algum tempo na câmara todos os dias desde então, praticando, meditando e procurando alguns livros de ofidiomagia que poderiam conter  feitiços úteis.
— Aonde você vai, Harry? – Ron gemeu quando Harry entrou pelo buraco do retrato. – O feriado está quase acabado e quase não vi você!
Era sábado de novo, pouco depois de uma da tarde. Harry tomou sua segunda dose da poção aceleradora na noite anterior e ele estava dormente e exausto. Ele não queria absolutamente nada com Ron Weasley. Especialmente se fosse uma queixa.
Harry apertou o queixo e fechou os olhos tentando desesperadamente ignorar o temperamento e não diminuir Ron, coisa que estava sendo corriqueiro. Não faria bem para ele atacar o outro. Isso só aumentaria as perguntas. Aumentaria as suspeitas. Ele não precisava de mais pessoas observando ele e perguntando sobre ele. As coisas realmente acalmaram um pouco ele estava curtindo a calmaria.
Respirou profundamente e abriu os olhos. Ron estava olhando para ele de um jeito engraçado.
— Olhe, Ron, estive ocupado. Estou trabalhando na minha estratégia para a segunda tarefa e está demorando muito. Isso é tudo.
— Você não está mais fazendo poções, você está?! – Exclamou Ron, incrédulo.
— Não, na verdade, eu já terminei isso.
Ron piscou e seu rosto ficou brilhante.
— Então você terminou!
Harry acenou e estendeu a mão, beliscando a ponta do nariz.
— Eu terminei com as poções, sim. Mas esse foi apenas o primeiro passo, Ron. Eu ainda tenho que aprender alguns feitiços e está tomando me tomando muito tempo e prática.
O rosto de Ron caiu.
— Ah.
— Você precisa de alguma ajuda? – A voz de Hermione soou e Harry se virou para vê-la sentada em uma das cadeiras estofadas, junto à lareira.
— Nah, Hermione. Eu consigo fazer isso.
— Você tem certeza? Quero dizer... Nós poderíamos ajudá-lo a praticar ou algo assim – ela ofereceu, olhando esperançosa.
Harry enrugou o rosto, tentando pensar em tudo sobre o que ele estava trabalhando.
Ele já dominou o feitiço de aquecimento e o feitiço “cabeça de bolha”. Eles foram fáceis. Tudo o que restava era a ofidiomagia.
No entanto, ainda haviam os encantos de localização.
Ele tinha feito outra "busca de palavras" na sala de estudo de Salazar para "feitiço de localização" e "ofidiomagia" e conseguiu encontrar um livro da língua oral com uma variedade de feitiços gerais – incluindo dois de localização diferentes. Ele só havia feito isso no dia anterior, então ainda não havia experimentado.
— Bem... – ele começou devagar – Eu preciso praticar alguns feitiços localizadores.
— Feitiços localizadores? – Hermione disse, se animando e olhando para ele com interesse. – Então... Você pode nos dizer o que exatamente será a tarefa? Ou... você não deve dizer? Eu tenho que admitir, Harry, estou absolutamente morrendo de curiosidade.
— Er, sim... Bem, acho que está tudo bem pra mim dizer. Ninguém me disse que não poderia. Basicamente, para a tarefa eu tenho que encontrar algo. Ainda não sei o que será. Aparentemente, eles vão roubar algo de mim e escondê-lo no fundo do lago. Eu vou ter uma hora para encontrá-lo e se eu não encontrar, nunca o recuperarei.
Hermione e Ron lhe deram olhares horrorizados. Ron falou primeiro.
— Mas existem... Coisas no lago! Tem a lula gigante!
Harry tossiu uma risada sem humor.
— Sim, Ron, Estou ciente disso.
— Mas o lago é enorme! E é incrivelmente profundo! Como você vai respirar o tempo suficiente para procurar? Você precisará de algum tipo de feitiço de respiração subaquática ou algo assim. O que você vai fazer Harry? – Hermione disse com uma expressão totalmente aflita.
— Eu estou trabalhando em algumas coisas... Eu já consegui que a coisa de respiração na água funcionasse. Quanto a sobreviver a lula, aos grindylows* e aos sereianos, eu tenho uma estratégia primária, mas também tenho um plano secundário, no caso de eu não conseguir que o primeiro seja elaborado a tempo. De qualquer forma, eu ainda tenho que resolver o problema sobre esses feitiços de localização e vocês dois provavelmente poderiam ajudar com isso.
— Como assim? – Hermione perguntou, prestando mais atenção e assumindo um rosto "sério".
— Bem... Você poderia... Pegar algo de mim e vou tentar encontrá-lo. Pelo que eu sei, eles não vão me dizer o que eles tirarão de mim, então eu vou ficar totalmente cego sobre isso. Quero tentar as duas coisas... Sabendo o que estou procurando e não sabendo.
— Você quer fazer isso agora? – perguntou Ron, ansioso.
Harry fez uma careta.
— Ugh, não... Desculpe, pessoal, mas estou exausto. Na verdade, estava planejando ir para a cama e tirar uma soneca.
— O que?! – Exclamou Ron. – Mas é só uma da tarde!
— Falando novamente desde o inicio, Ron. Eu já estava trabalhando em algumas coisas realmente complicadas então estou realmente “morto”.
— Tudo bem – disse Ron, parecendo amuado.
— Bem, é melhor você ir descansar então – disse Hermione, em vez de fazer as perguntas que estavam claramente na ponta da língua.
Parecia que queria desesperadamente perguntar a Harry o que ele estava preparado para ficar tão exausto. O fato de ele finalmente ter desistido de alguns detalhes sobre o torneio, depois de se recusar a contar uma coisa antes disso, tinha molhado seu apetite, e agora estava claramente com fome de mais. Ele ficou surpreso por ela não perguntar, seria uma tortura que ele não era obrigado a passar.
— Obrigado – ele disse, sorrindo de alívio.
— Nós podemos trabalhar nessa coisa de localização amanhã – disse Ron enquanto Harry girava e se dirigia para as escadas.
— Sim, claro – disse Harry enquanto ele acenava com desdém por cima do ombro e começava a subir as escadas.


— Venha, Rabicho – ele disse enquanto acenava com sua mão minúscula e de dedos longos. 
O pequeno homem estava tremendo e encolhido na parte de trás da sala. Ele gritou de surpresa e correu para ele.
— Sim, meu senhor? – Rabicho falou enquanto se ajoelhava e inclinou a cabeça.
— Seu braço, Rabicho – ele ordenou.
A cabeça de Rabicho se levantou ligeiramente e ele olhou através de seus cabelos longos, desgastados e tremulos. Lentamente, Rabicho ergueu o braço esquerdo, descobrindo o antebraço e puxando para trás a manga da blusa.
Ele alcançou a mesa curta ao lado da cadeira em que descansava e agarrou sua varinha na mão. Ele gostava do fluxo quente de magia que sentia percorrendo dentro de sua mão. Sua conexão com sua magia se fortalecia a cada dia que passava. Era um lembrete pra ele que era apenas uma questão de tempo... Apenas uma questão de tempo...
Ele pegou a varinha e pressionou dura no braço de seu servo. Ele sorriu maldosamente ao ver a pequena careta de dor que surgiu no “rato”.
Ele chamou alguns de seus poços mágicos e sorriu perversamente quando chegou a ele com muita mais facilidade do que em muito tempo. Sentia-se glorioso e aquilo o enchia de antecipação pelo que estava por vir.
Coletou a magia e a forçou através de sua varinha, colocando-a na marca. A marca desbotada começou a escurecer e pulsar com o fluxo súbito de magia. Rabicho gemeu calmamente enquanto a dor o envolvia com traço de magia. Aquilo só o fazia sorrir alegremente.
Esta era a terceira vez que fazia isso, mas era a primeira que realmente teria uma diferença notável em seus seguidores. Agora eles começariam a sentir.
Antes de apenas restabelecer a conexão, Eles começariam a saber, sem sombra de dúvida, que o Senhor estava retornando. Cada vez que ele repetia isso, a marca se tornaria mais forte e a compulsão de retornar a ele, quando convocados, cresceria com ela.
Idealmente, isso garantiria que eles estariam prontos quando ele finalmente os chamasse para voltar ao seu lado. Ele não queria que eles tivessem alguma desculpa para não aparecerem. Eles não podiam afirmar que simplesmente não esperavam ser convocados, porque faziam tantos anos desde sua queda. Havia esse aviso e punição, caso não aparecessem..
Ele puxou sua varinha de volta, com um sorriso satisfeito saudando suas características, sem lábios. Rabicho gemeu e, hesitante, baixou o braço.
— Muito bem, Rabicho – ele disse em um silencioso silvo. – Traga-me a cadeira.
— Sim, meu Senhor – disse Rabicho enquanto curvava a cabeça novamente e rapidamente correu da sala. Ele voltou um minuto depois com uma cadeira de mogno esculpida sem pernas, que levitava no meio do ar. A cadeira era de tamanho pequeno, como se fosse feita para uma criança pequena e os braços dela estavam esculpidos para parecerem com cobras, enroladas, chegando ao longo do topo da parte traseira.
Ele fez uma moção com a mão e deu um olhar expectante a Rabicho. O mago encolhido se apressou e levantou-o da poltrona, colocando-o na cadeira de madeira flutuante.
— Os livros foram colocados na biblioteca? – ele perguntou.
— Sim, meu senhor. Eu desembalei as caixas esta manhã, assim como o senhor ordenou.
— Otimo. Deixe-me.
— Sim, meu senhor.
Rabicho se curvou novamente e rapidamente saiu da sala enquanto subconscientemente segurava seu antebraço esquerdo em seu peito; Claramente agradecido por ser dispensado. Ele deslocou seu corpo ridiculamente subdimensionado na rígida cadeira de madeira. Realmente precisava adicionar algumas almofadas ali. Bom, não importa. Ele iria lidar com isso mais tarde.
Acenou com a mão e a cadeira começou a mover-se suavemente para a frente. Ele dirigiu-a para fora da sala e no corredor, depois para dentro da biblioteca. Vários caixotes se alinhavam nas paredes. Ele sabia que continham os velhos livros trouxas esfarrapados que costumavam ocupar as prateleiras. Tomavam seu lugar na estante de livros uma coleção que ele havia recuperado de um dos seus antigos armazéns. Ele ficou emocionado ao descobrir que não haviam sido descobertos durante sua ausência. Enviar Rabicho, de todas as pessoas, para recuperá-los tinha sido irritante, mas até Pettigrew não era incompetente o suficiente para não conseguir isso.
Ele guiou a cadeira ao longo das fileiras de livros, examinando os títulos e reagindo com a coleção preciosamente antiga.
Suspirou alegremente. Foi um alívio ter recuperado estes. Seus livros eram como uma extensão de si mesmo. Odiava estar tão fortemente separado da base de conhecimento. Ele sempre sentiria falta dos livros que, infelizmente, tinha sido obrigado a deixar na escola. Mas algum dia – esperando que fosse em breve – ele ganharia o controle da escola e poderia ir buscá-los na câmara. Mas ainda assim, esses livros eram um achado fantástico, mesmo que não fossem tão preciosos quanto os deixados em Hogwarts.
Ele estendeu a mão e passou os dedos pelo couro velho e respirou fundo. Sim, ele adorava isso...


Harry abriu os olhos, suspirou e sorriu. Sentiu um estranho tipo de contentamento. Sentimento esquisito. O sentimento de ter algo que você apreciou retornando para você, depois de ter pensado que o havia perdido.
Ou... Algo valioso, que voltava para ele. Alterou mentalmente.
Mas ainda assim, sentia-se como...
Harry balançou a cabeça. Ele havia deitado na cama com os olhos fechados, ainda assim estava acordado nos últimos vinte minutos. Estava pensando em sua visão da noite anterior. Era... estranho ver esse lado de Voldemort. O homem tinha uma apreciação pelo conhecimento. Era estranho. Bom, pelo menos teve suas suspeitas sobre Tom Riddle e a câmara confirmadas. Ele sabia, a nível acadêmico, que Riddle estava lá. Provavelmente passou um monte de tempo lá embaixo.
Riddle tinha lido os mesmos livros que Harry estava lendo. Sabia que ele havia colocado alguns deles lá. Era... Interessante sentir o mesmo carinho por esses livros na mente de Voldemort, o mesmo carinho que o próprio Harry sentia por eles. Voldemort não via nenhuma distinção entre as coisas que ele aprendeu. Conhecimento é poder e tudo era digno de sua atenção.
A revelação mais estranha da visão da noite anterior, no entanto, aconteceu no final. Era início da manhã e Rabicho havia retornado de uma viagem ao mercado local de trouxas – aparentemente – a casa senhorial em que Voldemort vivia estava perto de uma aldeia trouxa. Rabicho trouxe algumas publicações trouxas e jornais e os deu a Voldemort. Isso era aparentemente uma coisa normal, já que Voldemort imediatamente pegou tais papéis os lendo logo em seguida. Ele havia dito a Rabicho que tentasse adquirir mais algumas publicações internacionais no futuro.
Voldemort odiava ter estado fora do circuito por tanto tempo. O mundo mágico basicamente estava parado durante esse tempo, já que ele quase nunca mudou ou progrediu – tão ajustado em seus caminhos, os feiticeiros eram – mas os trouxas mudaram tanto e tão rápido. Especialmente nos últimos quinze anos. Voldemort sentiu que precisava se reconciliar com as tecnologias e os avanços dos trouxas. Ele precisava estar preparado.
O que deixou Harry mais... Surpreendido foi a falta total de pensamentos sobre a inferioridade trouxa. Não era suposto ser o problema de Voldemort? A crença de que os trouxas não eram melhores que animais estúpidos?
Sujos, estúpidos, fracos, trouxas?!
Mas ele não pensou nisso.
Harry ficou surpreso ao descobrir que o homem tinha uma quantidade surpreendente de respeito pelas suas capacidades. Ele as considerou uma séria ameaça. Pensava que elas eram perigosas. Voldemort continuava pensando no trabalho que precisava completar. Sua tarefa. Harry ficou confuso e sentiu que estiva faltando uma coisa maior e essencial.
Harry suspirou e balançou a cabeça. Era como se todas as crenças fundamentais que ele havia obtido nos últimos três anos tivessem sido baseadas em mentiras e desinformação. Na verdade, estar dentro da cabeça de Voldemort tinha mostrado algo que Harry nunca esperava ver.
Voldemort era apenas... Uma pessoa.
Uma pessoa tremendamente poderosa, com fome de conhecimento e controle definitivos. Mas ainda assim ele era uma pessoa. Ele sempre imaginou Voldemort como uma espécie de monstro sedento por sangue, incapaz de pensar racionalmente, que passava seus dias torturando pessoas e planejando formas novas e criativas de matar trouxas.
Isso era verdade?
E seu poder... Harry sentiu o poder que o percorreu quando ele tocou sua varinha na marca de Rabicho e tinha sido completamente inebriante. Era escuro e delicioso... E isso tinha sido apenas uma pequena fração de seu real poder!
Harry fechou os olhos para a lembrança. Ele sentiu e conseguiu experimentar a magia de primeira mão. O ar escapou de seus pulmões com um tremendo suspiro e sorriu. A memória enviou uma ondulação agradável em seu estômago. Ele não queria se desfazer daquela sensação.
Um momento depois, ele suspirou de novo e saiu de seu crescente estupor. Não era bom pensar nessas coisas. Não era... Saudável.
Harry passou a maior parte da manhã na câmara praticando o exercício de respiração meditativa e as técnicas mágicas de foco. Ele estava começando a sentir a mágica enrolando em seu estômago. Sua pele percebeu a magia da transformação, mas nada realmente aconteceu ainda. Ainda assim, ele estava otimista. Era 3 de janeiro, e a próxima tarefa não era aconteceria até 24 de fevereiro. Ele tinha um plano e ele tinha tempo.
Saiu da câmara e voltou para a escola para o almoço. Ron perguntou a Harry se ele queria começar a trabalhar com esse encanto de localização, mas Harry recusou, dizendo a ele e a Hermione que ele estava no meio de alguns de seus outros preparativos e queria voltar para eles imediatamente.
Rony estava claramente desapontado e franziu o cenho, mas não protestou.
Harry deixou o grande salão e deslizou atrás de uma tapeçaria em um corredor escondido, puxou o mapa e cobriu a bolsa. Ele tocou o mapa, ativando-o e verificou o corredor do segundo andar para garantir que ninguém estivesse perto para que ele pudesse voltar a entrar na câmara quando viu o nome de Karkaroff se movendo ao longo de um corredor nas masmorras em direção ao escritório de Snape.
Harry franziu a testa e sua mente voltou para o aviso de Sirius para manter seus olhos abertos, desde a última prova. Karkaroff era um ex-Comensal da Morte e Harry não podia deixar de se perguntar o que ele poderia estar falando com Snape.
Ele tomou a decisão rapidamente e correu pelo corredor para as escadas, descendo para as masmorras.
Puxou sua varinha e enquanto se aproximava do local lançou um encanto de silêncio sobre si mesmo. Ele verificou o mapa novamente e viu que os dois estavam dentro do escritório de Snape agora. Tocou o mapa com sua varinha, terminou o feitiço e o colocou no bolso. Ele correu pelo corredor e ficou de fora da porta fechada, apertando a orelha nela, tentando escutar.
As vozes estavam abafadas demais para se distinguir e Harry resmungou em frustração. Desejou conhecer um feitiço para escutar através das portas ou um que aumentasse sua audição, mas nada veio à mente.
As vozes além da porta se tornaram elevadas e de repente a porta se abriu. Harry apenas conseguiu se afastar da porta aberta e se pressionar contra a parede ao lado.
— Fora! – Snape rosnou.
— Mas Severus! Você precisa ouvir!
— Eu não preciso fazer nada!— Snape sibilou em um sussurro mortal.
Harry olhou para Karkaroff, ele estava segurando a manga esquerda de suas vestes e expondo o antebraço a Snape.
— Você sabe o que significa, Severus! Você deve ter sentido isso também!
— Sim, é claro que eu senti isso. E eu sei exatamente o que isso significa. Eu não sou um idiota, Igor!
— Dumbledore protege você, Severus. Eu não tenho tal luxo! Quando nosso Senhor retornar, ele me crucificará!
— Esse problema não o meu!
— Mas Severus! Você deve...
— NÃO! Agora, saia!
Karkaroff ficou mais reto e deixou o braço cair ao seu lado. Ele estava franzindo o cenho para Snape, mas acenou com a cabeça.
— Tudo bem, então. Mas isso não acabou – disse Karkaroff com dureza antes de virar, sair do escritório e descer o longo corredor da masmorra.
Snape ficou na entrada durante um longo minuto antes de rosnar com raiva, marchando para dentro e fechando a porta.
Harry ficou parado por mais um minuto, tentando compreender o que acabava de testemunhar.
Karkaroff era um Comensal da Morte. Ele sabia disso. Embora, aparentemente, ele não pensou que Voldemort ficaria particularmente satisfeito com ele, então talvez ele tenha feito algo durante a última década em que o Lord das Trevas estaria com raiva.
Isso tornou bastante improvável que Karkaroff fosse o contato do Comensal da Morte que estava dentro da escola e que colocara o nome de Harry no cálice do fogo.
Mas o que realmente foi motivo de contemplação foi o fato de Karkaroff ter ido a Snape. Ele havia mostrado a Snape sua marca. Isso tinha que ter sido sobre o que Voldemort fez na noite anterior com a marca de Rabicho. Voldemort tinha empurrado sua magia através de todas as marcas para começar a ativá-las. Karkaroff sentiu isso e entrou em pânico. Mas Snape disse que também sentiu isso. Que ele também sabia o que significava. E Karkaroff tinha vindo a Snape.
Snape era um Comensal da Morte!
Isso significava que Snape poderia ter sido o único que colocou o nome de Harry no cálice?
Harry se afastou da parede e começou a voltar rapidamente para o segundo andar. Ele entrou no banheiro de Murta, caminhou diretamente para a pia e sibilou um comando para abrir. Poucos minutos depois, ele estava sibilando no caminho para a sala de estudo de Slytherin, sua mente ainda estava correndo.
Em vez de ir para a espreguiçadeira, como costumava fazer, ele foi até a mesa e colocou a bolsa no topo. Ele puxou um pergaminho qualquer, pena e tinta e se sentou na cadeira.
Ele olhou para a página em branco por alguns minutos enquanto tentava dar ordem aos seus pensamentos.
Finalmente, ele colocou a pena no pergaminho e começou a escrever uma carta para Sirius. Fazia quase um mês que ele havia escrito para o seu padrinho e mais de dois meses desde que ele falou com ele, foi no início de novembro.
Sirius sabia que Karkaroff era um Comensal da Morte. Talvez ele também soubesse algo sobre Snape. Pelo menos, ele poderia escutar os desabafos e teorias de Harry.
Repetiu tudo o que conseguiu lembrar da breve conversa que havia ouvido entre Karkaroff e Snape e disse a Sirius como Karkaroff mostrava a Snape sua marca.
Harry não mencionou suas visões para Sirius, embora, no inicio do ano, Sirius tenha lhe pedido que o deixasse saber se ele ainda estava com elas. Ele não queria compartilhá-las. Elas eram meio... Privadas. Além disso, duvidava que ele pudesse explicar corretamente a qualquer outra pessoa como era para si experimentá-las. Quando ele tinha uma visão de Voldemort, era como se ele fosse Voldemort. Ele só podia imaginar como isso seria recebido por qualquer outra pessoa.
Não. Ele não podia contar a ninguém sobre suas visões. Mas ele ainda queria a opinião de Sirius sobre o encontro Snape-Karkaroff. Esperava que não demorasse mais de um mês para que o padrinho respondesse.


O dia seguinte foi o início do segundo semestre. Harry ficou acordado em uma leitura tardia e passou uma outra hora deitado na cama, enterrado profundamente em sua mente com seu companheiro. Por isso, ele dormiu um pouco mais tarde do que ele geralmente se permitiria fazer e foi obrigado se aligeirar na rotina da manhã, tomando rapidamente suas duas poções e correndo para o café da manhã.
Ele foi rápido para o Grande Salão. No segundo que ele atravessou as portas, o salão ficou ansiosamente calmo. Harry imediatamente diminuiu a velocidade e olhou ao redor do local com cautela. Um número alarmante de olhos treinados ficaram sobre ele. Uma quantidade substancial de risadas começou a emanar da mesa da sonserina.
Ah, agora, o que é? Ele resmungou amargamente enquanto retomava os passos para a mesa da Grifinória. Encontrou Ron e Hermione e caminhou até eles. Hermione segurava o Profeta Diário em suas mãos e parecia devastada. Ron estava olhando para Harry com uma mistura de confusão e descrença.
Um rápido olhar ao redor do salão e Harry pôde notar que muitas pessoas estavam segurando o Profeta Diário em suas mãos.
Isso não pode ser bom...
Ele se sentou ao lado de Hermione, deu um suspiro resignado e estendeu a mão, silenciosamente, pedindo que ela entregasse o papel.
— Harry... – ela começou a falar um protesto fraco, mas ele lançou um olhar que indicava não querer discussão. Ela suspirou pesadamente, acenou com a cabeça e entregou o papel.
Harry se ajeitou e colocou-o na frente dele. O que ele viu lá, em grandes letras em negrito, impresso na primeira página, definitivamente não era algo que ele esperava.


O MENINO QUE SOBREVIVEU É GAY?
Por Rita Skeeter


Harry fechou os olhos. Estendeu a mão e beliscou a ponte do nariz entre o polegar e o indicador enquanto baixava ligeiramente a cabeça.


— Harry? – Hermione perguntou com uma voz tranquila e cuidadosa.
Ela se inclinou mais perto quando não recebeu resposta.
— Harry? É... Não é tão ruim... – Ela fez uma pausa quando pensou que ouviu algo. Seus ombros se sacudiram e tremeram por um momento e ela temia que ele estivesse prestes a explodir em soluços! Ela se inclinou ainda mais e virou a cabeça para o lado, tentando dar uma olhada em sua cabeça curvada.
Suas sobrancelhas franzidas ficaram confusas quando o que ouvia soava como uma... risada?!
Harry bufou. Ele começou a rir cada vez mais alto, não conseguindo se recuperar antes de romper em fortes gargalhadas. Todo o seu corpo estremeceu com a força de sua risada e durou alguns segundos sólidos antes que ele finalmente se acalmasse o suficiente para que apenas um resmungo ocasional escapasse.
— Er... Amigo? Você está bem? – Ron perguntou hesitantemente, aparentemente preocupado com o fato de que Harry poderia ter ficado totalmente louco. Harry acenou com a cabeça e soltou o tipo de suspiro que você da quando acaba de rir.
— Bem, você está tomando isso melhor do que eu esperava – observou Ron. – Então, é apenas lixo, certo? Aquela maldita mulher, Skeeter, sempre vai imprimir qualquer coisa!
Harry balançou a cabeça, ainda acalmando sua risada.
— Não é Ron. É verdade – ele disse enquanto levantava a cabeça e deu um sorriso divertido ao ruivo.
O rosto de Ron ficou pálido. Harry ouviu várias pessoas que estavam perto o bastante para escutar, soltando gritinhos e ele revirou os olhos.
— Se bem que, eu me pergunto, como diabos ela descobriu – disse Harry enquanto se sentava de maneira mais reta e analisava o papel novamente. Ele olhou para Hermione, e estreitou os olhos – Você não deixou escapar, não é?
Ela ofegou e ficou horrivelmente ofendida.
— Claro que não! Harry, eu nunca teria dito a ninguém!
Harry sorriu e acenou com a cabeça.
— Sim, eu sei. Ainda assim eu tinha que perguntar.
— Uou... Espere. Calma ai, Harry... O que... – Ron estava gaguejando e olhando freneticamente de um lado para o outro, entre Harry e Hermione. – Você é...? E quanto a Fleur! E você ! Você sabia? – Exclamou, apontando para Hermione, acusadoramente.
— Ron, você até mesmo leu o artigo! – Hermione perguntou com exasperação.
— Eu li por cima! – Ele disse defensivamente. – Além disso, eu assumi que era apenas mais lixo da Skeeter!
— Fleur sabia ou, pelo menos, ela suspeitava e descobriu realmente ao final do baile – Harry disse dando de ombros, se aproximando da mesa e começou a pegar alguns ovos mexidos, depositando-os no prato. Ele estava ignorando as dezenas de conjuntos de olhos que ainda estavam focados nele e a horda de sussurros silenciosos.
Deixe-os olhar. Estúpidos, idiotas.
— Ela sabia? – Hermione ofegou. – Você não acredita...
Harry encolheu os ombros.
— Se não fosse você, tinha que ser ela. Mas eu realmente não esperava isso.
— Você acha que talvez ela estivesse com raiva? Que você a levou para a dança, mesmo ser estar realmente interessado? – Hermione perguntou.
— Não parece ser isso... Quero dizer, ela foi muito legal depois da dança, quando conversamos. Ela parecia agradecida. Disse que teve um ótimo momento. Quero dizer, se ela tivesse ido com um cara hétero, a aura teria sido afetada durante toda a noite e tudo o que ele teria feito era babar sobre ela até engasgar. Ela disse que estava agradecida por poder participar da dança com alguém capaz de desenvolver uma conversa coerente. Realmente não faz sentido que ela tenha ido a Skeeter.
Hermione fez um barulho na garganta e ficou pensativa.
— Harry... – Ron murmurou fracamente e Harry olhou de volta para a cabeça vermelha sentada em frente a ele na mesa. – Você é... Você é realmente gay?
Harry revirou os olhos.
— Sim, Ron. Eu sou gay.
Ele ouviu outra onda de sussurros ecoando pelo corredor enquanto a palavra se espalhava como fogo em palha. Harry balançou a cabeça e riu fracamente antes de voltar para o prato e arrumar um pouco de comida na boca.
Um momento passou, o rosto de Ron era uma máscara de descrença e choque, finalmente seu olhar se instalou em Hermione.
— E você sabia! – Ele disse acusadoramente.
Hermione suspirou.
— Sim, Ron, eu sabia.
— Por que... Como?
— Harry me disse – ela disse com uma voz silenciada enquanto olhava ao redor do salão lotado que ainda estava atento a cada movimento.
— Quando? – Ron gritou ligeiramente com sua voz quebrada.
— Hum... Na última semana de novembro, eu acho. Realmente não importa.
— É claro que importa!
— Ron, não faça uma cena! – Hermione repreendeu com um duro silvo.
— Por que você não me disse? – Ron perguntou, acusadoramente novamente, quando ele se virou para Harry desta vez.
Harry suspirou e deixou cair o garfo em seu prato.
— Não surgiu oportunidade. E também, não vi como isso deveria importar.
— Por que você chamou a Fleur para o baile se você nem gosta dela?
Harry piscou.
— O que importa se eu chamei a Fleur para o baile?
— Bem, outro alguém poderia ter chamado ela!
— Quem? Você? – Harry respondeu, recostando-se na cadeira e dando uma olhada ponderada ao ruivo.
— Sim, talvez! – Ron disse na defensiva, se ajeitando mais no assento.
— Você percebe que um dos maiores motivos que ela disse sim ao meu convite é porque eu sou gay?
— Que sentido isso faz? – Exclamou Ron.
Harry deixou sua mão bater em sua testa e gemeu com frustração. Ele baixou a mão e se perguntou se realmente queria ter essa conversa.
— Uma vez que eu não gosto de garotas, sou imune à sua aura de veela. Por isso. Tente simpatizar com Fleur por um minuto. Não importa onde ela vá, eles a seguem. Eles se rastejam para estar perto dela. Praticamente adoram o chão em que ela pisa e no segundo em que qualquer um deles abre a boca, soam como idiotas, porque a habilidade de pensar corretamente está sendo inibida por seus hormônios, que estão sendo desencadeados em excesso por causa da aura.
"E se eles não estão agindo como idiotas sem cérebro em torno dela, eles estão tentando chamar sua atenção ou colocar a mão nela. Ao ir comigo, ela não precisava lidar com isso. Por isso faz sentido".
Ron franziu o cenho com raiva, cruzou os braços sobre o peito, como se fosse uma criança birrenta. Harry quase riu, mas sabia que isso só deixaria Ron mais louco.
Harry pegou seu garfo de volta e continuou comendo enquanto ele olhava o papel e começou a ler o artigo.
Ele franziu a testa enquanto se deparava com um parágrafo que fazia referência a uma conversa que ele, Fleur, Krum e Hermione tinham, enquanto estavam sentados em uma mesa juntos.
Harry se recostou e apontou para ele enquanto falava com Hermione.
— Como você acha que ela conseguiu isso?
Hermione se inclinou e releu essa seção do artigo.
— Talvez Fleur tenha dito a ela? Ela estava lá.
Harry franziu o cenho.
— Realmente não parece estar certo... – ele voltou a ler e chegou à parte que descreveu Fleur confrontando-o sobre sua sexualidade no final da noite. Ela o pintou em uma imagem muito diferente, é claro, fazendo parecer que ele a enganou e brincou com seus sentimentos, de uma maneira que apenas Skeeter poderia escrever com tanta habilidade.
— Você tem certeza de que Fleur não estava realmente chateada? – Hermione perguntou novamente.
Harry balançou a cabeça.
— Eu realmente tinha certeza... Eu vou ter que vê-la. Falar com ela.
— Ela poderia apenas mentir para você – apontou Hermione.
No canto da boca de Harry apareceu em um sorriso secreto que ele rapidamente desfez.
— Eu acho que posso lê-la muito bem, na verdade. Eu saberei se ela estiver mentindo.
Hermione lhe deu um olhar cético e ergueu uma única sobrancelha interrogativamente. Harry, no entanto, escolheu não elaborar.

Um comentário:

  1. Você diz que é uma artista, mas artistas NÃO COPIAM O TRABALHO DOS OUTROS.
    Pare de fazer isso, Cybelle. É desnecessário e pega muito mal pra você.
    A Loren/Lucille estava até mesmo pensando em parar com as traduções depois que descobriu que você as estava pegando. Imagina se a Athey - autora original - fica sabendo disso?
    Ela apagaria todas as histórias e ai? O que vc faria?
    Só pare e exclua esses posts, você não tem autorização de nenhuma das duas para postar essa história.

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