quinta-feira, 29 de junho de 2017

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 5





Era manhã de Natal. Harry acordou e ficou um pouco mais na cama – cerca de meia hora – e mergulhou em sua mente, queria passar a maior parte da manhã com seu companheiro.
Porém, ele estava destinado a ser interrompido por Ron. Harry se viu "acordado" pelo “amigo” entusiasmado, que gritava algo sobre os presentes e o café da manhã de natal.
Hermione ainda estava dando a Ron uma atitude fria em resposta à sua última exibição de idiotice insensível, e Ron só piorou sua situação ao persistir que Hermione deveria estar mentindo sobre ter um encontro.
Hermione, e o resto das garotas da Grifinória desapareceram por volta das 16h para que pudessem se preparar para o baile. Harry pensou que era ridículo levar quatro horas para tomar banho e se vestir – especialmente considerando que eles tinham a ajuda da magia, e isso realmente poderia acelerar as coisas – mas ele não era idiota e optou por manter sua incredulidade para si mesmo.
Ron não era tão inteligente e acabou ganhando um olhar afiado das grifinórias e de várias meninas.
As sete, Harry foi para o dormitório e colocou suas vestes de gala. O conjunto "tradicional" de roupas que a Sra. Weasley enviou a Ron era absolutamente horrível e levou um grande tempo e força de vontade para Harry não rir do ruivo, que olhava idiotamente seu reflexo no espelho.
Harry saiu cedo do dormitório. Primeiro porque ele estava ficando sem a força necessária para ignorar a situação de Ron e segundo porque ele precisava esperar por Fleur.
Harry foi ao hall de entrada e esperou pela garota, onde eles concordaram que seria um bom lugar. Ela não o manteve esperando por muito tempo e, por isso, ele estava agradecido.
Ele elogiou seu vestido e cabelo, e os dois tiveram pequenas conversas fáceis. Eles brincavam e sorriam, Fleur parecia achá-lo suficientemente divertido. McGonagall reuniu todos os campeões e os puxou para a sala lateral, fora do grande salão onde os primeiros anos esperavam antes de serem classificados no início do ano.
Quando Viktor Krum entrou no local com Hermione em seu braço, Harry sorriu amplamente para ela. Ela parecia suficientemente alegre. Ela corou e abaixou a cabeça quando o viu sorrindo. Cedric entrou com a apanhadora da Corvinal, Cho Chang, em seu braço.
Finalmente, McGonagall voltou e levou todos eles para o Grande Salão. Eles andaram em procissão no centro da multidão reunida e na pista de dança. Harry viu um olhar furioso de Ron enquanto Hermione passava por ele com Krum. Harry fez uma careta quando uma pequena sensação de medo se instalou no poço de seu estômago. Ele sabia o que era. Aquilo significava que Ron iria fazer algo monumentalmente estúpido antes do final da noite.
Ele suspirou e simplesmente esperou que não estivesse lá quando o ruivo fizesse a tal coisa estúpida que ele definitivamente faria.
Harry levou Fleur para a pista de dança, colocou a mão com facilidade em sua cintura e em sua mão, e comandou-a na valsa tradicional que se esperava deles para o início do baile.
Um minuto na dança passou e o resto dos alunos e professores se juntaram fazendo com que o baile de Yule começasse oficialmente.
— Você continua me surpreendendo, ‘arry – Fleur disse com um pequeno sorriso.
— Oh?
— Bem... Você é um dançarino surpreendentemente bom.
— Obrigado, mas é só porque sua bela presença ao meu lado me inspirou a fazer o meu melhor.
Ela riu.
— Eu duvido disso.
Harry olhou para ela com curiosidade e inclinou a cabeça para o lado com uma leve confusão.
Ela deu um pequeno sorriso de sabedoria antes de desviar a conversa para outro tópico. Eles ficaram na pista para mais duas danças antes que Harry finalmente decidiu tentar entrar em sua mente. Ele sabia que seria mais fácil encontrar informações em suas memórias sobre a segunda tarefa se ela estivesse pensando ativamente sobre isso, mas ele não queria falar sobre o torneio na sua conversa.
Harry não poderia realmente perguntar a ela e até mesmo mencionar a segunda tarefa certamente faria com que ela percebesse que ele estava tentando pescar informações. Então, em vez disso, ele a distraiu com brincadeiras sem propósito sobre as aulas eletivas e patéticamente limitadas da escola. Fleur retomou a conversa ansiosamente e se orgulhou da variação de assuntos oferecidos em Beauxbatons, assuntos nos quais Hogwarts não tinha.
Enquanto ela falava, Harry começou a escavar sua mente, procurando por algo em relação ao ovo ou à tarefa. Levava mais tempo do que ele esperava, e ele estava achando difícil ficar atento à conversa enquanto procurava em sua mente.
Ele estava prestes a desistir e esperar até mais tarde para tentar novamente quando ele finalmente se deparou com uma memória de uma Freur... Er, nua e tomando banho com o ovo. Ela puxou o ovo debaixo da água e abaixou a cabeça com ele.
A garota abriu o ovo e, em vez do grito horrível que o tal ovo sempre dava, ele ficou espantado com vozes de canto.
Harry queria bater na própria cara.
Mas ainda assim – como diabos ele pensaria em puxar a maldita coisa pra dentro da água para ouvi-la?
Ele ouviu um pouco da pista e a conectou com algumas imagens mentais que ela tinha do lago negro. Foi o suficiente. Ele sabia como chegar à pista por conta própria agora e ele poderia se concentrar nisso mais tarde. Agora, ele tinha que se concentrar na sua parceira.
O estilo de musica mudou e entrou uma banda popular mágica chamada The Weird Sisters*. A primeira dança rápida foi um pouco estranha para Harry, já que ele realmente nunca dançou assim antes, mas conseguiu pegar o ritmo rapidamente. No caso, tudo o que era necessário era ter alguma confiança e capacidade de relaxar, não se preocupar com o que os outros pensavam de você. Enquanto ele não se importasse com o julgamento de outras pessoas, ele não teria medo de se soltar e desfrutar da música e do ritmo.
Pela quarta canção que a banda tocou, ele estava completamente se perdendo para a dança. Fleur riu, girou e dançou e Harry ficou satisfeito por dizer que ela parecia realmente estar se divertindo.
Mais algumas músicas passaram antes que os dois se sentassem em uma das mesas, vertiginosos e cansados pelo exercício que a dança proporcionou. Hermione e Krum se juntaram a eles na mesa um momento depois. Hermione estava corada e sorrindo amplamente, claramente ela também estava se divertindo. Krum e Harry ficaram de pé e saíram para arranjar bebidas e biscoitos para seus pares. Uma vez que conseguiram tais coisas, eles voltaram para a mesa e Harry viu Ron sentado sozinho em outra mesa contra a parede, o ruivo franzia o rosto com raiva e olhava para todo o lugar em geral, mas especificamente Krum. A clara falta de Parvati ao lado dele dizia a Harry que Ron provavelmente já havia feito pelo menos uma coisa desagradável.
Harry revirou os olhos e caminhou diretamente de volta a Fleur, se dedicando a não olhar para seu “amigo” que aparentemente ficou irritado durante toda a noite.
Os quatro ficaram sentados e mantiveram uma conversa simples por um curto período de tempo. Krum parecia ter uma contração, mas Harry percebeu que o búlgaro estava apenas chispando um besouro que continuava voando ao redor da mesa deles.
Harry levantou a mão sutilmente e concentrou sua magia no desejo de afastar o inseto. Ele cobriu a boca com a outra mão e virou a cabeça para o lado, como se estivesse cobrindo uma tosse e sibilou § pra longe § enquanto mantinha seus olhos treinados no besouro.
O pequeno inseto preto foi imediatamente lançado muito longe e Harry sorriu. Era um estúpido pedaço de magia simples, mas ele não só o fez sem nenhuma varinha, mas também sem que ninguém mais percebesse.
Depois de conversarem no período de outra música, Harry sentiu que ele deveria perguntar a Fleur se ela estava interessada em voltar para a pista de dança. Ela sorriu amplamente e acenou com a cabeça, permitindo ansiosamente que Harry a conduzisse para longe da mesa.
Fleur era uma dançarina fantástica, admitiu Harry. Seus movimentos eram um pouco arriscados em algumas músicas, mas Harry apenas riu e continuou a dançar. Ela estava claramente se divertindo e os dois pareciam apreciar alguns olhos vigilantes que ficaram presos neles durante a noite.
A multidão estava começando a sair e Harry percebeu que havia apenas cerca de trinta minutos até o baile oficialmente terminar. Harry e Fleur estavam saindo da pista de dança em um breve ataque de risadas pois um conjunto de movimentos, particularmente complicados, fizeram com que a professora Vector inchasse o próprio nariz em estado de choque.
Suas palhaçadas também fizeram com que vários meninos que dançavam perto deles, confundissem seus próprios pés e caíssem, levando seus parceiros de dança com eles.
Eles finalmente decidiram que estavam causando muita confusão e deixaram a pista de dança em busca de mais bebidas.
Harry voltou para o lado de Fleur depois de pegar um par de sucos. Ela ainda estava sem respiração e recuperando suas risadas.
— Oh, ‘arry, você é muito divertido – ela disse, cobrindo a boca com a parte de trás de sua mão, enquanto finalmente acalmava suas risadas.
— Eu tento, eu tento – ele disse com uma risada fingida antes de tomar um gole de sua bebida.
Harry estava prestes a abrir a boca para dizer outra coisa quando sua atenção foi de repente atraída para uma voz familiar e irritada. Harry virou-se para o som a tempo de ver uma Hermione, obviamente angustiada, de pé diante de um Ron indignado. Suas mãos estavam fechadas em punhos e os olhos dela estavam acesos em uma enorme fúria.
Ela resmungou com raiva, mas Harry não conseguiu distinguir nenhuma das palavras. A próxima coisa que ele viu foi Hermione pegando um como de bebida e jogando-a no rosto de Ron antes de pisar com raiva na direção da saída.
Harry piscou e depois voltou lentamente para Fleur, impedindo a diversão na sua expressão. Ele sabia que algo aconteceria.
— Sobre o que foi isso? – Fleur disse com grandes olhos curiosos enquanto continuava a olhar por sobre o ombro de Harry para Ron, agora totalmente molhado.
Harry sacudiu a cabeça e suspirou.
— Ron é um idiota. Ele provavelmente disse algo apropriadamente idiota.
— Ele não é um dos seus amigos?
Harry resmungou, mas rapidamente mudou de expressão.
— Er... Eu suponho que seja ou nós costumávamos ser. Nós nos separamos um pouco. Eu acho que o maior problema é que eu cresci um pouco desde o ano passado e ele... Bom, ele não cresceu.
— Ah. Você precisa verificar sua amiga Hermione?
— Ela deve ter corrido para algum lugar onde pudesse chorar. Provavelmente eu nem mesmo conseguiria ajudar, mesmo que eu pudesse encontrá-la.
Harry levou Fleur de volta a pista apenas mais uma vez naquela noite, para a música final. Finalmente, a banda saiu e todos os alunos restantes começaram a se dispersar.
Harry andou com Fleur de volta para o local onde os estudantes de Beauxbatons estavam sendo alojados durante sua estadia.
— Eu tive uma noite verdadeiramente maravilhosa, ‘arry. Obrigado por me convidar – Fleur disse com um sorriso e brilho nos olhos quando eles pararam ao lado do dormitório de Fleur, local onde eles teriam que se separar.
Harry sorriu e encolheu os ombros.
— Eu me diverti muito. Obrigado você por aceitar meu convite.
Fleur sorriu e deu a Harry um olhar bastante penetrante por um longo e silencioso momento. Harry sentiu uma estranha sensação de formigamento flutuando por ele por um momento. Era uma espécie de magia estrangeira que ele não conhecia e ele estreitou os olhos e olhou para ela com especulações.
— O que você está fazendo? – Ele perguntou quando sua curiosidade ficou muito poderosa para ignorar.
Fleur inclinou a cabeça, mas o sorriso dela era óbvio.
— Apenas testando uma teoria. Diga-me 'arry. Você é gay, não é?'
Os olhos de Harry se arregalaram e ele piscou para ela com surpresa.
— Er... –  ele começou, mas fechou a boca. Ele a examinou por um momento antes de rir e encolher os ombros. – Sim. Como você soube disso?
Ele riu e revirou os olhos.
— Eu sou Veela, ‘arry.
— Você diz como se supostamente isso significasse algo para mim.
— Eu acertei você com uma onda muito forte da minha aura e você nem piscou. Isso significa que você não tem nenhum interesse em mulheres ou você ainda não atingiu a puberdade e eu posso ver claramente que isso você já atingiu.
Harry riu e deu de ombros novamente.
— Não te incomoda, não é? Que te perguntei sobre o baile...
— Claro que não. Eu já suspeitava, mesmo antes dessa noite.
Por isso Harry levantou as sobrancelhas interrogativamente.
— Do jeito que você conseguiu se aproximar com tanta facilidade. Mesmo na primeira tarefa, e novamente quando você me convidou para o baile de Yule. Você não mostrou nenhuma das reações usuais à minha aura.
— Ah, eu entendo – Harry disse balançando a cabeça. – E isso realmente não incomoda você?
Ela riu disso.
— Me incomodar? Claro que não. Você foi engraçado e espirituoso e capaz de conversar. Foi uma noite muito melhor do que eu esperava que fosse quando nos falaram pela primeira vez sobre o baile.
Harry abaixou a cabeça e sorriu amplamente.
— Bem, fico feliz que você tenha se divertido.
Fleur sorriu e deu-lhe um simples aceno de cabeça. Ela inclinou-se para a frente, e os olhos de Harry se arregalaram com uma leve surpresa enquanto pressionava os lábios em sua bochecha. Ela foi para trás e aquele brilho malicioso estava em seus olhos.
— Boa noite e boa sorte com a segunda tarefa.
Harry sorriu e empurrou um rubor suave que conseguiu florescer nas bochechas.
— Boa sorte pra você também – disse ele, uma vez que recuperou a compostura. – Boa noite.
Fleur se virou deixou o local apenas para desaparecer por uma entrada um momento depois.
Harry a observou partir e suspirou. Ele estava exausto, mas tinha sido divertido. Muito mais divertido do que ele já esperava.
Ele se afastou da parede em que começou a se apoiar e virou na direção oposta. Um pequeno inseto tocou sua cabeça e ele o retirou com a mão distraída antes de correr para a grande escadaria e voltar para a torre da Grifinória.
Ele girou o copo de conhaque em seus pequenos dedos trêmulos. Seu primeiro Natal em um corpo em mais de uma década.
Ele riu de seus próprios pensamentos. Era ridículo que ele tivesse tais pensamentos sentimentais. Além disso, seu corpo atual era apenas um homúnculo atrofiado, embora seu controle sobre sua magia melhorasse gradualmente.
Ele passou o dia apenas com Nagini como companhia, ela era uma companhia surpreendentemente boa, então não era exatamente uma coisa ruim. Certamente preferia passar o dia com ela do que gastá-lo na companhia de Rabicho. Agora sim, essa era uma perspectiva decididamente patética. Passar os feriados com Rabicho. Ele poderia praticamente sentir a bílis se levantar na garganta ao simples pensamento.
Suspirou e colocou o copo pequeno sobre a mesa ao lado da poltrona que residia ali atualmente. Ao lado dele, pegou o livro que ele estava lendo no momento. Era um texto antigo. Um que Barty conseguiu encontrar para ele. A teoria da antiga magia do sangue. O assunto o intrigou. Ele teorizou que a querida Lily Potter estava brincando com magias mais sombrias do que qualquer outra pessoa suspeitava que ela fosse capaz.
Ele finalmente estava começando a formar uma teoria sobre como o pirralho Potter conseguiu sobreviver naquela noite e por que seu corpo tinha sido tão completamente obliterado. Ele odiava não saber disso. Qualquer conhecimento que escapava dele o frustrava além das palavras e o enchia de um desejo mais intenso de desvendar todo o segredo.
Além da fúria, ele se sentia privado do tempo tão necessário para completar seu trabalho, estar preso naquela horrível meia-vida tinha sido muito irritante. Totalmente incapaz de fazer qualquer coisa, enfim, estudar a natureza da magia ou melhorar suas habilidades. Sua percepção da passagem de tempo tinha sido distorcida. Os anos passaram em um borrão tão veloz e nebuloso, que ele não sofreu de tédio por quase todo o tempo que realmente passou.
Mas ao mesmo tempo, demorou tanto tempo para ele recuperar um mínimo de poder e começar a recuperar a consciência do mundo ao seu redor que treze anos inteiros se passaram desde que ele foi o último no poder. Treze anos. Ele tinha tanto trabalho a fazer. Muito terreno para se recuperar.
Muito a fazer e aqui estava ele, incapaz de fazer qualquer coisa.
O sentimento chamado “frustração” não era nem a ponta do iceberg.
Ele se empurrou para cima, em uma posição sentada, e arrumou seu corpo subdimensionado até a borda da cadeira antes de saltar e ficar de pé. Ele se sentiu como um maldito elfo de casa nesse corpo condenado.
Pequeno e nojento. 
Ele ansiava pela bela masculinidade de sua forma anterior e se perguntou se ele poderia recuperá-la completamente. As chances eram elevadas de que ele mais uma vez seria fisicamente distorcido pelas poderosas magias que ele estava usando para se restaurar. Isso era infeliz, mas certamente não era inesperado. Era mais importante que ele recuperasse um corpo totalmente funcional e voltasse a suas tarefas do que qualquer sensação de vaidade que ele ainda pudesse possuir. Ele não podia esperar por uma melhor opção, então ele teria que fazer o que era possível.
Poderia pensar em várias maneiras de impulsionar seu feitiço de ressurreição que alcançaria resultados mais ideais, mas as chances de qualquer uma dessas circunstâncias acontecerem eram basicamente inexistentes. Eram feitiços e rituais tão insondáveis que nem sequer valiam de tempo para considerá-los.
Ele atravessou o estudo, passou por Nagini que estava enrolada e dormindo junto à lareira e foi para a estante de livros. Ele pegou um livro sobre as peças de Shakespeare e levou-o de volta ao assento. Resmungou amargamente para si mesmo que ele tinha que se preocupar em caminhar para pegar o livro em vez de poder simplesmente convocá-lo, mas ele precisava reservar sua força mágica para quando realmente fosse importante.
Voltou para o assento com uma quantidade irritante de desconforto e abriu o livro “Rei Lear”. Ele sempre sentiu que ele e Júlio César eram particularmente parecidos em suas situações. Riu ao pensar em como seus seguidores reagiriam a ele lendo literatura trouxa. Seria algo totalmente sem sentido.
Pensando nisso, quantos de seus seguidores permaneceram fiéis a ele durante a passagem dos anos? Ele teria que começar tudo de novo? O pensamento era inteiramente desconcertante.
E frustrante. Tantas frustrações.
Ele suspirou, tentando simplesmente deixar isso de lado... Por enquanto. Ele só precisa esperar e assim poderia começar seus afazeres. Ele relaxou de novo na cadeira e começou a ler.
REI LEAR
Com isso queres dizer que sou bobo, menino?
Idiota
Todos os outros títulos que deres;
Com o qual você nasceu
Harry piscou os olhos e se sentiu completamente desorientado. Ele se sentou, balançando a cabeça ligeiramente enquanto uma pequena sensação de tontura martelava em sua cabeça. Ele olhou em volta da cama e virou para sua pequena mesa, tentando encontrar seu livro. Ele deveria ter adormecido lendo...
Harry parou e franziu a testa. Ele não estava lendo. Ele veio para a cama depois do baile e praticamente desmaiou na cama de esgotamento. Mas ele estava lendo... Era Shakespeare. Harry nunca havia lido nenhum Shakespeare antes. Sempre achou as palavras muito confusas e difíceis de entender. Era muito difícil para ele entender, mas ele não tinha tido problema na noite passada. Ele realmente ficou completamente absorto no livro.
Mas ele não chegou a terminar. Ele...
Harry não estava lendo o livro; Voldemort estava. Ele teve outra... Visão ou o que quer que fosse aquilo. Ele esteve na mente do Senhor das Trevas novamente.
O olhar franzido de Harry se aprofundou ligeiramente e ele suspirou pesadamente. Ele estendeu a mão e passou os dedos pelos seus bagunçados cabelos. Sua palma roçou na cicatriz, seus olhos involuntariamente se fecharam e um estremecimento o atravessou. Seus lábios se separaram e uma respiração lenta escapou dentre eles. Hesitantemente, ele deixou seus dedos passarem levemente sua cicatriz. Apenas uma vez, então duas vezes. Ele arrastou o dedo indicador na forma de raio levemente e depois com mais pressão. Pequenas energias quentes e de poder atravessaram sua mão e ele se perdeu nas sensações e no ato instintivo por vários minutos antes de finalmente perceber o que estava fazendo.
Os olhos de Harry se abriram e ele afastou a mão olhando-a para ela com um leve horror.
O que havia de errado com ele?
Harry ficou quieto e distante de seus amigos pelo resto do dia. Hermione estava claramente com raiva de Ron e Ron voltava com sua raiva. Como cada um estava recebendo tratamento silencioso, Harry não teve problemas para evitar uma conversa.
Ele estava distraído e... Confuso.
Uma hora depois do almoço, ele se viu entrando na biblioteca da escola e olhando ao redor com uma expressão perdida e confusa.
— Você precisa de ajuda com algo, Sr. Potter? –  perguntou a bibliotecária quando ela chegou até ele.
— Eu... Sim... A escola tem uma cópia de qualquer peça de Shakespeare?
Ela parecia confusa por um instante, mas então a expressão foi substituída por surpresa.
— Desculpe Sr. Potter, mas temo que não o possuímos.
Harry franziu a testa, sentindo-se legitimamente desapontado e se perguntou se havia qualquer lugar que ele pudesse mandar uma coruja para poder comprar o tal livro trouxa ou se ele teria que esperar até o verão, quando ele fosse abandonado de volta ao mundo trouxa.
— Oh, bem... Obrigado de qualquer maneira – ele disse com um suspiro enquanto se afastava e saiu da biblioteca.
Seu companheiro ficou em silêncio durante a maior parte do dia, mas Harry ainda podia sentir sua presença no fundo de sua mente. A presença serviu para lembrá-lo de que ele não estava sozinho e, constatar aquilo, era tranquilizador.
Ele vagou pelos corredores do castelo por um tempo, apenas tentando limpar a cabeça. Finalmente, ele parou de pensar em coisas mais urgentes e voltou para a Torre da Grifinória para preparar suas coisas pra tomar a primeira dose da poção aceleradora naquela noite.
Harry colocou o seu manto de invisibilidade, o Mapa do Maroto em sua bolsa juntamente com a primeira dose da poção aceleradora, e uma de cada dose das outras duas poções, já que ele precisaria tomá-las na manhã seguinte, então achou levá-las e tê-las na mão, caso ficasse lá por muito tempo. Sua bolsa também tinha outra roupa que ele poderia mudar, caso fosse necessário.
Estava frustrado porque ainda faltava muito tempo para dar o horário certo para ir até a Câmara.
Ele abriu caminho para a sala comum, onde encontrou Rony sentado em uma das mesas com Dean e Seamus, jogando snap explosivo. Eles estavam sendo bastante ruidosos e Harry ridicularizou mentalmente a pequena reunião.
— Harry?
Harry girou e rapidamente mascarou sua expressão quando ele ficou cara a cara com Hermione.
— Você está bem?
— Oi? Oh, sim. Estou bem – disse Harry, lhe dando o que ele esperava que fosse um sorriso convincente.
— Você tem certeza? Você pareceu bastante distante hoje.
— Sim, 'Mione. Estou bem. Realmente.
Ela sorriu para ele e acenou com a cabeça. Ela começou a sair de perto quando uma idéia passou pela mente de Harry.
— Ei, Hermione?
— Sim, Harry?
— Eu sei que isso pode ser estranho, mas você tem muitos livros trouxas em suas coleções, certo?
— Claro.
Harry piscou e ficou atordoado pela pequena esperança que floresceu em seu peito. Por que era tão importante para ele obter esse livro? Ele afastou o pensamento e falou:
"Você tem algum Shakespeare?"
Os olhos de Hermione se iluminaram e ela sorriu.
— Ah, sim. Tenho seus trabalhos completos!
— Sério? Eu posso vê-los?! – Harry perguntou excitado.
Dizer que Hermione parecia chocada, era um eufemismo.
— C-claro! Mas por quê?
— Eu só... Queria ler um par de suas peças.
— Quais?
— Uh, o Rei Lear e Júlio César?
Hermione assentiu com a cabeça, pensativa, e fez um zumbido com a garganta.
— Esses dois são realmente bons. Duas de suas tragédias.
— Sim. Você... Er, você acha que eu poderia emprestar agora?
— Oh! Claro. Eu volto logo – Hermione disse com um sorriso e correu de volta pelas escadas para o dormitório das meninas. Ela ficou quase cinco minutos lá e Harry começou a ficar impaciente. Finalmente, ela veio escada abaixo, agarrando um livro grosso e sorrindo.
Chegou perto do amigo e entregou o livro para um Harry ansioso. Ele pegou e olhou praticamente com reverência. Não era uma expressão que Hermione estava acostumada a ver no rosto de Harry ao olhar para um livro. Olhando para uma vassoura, talvez – mas para um livro?
— Você realmente mudou muito este ano, Harry – disse Hermione pensativa.
Harry olhou para ela de repente e franziu a testa.
— O que você quer dizer com isso? – Ele perguntou em um tom bastante conservado.
— Bom... Eu não vejo você jogando xadrez ou snap explosivo com os outros. Você não foi voar com Ron ou ficou entusiasmado com seus debates sobre Quadribol e parece que está lendo muito mais.
Harry deu de ombros com desdém e se afastou dela quando começou a se dirigir para uma das cadeiras.
— Eu não vejo isso como coisa ruim – ele disse calmamente enquanto seguia.
— Não... – ela disse devagar. – Não é. Na verdade, eu diria que você amadureceu muito. Você... Eu acho que você parece mais confiante com as pessoas. Estou realmente impressionada com o quão mais sério você está com seus estudos.
— Minhas prioridades mudaram. Eu também aprendi a ver Hogwarts pelo que realmente é.
Hermione o olhou, esperando que ele elaborasse, mas ele não o fez, então ela cutucou.
— O que você quer dizer?
— Bem... Eu acho que costumava ver isso como... Bem, antes de tudo, como uma fuga dos Dursleys. Mas em segundo lugar, era apenas a escola. Você vem aqui e você recebe tarefas, você faz testes e faz sua lição de casa. Sabe... Apenas a escola.
— Mas você não a vê mais desse jeito? –Hermione perguntou com um pouco de confusão em seu tom.
— Não. Não se trata de notas, testes ou trabalhos de casa. É sobre aprender. Sobre ganhar conhecimento. Trata-se de uma oportunidade para se tornar melhor. Para se tornar mais forte. Ao não levar a sério, eu estava desperdiçando uma grande oportunidade.
Ele olhou para cima e viu Hermione olhando para ele com uma mistura de admiração e alegria.
— Harry! Estou tão orgulhosa de você!
Harry abaixou a cabeça e mal conseguiu evitar de ficar irritado. Em vez disso, sua expressão tornou-se vaga e franzida.
— Sim, bem... Eu só... Eu percebi que eu era um idiota. Eu segui atrás de Ron porque era mais fácil, mas também porque eu pensei que era mais importante manter meu amigo do que conseguir O's. Se eu começasse a fazer muito pelos meus estudos ele ficaria todo alienado, sabe?
Hermione franziu o cenho e colocou o nariz pra cima.
— Sim, bem, ele é um idiota – Ela cuspiu duramente.
Harry riu. Realmente riu.
Hermione se assustou e o olhou estranhamente. Harry finalmente conseguiu se acalmar um minuto depois.
— Desculpe, 'Mione. Erm... sim. Ron é um idiota. Mas isso faz parte do que me fez perceber que eu também estava sendo um idiota, porque eu estava usando ele como um modelo. Eu estava imitando seu comportamento por todos os motivos errados. Então eu parei.
— Bem, estou orgulhosa de você, Harry –  disse ela, lhe dando um sorriso orgulhoso.
— Er... ok, obrigado.
Harry finalmente conseguiu escapar da conversa e se acomodou na cadeira para ler o livro. Ele se perdeu na leitura e só “voltou” quando Hermione bateu em seu ombro, informando que era hora do jantar.
Manteve o livro com ele e o leu durante o jantar, ganhando um olhar desconcertado de Rony. Passou a noite fazendo o mesmo, estava lendo “Júlio César” quando Ron disse que iria para a cama em breve.
— Oh, ei, Ron? – Harry gritou quando o ruivo começou a subir as escadas. Ele fez uma pausa e olhou interrogativamente.
— Preciso trabalhar em minha poção amanhã e vou me levantar muito cedo para isso. Provavelmente vou sair antes mesmo de você acordar e eu estarei nas masmorras até um pouco depois do almoço.
— Ugh, sério? Caramba, amigo! Você está trabalhando demais! Toda essa leitura e poções. Você precisa relaxar mais. Você deveria se juntar conosco amanhã à tarde para jogar snap explosivo.
— Claro... Vou pensar sobre isso, Ron – disse Harry com um sorriso falso.
— Você já está vindo para a cama?
— Sim, eu vou – Harry disse com um suspiro resignado quando ele fechou o livro e ficou de pé.
Ele seguiu o rumo até a escada e começou a se preparar para dormir, como todos os outros fizeram antes dele. O resto de seus companheiros de dormitório já estavam na cama e adormecidos, a julgar pelo ronco. Ron subiu na cama e abaixou as cortinas. Harry fez o mesmo e se sentou na cama por cerca de vinte minutos até ter certeza de que Ron também havia adormecido.
Harry saiu de sua cama, puxando as cortinas fechadas e aplicando um feitiço não verbal nelas. Ele puxou seu manto de invisibilidade, pegou sua bolsa e o mapa e silenciosamente saiu do dormitório.
Dez minutos depois, Harry estava entrando na sala de estudo de Slytherin na Câmara Secreta. Ele colocou os suprimentos em cima de uma mesa curta ao lado da espreguiçadeira e tirou suas roupas, ficando com calças de pijama de algodão macio e uma camiseta.
Ele observou cautelosamente a poção prateada. Ele sabia que isso não seria agradável. Ele também sabia que não havia nada que ele pudesse fazer sobre isso. Havia decidido fazer isso e ele não iria voltar atrás agora.
Ele se acomodou na espreguiçadeira e segurou a garrafa de poção na frente dele. Ele engoliu o nódulo na garganta e abriu a garrafa. Colocou todo o conteúdo em sua boca o mais rápido que conseguiu e que o liquido gosmento permitiu e engoliu tudo antes que seus nervos pudessem expelir aquilo com força.
Experimentou... Parecia menta. Ele ficou surpreso com o fato de que o gosto não era nojento, mas qualquer pensamento sobre o sabor dele o deixou no instante em que começou a queimação.
Suas costas se arquearam e então seu corpo se encurralou em uma bola fetal apertada quando as ondas de dor começaram a atravessá-lo. Ele gritou em estado de choque, sua agonia era intensa e o atingiu com rapidez. Se perguntou, por um momento, se ele tivesse cometido algum erro horrível, mas sabia das advertências no livro que era suposto se sentir assim. Ele tinha sido avisado. Ele não podia dizer que fora ignorante sobre isso.
Harry apertou os dentes e escutou seus terríveis gemidos enquanto as mãos se erguiam e puxavam seus cabelos arranhando seu couro cabeludo.
Merlin, ele era um idiota! Como ele poderia suportar isso por doze horas? E depois fazer tal coisa uma vez por semana por dois malditos meses!
Harry sentiu as lágrimas começarem a fluir por suas bochechas e todo o seu corpo estava torcendo e se convulsionando, a mente tentava esmagar os espasmos de dor. Ele temia que a dor o deixasse louco antes que a manhã surgisse, se continuasse assim.
Harry...
Harry continuou a se contorcer e a gemer.
Harry... Venha até mim. Escape... Na sua mente... Escape da dor... Aqui... Comigo.
Harry conseguiu processar as palavras através da névoa do fogo ardente. Ele tentou acalmar sua respiração, mas rapidamente desistiu como um mau trabalho. Em vez disso, ele deixou seus instintos praticamente guiá-lo e mergulhou profundamente em sua mente.
Ele ofegou em alívio enquanto toda a dor de repente o deixava e ele ficou parado no centro de sua mente cinza. A silhueta negra de seu companheiro estava parada ali com uma tensão nervosa nos ombros.
Você está bem, Harry?
Harry suspirou e acenou com a cabeça enquanto ele avançava para a frente rapidamente. Quando ele se aproximou, seu companheiro abriu os braços, num gesto de boas-vindas, e os envolveu em torno de Harry, calorosamente.
O sentimento de plenitude o encheu quando ele envolveu seus braços em volta da cintura do seu companheiro e ele suspirou aliviado.
Harry "acordou" na manhã seguinte sentindo-se dolorido e completamente exausto. Ele ficou "consciente" durante as doze horas inteiras. Ficar adormecido significava arriscar a devolver sua mente consciente ao seu corpo e instantaneamente seria despertado pela dor abrasadora. Então, ele permaneceu, seguramente trancado dentro de sua própria mente. Seguro contra a dor.
Ele se encontrou na espreguiçadeira com membros fracos e bambos. Sua garganta estava seca, ele suspeitava que estava assim por gritar durante toda a noite. Ele atravessou rapidamente o escritório até um grande espelho que descansava em um lado da sala. Harry sibilou um feitiço de limpeza e acenou com a mão, soprando cinquenta anos de poeira e teias de aranha, depois olhou para si mesmo.
No começo, ele não viu muito. Alcançou a barra de sua camiseta e puxou-a sobre sua cabeça em um movimento lento e calmo.
Sua pele estava cheia de hematomas amarelos e verdes desbotados, parecendo ferimentos antigos mesmo que não fossem. O livro havia dito que eles ficariam assim até o final do dia e ele estava bastante confiante de que ninguém teria a chance de vê-los.
Olhando para isso, Harry observou uma notável diferença em sua massa corporal e ele sorriu. Ele não podia mais ver suas costelas, embora ele ainda parecesse bastante minguado. Ele se torceu, tentando examinar suas costas. As vértebras de suas costas costumavam ser chocantemente óbvias, mas já não eram. Os antebraços também não pareciam mais finos.
Apesar das contusões, em geral, sua pele parecia melhor. Mais saudável e tinha uma cor melhor. Não tão pálida ou aparentemente doente. Seu rosto parecia um pouco mais preenchido – suas bochechas e ossos perto dos olhos não estavam mais tão afundados; Mas ele esperava que a mudança fosse sutil o suficiente para ninguém questionar.
Em geral, as mudanças foram pequenas, mas já era um progresso. E ele sabia que era melhor se as mudanças fossem lentas ou então mais pessoas as notariam e questionariam.
Harry voltou para a espreguiçadeira e pegou sua varinha que estava na mesa ao lado. Ele lançou alguns encantos de limpeza sobre si mesmo, mas sabia que ainda precisaria de um banho real e em breve. Ele suou como louco durante todo o procedimento e se sentiu decididamente “grudento”. Ele também lançou um charme de limpeza na espreguiçadeira e de repente ficou grato por não ter perdido as entranhas durante tudo. Ele estava quase surpreso que não tivesse.
Ele fez uma careta. Isso definitivamente não era algo que ele queria lidar.
Ew.
Ele pegou as vestes limpas que ele trouxe na bolsa e tomou a dose das poções de nutrição e reestruturação muscular antes de arrumar as coisas e sair da Câmara.
No dia seguinte, Harry perguntou a Hermione se ela tinha alguma idéia de onde ele poderia tomar banho de banheira. Ela olhou para ele com graça e perguntou por que queria uma banheira e por que um banho normal não era suficiente.
Harry explicou que o ovo precisava ser aberto sob a água para recuperar a próxima parte da pista e ela pareceu aceitar essa explicação sem pressionar por mais. Ela informou que ela sabia que os banheiros dos monitores tinham banheiras, e ele sempre podia pedir permissão para usar um deles.
Ele atendeu seu conselho e procurou McGonagall logo após o jantar. Ela sabia claramente sobre o ovo, porque ela não estava nem um pouco surpresa por ele estar pedindo acesso ao banho e lhe deu a senha para o banheiro do monitor da Grifinória.
Ele recolheu o ovo do malão, pegou alguns artigos de higiene pessoal e uma muda de roupa. Indo até o local.
Dez minutos depois, Harry estava parado, ao lado de uma enorme banheira cheia de bolhas, com o ovo de ouro na mão. Ele deslizou para o calor glorioso e se derreteu na água perfumada cercada por bolhas mágicas. Ele se permitiu mergulhar por alguns longos momentos antes de finalmente suspirar e se sentar. Harry pegou os óculos, respirou fundo e mergulhou debaixo da água.
Destravou o ovo e deixou-o abrir. O som das vozes cantando reverberou através da água instantaneamente.
* Procure onde nossas vozes parecem estar,
Não podemos cantar na superfície,
E, enquanto nos procura, pense bem:
Levamos o que lhe fará grande falta,
Uma hora inteira você deverá buscar,
Para recuperar o que lhe tiramos,
Mas passada a hora – adeus esperança de achar.
Tarde demais, foi-se, ele jamais voltará.*
Harry se levantou da água, respirando profundamente e franzindo a testa um pouco enquanto refletia as palavras em sua cabeça. Ele respirou fundo e a escutou novamente.
Algumas vezes mais e ele ficou positivo de que tinha tudo memorizado. Ele colocou o ovo, agora fechado, no chão ao lado da banheira e relaxou de volta na água.
 Procure onde nossas vozes parecem estar, não podemos cantar na superfície..
Então, debaixo d'água. As sereias não podem cantar acima da água. De fato, agora que ele pensou nisso, ele havia lido em um livro de criaturas mágicas que a linguagem da sereia parecia algo desagradável para as pessoas, acima da água. Ele balançou a cabeça e suspirou, irritado por não ter lhe ocorrido nada disso antes. Havia sereias no lago negro, certo?
Uma hora inteira você deverá buscar.
Essa era provavelmente a maior complicação. Então ele tinha que ficar debaixo d’água por uma hora inteira, e ele tinha que encontrar algo enquanto fazia isso. Portanto, não só respirar debaixo d'água, mas também poder nadar e navegar. Harry teria que ser capaz de ver melhor para que pudesse realmente encontrar o que quer que fosse, já que ele não seria colocado no lago negro por nada. O lago era profundo e escuro.
Assim; Respiração subaquática. Alguma espécie de ajuda para natação e algo para ajudar a sua visão...
E eles iriam pegar algo dele.
Levamos o que lhe fará grande falta.
O que eles poderiam levar? Sua capa de invisibilidade? Isso certamente seria difícil de encontrar. Especialmente sob a água. Ele com certeza esperava que esse não fosse o caso. Não havia muito que pudessem tirar dele que ele "sentiria falta". O manto, o mapa e sua varinha. Tudo o resto poderia ser facilmente substituído.
Então, além das outras coisas que ele precisava procurar, provavelmente também seria útil pesquisar alguns tipos diferentes de feitiços de rastreamento que ele poderia usar sob a água.
Com isso decidido, Harry aproveitou seu tempo restante no banho e relaxou até que todas as bolhas tivessem desaparecido.

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