quinta-feira, 29 de junho de 2017

Harry Potter e a Descida na Escuridão capítulo 1



Harry Potter e a Descida na Escuridão




Harry estava sozinho. Ele nunca se sentiu tão perdido e sozinho em toda sua vida. Mesmo quando era criança, nos Dursleys, ele não se sentiu tão sozinho como estava se sentindo naquele momento, até porque, solidão era tudo o que havia experimentado então não tinha nada para compará-la. Agora ele conhecia a amizade e sabia o que sentia por ter amigos e parceiros em quem podia confiar. Tudo isso foi arrancado dele o fazendo ficar submerso de volta ao abismo de solidão que o estava esmagando.
Agora era 3 de Novembro, mas seus problemas realmente começaram no dia 31 de outubro. As coisas terríveis sempre aconteciam no Halloween. Então, obvio, ele tinha sido cauteloso. A experiência ensinou Harry a temer esse dia a cada ano, mas ele não via isso. Não viu por um longo tempo.
 Ele estava em seu 4º ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e as coisas começaram bem o suficiente. No caso, houve os ataques dos comensais da morte da Copa Mundial de Quadribol várias semanas antes do inicio das aulas, foi uma experiência bem ruim, e então aconteceu os sonhos-pressentimento nos quais tinha tido... Mas, na escola real, tudo havia sido excelente até agora. Até mesmo o professor de Defesa das Artes das Trevas foi brilhante. Louco, mas brilhante.
Então, quando o nome de Harry foi retirado do Cálice de Fogo, nomeando-o um dos campeões Tri-bruxos, ele ficou atordoado num silencio assombroso.
Toda a escola estava convencida de que ele havia trapaceado de alguma forma. Que ele havia conseguido encontrar algum caminho em torna da linha hereditária de Dumbledore e tinha colocado o seu nome na taça. Mais do que isso, a tríade havia ficado tão ferrada que existiam dois campeões escolhidos para representar Hogwarts, quando apenas um deveria existir.
O dia depois que os campeões foram escolhidos, uma repórter do Profeta Diário chamada Rita Skeeter, chegou a entrevistar os quatro campeões. Seu artigo era uma explosão de horror e constrangimento. Eram apenas lágrimas e fofocas, é claro, mas isso não impediu as pessoas de acreditarem.
 Toda a escola estava contra ele. Ele estava buscando atenção, enganando, mentindo, ainda chorava pela morte de seus pais, as vezes durante a noite, e tinha sérios problemas de estabilidade mental. Mas ele, provavelmente, conseguiria passar por isso se não fosse o abandono das duas pessoas que ele confiava para sempre acreditar nele.
Ron estava com raiva. Ele não acreditou quando Harry lhe disse que não havia colocado o seu nome naquela taça. Ele estava convencido de que Harry havia encontrado um jeito de burlar a regra sobre a idade e que havia posto seu nome lá sem compartilhar a informação consigo. Que Harry não queria a concorrência adicionada. Que ele não queria arriscar dar a Ron a chance de sua própria gloria.
O idiota estúpido estava com tanto ciúme da fama de Harry que ele estava cego para a verdade. O fato dele poder honestamente acreditar que Harry não queria nada a ver com a “gloria eterna” era difícil. Ele mostrou que realmente não conhecia muito do amigo.
E então havia Hermione. Ela não acreditava nele! E estava brava por ele trapacear. Por fazer algo que havia prejudicado o torneio, transformado-o em quatro campeões ao invés de três, e ela estava irritada por ele ser tão imprudente fazendo algo que estava colocando sua vida em perigo. Ela estava com tanta raiva que não via a fúria de Harry quando escutava insistentemente que ele havia feito isso.
Era sábado e ele estava escondido em seu dormitório. Todos os seus companheiros de dormitório tinham ido para o café da manhã. Nenhum deles se preocupou em acordá-lo, já que nenhum deles estava falando com ele. Não que ele quisesse ir para o café da manhã, de qualquer maneira. Ele apenas estava cansado dos olhares e dos sussurros, e das brincadeiras de cada maldito sonserino na escola.
Ele se deitou na cama, enterrado no fundo das colchas vermelhas e negras, sob as cortinas pesadas que cercavam sua cama com dossel. Fechou os olhos e tentou limpar a mente de toda a dor e solidão que sentia. A sensação de abandono total o encheu e ele apertou o queixo, respirando fundo pelo nariz enquanto expirava tudo. Desligando-se de tudo, fechando-se de tudo.
Vazio.
Ele diminuiu a respiração se foi indo cada vez mais pro fundo. Ele se afundou profundamente na sua mente de uma maneira que ele não havia feito por anos. Ele costumava fazer isso quando era fechado no armário, tentando não chorar por causa de algo especialmente prejudicial que seus parentes lhe disseram ou fizeram, mas ele parou de fazer isso em algum momento.
Quando ele afastou o pensamento e foi ainda mais fundo na mente, começou a reconhecer o lugar. Fazia tanto tempo que ele fazia isso. Ele tinha esquecido completamente. O espaço era grande e ser formas. Uma enorme extensão branca que tinha um plano de piso ambinguo e paredes brancas que cercavam o espaço vazio e extremamente grande. Em um canto distante, ele notou um ponto frio e escuro no qual ele não havia prestado atenção por tantos anos, que honestamente havia esquecido de que estava lá. Ele examinou aquele ponto  escuro curiosamente por um momento. Suas lembranças estavam nubladas e desbotadas com o tempo. Tinha demorado tanto tempo para ele voltar para esse lugar na sua mente. Ele pensou fielmente que estava imaginando tudo aquilo.
No entanto, enquanto ele pensava sobre esse canto escuro e isolado, ele percebeu que sempre esteve lá. Sempre esteve com ele, mas estava completamente perdido em sua consciência  por muitos anos. Ele recordou de uma lembrança longa e perdida, lembrou de ter medo desse ponto escuro e frio dentro de si mesmo. Ele tinha algum tipo de... Medo. Na sua ingenuidade juvenil, ele pensou que era algo horrível e que precisava ser evitado e escondido, mas ele não conseguia se lembrar o porquê de pensar dessa forma.
 Ele sabia que, há muito tempo atrás, ele começou a afastá-lo, a mandá-lo embora. Que ele o impediu de ficar com uma grande força de vontade. Como se ele tivesse construído uma grande barreira mental em torno dela para mantê-la longe dele. Para mantê-lo separado do ponto escuro e assustador em sua mente.
Agora que ele havia prestado atenção nisso é que percebeu que estava fazendo-o. Era algum tipo de defesa automática. Estava lá. Ele simplesmente fez isso e estava sempre fazendo isso. Ao redor do campo nebuloso e escuro era apenas uma barreira invisível, e ele conseguia sentir que muito do seu poder mágico estava indo para manter aquilo lá. Ele se perguntou o quanto da sua energia estava sendo dedicada a manter constantemente essa pequena coisa afastada por tanto tempo.
Harry examinou o ponto escuro com um olho especulativo. Perguntando-se se realmente havia uma boa razão para ele ter medo disso ou se valia mesmo a pena o desperdício de energia para continuar empurrando o local. Parecia bastante inócuo para ele agora. Em todo o caso, estava frio ali.
Seu primeiros experimentos com a aproximação do ponto escuro  eram comparáveis com um “cutucar com um bastão longo”. Impulsionando mentalmente e brevemente, gestos rápidos. Curiosamente, procurou algum tipo de resposta. Não havia nenhuma.
Ele continuou a examinar e “abordar” a escuridão por um longo tempo, chegando cada vez mais perto, ele sentiu mais calor. Na verdade, não estava muito frio mesmo. Ele só se sentiu estranhamento... Reconfortante. Sentia-se quase como uma presença diferente e ainda não era algo que ele sentia vontade de expulsar.
Ele alisou aquilo e se sentiu quente e consolado. Em sua mente, ele imaginou-se em PE na vasta sala branca, o ponto escuro estava embaçado e nebuloso, e ainda tinha uma certa solidez. Harry colocou sua mão contra ele de uma maneira hesitante e ele... Gostou do que sentiu. Não era apenas uma suavidade em sua “mão”, mas um estremecimento que atravessava todo o seu corpo. Um formigamento vertiginoso que o fez sorrir seu primeiro sorriso real desde que aconteceu aquilo no dia das bruxas.
A defesa automática ainda estava ali, até aquele momento. Colocando o ponto escuro em seu pequeno canto, ele decidiu abaixar a “paredes invisíveis” agora. A coisa escura não parecia ameaçadora. Ele não estava mais com medo e não via motivo para exercer sua energia mágica apenas para manter a coisa encurralada.
Ele parou a batalha constante da sua magia contra o ponto escuto que, durante tanto tempo – anos –, aconteceu e sentiu como se um peso enorme fosse retirado de seus ombros. Ele ofegou de surpresa com a enorme diferença que havia feito, quase que instantaneamente. Harry não podia acreditar o quanto de sua mágica estava indo para segurar aquilo! Que loucura!
Se perguntou se era por isso que ele havia tido resultados tão patéticos em seu trabalho de classe nos últimos três anos. Se sua habilidade pratica foi impedida por conta dessa batalha, seu subconsciente lutou consigo mesmo toda a vida dele?
Harry voltou a se concentrar no escuro, agora para observar como reagia a libertação repentina da prisão. Não parecia fazer muito, realmente. Ainda estava lá e ainda sentia... Prazer em tocá-lo.  Não havia crescido ou se movido ou o atacado do nada. Ainda estava lá, em sua mente, sendo bem inócuo. Harry se perguntou por que, em nome de Merlin, ele tinha medo daquilo em primeiro lugar. Ele percebeu eventualmente que provavelmente era uma coisa infantil, que não tinha perigo real, e ele construiu essa barreira subconsciente  através de magia acidental e sustentou pelo instinto.
Ele finalmente saiu do interior de sua mente e suspirou pesadamente quando reconheceu que precisava sair da cama. Mesmo que ele evitasse as refeições com o resto da escola, ele ainda tinha lição de casa que precisava fazer e não poderia negligenciar isso mais.
Foi... Incrível.  Sua mente estava tão clara. Sua magia estava tão fácil de controlar e manipular. Ele podia senti-la girando ao redor dele, flutuando e fluindo com ondas poderosas, caindo sobre a magia que se encontrava enraizada no castelo ao seu redor. Ele nunca se sentiu tão em sintonia com sua magia antes na vida!
Ele nunca percebeu o quando de sua magia usou, e o quanto o subconsciente se dedicou a tarefa de lutar contra o pequeno ponto escuro, até que parou a batalha. Agora, a magia sempre estava bem na ponta dos seus dedos e tudo respondia rápida e facilmente. Sua mente estava bem clara também. Ele simplesmente entendia o que estava escrito nos livros e o que os professores diziam. Tudo tinha muito sentido e ele ficou surpreso por ter tido tanto tempo sem entender isso.
Era tão obvio! Como ele poderia ter ficado tanto tempo ser ver a verdade? Sem entender o que estava fazendo?
A teoria mágica sempre esteve fora de seu alcance. Ele poderia fazer os feitiços com bastante pratica, mas ele nunca realmente entendeu a essência e o motivo da mágica, mas agora ele entendia. Ele conseguia ver a magia. Senti-la e perceber como funcionava. Sua magia funcionava com ele com tanta facilidade e a excitação do controle foi emocionante.
A última semana de aulas tinha sido uma experiência incrível, ele realmente conseguiu superar aqueles olhares zombadores e irritados que ainda o seguiam onde que quer que ele fosse. 
Todas as noites, antes de permitisse que o sono o levasse, ele havia regulado sua respiração e deixado sua consciência escorrer da sua mente, para que ele pudesse examinar um pouco mais o ponto escuro. Ele queria acompanhar qualquer reação que talvez não tivesse que ser combatida, e até agora não havia... Nenhuma. Permaneceu na mesma forma e tamanho e no mesmo ponto, descansando no fundo da mente.
Porque diabos ele desperdiçou tanta energia e concentração mental, por tanto tempo lutando contra esse pequeno ponto sombrio na parte de trás de sua mente!
Ele desejava que pudesse se lembrar o que causara no seu eu mais jovem que tivesse tido tanto medo daquilo.
Harry gradualmente começou a se aproximar do ponto escuro cada vez mais. Seu trabalho de classe e estudos provaram ser grandes distrações, mas ele ainda se sentia horrivelmente sozinho. Tendo seus dois amigos ainda a evitá-lo completamente e horrivelmente, mas quando ele se aproximou do ponto escuro, a terrível dor da solidão desaparecia. O ponto escuro enchia o vazio dentro de si mesmo com um calor diferente e ele suspirou agradecido.
Passaram-se alguns dias. Hagrid o fez sair à floresta sob a capa de invisibilidade e lhe mostrou os dragões. A senhora Maxime também estava lá e, no caminho de volta ao castelo, Harry atravessou perto de Igor Karkaroff, então não havia dúvida de que Krum e Delacour também saberiam sobre os dragões.
Harry duvidava que alguém tivesse se incomodado em avisar Cedrico sobre isso.
Naquela noite, depois de ver os dragões de primeira mão, Harry tinha tido uma conversa via flú com Sirius. Seu padrinho advertiu Harry que Karkaroff já era um Comensal da Morte. Ele também disse a Harry que ele suspeitava que quem colocou seu nome no cálice de fogo tinha feito isso na esperança de que Harry acabasse morto.
As pessoas morreram neste torneio. Havia um motivo que só bruxos de certa idade podiam competir. Harry, apenas no início de seu quarto ano, não estava totalmente preparado para as tarefas que ele teria que enfrentar. Ele simplesmente não estudava magia o suficiente para ter apresentado uma fração das magias que seus colegas campeões tinham.
Naquele momento, Harry ainda estava no processo de estar completamente horrorizado com a perspectiva de enfrentar um enorme dragão. Sirius lhe havia dito que sabia de uma maneira simples de lidar com um, mas tinha sido cortado quando Harry ouviu alguém entrar na sala comum. Eles tiveram que acabar com a chamada no início, e Harry sentiu-se incrivelmente decepcionado por isso.
Sua decepção se transformou em uma ira amarga quando descobriu que a pessoa que interrompeu a conversa não era nada mais que Ron . O imbecil ciumento e traiçoeiro que uma vez alegou ser o seu melhor amigo.
Ele é apenas um caçador de glória que busca a atenção.
Tudo o que ele sempre quis de mim era pegar um pouco da fama do "menino-que-sobreviveu". Uma vez que ele percebeu que ele estava apenas vivendo na minha sombra, ele ficou com raiva e me virou as costas.
Uma pequena voz dentro da cabeça de Harry meditou amargamente.
Harry passou todos os momentos que conseguiu dos próximos dias, pesquisando dragões. Quanto mais ele lia sobre eles, mais ele percebia o quanto os dragões eram horrorosamente perigosos. Geralmente, grandes equipes de bruxos eram responsáveis ​​por restringir e subjugar as enormes criaturas. Foram necessários cerca de vinte bruxos criando feitiços de atordoamentos simultâneos para realmente derrubar um.
Ele colocou o livro que ele estava lendo em sua mesa de cabeceira, recostou-se nas capas estofadas e suspirou pesadamente. Era tarde - provavelmente depois da meia-noite - e todos os seus colegas do dormitório estavam dormindo. Ele estava estressado e, muito honestamente, tudo estava começando a realmente assustá-lo. A tarefa estava a apenas uma semana de distância e ele ainda não tinha idéia do que fazer.
Recostou no travesseiro, fechou os olhos e escapou para a sua mente. Ele descobriu que gastar tempo perto do ponto escuro acalmava seus nervos desgastados de uma maneira estranhamente agradável. Ele gostava de estar perto disso. Gostava de escovar os "dedos" ao longo da sua superfície. Ele mesmo começou a ficar contra ele. Inclinando-se como uma almofada gigante. Seu calor o envolveu de uma forma maravilhosa. Era como se estivesse saturado de cada nervo desgastado e aquilo o acalmasse. Poderia pensar mais claro depois de estar dentro de sua mente, e ele se sentiu energizado e magicamente rejuvenescido depois de passar um tempo ali.
Harry escapou pra dentro de si novamente, então foi diretamente para a coisa e se instalando ao lado dela, sentindo o calor sobre ele. Suspirou alegremente enquanto apreciava a sensação de ter algo ali com ele. Ele não conseguia explicar isso, mas quando ele estava com esse pequeno ponto escuro em sua mente, ele sentiu como se estivesse com outra pessoa. Como se ele não estivesse sozinho.
Ele suspirou pesadamente e, sem sequer decidir que o porquê, começou a falar. Divagou e falou sobre o que estava acontecendo em sua vida, o estresse e a preocupação que o preenchiam enquanto ele se preocupava com a tarefa.
Ele nunca tinha feito isso antes. Falando com... Bem, ele mesmo, realmente. Quando Harry pensou no que estava fazendo, ele sabia, racionalmente, que era meio louco e, no entanto, ele o fez de qualquer maneira. Ele só... Queria alguém para conversar, e mesmo que soubesse que era uma loucura, sentia-se como se esse pouco de escuridão em seu mundo mental de branco puro, fosse uma pessoa separada de si mesmo.
Depois que sentiu como se fosse uma longa sessão de discursos e delírios, Harry ficou em silêncio e conseguiu relaxar na presença reconfortante. Ele se sentiu limpo, de alguma forma. Foi bom respirar, liberar tudo pra fora, finalmente contar a alguém, mesmo que fosse pra si mesmo.
A presença escura que ele deitou parecia... Mudar de repente. Era pequeno, mas Harry estava profundamente ciente do ponto escuro e notou qualquer mudança nele instantaneamente.
Ele endureceu e todos os seus sentidos ficaram alerta quando observou mentalmente para todas e quaisquer mudanças.
O ponto escuro não mudou a 'forma' ou 'tamanho', mas a presença parecia... Abraçar Harry, enquanto ele estava inclinado ao lado dele. Isso era tudo mental, e qualquer manifestação física era puramente imaginada pela parte de Harry. Muitas coisas não tinham qualquer tipo de manifestação física - era tudo apenas impressões e sentimentos, mas se Harry fosse algum tipo de descritor físico que pudesse  mostrar o que mudou, ele quase poderia dizer que a presença acabava de puxá-lo para um abraço.
Lentamente, ele relaxou na sensação calmante. O abraço continuou e acalmou-o de maneiras que ele não poderia descrever. Harry nunca gostou de ser tocado. Ele não estava acostumado ao contato físico. O único contato que ele já recebeu dos Dursleys foi doloroso ou simplesmente negativo. Ele nunca foi consolado ou abraçado antes de chegar a Hogwarts. Então agora, mesmo quando alguém tentava fazer contato físico, ele sempre se esquivava. Não sabia como reagir, então ele simplesmente escapava.
Mas isso foi diferente.
Ele não sentiu nenhum desejo de se afastar. Sem desconforto ou incerteza. Ele não se sentiu estranho. Não houve constrangimento, nem vontade de se desviar e retornar à sua zona de conforto. Esta era a zona de conforto.
Ele soltou um longo e lento suspiro, e sentiu uma montanha de tensão se derreter com isso. A presença o abraçou mais apertado e era como se estivesse envolvendo-o e segurando-o completamente. Ele nunca se sentiu tão inteiro e aceito em toda a sua vida. Adorou. Ele não queria que aquilo acabasse.
Harry desejava manter a presença em volta e ele descobriu que conseguia. Ele e a presença escura se mantiveram por um longo tempo daquele jeito, enquanto isso a mente consciente de Harry se afastava para a inconsciência e deslizava em sono profundo.
Na manhã seguinte, acordou com o que ele só poderia descrever como uma epifania. Harry agora sabia exatamente como lidar com o dragão. Não era um "feitiço simples", então ele sabia que não era a mesma coisa que Sirius tinha pensado - Sirius jamais pensaria em fazer o que Harry estava planejando. No entanto, mesmo que não tivesse nada a ver com o que seu padrinho sugeriria, ele sabia que sua resposta provavelmente era melhor. Estava absolutamente certo de que funcionaria .
Primeiro, ele precisava ter certeza de que ele conseguiu o Fireball* Chines ou o Wales* Green. Ele sabia que funcionaria muito melhor nessas duas raças do que o Horntail* ou o Short-Snout*. A bola de fogo seria a mais fácil. Ele escutaria. Sendo um leão do leste, seria capaz de entender o melhor. O truque agora era ter certeza de que ele conseguiu.
Harry estava tão consumido e ansioso com seu planejamento para a tarefa, que foi apenas no outro dia que ele pensou em se preocupar com a origem dessa inspiração súbita.
Ele tinha lido tantos textos sobre dragões nos últimos dias que o conhecimento deveria ter vindo junto. Disse a si mesmo que ele deveria ter lido em algum lugar de todos esses livros, mas quanto mais ele pensava nisso, mais ele estava certo de que ele havia sido.
Na verdade, enquanto ele continuava sua busca, percebia que não conseguia encontrar uma única referência em nenhum livro sobre dragões, que dizia que um ofidioglota poderia se comunicar com um dragão.
De onde veio a idéia?
Era apenas um sonho idiota e ele estava baseando todos os seus planos em algo que não funcionaria?!
Mas ele estava absolutamente certo de que iria funcionar. Ele simplesmente sabia. Então, ele pressionou a parede da incerteza e voltou a se concentrar em sua tarefa atual.
Obviamente, ele deveria pegar o Fireball.
Seu trabalho foi facilitado quando ele viu Ludo Bagman caminhando pelas terras da floresta naquela tarde. Ele rapidamente correu atrás do homem e conseguiu encontrá-lo com calma, fora do seu caminho, um local para falar com ele. Uma voz na parte de trás da cabeça de Harry lhe disse que isso provavelmente era "trapaça", mas uma voz surpreendentemente mais alta insistiu que sua prioridade era sobreviver, não vencer. Ele não se importava com o que tinha que fazer, só queria passar por isso vivo.
Ele perguntou a Bagman qual poderia ser o método usado para atribuir a coisa utilizada na tarefa e se ela teria um campeão específico. Bagman rapidamente entendeu o que Harry estava fazendo e, graças a suas dívidas de jogo e suas apostas no vencedor – Harry –, ele ajudou ansiosamente.
Descobriu-se que cada competidor teria que colocar a mão em um saco e retirar cegamente uma versão miniaturizada do dragão que eles deveriam enfrentar.
Harry também descobriu que, como o mais novo dos quatro campeões, ele teria que escolher por último. Isso complicou muito seus esforços. Ele não estava disposto a confiar na sorte do sorteio quando suas chances eram apenas uma em cada quatro para pegar o dragão que ele queria.
Naquela noite, ele escorregou para sua mente e contou seus problemas e suas preocupações para o ponto escuro enquanto ele relaxava em volta do abraço caloroso e reconfortante. Ele poderia quase jurar que aquilo estava respondendo a ele de vez em quando. Não havia palavras ou sons, mas havia a impressão de sentimentos . Como algo simpatizando com seus problemas, algo o entendendo. Era como uma mãe, segurando e balançando uma criança quando estava com medo e sozinho. E, no entanto, também era um bom amigo ou um companheiro que o compreendia melhor do que qualquer outra pessoa poderia fazer. Era alguém no qual você poderia realmente confiar que sempre estaria lá para você.
Harry não podia explicar por que ele sentia do jeito que sentia. Nada disso poderia ser colocado em palavras que fariam sentido para qualquer outra pessoa. Apesar da falta de lógica, ele não desejava lutar contra isso. Ele se sentiu melhor do que nunca antes. Sua magia era mais forte e sentia-se cada vez mais confortável consigo mesmo do que ele nunca poderia se lembrar de se sentir em toda a vida.
A presença escura o segurou e acalmou seus nervos esfarrapados. Ele ouviu suas preocupações e acrescentou sentimentos em pequenas vibrações de uma maneira que fez Harry ficar convencido de que realmente estava ouvindo-o. Se é que isso fazia algum sentido... Ele sabia que não.
Na manhã seguinte, Harry acordou com um sorriso largo. Ele se espalhou por seu rosto fazendo-o até se sentir idiota. Havia um forte desejo de rir... Ou talvez cantar. Mas num momento depois ele esmagou o sentimento e franziu a testa quando deixou sua mente realmente analisar o que ele agora estava planejando.
Basicamente, ele sabia que aquilo não estava certo. Que foi... Injusto ou algo igualmente ridículo. Ele tentava conseguir razões estúpidas para colocar agir mais corretamente e honestamente. Afastou essas preocupações lembrando-se de que realmente não haveria nenhum malefício para os outros campeões quanto a qual dragão acabou ficando. Harry era o único aluno bem mais novo do grupo e o único que se beneficiaria em obter a bola de fogo.
Na verdade, o Fireball era um dos mais perigosos do grupo. O Horntail também seria muito perigoso, no sentido físico. Estava cheio de escamas pretas, mortíferas e Hagrid tinha feito parecer que tinha uma disposição excepcionalmente desagradável - mas o alcance das labaredas eram, na verdade, o menor do pequeno grupo. O Fireball tinha o alcance mais largo e mais longo e não queimava tanto quanto era um pulverizador líquido derretido.
Se ele se certificasse de que os outros concorrentes não conseguiriam o Fireball, era como se realmente estivesse fazendo um favor.
Depois do almoço, naquele dia, Harry seguiu Cedrico Diggory fora do grande salão. O menino popular da Lufa-Lufa sempre estava cercado por outros alunos - estudantes que usavam emblemas de Potter Fede -, mas Harry se forçou a empurrar para trás sua autoconsciência e se aproximou do menino mais velho.
— Potter? O que houve? – Cedrico perguntou, olhando para vários dos seus amigos que riam e pedindo para que eles calassem.
— Precisamos conversar. É importante.
Cedrico deu-lhe um olhar desconfiado e hesitante, mas finalmente acenou com a cabeça. Ele disse a seus amigos que voltaria em um minuto e seguiu Harry para uma sala de aula vazia. Harry respirou profundamente, ainda não tinha certeza se conseguia fazer isso. Havia uma guerra em sua mente sobre a moralidade do que ele estava planejando executar e ainda assim, estranhamente, a parte dele lutando contra si mesmo – porque sabia que era "errado" – era surpreendentemente fraca em seus protestos. Era como se ele estivesse lutando contra isso só porque ele sentia que ele deveria estar lutando e não porque ele realmente acreditava que estava errado .
Harry virou-se para enfrentar o lufano mais velho e colocou uma máscara nervosa bastante convincente. Os seus verdadeiros nervos, no entanto, o deixaram quase no instante em que ele se comprometeu a fazê-lo realmente e, em vez disso, uma alegria entusiasmada encheu a boca de seu estômago. Ele estava quase animado para ver se ele poderia realmente fazer isso. Se realmente funcionaria.
— Cedrico, eu queria te avisar...
O menino mais velho estreitou os olhos e a suspeita voltou à força.
— Eu sei qual será a primeira tarefa – disse Harry, dando ao outro menino um firme aceno de cabeça e olhando diretamente para seus olhos cinza pálido. Ele sentiu a mágica girando ao seu redor. Inclinou-se para o seu esforço sem esforço. Ele nem teve que dizer nenhuma palavra! Não que ele tivesse alguma idéia de quais feitiços permitiriam a uma pessoa ler a mente de alguém, de qualquer maneira. Ele estava fazendo isso inteiramente por instinto. Ele realmente não sabia que sabia que podia, mas ele sabia que isso funcionaria. E foi tão fácil! Inferno, ele mal agarrava sua varinha! Ele deslizou para a mente do outro garoto com facilidade e podia sentir pensamentos e emoções girando ao redor dele.
Cedric estava ansioso e entusiasmado com a perspectiva de se preparar para o que estava por vir, mas ele se perguntou por que, em nome de Merlin, Harry estaria falando para ele qualquer coisa.
— A primeira tarefa são dragões –  continuou Harry a dizer. O menino mais velho ainda era inteiramente alheio à presença de Harry em sua mente. Harry teve que lutar duro contra o sorriso que tentou espalhar em seus lábios. Isso é muito fácil!
— Dragões! – Cedric exclamou e sua mente se encheu de pensamentos e imagens em pânico de grandes bestas com escamas e parelhas de dentes afiados.
— Sim, têm quatro deles. Um Short-Snout*, um Horntail*, um Wales Green* e um Fireball Chines* –, Harry falou o último e seguiu para o pensamento na mente do menino mais velho, cercou-o com a sensação mais forte de medo e aversão que ele poderia sutilmente colocar na mente de Cedrico. Ele encerrou o pensamento dele com o desejo mais forte de evitar o dragão a todo custo.
Não escolha o Fireball.
A expressão de Cedric mostrou seu horror absoluto à idéia de lutar contra um dragão por um momento antes de conseguir dominar seu rosto em uma máscara comprometida, senão ainda bastante enervada. Os pensamentos do lufano não eram tão ordenados ou controlados. Ele estava totalmente entrando em pânico por dentro.
Cedrico observou, por uma fração de segundo, que era estranho que ele estivesse tão aterrorizado com a FireBall, mas também sabia que os dragões chineses tinham um alcance insano com as labaredas de fogo fundido e achou que provavelmente era por isso que estava com tanto medo.
— Por que você está me dizendo isso? – Cedrico perguntou de repente quando a suspeita anterior tomava seus pensamentos novamente.
— Quando eu os vi - o dragão eu quero dizer - eu vi a senhora Maxime e Karkaroff lá fora também. Se eles sabem, seus campeões sabem. Era injusto que você fosse o único de nós quatro que não saberia – Harry disse com um rosto inocente e simplesmente deu de ombros. Cedrico parecia surpreso e mentalmente comentou sobre o quão ingênuo Harry era.
Harry teve que lutar muito contra um sorriso presunçoso.
Na verdade, estava ingênuo. Ele riu mentalmente.
Eventualmente, Cedrico aceitou o gesto de Harry e agradeceu-lhe pela informação. Quando ambos se separaram Harry finalmente permitiu que um sorriso malicioso cruzasse seu rosto.
Muito fácil.
No dia seguinte, Moody tinha mantido Harry depois da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas e quase parecia que o homem tentava sutilmente oferecer sua assistência a Harry. Ele até chegou a dizer-lhe que a trapaça fazia parte do passado histórico do Torneio Tri-Bruxo. Isso suavemente acalmou alguns dos pensamentos de Harry, mas ele já estava dedicado o suficiente ao seu plano, que ele havia superado suas preocupações morais.
Moody perguntou a Harry se ele tinha um plano para abordar a tarefa e, na verdade, parecia bastante chocado quando Harry insistiu que ele tinha, dizendo isso com uma quantidade surpreendente de confiança.
Moody olhou para ele com curiosidade, mas finalmente acenou com a cabeça e deixou-o ir para a próxima aula.
Encontrar o Krum sozinho foi bastante fácil. O enorme búlgaro de poucas palavras gastava uma quantidade surpreendentemente grande de tempo na biblioteca. O truque era chegar a ele antes que seu "fã-clube" chegasse e o atraísse.
Harry facilmente notou um padrão das horas que o estudante de Durmstrang aparecia na biblioteca, já que o próprio Harry passara tanto tempo no lugar ultimamente e ficou lá, esperando por ele, na tarde seguinte. Ele encurralou Krum quase que instantaneamente porque sabia que não tinha tempo para perder. Chamou as magias ao redor dele, segurou suavemente a varinha em seu lado e entrou na mente de Krum.
O estudante de Durmstrang imediatamente ficou cauteloso e sua mente estava cheia de suspeita. Harry usou basicamente a mesma história que ele teve com Cedrico - com algumas modificações necessárias. Ele sabia que Krum já sabia sobre os dragões, mas Krum não sabia que Harry sabia disso - Harry estava sob sua capa de invisibilidade quando viu Karkaroff na floresta. E já que Krum não queria que seu diretor estivesse em apuros, ele fingiu que não sabia.
Depois do momento mais breve em sua mente, Krum pareceu notar que algo estava... Errado. Ele não sabia o que era, mas ele mentalmente registrou que algo o fazia se sentir estranho. Harry manteve sua permanência na mente de Krum de um jeito sutil e olhou ao redor o mínimo possível para não chamar a atenção para sua presença.
Krum já tinha o desejo de apontar para o Short-Snout ou o Green, então Harry sutilmente empurrou-o para o Short-Snout, enquanto adicionava a aversão para a Fireball. Ele também reduziu a aversão de Krum ao Horntail, e acrescentou no pensamento de que não seria tão ruim, já que ele tinha o menor alcance de labareda.
Ele deixou o menino mais velho com um sorriso ainda mais presunçoso em seu rosto.
Chegar a Fleur Delacour sozinho parecia um feito totalmente impossível. Ela estava sempre cercada por uma turma de estudantes que riam e que olhavam zangadamente para qualquer garoto que tivesse audácia de se aproximar. Claro, a maioria dos meninos que se aproximaram da meia-veela, fazia isso sob um monte de insinuação hormonal incoerente, por isso a irritação das garotas era claramente justificada.
A tarefa estava apenas a um dia de distância, neste momento e Harry estava começando a sentir-se um pouco desesperado. Ele precisava falar com Fleur. Suas chances na primeira tarefa já foram drasticamente melhoradas, mas Fleur ainda conseguia ter uma mínima chance e, com a sorte, ela escolheria a maldita Fireball, atrapalhando-o.
Ele tinha planos de reserva e, pelo menos, estava um pouco confiante de que ainda poderia sobreviver à tarefa com os outros dragões ou pelo menos, ele realmente esperava que sim mas suas chances eram muito melhores, se ele conseguisse o Fireball!
Ele passou todas as manhãs e noites em sua mente com a presença escura. Isso lhe deu força e encorajou-o. Sempre que ele se sentia sem esperança, a presença fazia com que ele se sentisse melhor. Era como se fosse de alguma forma dizer-lhe que ele era forte e que ele poderia conseguir, mesmo que não tivesse palavras para falar. Ele podia sentir sua confiança crescer com cada visita e todas as manhãs despertava se sentindo melhor e mais seguro de si mesmo do que da última vez.
Então, naquela manhã, com apenas um dia para a tarefa, depois de uma hora maravilhosamente revigorante relaxando dentro de sua própria mente, ele se levantou da cama com um salto ansioso, acelerou o passo e abriu o caminho rapidamente para o terreno. Ele tinha visto as garotas de Beauxbatons nesta parte da área estudando muito e esperava que, se ele tivesse sorte, a encontrasse aqui sem ter que correr por toda a escola procurando por Freur.
Harry sorriu amplamente ao vê-la sentada no gramado com várias outras garotas com túnicas de azul claro. Ele caminhou para o grupo deles com uma confiança que ele nunca sentira antes de derrubar a barreira que ele usara para lutar contra a presença escura. Ele sempre foi tão tímido e inseguro. Ele estava tão feliz por não sentir mais isso. Ele estava tão cansado dessa pessoa, De ser esse menino estúpido, fraco e pequeno.
— Mademoiselle Delacour? – Ele perguntou com um sorriso confiante, mas calmo. As garotas sentadas ao redor de Fleur o olharam com uma mistura de surpresa e aborrecimento. Uma rápida varredura dos pensamentos superficiais das meninas não ajudou com a maioria deles, já que eles estavam pensando em francês, mas suas emoções e imagens mentais disseram a Harry que estavam chateadas por serem interrompidas da sua sessão de estudos por um pequeno garoto estúpido. Mas várias também ficaram surpresos com o fato dele ter conseguido chegar até Fleur sem se comportar como um idiota.
— Monsieur Potter? – Ela perguntou, levantando uma única sobrancelha curiosa, mas ainda dando um olhar bastante hesitante e curioso.
— Sinto muito por interromper sua sessão de estudo, mas tenho algo realmente importante para lhe dizer. Só levará um momento – ele disse com um tom doce e educado e um sorriso inocente.
Ela estreitou os olhos e todas as suas companheiras de estudo pareciam suspeitas e surpresas, mas Fleur levantou-se e juntou-se a ele a cerca de vinte metros de distância perto de outra árvore. Harry ficou surpreso ao notar quão pouco sua aura de veela estava afetando-o. Ele facilmente retardou o efeito minucioso do desejo irracional e um ligeiro aumento nos sentimentos lúcidos que ela poderia tê-lo causado. Harry poderia reconhecer que ela era uma menina bastante bonita, embora certamente nada dramaticamente maior do que qualquer um de seus amigos, ou qualquer uma das garotas "bonitas" em Hogwarts. Mas ele realmente não se achava atraído por ela. Ela era apenas uma garota comum.
Ele já estava empunhando e girando sua magia com facilidade por conta da prática e enfiava-se profundamente na mente dela sem nenhum esforço. Ela já sabia sobre os dragões, assim como ele suspeitava, embora não estivesse familiarizada com as raças específicas de dragões que teriam que enfrentar. Assim como Krum, ela agiu como se não tivesse idéia do que a primeira tarefa envolveria e ficou bastante surpresa e impressionada com o senso de Harry sobre o que era "certo". Krum simplesmente pensou que Harry era incrivelmente ingênuo por compartilhar informações, mas Fleur achou-o nobre.
Ela não tinha sensação de sua presença em sua mente e foi fácil plantar uma forte aversão à Fireball em seu subconsciente.
Harry a deixou rapidamente e ela voltou para os colegas da escola, olhando para o menino mais novo com um pequeno sorriso curioso. Harry não podia deixar de olhá-la por cima do ombro e dar-lhe um sorriso ligeiramente arrogante. Ela revirou os olhos para ele e voltou para o grupo de garotas animadas e risonhinhas.
A tarefa estava agendada para a tarde seguinte, mas apenas as aulas depois do almoço foram canceladas, então Harry sentou-se pela aula dos encantos naquela manhã de um jeito impaciente. Uma grande parte dele só queria aproveitar. Estava ansioso e sentia-se inquieto. Outra parte dele ainda estava aterrorizada de que sua teoria sobre como lidar com a tarefa não funcionasse e que ele fosse frito vivo
Apesar de sua fé estranha e inexplicável na paraselmagic* que ele planejava usar, Harry também passara um pouco de tempo investigando falsos e protetores de proteção na biblioteca como um plano de reserva.
A atribuição de classe naquele dia em encantos era praticar um encanto de convocação, e Harry completou-o perfeitamente em sua primeira tentativa e não viu nenhum motivo para passar o resto da classe tentando chamar as coisas do outro lado da sala quando ele já sabia que ele poderia em vez disso sentou-se em sua mesa e começou a retirar coisas de sua bolsa.
A classe estava claramente se esforçando para realizar o feitiço de convocação, que Harry achou amuadamente leve. Ao mesmo tempo, ele sabia que, se ele tentasse realizar o feitiço há um mês, provavelmente teria tanta dificuldade quanto os outros. Realmente foi incrível a grande diferença que fez, agora que ele não estava lutando contra a presença escura.
Hermione continuou a observar-lhe com desaprovação quando ele se sentou silenciosamente tocando sua varinha nos vários livros, penas e pergaminhos ligados que ele tirou da bolsa. Ele olhou para ela e ela olhou para ele.
Harry fez contato visual o tempo suficiente para ela discernir que achava que ele não estava fazendo nada e estava ignorando a tarefa de classe.
Ela não pensou que ele poderia fazer isso. Pensei que ele era incompetente.
Ela não tinha fé em suas maestria ou habilidades. Pensou que ele provavelmente estava falhando epicamente em toda a lição de casa desde que ela não estava lá durante o último mês para fazer isso por ele.
Claro, ela não tinha pensado essas coisas tão literalmente, mas era óbvio pela sensação geral e forma de seus pensamentos e sentimentos que era basicamente o que ela pensava dele. Ela escondeu uma parte de sua falta de fé com preocupação e o desejo de ajudá-lo a se melhorar, mas o fundamento fundamental de sua opinião sobre ele era claro.
Sua testa franziu e ficou claro que ela estava confusa com as emoções que via fervendo atrás de seus brilhantes olhos esmeralda.
Seu contato visual foi interrompido de repente pelo professor Flitwick chegando e perguntando a Harry sobre seu progresso com o feitiço de convocação.
Harry suspirou em leve aborrecimento e virou o foco para uma das maçãs sentadas na mesa do professor na frente da sala. Ele apontou sua varinha, queria que a maçã fosse até ele. Ele nem sequer se preocupou em dizer o encantamento accio. Ele não precisava. A magia veio até ele com tanta facilidade, que era realmente um incomodo verbalizar o feitiço, pois levava mais energia do que era necessário.
Flitwick gemeu com entusiasmo enquanto observava a pequena fruta vermelha voar pela sala e diretamente parar na mão estendida de Harry. Harry olhou para Hermione enquanto ele a ouvia ranger e sorriu antes de se voltar para o excitado professor.
O almoço foi um assunto estranho para ele. Uma voz pequena, aterrorizada, na parte de trás de sua cabeça, continuava se perguntando se esta era a última refeição que ele alguma vez teria, mas uma voz maior continuava dizendo a si mesmo que estava exagerando e que ele precisava se acalmar, ficar concentrado que ele iria sobreviver a esta tarefa estúpida.
Ele se forçou a comer e evitou olhar para qualquer um dos grifinórios sentados ao redor dele, observando-o. Alguns pareciam preocupados, alguns irritados. Harry não se importava. Eram idiotas e todos podiam ir para o inferno. Suas opiniões sobre ele não importavam de qualquer maneira.
Finalmente, a professora McGonagall aproximou-se dele e levou-o do Grande Salão, fora da escola, através dos terrenos e em uma barraca preparada para os campeões. Os outros já estavam lá, e todos pareciam estar em vários estados de terror e medo. Fleur parecia pálida e andava de um lado para o outro furiosamente. Cedrico parecia verde. Krum estava de pé ao lado da tenda com as costas voltadas para todos e seus ombros curvados e cheios de tensão.
Harry soltou um suspiro impaciente, ficou de lado e se debruçou contra uma mesa lá.
Durante a longa espera, eles podiam ouvir todos os estudantes e outros espectadores chegando e passando ruidosamente pela barraca e entrando nas arquibancadas.
Rita Skeeter tentou entrar na barraca para entrevistá-los. Harry olhava para ela e para seu fotografo com raiva e estava a um segundo de lançar Obliviates neles quando Krum gritou para ambos saírem.
Finalmente, os diretores e Ludo Bagman entraram na barraca e os detalhes da tarefa foram descritos para eles.
Aparentemente, os dragões eram mães aninhadas. Harry queria gemer com essa informação. Elas seriam brutais e protetoras! Cada dragão tinha um ninho colocado na extremidade do estádio e dentro desse ninho estava um ovo dourado. Os campeões deveriam recuperar o ovo de ouro sem serem mortos.
Ótimo. Parece fácil. Pensou Harry, sarcasticamente.
Então, a tarefa era superar o dragão, não vencê-lo. Isso, pelo menos, foi um alívio. Harry tinha duvidado de que ele pudesse realmente matar o dragão com o que ele havia preparado. Passar por isso não deve ser muito difícil.
Os três diretores e Crouch seriam juízes. Eles atribuiriam pontos aos campeões com base em quão rapidamente eles completaram a tarefa, o nível e a habilidade dos feitiços que eles usaram e vários outros fatores menores, como fazer tudo isso sem danificar os outros ovos no ninho.
Harry ficou preocupado por um momento sobre como os diretores marcariam seu uso mágico, pois ele iria usar a língua parsel*, mas baniu a preocupação. Ele não se importava com a merda da pontuação. Ele estava fazendo isso para sobreviver, não vencer. Ele não tinha interesse em "glória eterna" ou no dinheiro estúpido do prêmio.
Finalmente, Bagman tirou uma bolsa pequena que se contorceu ligeiramente, como se algo vivo estivesse rastejando por dentro.
Uma e outra vez, ele fez com que os quatro campeões alcançassem suas mãos na bolsa e tirassem um dos objetos. Os objetos, é claro, eram a versão miniaturizada dos dragões. As quatro raças de dragão foram fáceis de identificar pelo toque, e Harry observou com alegria que Cedrico tirou o Short-Snout, Fluer o Welsh Green e, em seguida, Krum o Horntail. Todos evitavam o Fireball exatamente como ele queria.
Ele rapidamente teve que abafar seu sorriso e puxar uma máscara nervosa quando ele alcançou sua mão na bolsa e puxou o dragão serpentino longo, esbelto e sem asas.
A bola de fogo teve um número "3" em torno de seu pescoço, então ele iria em terceiro lugar. Ele sentou na tenda e esperou impaciente enquanto Cedrico foi primeiro, seguido de Fleur. Ele podia ouvir os comentários, mas estava preso dentro da tenda durante os eventos reais. Pelo que ele podia discernir a partir das explicações, Cedrico havia transfigurado uma grande pedra em um cachorro e usou isso para distrair o dragão enquanto ele estava indo para perto do ovo. Ele acabou sendo queimado no processo e foi levado para a barraca médica
Fleur tentou encantar seu Welsh Green em algo como um transe. O dragão não foi completamente subjugado, no entanto, e lançou sobre Fleur o seu fogo, deixando suas vestes queimadas. Parecia que ela não tinha sido queimada, mas foi levada para a barraca médica de qualquer maneira.
Finalmente, foi a vez de Harry. Seu coração estava se afastando loucamente em seu peito. A adrenalina percorreu suas veias e sentiu a excitação circulando com sua magia ao redor dele, estava girando e dançando em sua própria pele formigada com energia mágica.
Seu nome foi chamado e ele abriu caminho para o estádio rochoso.
À primeira vista, ele não podia ver o dragão em qualquer lugar, mas ele podia sentir sua presença mágica forte em torno de uma curva rochosa e decidiu rapidamente lançar os feitiços contra o fogo na roupa antes que o dragão se dessa conta de sua presença.
Alguns movimentos de varas intrincados sobre ele e as magias silenciosas foram lançados. Em seguida, ele conjurou um escudo mágico invisível e anexou-o ao antebraço esquerdo para que ele pudesse segurá-lo e proteger o rosto, se necessário. A magia surgiu através dele com tanta facilidade que o fazia sentir-se zonzo e quase exasperado com ansiosa antecipação. Ele estava quase surpreso ao descobrir o quão excitado ele se sentia naquele momento.
Finalmente, sentindo-se tão preparado quanto podia, ele começou a escalar cautelosamente em torno das rochas. Ele virou a curva e ouviu um grande e irritante som sibilante encher o ar. Foi um som estranho. Ele entendeu as palavras dentro desses murmúrios, mas eles foram distorcidos ligeiramente. Quase como ouvir alguém falar inglês com um forte sotaque.
Meus ovos. Proteger. Devo defender. Homem nojento. Tirando meus ovos de mim. Eles pagarão. Fogo. Fogo ardente. Insolentes, criaturas insignificantes. Defender desses ignorantes.
Harry entrou na vista do dragão e ele rugiu de raiva. Foi uma fração de segundo de lançar uma fonte de líquido inflamado derretido quando ele gritou.
— § PARE! § ele berrou com uma poderosa voz dominante, atada com uma onda de magia de persuasão.
A besta congelou atordoada e retesou, olhando-o cautelosamente.
Ele começou a caminhar, cautelosamente ao longo do local rochoso, sempre de frente e sempre puxando o contato visual. O dragão sibilou com raiva e enrolou o corpo em uma posição defensiva enquanto Harry avançava, ia cada vez mais perto do ninho. A serpentina sentia-se irritada com ele, dizendo-lhe que o ninho era DELA e que não permitiria que ninguém prejudicasse seus ovos.
— § Não quero prejudicar seus ovos! § – Ele falou no mesmo tom alto e dominante que não deixava espaço para duvidar de suas palavras ­– § Um dos ovos da sua ninhada é um impostor! Não é um dos seus e ameaça os seus filhotes! Ele vai chocar primeiro e depois esmagará todos os seus ovos para destruí-los. Estou aqui para ajudá-la. Vou pegar o ovo do impostor. §
— § Você não vai tocar meus ovos! § – o animal sibilou de volta.
— § Eu não farei. Seus ovos permanecerão intocados! §  – Harry gritou alto. Ele ainda estava se aproximando do ninho – § VOCÊ NÃO ME ATACARÁ! VOCÊ TEM QUE RECUAR! §  – Harry ordenou novamente, e a magia surgiu em torno das palavras e travou o dragão. O animal sibilou alto em protesto e sacudiu a cabeça, mas começou a andar para trás, deixando mais e mais espaço entre ele e Harry.
Harry estava claramente consciente do total e absoluto silêncio das arquibancadas à sua volta. Até o comentário de Bagman havia cessado. Sua exibição claramente impressionou o público, mas ele não se importaria com isso. Todo mundo já o odiava, e os alunos e professores de Hogwarts já estavam cientes de que ele era um ofidioglota.
Harry dirigiu-se para o ninho, de forma lenta e constante, nunca se afastou do dragão e nem rompeu o contato visual. A besta estava claramente lutando contra o comando e estava observando-o cuidadosamente para qualquer sinal de que ele pudesse prejudicar seus ovos.
Harry estendeu a mão em direção ao ninho e o dragão arqueou-se e agachou-se ameaçadoramente. Harry sibilou com raiva quando a exibição de agressão e o dragão começaram a ir pra trás novamente. Sua mão tocou o ovo de ouro e ele cuidadosamente o acolheu.
Ainda com o mesmo cuidado lento que ele usou para se aproximar do ninho, ele começou a se afastar. O dragão ainda estava tenso, mas conseguiu identificar que o ovo dourado que ele carregava não era um dos dela, então não lutou contra os comandos que a seguravam e deixou passar. Ele conseguiu uma distância bastante decente e sibilou que ela pudesse voltar para seu ninho. Ela fez tão rapidamente, enrolando seu longo corpo curvilíneo ao redor do ninho de forma defensiva e grunhindo com raiva para o restante das pessoas elevadas que estava acima no exterior do estádio.
Finalmente confiante de que ele estava a salvo, ele correu e voltou ao início, saindo.
Demorou um momento, mas as palmas entraram em erupções e Ludo Bagman finalmente retomou seu comentário, exclamando sobre o surpreendente desempenho de Harry.
A reação ao seu desempenho havia sido misturada. Dumbledore, aparentemente, não o aprovou usando persel em um ambiente tão público, mas não expressou sua desaprovação abertamente, mas sim, aquelas insinuações indiretas sutis e irritantes que ele sempre parecia usar.
Ele também deu a Harry um número de 9.0 na sua pontuação, enquanto a Sra. Maxime e Karkaroff lhe deram 10 melhores. Crouch deu-lhe um 9,5. Harry achou divertido que os dois concorrentes realmente lhe tivessem dado uma pontuação perfeita quando seu próprio diretor havia reduzido pontos por estar usando publicamente uma habilidade "escura" - mesmo que fosse evitar de ser comido ou queimado vivo.
Agradável. Harry zombou amargamente. Maxime ou Karkaroff acabaram por dar a qualquer um dos outros concorrentes, além dos seus próprios os perfeitos 10, então Harry sentiu-se bastante satisfeito com o desempenho dele.
Depois que as pontuações foram premiadas e os campeões finalmente foram autorizados a deixar a barraca e voltar para o castelo, Moody andou com Harry e questionou-o sobre o desempenho.
— Você quer dizer que você não sabia? – Harry perguntou, bastante surpreso que o professor de defesa não tivesse idéia de que Harry era um ofidioglota.
— Como diabos eu saberia de algo assim? – O velho auror grisalho perguntou indignado.
— Oh ... Bem, eu achei que Dumbledore teria dito a você ... Quero dizer, ele falou sobre o basilisco no meu segundo ano, certo?
— Basilisco! – Moody exclamou com um choque confuso.
Harry suspirou.
— Ele não lhe falou!
Não podia acreditar que Dumbledore não tinha dito ao professor de DCAT* sobre isso, mas talvez Dumbledore evitasse contar aos seus potenciais professores de defesa sobre os eventos miseráveis ​​que poderiam levar a uma partida repentina do professor do cargo.
— Diga-me, Potter.
— No meu segundo ano, descobri a Câmara Secreta abaixo da escola. Um dos alunos estava sendo possuído por este artefato malvado que estava controlando-o na tentativa de matar os nascidos-trouxas. Ela terminou na câmara enquanto o artefato tentava possuir seu corpo e drenar toda a sua magia.
"Eu tinha percebido naquele ano que eu sou um parselmouth*, e foi por isso, que eu pude entrar na câmara. Havia um basilisco gigante lá embaixo e eu... Bem, eu matei. Mas durante todo o ano, eu escutava ele sibilando quando percorreu os canos e as passagens secretas do castelo. Sempre falando coisas irritantes, eu era o único que podia ouvir e entender. "
Moody estava olhando para Harry com um choque surpreso, e a expressão totalmente atordoada era estranha para ver os rasgos marcados pelo feiticeiro mais velho.
Demorou alguns minutos de caminhada contínua em direção ao castelo para que Moody se sacudisse de seu estupor e fale novamente.
— Isso ainda é imprudente para você, Potter – disse ele, finalmente.
— O que?
— Usando linguagem oral na frente de todas essas pessoas. Imprudente, eu digo!
— Como assim? – Harry perguntou, confuso.
— Muitas pessoas não vão levar isso muito bem, sobre você ser um parselmouth.
Harry franziu o cenho.
— Inferno, como se eu me importasse. Eu já tenho o mundo todo me odiando. Todos na escola, do terceiro ano aos mais velhos, já sabiam que eu era um.
— Talvez, mas eles tinham esquecido claramente sobre isso. Você apenas lançou um grande lembrete em seus rostos. Parseltongue* é uma arte escura, Potter. As pessoas não levarão muito gentilmente a idéia de que seu salvador pratica algo assim
— Pfft. Como se eu me importasse. Nunca me ofereci para ser seu salvador.
Moody estreitou os olhos e deu a Harry um olhar especulativo.
— Isso não incomoda você? Você usou algo considerado escuro para ganhar?
— Eu fiz o que tive que fazer para sobreviver! – Harry argumentou defensivamente – Além disso, eu quase não vejo como "escuro". Então, eu posso falar com cobras. Grande coisa. A magia é sobre a intenção e como você a usa. Luz e escuridão são relativos. Se eu tivesse que usar as artes escuras para sobreviver, então usaria. É melhor do que acabar sendo comida de dragão e essa magia vem a mim tão naturalmente. É fácil e...  – Harry respondeu, mas congelou assim que as palavras saíram de sua boca e olhou para o professor de defesa com hesitação, preocupado, de repente, que o homem não aprovava o que acabara de dizer.
Curiosamente, o canto da boca de Moody apareceu de um sorriso torto e aprovador. O velho acenou com a cabeça e rapidamente mudou o assunto por causa do nervosismo de Harry. O garoto, no entanto, estava agradecido.

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