quinta-feira, 29 de junho de 2017

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 6





No dia seguinte, Harry passou algum tempo na biblioteca procurando por alguma coisa que pudesse ser útil para a tarefa. Era difícil pedir ajuda a Hermione, pois ele tinha lhe dado a impressão de que já sabia sobre a segunda tarefa e que as poções que ele estava preparando eram para ela.
Se ele admitisse que ainda existiam coisas a serem feitas, ela iria querer saber o que as poções realmente faziam e ele não estava disposto a dizer isso a ela.
Ele estava ficando bem frustrado com a biblioteca – especialmente com todas as pessoas que estavam lá. Ainda era Natal, graças a Merlin! Por que havia tantos malditos alunos pelo local? Baile estúpido. Harry realmente perdeu o silêncio que lhe teria sido concedido durante as férias, em circunstâncias normais, graças ao baile, quase todos os alunos, do quarto ao sétimo ano, ficaram para trás.
Foi nesse ponto que ele se lembrou de todos os livros na sala de estudo de Slytherin, na Câmara. Bem, pelo menos ele não teria que lidar com outros estudantes enquanto procurava por esses livros.
Harry foi até a Torre da Grifinória, pegou seu manto, seu mapa e sua bolsa e voltou a descer as escadas. Ron lembrou a ele sobre a oferta do jogo de snap, mas Harry recusou, dizendo que precisava fazer algum trabalho para a segunda tarefa e rapidamente saiu.
Dez minutos depois, Harry estava entrando na sala de estudo de Slytherin e pousando a sua bolsa na mesa.
Harry se sentou na espreguiçadeira e olhou para a sala de livros. A maioria deles... Bem velhos. Obviamente. Ele estava com medo de tocar em alguns deles por que pareciam que com a menor passagem de mão, desmoronariam. Afinal de contas, eles tinham mil anos.
Alguns, no entanto, estavam em condições muito melhores do que outros. Ele podia sentir fragmentos de magia pela sala e percebeu que sentia uma espécie de lembrança sobre um feitiço de preservação. Estava enfraquecido e já havia falhado em certas seções da sala.
Ele também notou que havia uma pilha de livros cuidadosamente empilhados em um lado da sala, que estavam em condições muito melhores do que qualquer um dos outros. Eles também apresentavam uma magia mais recente do que o restante.
Harry teorizou que esses eram livros que Riddle havia restaurado ou reparado durante seu tempo como estudante em Hogwarts. Ele podia ver por que, após um exame mais aprofundado, a maioria desses livros parecia incrivelmente interessante.
Harry suspirou pesadamente e se perguntou se poderia encontrar alguma coisa para ajudá-lo com a tarefa aqui. Certamente, neste tesouro do conhecimento, ele acharia algo útil.
Ele se levantou e caminhou até a pilha de livros que Riddle havia restaurado, agachou e começou a ler os títulos.
Feitiço de busca...
A voz de seu companheiro sussurrou em sua cabeça e Harry parou.
O quê?
Há um feitiço... Para procurar... Assunto nos livros. Muito mais rápido.
Sério? Por que você não mencionou isso anteriormente na biblioteca?
...
Harry ergueu os olhos e suspirou.
Tudo bem, o que é?
Invenio ... o movimento da varinha...é em forma de “S”. Fale... Invenio... E depois a palavra... Ou frase... Você já estará procurando.
Harry balançou a cabeça e sorriu amplamente. Ele decidiu testá-lo em algo primeiro, então ele pegou o primeiro livro na frente dele, olhou o título, Passo a passo: Através do Inconsciente da Mente, de Clair Videre. Suas sobrancelhas se elevaram quando seu interesse atingiu o pico.
Ele colocou o livro no chão ao lado dele e tirou a varinha. Ele chamou a magia que estava dentro de si e cantarolou em agrado a sensação que girava em torno dele tão facilmente. Apontou sua varinha para o livro, fez o movimento em S e disse "Invenio Mente”.
Uma redemoinho amarelo surgiu da ponta de sua varinha e começou a dançar ao redor do livro. A palavra Mente na capa brilhou em amarela por um momento e então todo o livro começou a brilhar levemente. Ele se abriu de repente e as páginas começaram a passar rapidamente, desde o inicio até o fim do livro. Quando terminou, ele notou que muitas páginas pareciam estar brilhando no mesmo tom de amarelo da capa, aparentemente, estavam marcando a palavra “mente”  que estava em tais paginas. Ele percebeu que um livro sobre a magia da mente provavelmente usaria muito a palavra “mente”, então fazia sentido.
Ele sorriu para seu sucesso e fez um rápido finito. O brilho desapareceu. Harry estava prestes a colocar o livro de volta ao local em que encontrou, quando fez uma pausa, sorriu e colocou-o na bolsa ao invés disso.
Estava pensando em procurar sobre a próxima tarefa. Se perguntou sobre o que aprenderia sobre ela em um livro escrito sobre o assunto. Ele ainda não sabia se havia um nome para o que ele estava procurando e estava interessado em ver o que ele poderia aprender em um cenário mais estruturado do que suas próprias tentativas cegas de descobrir seu próprio caminho através dele.
Ele voltou para a pilha de livros e tentou pensar em uma boa palavra-chave ou frase para pesquisar. Achou que a questão da água provavelmente era a mais urgente para começar. Natação, visão e respiração.
Ele franziu a testa.
Ei, tem que ser uma citação exata para encontrá-la no livro ou posso fazer uma busca por vários conceitos e achar coisas próximas ao que procuro?
Ele... Irá agir de acordo com o que você procura... Conceitos... Se isso for o que deseja.
Harry sorriu e agradeceu seu companheiro. Ele levantou sua varinha para os livros, fez um movimento em forma de S dizendo "Invenio nadando, respirando, água”.
O redemoinho amarelo saiu da varinha novamente e começou a dançar ao redor dos livros. Continuou a agir por um bom tempo enquanto procurava através das dezenas de livros. Harry se sentou e esperou, olhando por um momento ao redor do escritório bagunçado. Ele realmente deveria tentar limpar o lugar um pouco...
Finalmente, sentiu a magia terminar e olhou as pilhas. Havia vários livros destacados em amarelo e ele começou a amontoar cada um em seus braços.
Ele trouxe a pilha pequena para a mesa ao lado da espreguiçadeira e os colocou ali. Puxou o primeiro da pilha e se sentou para trás, ficando confortável.
As Transformações Serpentinas da Ofidiomagia
Por Apala Denisonia
Uma das sobrancelhas de Harry se levantou enquanto olhava o titulo com curiosidade. O livro estava em ótimas condições. Na verdade, obviamente não tinha idade suficiente para ter sido colocado aqui por Slytherin. Ele verificou a capa e viu que isso só foi impresso há cerca de 100 anos.
Deve ter sido um livro que Riddle deixou aqui. Harry pensou para si mesmo.
Ele abriu o livro para a seção que seu feitiço de busca identificou com o amarelo mais brilhante e começou a ler. Estava descrevendo uma Serpente do Mar* e os benefícios da forma em natação. O ar respiratório ainda era necessário, porque os répteis não têm brânquias, mas na forma, se pode prender a respiração por vinte minutos entre as respirações. O livro dizia que, se uma estadia prolongada debaixo d'água fosse necessária, o feitiço da cabeça de bolha poderia ser usado. Harry fez uma pausa e olhou para o livro com uma leve confusão. Era óbvio que ele estava perdendo algo importante e decidiu voltar para a introdução do livro.
“Em circunstâncias normais, a transfiguração de humano para animal é algo muito perigoso para se tentar. Quando transfigurada em um animal, o mago assume a mente e a capacidade mental desse animal e, como tal, perde a habilidade de exercer magia. O mago que se transfigura por completo em um animal não será capaz de se transfigurar de volta.
Outro magia pode reverter o feitiço, mas sem esse backup, eles poderiam ficar “presos” desse jeito, indefinidamente.
Um animago é um mago que possui a capacidade inata de se transformar em uma determinada forma animal e sem assumir sua personalidade.
Quando um animago se transforma na sua forma animal, mantêm sua capacidade mental humana, bem como sua capacidade de realizar a magia necessária para devolvê-los à sua forma humana normal. A transformação “animago” é apenas isso - uma transformação. Não uma transfiguração.
A transformação de animago tem algumas desvantagens também. Em primeiro lugar, leva um tempo médio, pelo menos, dois anos para dominar a habilidade - assumindo que a pessoa seja capaz de fazer isso em primeiro lugar. Segundo, o fato de que a pessoa não é capaz de decidir qual a forma animal que tomará. E em terceiro lugar, eles só podem assumir essa forma pela vida inteira. Não há oportunidade de aprender formas de animais adicionais, portanto, se a forma animal que eles assumem não é desejável ou vantajosa, eles terão desperdiçado dois anos de estudo para nada.
É fato estabelecido que os feiticeiros que possuem habilidade na língua das cobras são descendentes de feiticeiros que se cruzaram com uma das raças humanoides-serpentes - na maioria das vezes, os Naga da Índia, mas em alguns casos, também podem ser originários dos Yuan-ti do leste da Ásia. Tanto o Naga como o Yuan-ti possuíam a habilidade natural de se transformar em seres humanos e usaram essa habilidade em suas façanhas de seduzir e abusar de seres humanos crédulos.
Alguns, no entanto, tomaram um ser humano como companheiro e são os descendentes de sua prole que possuem a capacidade de usar e manipular essa antiquíssima magia.
Devido a essa descendência do sangue de criaturas mágicas, muitos feiticeiros que herdaram a habilidade de falar a língua das cobras e realizar a magia das cobras, também possuem a capacidade de se transformar em várias formas de serpente.
Não é uma transfiguração, mas uma transformação, como a transformação animago. Ao contrário da transformação animago, essa habilidade não limita o mago a uma única forma. Múltiplas formas podem ser aprendidas através da prática e dedicação.
Um benefício adicional sobre a transformação animago é que, se você é capaz dessa habilidade, é improvável que leve mais de dois a três meses de prática para realizar uma transformação completa pela primeira vez. Cada forma adicional será mais difícil de assumir e levará mais tempo e prática para dominar.
A maioria dos magos ofidioglotas* tem uma ou duas formas serpentinas que eles preferem e dominam, mas são capazes de assumir outras mais para diferentes necessidades específicas.
Os capítulos seguintes detalham algumas das formas mais comuns identificadas em magos ofidioglotas e as melhores maneiras de alcançar essas formas através da prática e meditação.”
Harry fez uma pausa e olhou para o livro em suas mãos. Será que ele possivelmente poderia executar qualquer uma dessas transformações? Ele meio que duvidou, já que não era biologicamente descendente de magos ofidioglotas. Ganhou sua habilidade de Voldemort. Se a capacidade de fazer essa transformação era porque eles eram descendentes de er... Nagas, ou alguma coisa assim, duvidava que ele também a tivesse. Mas, novamente, era uma transformação mágica, então quem sabe?
Vale a pena investigar, pelo menos. Ele ainda estava um pouco confuso sobre a transformação total em uma coisa de serpente do mar. Isso significava que ele realmente se tornaria uma pequena cobra? Poderia ser útil... Ele provavelmente poderia nadar muito rápido como uma pequena cobra, mas um pequeno corpo reptil poderia manter o frio do lago preto por uma hora? E sobre a respiração? Ele teria que procurar este feitiço “cabeça de bolha” que havia mencionado. E se ele fizesse isso no torneio, o Ministério acharia que ele era um animago e teria de fazer um registro?! Ele seria punido por não estar registrado já? O que ele sabia era que você não precisava se registrar como um animago até chegar aos 17, então talvez ele não precisasse fazer tal coisa. De preferência, ele faria isso sem que ninguém percebesse que ele havia feito.
Harry voltou ao capítulo sobre a forma de serpente do mar para ler suas características específicas para ver se seria realmente era adequada para o que ele precisava. Ele ainda tinha uma pequena pilha de livros para examinar, então, se isso não fosse, ele poderia verificar os outros.
Trinta minutos depois, ele terminou o capítulo e teve um número razoável de perguntas respondidas.
Ele não seria cobra "pequena", se fizesse a transformação. Na verdade, ele provavelmente seria uma cobra muito grande. Sua massa corporal seria deslocada para a forma de uma serpente, tanto quanto ele tivesse como humano, ele ainda seria como uma cobra, mas mais esticada... Uma forma serpentina alongada.
No livro dizia que, nessa forma, ele poderia nadar incrivelmente rápido. As serpentes do mar eram extremamente ágeis e rápidas na água e seus corpos eram literalmente um longo tubo de músculo, as tornando muito perigosas para se tentar enfrentar. A serpente do mar também tinha uma pálpebra secundária que era transparente, para que ela pudesse facilmente abrir os olhos debaixo da água sem irritação. Além disso, eles aparentemente, tinham uma boa visão noturna. Além de tudo isso, ele também teria veneno mortal!
O ponto negativo era que Harry ficaria com o sangue frio e a temperatura da água do lago negro seria inegavelmente desagradável, mas um feitiço de aquecimento lançado antes da transformação poderia ajudar a evitar o frio durante a tarefa.
Ele não seria capaz de lançar magia tradicional enquanto estivesse em sua forma de serpente, já que ele não podia realmente falar ou usar uma varinha, no entanto, ele ainda seria capaz de lançar alguns ofidiomagias, já que apenas precisaria sibilar.
Parecia que a melhor estratégia para uma estada prolongada debaixo da água seria lançar esse feitiço “cabeça de bolha” sobre o nariz e a boca e lançar outro feitiço, agora de aquecimento completo, enquanto ainda fosse humano, pular na água e se transformar quando fosse suficientemente profundo demais para que as pessoas não pudessem vê-lo. Claro, isso só funcionaria assumindo que não haveria algum tipo de sistema mágico de observação ou vigilância criado para que os presentes pudessem assistir os campeões sob a água.
Ele quase esperava que Dumbledore pudesse providenciar isso. De que outra forma ele seria capaz de dizer se alguém estava em sérios apuros e precisa de ajuda?
Ainda assim, a transformação parecia uma opção viável para sua tarefa. Mesmo que ele acabasse por se registrar como um animago. E se ele entrasse em "problemas" por não ter se registrado, poderia simplesmente ressaltar que não era realmente uma transformação animago, embora não quisesse falar sobre tal técnica diferente.
Assumindo, claro, que ele aprendesse a transformação antes de meados de fevereiro, quando a próxima tarefa iria acontecer. Ah, e assumindo que ele ainda era capaz de fazê-lo... Uma parte dele ainda duvidava seriamente.
Harry começou a ler o primeiro capítulo. Ele descrevia um canto de ofidiomagia de som bastante complicado que cavava profundamente no seu núcleo ofidiomágico e mostrava se você era capaz da transformação ou não.
Ele leu algumas vezes e seu companheiro o ajudou algumas vezes, explicando conceitos que confundiram Harry. Finalmente, ele se levantou e caminhou até o centro da sala. Ele fechou os olhos e se concentrou na imagem de uma serpente em sua mente. Ele começou a sibilar quase que silenciosamente um tipo de canto rítmico e sentiu que a magia das cobras começaram a girar ao redor dele. Ele agarrou a magia e a puxou mais para a superfície.
Era elétrica e intoxicante. Sua magia normal e sua magia das cobras eram tão diferentes, mas se lhe pedissem para explicar como, ele não conseguiria. A sua magia parecia apenas... Embriagante, de alguma forma. Isso o fazia se sentir tonto.
Enquanto ele continuava tirando mais e mais da sua magia, ele sentia a cabeça cada vez mais clara e difusa. Suas pálpebras ficaram pesadas e em sua boca surgiu um estranho sorriso. Estranho, sibilou e risadinhas escaparam de seus lábios transformando-se em altas gargalhadas. A magia atingiu um pico tremendo antes de subitamente deixá-lo em uma grande explosão de energia escura. Ele ofegou em choque e caiu com os joelhos nos chão. A força daquilo o fez cair, de um jeito meio inclinado, apoiando-se com as palmas das mãos no piso de pedra frio. Ele permaneceu lá, imóvel por um longo momento, ofegante e tremendo pelo choque que seu corpo acabara de experimentar.
Harry abriu os olhos e percebeu que ele estava brilhando levemente. Era de um verde sutil e estava rapidamente desaparecendo. Aquilo o fez sorrir amplamente.
Ele conseguia realizar a transformação.
Ele permaneceu lá por mais alguns minutos, antes de sentir que a força suficiente voltou para permitir que ele se levantasse. Seus membros ainda se pareciam como geléia, mas ele conseguiu chegar à espreguiçadeira e se sentar. Fracamente puxou o livro para o colo e começou a ler novamente. Ele queria que isso funcionasse. Ele faria funcionar. E mesmo que ele não conseguisse fazê-lo funcionar a tempo para a tarefa... Aquilo era fascinante demais para não aprender.


Uma semana se passou desde que Harry havia achado a opção de transformação por ofidiomagia, ele estava passando algum tempo na câmara todos os dias desde então, praticando, meditando e procurando alguns livros de ofidiomagia que poderiam conter  feitiços úteis.
— Aonde você vai, Harry? – Ron gemeu quando Harry entrou pelo buraco do retrato. – O feriado está quase acabado e quase não vi você!
Era sábado de novo, pouco depois de uma da tarde. Harry tomou sua segunda dose da poção aceleradora na noite anterior e ele estava dormente e exausto. Ele não queria absolutamente nada com Ron Weasley. Especialmente se fosse uma queixa.
Harry apertou o queixo e fechou os olhos tentando desesperadamente ignorar o temperamento e não diminuir Ron, coisa que estava sendo corriqueiro. Não faria bem para ele atacar o outro. Isso só aumentaria as perguntas. Aumentaria as suspeitas. Ele não precisava de mais pessoas observando ele e perguntando sobre ele. As coisas realmente acalmaram um pouco ele estava curtindo a calmaria.
Respirou profundamente e abriu os olhos. Ron estava olhando para ele de um jeito engraçado.
— Olhe, Ron, estive ocupado. Estou trabalhando na minha estratégia para a segunda tarefa e está demorando muito. Isso é tudo.
— Você não está mais fazendo poções, você está?! – Exclamou Ron, incrédulo.
— Não, na verdade, eu já terminei isso.
Ron piscou e seu rosto ficou brilhante.
— Então você terminou!
Harry acenou e estendeu a mão, beliscando a ponta do nariz.
— Eu terminei com as poções, sim. Mas esse foi apenas o primeiro passo, Ron. Eu ainda tenho que aprender alguns feitiços e está tomando me tomando muito tempo e prática.
O rosto de Ron caiu.
— Ah.
— Você precisa de alguma ajuda? – A voz de Hermione soou e Harry se virou para vê-la sentada em uma das cadeiras estofadas, junto à lareira.
— Nah, Hermione. Eu consigo fazer isso.
— Você tem certeza? Quero dizer... Nós poderíamos ajudá-lo a praticar ou algo assim – ela ofereceu, olhando esperançosa.
Harry enrugou o rosto, tentando pensar em tudo sobre o que ele estava trabalhando.
Ele já dominou o feitiço de aquecimento e o feitiço “cabeça de bolha”. Eles foram fáceis. Tudo o que restava era a ofidiomagia.
No entanto, ainda haviam os encantos de localização.
Ele tinha feito outra "busca de palavras" na sala de estudo de Salazar para "feitiço de localização" e "ofidiomagia" e conseguiu encontrar um livro da língua oral com uma variedade de feitiços gerais – incluindo dois de localização diferentes. Ele só havia feito isso no dia anterior, então ainda não havia experimentado.
— Bem... – ele começou devagar – Eu preciso praticar alguns feitiços localizadores.
— Feitiços localizadores? – Hermione disse, se animando e olhando para ele com interesse. – Então... Você pode nos dizer o que exatamente será a tarefa? Ou... você não deve dizer? Eu tenho que admitir, Harry, estou absolutamente morrendo de curiosidade.
— Er, sim... Bem, acho que está tudo bem pra mim dizer. Ninguém me disse que não poderia. Basicamente, para a tarefa eu tenho que encontrar algo. Ainda não sei o que será. Aparentemente, eles vão roubar algo de mim e escondê-lo no fundo do lago. Eu vou ter uma hora para encontrá-lo e se eu não encontrar, nunca o recuperarei.
Hermione e Ron lhe deram olhares horrorizados. Ron falou primeiro.
— Mas existem... Coisas no lago! Tem a lula gigante!
Harry tossiu uma risada sem humor.
— Sim, Ron, Estou ciente disso.
— Mas o lago é enorme! E é incrivelmente profundo! Como você vai respirar o tempo suficiente para procurar? Você precisará de algum tipo de feitiço de respiração subaquática ou algo assim. O que você vai fazer Harry? – Hermione disse com uma expressão totalmente aflita.
— Eu estou trabalhando em algumas coisas... Eu já consegui que a coisa de respiração na água funcionasse. Quanto a sobreviver a lula, aos grindylows* e aos sereianos, eu tenho uma estratégia primária, mas também tenho um plano secundário, no caso de eu não conseguir que o primeiro seja elaborado a tempo. De qualquer forma, eu ainda tenho que resolver o problema sobre esses feitiços de localização e vocês dois provavelmente poderiam ajudar com isso.
— Como assim? – Hermione perguntou, prestando mais atenção e assumindo um rosto "sério".
— Bem... Você poderia... Pegar algo de mim e vou tentar encontrá-lo. Pelo que eu sei, eles não vão me dizer o que eles tirarão de mim, então eu vou ficar totalmente cego sobre isso. Quero tentar as duas coisas... Sabendo o que estou procurando e não sabendo.
— Você quer fazer isso agora? – perguntou Ron, ansioso.
Harry fez uma careta.
— Ugh, não... Desculpe, pessoal, mas estou exausto. Na verdade, estava planejando ir para a cama e tirar uma soneca.
— O que?! – Exclamou Ron. – Mas é só uma da tarde!
— Falando novamente desde o inicio, Ron. Eu já estava trabalhando em algumas coisas realmente complicadas então estou realmente “morto”.
— Tudo bem – disse Ron, parecendo amuado.
— Bem, é melhor você ir descansar então – disse Hermione, em vez de fazer as perguntas que estavam claramente na ponta da língua.
Parecia que queria desesperadamente perguntar a Harry o que ele estava preparado para ficar tão exausto. O fato de ele finalmente ter desistido de alguns detalhes sobre o torneio, depois de se recusar a contar uma coisa antes disso, tinha molhado seu apetite, e agora estava claramente com fome de mais. Ele ficou surpreso por ela não perguntar, seria uma tortura que ele não era obrigado a passar.
— Obrigado – ele disse, sorrindo de alívio.
— Nós podemos trabalhar nessa coisa de localização amanhã – disse Ron enquanto Harry girava e se dirigia para as escadas.
— Sim, claro – disse Harry enquanto ele acenava com desdém por cima do ombro e começava a subir as escadas.


— Venha, Rabicho – ele disse enquanto acenava com sua mão minúscula e de dedos longos. 
O pequeno homem estava tremendo e encolhido na parte de trás da sala. Ele gritou de surpresa e correu para ele.
— Sim, meu senhor? – Rabicho falou enquanto se ajoelhava e inclinou a cabeça.
— Seu braço, Rabicho – ele ordenou.
A cabeça de Rabicho se levantou ligeiramente e ele olhou através de seus cabelos longos, desgastados e tremulos. Lentamente, Rabicho ergueu o braço esquerdo, descobrindo o antebraço e puxando para trás a manga da blusa.
Ele alcançou a mesa curta ao lado da cadeira em que descansava e agarrou sua varinha na mão. Ele gostava do fluxo quente de magia que sentia percorrendo dentro de sua mão. Sua conexão com sua magia se fortalecia a cada dia que passava. Era um lembrete pra ele que era apenas uma questão de tempo... Apenas uma questão de tempo...
Ele pegou a varinha e pressionou dura no braço de seu servo. Ele sorriu maldosamente ao ver a pequena careta de dor que surgiu no “rato”.
Ele chamou alguns de seus poços mágicos e sorriu perversamente quando chegou a ele com muita mais facilidade do que em muito tempo. Sentia-se glorioso e aquilo o enchia de antecipação pelo que estava por vir.
Coletou a magia e a forçou através de sua varinha, colocando-a na marca. A marca desbotada começou a escurecer e pulsar com o fluxo súbito de magia. Rabicho gemeu calmamente enquanto a dor o envolvia com traço de magia. Aquilo só o fazia sorrir alegremente.
Esta era a terceira vez que fazia isso, mas era a primeira que realmente teria uma diferença notável em seus seguidores. Agora eles começariam a sentir.
Antes de apenas restabelecer a conexão, Eles começariam a saber, sem sombra de dúvida, que o Senhor estava retornando. Cada vez que ele repetia isso, a marca se tornaria mais forte e a compulsão de retornar a ele, quando convocados, cresceria com ela.
Idealmente, isso garantiria que eles estariam prontos quando ele finalmente os chamasse para voltar ao seu lado. Ele não queria que eles tivessem alguma desculpa para não aparecerem. Eles não podiam afirmar que simplesmente não esperavam ser convocados, porque faziam tantos anos desde sua queda. Havia esse aviso e punição, caso não aparecessem..
Ele puxou sua varinha de volta, com um sorriso satisfeito saudando suas características, sem lábios. Rabicho gemeu e, hesitante, baixou o braço.
— Muito bem, Rabicho – ele disse em um silencioso silvo. – Traga-me a cadeira.
— Sim, meu Senhor – disse Rabicho enquanto curvava a cabeça novamente e rapidamente correu da sala. Ele voltou um minuto depois com uma cadeira de mogno esculpida sem pernas, que levitava no meio do ar. A cadeira era de tamanho pequeno, como se fosse feita para uma criança pequena e os braços dela estavam esculpidos para parecerem com cobras, enroladas, chegando ao longo do topo da parte traseira.
Ele fez uma moção com a mão e deu um olhar expectante a Rabicho. O mago encolhido se apressou e levantou-o da poltrona, colocando-o na cadeira de madeira flutuante.
— Os livros foram colocados na biblioteca? – ele perguntou.
— Sim, meu senhor. Eu desembalei as caixas esta manhã, assim como o senhor ordenou.
— Otimo. Deixe-me.
— Sim, meu senhor.
Rabicho se curvou novamente e rapidamente saiu da sala enquanto subconscientemente segurava seu antebraço esquerdo em seu peito; Claramente agradecido por ser dispensado. Ele deslocou seu corpo ridiculamente subdimensionado na rígida cadeira de madeira. Realmente precisava adicionar algumas almofadas ali. Bom, não importa. Ele iria lidar com isso mais tarde.
Acenou com a mão e a cadeira começou a mover-se suavemente para a frente. Ele dirigiu-a para fora da sala e no corredor, depois para dentro da biblioteca. Vários caixotes se alinhavam nas paredes. Ele sabia que continham os velhos livros trouxas esfarrapados que costumavam ocupar as prateleiras. Tomavam seu lugar na estante de livros uma coleção que ele havia recuperado de um dos seus antigos armazéns. Ele ficou emocionado ao descobrir que não haviam sido descobertos durante sua ausência. Enviar Rabicho, de todas as pessoas, para recuperá-los tinha sido irritante, mas até Pettigrew não era incompetente o suficiente para não conseguir isso.
Ele guiou a cadeira ao longo das fileiras de livros, examinando os títulos e reagindo com a coleção preciosamente antiga.
Suspirou alegremente. Foi um alívio ter recuperado estes. Seus livros eram como uma extensão de si mesmo. Odiava estar tão fortemente separado da base de conhecimento. Ele sempre sentiria falta dos livros que, infelizmente, tinha sido obrigado a deixar na escola. Mas algum dia – esperando que fosse em breve – ele ganharia o controle da escola e poderia ir buscá-los na câmara. Mas ainda assim, esses livros eram um achado fantástico, mesmo que não fossem tão preciosos quanto os deixados em Hogwarts.
Ele estendeu a mão e passou os dedos pelo couro velho e respirou fundo. Sim, ele adorava isso...


Harry abriu os olhos, suspirou e sorriu. Sentiu um estranho tipo de contentamento. Sentimento esquisito. O sentimento de ter algo que você apreciou retornando para você, depois de ter pensado que o havia perdido.
Ou... Algo valioso, que voltava para ele. Alterou mentalmente.
Mas ainda assim, sentia-se como...
Harry balançou a cabeça. Ele havia deitado na cama com os olhos fechados, ainda assim estava acordado nos últimos vinte minutos. Estava pensando em sua visão da noite anterior. Era... estranho ver esse lado de Voldemort. O homem tinha uma apreciação pelo conhecimento. Era estranho. Bom, pelo menos teve suas suspeitas sobre Tom Riddle e a câmara confirmadas. Ele sabia, a nível acadêmico, que Riddle estava lá. Provavelmente passou um monte de tempo lá embaixo.
Riddle tinha lido os mesmos livros que Harry estava lendo. Sabia que ele havia colocado alguns deles lá. Era... Interessante sentir o mesmo carinho por esses livros na mente de Voldemort, o mesmo carinho que o próprio Harry sentia por eles. Voldemort não via nenhuma distinção entre as coisas que ele aprendeu. Conhecimento é poder e tudo era digno de sua atenção.
A revelação mais estranha da visão da noite anterior, no entanto, aconteceu no final. Era início da manhã e Rabicho havia retornado de uma viagem ao mercado local de trouxas – aparentemente – a casa senhorial em que Voldemort vivia estava perto de uma aldeia trouxa. Rabicho trouxe algumas publicações trouxas e jornais e os deu a Voldemort. Isso era aparentemente uma coisa normal, já que Voldemort imediatamente pegou tais papéis os lendo logo em seguida. Ele havia dito a Rabicho que tentasse adquirir mais algumas publicações internacionais no futuro.
Voldemort odiava ter estado fora do circuito por tanto tempo. O mundo mágico basicamente estava parado durante esse tempo, já que ele quase nunca mudou ou progrediu – tão ajustado em seus caminhos, os feiticeiros eram – mas os trouxas mudaram tanto e tão rápido. Especialmente nos últimos quinze anos. Voldemort sentiu que precisava se reconciliar com as tecnologias e os avanços dos trouxas. Ele precisava estar preparado.
O que deixou Harry mais... Surpreendido foi a falta total de pensamentos sobre a inferioridade trouxa. Não era suposto ser o problema de Voldemort? A crença de que os trouxas não eram melhores que animais estúpidos?
Sujos, estúpidos, fracos, trouxas?!
Mas ele não pensou nisso.
Harry ficou surpreso ao descobrir que o homem tinha uma quantidade surpreendente de respeito pelas suas capacidades. Ele as considerou uma séria ameaça. Pensava que elas eram perigosas. Voldemort continuava pensando no trabalho que precisava completar. Sua tarefa. Harry ficou confuso e sentiu que estiva faltando uma coisa maior e essencial.
Harry suspirou e balançou a cabeça. Era como se todas as crenças fundamentais que ele havia obtido nos últimos três anos tivessem sido baseadas em mentiras e desinformação. Na verdade, estar dentro da cabeça de Voldemort tinha mostrado algo que Harry nunca esperava ver.
Voldemort era apenas... Uma pessoa.
Uma pessoa tremendamente poderosa, com fome de conhecimento e controle definitivos. Mas ainda assim ele era uma pessoa. Ele sempre imaginou Voldemort como uma espécie de monstro sedento por sangue, incapaz de pensar racionalmente, que passava seus dias torturando pessoas e planejando formas novas e criativas de matar trouxas.
Isso era verdade?
E seu poder... Harry sentiu o poder que o percorreu quando ele tocou sua varinha na marca de Rabicho e tinha sido completamente inebriante. Era escuro e delicioso... E isso tinha sido apenas uma pequena fração de seu real poder!
Harry fechou os olhos para a lembrança. Ele sentiu e conseguiu experimentar a magia de primeira mão. O ar escapou de seus pulmões com um tremendo suspiro e sorriu. A memória enviou uma ondulação agradável em seu estômago. Ele não queria se desfazer daquela sensação.
Um momento depois, ele suspirou de novo e saiu de seu crescente estupor. Não era bom pensar nessas coisas. Não era... Saudável.
Harry passou a maior parte da manhã na câmara praticando o exercício de respiração meditativa e as técnicas mágicas de foco. Ele estava começando a sentir a mágica enrolando em seu estômago. Sua pele percebeu a magia da transformação, mas nada realmente aconteceu ainda. Ainda assim, ele estava otimista. Era 3 de janeiro, e a próxima tarefa não era aconteceria até 24 de fevereiro. Ele tinha um plano e ele tinha tempo.
Saiu da câmara e voltou para a escola para o almoço. Ron perguntou a Harry se ele queria começar a trabalhar com esse encanto de localização, mas Harry recusou, dizendo a ele e a Hermione que ele estava no meio de alguns de seus outros preparativos e queria voltar para eles imediatamente.
Rony estava claramente desapontado e franziu o cenho, mas não protestou.
Harry deixou o grande salão e deslizou atrás de uma tapeçaria em um corredor escondido, puxou o mapa e cobriu a bolsa. Ele tocou o mapa, ativando-o e verificou o corredor do segundo andar para garantir que ninguém estivesse perto para que ele pudesse voltar a entrar na câmara quando viu o nome de Karkaroff se movendo ao longo de um corredor nas masmorras em direção ao escritório de Snape.
Harry franziu a testa e sua mente voltou para o aviso de Sirius para manter seus olhos abertos, desde a última prova. Karkaroff era um ex-Comensal da Morte e Harry não podia deixar de se perguntar o que ele poderia estar falando com Snape.
Ele tomou a decisão rapidamente e correu pelo corredor para as escadas, descendo para as masmorras.
Puxou sua varinha e enquanto se aproximava do local lançou um encanto de silêncio sobre si mesmo. Ele verificou o mapa novamente e viu que os dois estavam dentro do escritório de Snape agora. Tocou o mapa com sua varinha, terminou o feitiço e o colocou no bolso. Ele correu pelo corredor e ficou de fora da porta fechada, apertando a orelha nela, tentando escutar.
As vozes estavam abafadas demais para se distinguir e Harry resmungou em frustração. Desejou conhecer um feitiço para escutar através das portas ou um que aumentasse sua audição, mas nada veio à mente.
As vozes além da porta se tornaram elevadas e de repente a porta se abriu. Harry apenas conseguiu se afastar da porta aberta e se pressionar contra a parede ao lado.
— Fora! – Snape rosnou.
— Mas Severus! Você precisa ouvir!
— Eu não preciso fazer nada!— Snape sibilou em um sussurro mortal.
Harry olhou para Karkaroff, ele estava segurando a manga esquerda de suas vestes e expondo o antebraço a Snape.
— Você sabe o que significa, Severus! Você deve ter sentido isso também!
— Sim, é claro que eu senti isso. E eu sei exatamente o que isso significa. Eu não sou um idiota, Igor!
— Dumbledore protege você, Severus. Eu não tenho tal luxo! Quando nosso Senhor retornar, ele me crucificará!
— Esse problema não o meu!
— Mas Severus! Você deve...
— NÃO! Agora, saia!
Karkaroff ficou mais reto e deixou o braço cair ao seu lado. Ele estava franzindo o cenho para Snape, mas acenou com a cabeça.
— Tudo bem, então. Mas isso não acabou – disse Karkaroff com dureza antes de virar, sair do escritório e descer o longo corredor da masmorra.
Snape ficou na entrada durante um longo minuto antes de rosnar com raiva, marchando para dentro e fechando a porta.
Harry ficou parado por mais um minuto, tentando compreender o que acabava de testemunhar.
Karkaroff era um Comensal da Morte. Ele sabia disso. Embora, aparentemente, ele não pensou que Voldemort ficaria particularmente satisfeito com ele, então talvez ele tenha feito algo durante a última década em que o Lord das Trevas estaria com raiva.
Isso tornou bastante improvável que Karkaroff fosse o contato do Comensal da Morte que estava dentro da escola e que colocara o nome de Harry no cálice do fogo.
Mas o que realmente foi motivo de contemplação foi o fato de Karkaroff ter ido a Snape. Ele havia mostrado a Snape sua marca. Isso tinha que ter sido sobre o que Voldemort fez na noite anterior com a marca de Rabicho. Voldemort tinha empurrado sua magia através de todas as marcas para começar a ativá-las. Karkaroff sentiu isso e entrou em pânico. Mas Snape disse que também sentiu isso. Que ele também sabia o que significava. E Karkaroff tinha vindo a Snape.
Snape era um Comensal da Morte!
Isso significava que Snape poderia ter sido o único que colocou o nome de Harry no cálice?
Harry se afastou da parede e começou a voltar rapidamente para o segundo andar. Ele entrou no banheiro de Murta, caminhou diretamente para a pia e sibilou um comando para abrir. Poucos minutos depois, ele estava sibilando no caminho para a sala de estudo de Slytherin, sua mente ainda estava correndo.
Em vez de ir para a espreguiçadeira, como costumava fazer, ele foi até a mesa e colocou a bolsa no topo. Ele puxou um pergaminho qualquer, pena e tinta e se sentou na cadeira.
Ele olhou para a página em branco por alguns minutos enquanto tentava dar ordem aos seus pensamentos.
Finalmente, ele colocou a pena no pergaminho e começou a escrever uma carta para Sirius. Fazia quase um mês que ele havia escrito para o seu padrinho e mais de dois meses desde que ele falou com ele, foi no início de novembro.
Sirius sabia que Karkaroff era um Comensal da Morte. Talvez ele também soubesse algo sobre Snape. Pelo menos, ele poderia escutar os desabafos e teorias de Harry.
Repetiu tudo o que conseguiu lembrar da breve conversa que havia ouvido entre Karkaroff e Snape e disse a Sirius como Karkaroff mostrava a Snape sua marca.
Harry não mencionou suas visões para Sirius, embora, no inicio do ano, Sirius tenha lhe pedido que o deixasse saber se ele ainda estava com elas. Ele não queria compartilhá-las. Elas eram meio... Privadas. Além disso, duvidava que ele pudesse explicar corretamente a qualquer outra pessoa como era para si experimentá-las. Quando ele tinha uma visão de Voldemort, era como se ele fosse Voldemort. Ele só podia imaginar como isso seria recebido por qualquer outra pessoa.
Não. Ele não podia contar a ninguém sobre suas visões. Mas ele ainda queria a opinião de Sirius sobre o encontro Snape-Karkaroff. Esperava que não demorasse mais de um mês para que o padrinho respondesse.


O dia seguinte foi o início do segundo semestre. Harry ficou acordado em uma leitura tardia e passou uma outra hora deitado na cama, enterrado profundamente em sua mente com seu companheiro. Por isso, ele dormiu um pouco mais tarde do que ele geralmente se permitiria fazer e foi obrigado se aligeirar na rotina da manhã, tomando rapidamente suas duas poções e correndo para o café da manhã.
Ele foi rápido para o Grande Salão. No segundo que ele atravessou as portas, o salão ficou ansiosamente calmo. Harry imediatamente diminuiu a velocidade e olhou ao redor do local com cautela. Um número alarmante de olhos treinados ficaram sobre ele. Uma quantidade substancial de risadas começou a emanar da mesa da sonserina.
Ah, agora, o que é? Ele resmungou amargamente enquanto retomava os passos para a mesa da Grifinória. Encontrou Ron e Hermione e caminhou até eles. Hermione segurava o Profeta Diário em suas mãos e parecia devastada. Ron estava olhando para Harry com uma mistura de confusão e descrença.
Um rápido olhar ao redor do salão e Harry pôde notar que muitas pessoas estavam segurando o Profeta Diário em suas mãos.
Isso não pode ser bom...
Ele se sentou ao lado de Hermione, deu um suspiro resignado e estendeu a mão, silenciosamente, pedindo que ela entregasse o papel.
— Harry... – ela começou a falar um protesto fraco, mas ele lançou um olhar que indicava não querer discussão. Ela suspirou pesadamente, acenou com a cabeça e entregou o papel.
Harry se ajeitou e colocou-o na frente dele. O que ele viu lá, em grandes letras em negrito, impresso na primeira página, definitivamente não era algo que ele esperava.


O MENINO QUE SOBREVIVEU É GAY?
Por Rita Skeeter


Harry fechou os olhos. Estendeu a mão e beliscou a ponte do nariz entre o polegar e o indicador enquanto baixava ligeiramente a cabeça.


— Harry? – Hermione perguntou com uma voz tranquila e cuidadosa.
Ela se inclinou mais perto quando não recebeu resposta.
— Harry? É... Não é tão ruim... – Ela fez uma pausa quando pensou que ouviu algo. Seus ombros se sacudiram e tremeram por um momento e ela temia que ele estivesse prestes a explodir em soluços! Ela se inclinou ainda mais e virou a cabeça para o lado, tentando dar uma olhada em sua cabeça curvada.
Suas sobrancelhas franzidas ficaram confusas quando o que ouvia soava como uma... risada?!
Harry bufou. Ele começou a rir cada vez mais alto, não conseguindo se recuperar antes de romper em fortes gargalhadas. Todo o seu corpo estremeceu com a força de sua risada e durou alguns segundos sólidos antes que ele finalmente se acalmasse o suficiente para que apenas um resmungo ocasional escapasse.
— Er... Amigo? Você está bem? – Ron perguntou hesitantemente, aparentemente preocupado com o fato de que Harry poderia ter ficado totalmente louco. Harry acenou com a cabeça e soltou o tipo de suspiro que você da quando acaba de rir.
— Bem, você está tomando isso melhor do que eu esperava – observou Ron. – Então, é apenas lixo, certo? Aquela maldita mulher, Skeeter, sempre vai imprimir qualquer coisa!
Harry balançou a cabeça, ainda acalmando sua risada.
— Não é Ron. É verdade – ele disse enquanto levantava a cabeça e deu um sorriso divertido ao ruivo.
O rosto de Ron ficou pálido. Harry ouviu várias pessoas que estavam perto o bastante para escutar, soltando gritinhos e ele revirou os olhos.
— Se bem que, eu me pergunto, como diabos ela descobriu – disse Harry enquanto se sentava de maneira mais reta e analisava o papel novamente. Ele olhou para Hermione, e estreitou os olhos – Você não deixou escapar, não é?
Ela ofegou e ficou horrivelmente ofendida.
— Claro que não! Harry, eu nunca teria dito a ninguém!
Harry sorriu e acenou com a cabeça.
— Sim, eu sei. Ainda assim eu tinha que perguntar.
— Uou... Espere. Calma ai, Harry... O que... – Ron estava gaguejando e olhando freneticamente de um lado para o outro, entre Harry e Hermione. – Você é...? E quanto a Fleur! E você ! Você sabia? – Exclamou, apontando para Hermione, acusadoramente.
— Ron, você até mesmo leu o artigo! – Hermione perguntou com exasperação.
— Eu li por cima! – Ele disse defensivamente. – Além disso, eu assumi que era apenas mais lixo da Skeeter!
— Fleur sabia ou, pelo menos, ela suspeitava e descobriu realmente ao final do baile – Harry disse dando de ombros, se aproximando da mesa e começou a pegar alguns ovos mexidos, depositando-os no prato. Ele estava ignorando as dezenas de conjuntos de olhos que ainda estavam focados nele e a horda de sussurros silenciosos.
Deixe-os olhar. Estúpidos, idiotas.
— Ela sabia? – Hermione ofegou. – Você não acredita...
Harry encolheu os ombros.
— Se não fosse você, tinha que ser ela. Mas eu realmente não esperava isso.
— Você acha que talvez ela estivesse com raiva? Que você a levou para a dança, mesmo ser estar realmente interessado? – Hermione perguntou.
— Não parece ser isso... Quero dizer, ela foi muito legal depois da dança, quando conversamos. Ela parecia agradecida. Disse que teve um ótimo momento. Quero dizer, se ela tivesse ido com um cara hétero, a aura teria sido afetada durante toda a noite e tudo o que ele teria feito era babar sobre ela até engasgar. Ela disse que estava agradecida por poder participar da dança com alguém capaz de desenvolver uma conversa coerente. Realmente não faz sentido que ela tenha ido a Skeeter.
Hermione fez um barulho na garganta e ficou pensativa.
— Harry... – Ron murmurou fracamente e Harry olhou de volta para a cabeça vermelha sentada em frente a ele na mesa. – Você é... Você é realmente gay?
Harry revirou os olhos.
— Sim, Ron. Eu sou gay.
Ele ouviu outra onda de sussurros ecoando pelo corredor enquanto a palavra se espalhava como fogo em palha. Harry balançou a cabeça e riu fracamente antes de voltar para o prato e arrumar um pouco de comida na boca.
Um momento passou, o rosto de Ron era uma máscara de descrença e choque, finalmente seu olhar se instalou em Hermione.
— E você sabia! – Ele disse acusadoramente.
Hermione suspirou.
— Sim, Ron, eu sabia.
— Por que... Como?
— Harry me disse – ela disse com uma voz silenciada enquanto olhava ao redor do salão lotado que ainda estava atento a cada movimento.
— Quando? – Ron gritou ligeiramente com sua voz quebrada.
— Hum... Na última semana de novembro, eu acho. Realmente não importa.
— É claro que importa!
— Ron, não faça uma cena! – Hermione repreendeu com um duro silvo.
— Por que você não me disse? – Ron perguntou, acusadoramente novamente, quando ele se virou para Harry desta vez.
Harry suspirou e deixou cair o garfo em seu prato.
— Não surgiu oportunidade. E também, não vi como isso deveria importar.
— Por que você chamou a Fleur para o baile se você nem gosta dela?
Harry piscou.
— O que importa se eu chamei a Fleur para o baile?
— Bem, outro alguém poderia ter chamado ela!
— Quem? Você? – Harry respondeu, recostando-se na cadeira e dando uma olhada ponderada ao ruivo.
— Sim, talvez! – Ron disse na defensiva, se ajeitando mais no assento.
— Você percebe que um dos maiores motivos que ela disse sim ao meu convite é porque eu sou gay?
— Que sentido isso faz? – Exclamou Ron.
Harry deixou sua mão bater em sua testa e gemeu com frustração. Ele baixou a mão e se perguntou se realmente queria ter essa conversa.
— Uma vez que eu não gosto de garotas, sou imune à sua aura de veela. Por isso. Tente simpatizar com Fleur por um minuto. Não importa onde ela vá, eles a seguem. Eles se rastejam para estar perto dela. Praticamente adoram o chão em que ela pisa e no segundo em que qualquer um deles abre a boca, soam como idiotas, porque a habilidade de pensar corretamente está sendo inibida por seus hormônios, que estão sendo desencadeados em excesso por causa da aura.
"E se eles não estão agindo como idiotas sem cérebro em torno dela, eles estão tentando chamar sua atenção ou colocar a mão nela. Ao ir comigo, ela não precisava lidar com isso. Por isso faz sentido".
Ron franziu o cenho com raiva, cruzou os braços sobre o peito, como se fosse uma criança birrenta. Harry quase riu, mas sabia que isso só deixaria Ron mais louco.
Harry pegou seu garfo de volta e continuou comendo enquanto ele olhava o papel e começou a ler o artigo.
Ele franziu a testa enquanto se deparava com um parágrafo que fazia referência a uma conversa que ele, Fleur, Krum e Hermione tinham, enquanto estavam sentados em uma mesa juntos.
Harry se recostou e apontou para ele enquanto falava com Hermione.
— Como você acha que ela conseguiu isso?
Hermione se inclinou e releu essa seção do artigo.
— Talvez Fleur tenha dito a ela? Ela estava lá.
Harry franziu o cenho.
— Realmente não parece estar certo... – ele voltou a ler e chegou à parte que descreveu Fleur confrontando-o sobre sua sexualidade no final da noite. Ela o pintou em uma imagem muito diferente, é claro, fazendo parecer que ele a enganou e brincou com seus sentimentos, de uma maneira que apenas Skeeter poderia escrever com tanta habilidade.
— Você tem certeza de que Fleur não estava realmente chateada? – Hermione perguntou novamente.
Harry balançou a cabeça.
— Eu realmente tinha certeza... Eu vou ter que vê-la. Falar com ela.
— Ela poderia apenas mentir para você – apontou Hermione.
No canto da boca de Harry apareceu em um sorriso secreto que ele rapidamente desfez.
— Eu acho que posso lê-la muito bem, na verdade. Eu saberei se ela estiver mentindo.
Hermione lhe deu um olhar cético e ergueu uma única sobrancelha interrogativamente. Harry, no entanto, escolheu não elaborar.

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 5





Era manhã de Natal. Harry acordou e ficou um pouco mais na cama – cerca de meia hora – e mergulhou em sua mente, queria passar a maior parte da manhã com seu companheiro.
Porém, ele estava destinado a ser interrompido por Ron. Harry se viu "acordado" pelo “amigo” entusiasmado, que gritava algo sobre os presentes e o café da manhã de natal.
Hermione ainda estava dando a Ron uma atitude fria em resposta à sua última exibição de idiotice insensível, e Ron só piorou sua situação ao persistir que Hermione deveria estar mentindo sobre ter um encontro.
Hermione, e o resto das garotas da Grifinória desapareceram por volta das 16h para que pudessem se preparar para o baile. Harry pensou que era ridículo levar quatro horas para tomar banho e se vestir – especialmente considerando que eles tinham a ajuda da magia, e isso realmente poderia acelerar as coisas – mas ele não era idiota e optou por manter sua incredulidade para si mesmo.
Ron não era tão inteligente e acabou ganhando um olhar afiado das grifinórias e de várias meninas.
As sete, Harry foi para o dormitório e colocou suas vestes de gala. O conjunto "tradicional" de roupas que a Sra. Weasley enviou a Ron era absolutamente horrível e levou um grande tempo e força de vontade para Harry não rir do ruivo, que olhava idiotamente seu reflexo no espelho.
Harry saiu cedo do dormitório. Primeiro porque ele estava ficando sem a força necessária para ignorar a situação de Ron e segundo porque ele precisava esperar por Fleur.
Harry foi ao hall de entrada e esperou pela garota, onde eles concordaram que seria um bom lugar. Ela não o manteve esperando por muito tempo e, por isso, ele estava agradecido.
Ele elogiou seu vestido e cabelo, e os dois tiveram pequenas conversas fáceis. Eles brincavam e sorriam, Fleur parecia achá-lo suficientemente divertido. McGonagall reuniu todos os campeões e os puxou para a sala lateral, fora do grande salão onde os primeiros anos esperavam antes de serem classificados no início do ano.
Quando Viktor Krum entrou no local com Hermione em seu braço, Harry sorriu amplamente para ela. Ela parecia suficientemente alegre. Ela corou e abaixou a cabeça quando o viu sorrindo. Cedric entrou com a apanhadora da Corvinal, Cho Chang, em seu braço.
Finalmente, McGonagall voltou e levou todos eles para o Grande Salão. Eles andaram em procissão no centro da multidão reunida e na pista de dança. Harry viu um olhar furioso de Ron enquanto Hermione passava por ele com Krum. Harry fez uma careta quando uma pequena sensação de medo se instalou no poço de seu estômago. Ele sabia o que era. Aquilo significava que Ron iria fazer algo monumentalmente estúpido antes do final da noite.
Ele suspirou e simplesmente esperou que não estivesse lá quando o ruivo fizesse a tal coisa estúpida que ele definitivamente faria.
Harry levou Fleur para a pista de dança, colocou a mão com facilidade em sua cintura e em sua mão, e comandou-a na valsa tradicional que se esperava deles para o início do baile.
Um minuto na dança passou e o resto dos alunos e professores se juntaram fazendo com que o baile de Yule começasse oficialmente.
— Você continua me surpreendendo, ‘arry – Fleur disse com um pequeno sorriso.
— Oh?
— Bem... Você é um dançarino surpreendentemente bom.
— Obrigado, mas é só porque sua bela presença ao meu lado me inspirou a fazer o meu melhor.
Ela riu.
— Eu duvido disso.
Harry olhou para ela com curiosidade e inclinou a cabeça para o lado com uma leve confusão.
Ela deu um pequeno sorriso de sabedoria antes de desviar a conversa para outro tópico. Eles ficaram na pista para mais duas danças antes que Harry finalmente decidiu tentar entrar em sua mente. Ele sabia que seria mais fácil encontrar informações em suas memórias sobre a segunda tarefa se ela estivesse pensando ativamente sobre isso, mas ele não queria falar sobre o torneio na sua conversa.
Harry não poderia realmente perguntar a ela e até mesmo mencionar a segunda tarefa certamente faria com que ela percebesse que ele estava tentando pescar informações. Então, em vez disso, ele a distraiu com brincadeiras sem propósito sobre as aulas eletivas e patéticamente limitadas da escola. Fleur retomou a conversa ansiosamente e se orgulhou da variação de assuntos oferecidos em Beauxbatons, assuntos nos quais Hogwarts não tinha.
Enquanto ela falava, Harry começou a escavar sua mente, procurando por algo em relação ao ovo ou à tarefa. Levava mais tempo do que ele esperava, e ele estava achando difícil ficar atento à conversa enquanto procurava em sua mente.
Ele estava prestes a desistir e esperar até mais tarde para tentar novamente quando ele finalmente se deparou com uma memória de uma Freur... Er, nua e tomando banho com o ovo. Ela puxou o ovo debaixo da água e abaixou a cabeça com ele.
A garota abriu o ovo e, em vez do grito horrível que o tal ovo sempre dava, ele ficou espantado com vozes de canto.
Harry queria bater na própria cara.
Mas ainda assim – como diabos ele pensaria em puxar a maldita coisa pra dentro da água para ouvi-la?
Ele ouviu um pouco da pista e a conectou com algumas imagens mentais que ela tinha do lago negro. Foi o suficiente. Ele sabia como chegar à pista por conta própria agora e ele poderia se concentrar nisso mais tarde. Agora, ele tinha que se concentrar na sua parceira.
O estilo de musica mudou e entrou uma banda popular mágica chamada The Weird Sisters*. A primeira dança rápida foi um pouco estranha para Harry, já que ele realmente nunca dançou assim antes, mas conseguiu pegar o ritmo rapidamente. No caso, tudo o que era necessário era ter alguma confiança e capacidade de relaxar, não se preocupar com o que os outros pensavam de você. Enquanto ele não se importasse com o julgamento de outras pessoas, ele não teria medo de se soltar e desfrutar da música e do ritmo.
Pela quarta canção que a banda tocou, ele estava completamente se perdendo para a dança. Fleur riu, girou e dançou e Harry ficou satisfeito por dizer que ela parecia realmente estar se divertindo.
Mais algumas músicas passaram antes que os dois se sentassem em uma das mesas, vertiginosos e cansados pelo exercício que a dança proporcionou. Hermione e Krum se juntaram a eles na mesa um momento depois. Hermione estava corada e sorrindo amplamente, claramente ela também estava se divertindo. Krum e Harry ficaram de pé e saíram para arranjar bebidas e biscoitos para seus pares. Uma vez que conseguiram tais coisas, eles voltaram para a mesa e Harry viu Ron sentado sozinho em outra mesa contra a parede, o ruivo franzia o rosto com raiva e olhava para todo o lugar em geral, mas especificamente Krum. A clara falta de Parvati ao lado dele dizia a Harry que Ron provavelmente já havia feito pelo menos uma coisa desagradável.
Harry revirou os olhos e caminhou diretamente de volta a Fleur, se dedicando a não olhar para seu “amigo” que aparentemente ficou irritado durante toda a noite.
Os quatro ficaram sentados e mantiveram uma conversa simples por um curto período de tempo. Krum parecia ter uma contração, mas Harry percebeu que o búlgaro estava apenas chispando um besouro que continuava voando ao redor da mesa deles.
Harry levantou a mão sutilmente e concentrou sua magia no desejo de afastar o inseto. Ele cobriu a boca com a outra mão e virou a cabeça para o lado, como se estivesse cobrindo uma tosse e sibilou § pra longe § enquanto mantinha seus olhos treinados no besouro.
O pequeno inseto preto foi imediatamente lançado muito longe e Harry sorriu. Era um estúpido pedaço de magia simples, mas ele não só o fez sem nenhuma varinha, mas também sem que ninguém mais percebesse.
Depois de conversarem no período de outra música, Harry sentiu que ele deveria perguntar a Fleur se ela estava interessada em voltar para a pista de dança. Ela sorriu amplamente e acenou com a cabeça, permitindo ansiosamente que Harry a conduzisse para longe da mesa.
Fleur era uma dançarina fantástica, admitiu Harry. Seus movimentos eram um pouco arriscados em algumas músicas, mas Harry apenas riu e continuou a dançar. Ela estava claramente se divertindo e os dois pareciam apreciar alguns olhos vigilantes que ficaram presos neles durante a noite.
A multidão estava começando a sair e Harry percebeu que havia apenas cerca de trinta minutos até o baile oficialmente terminar. Harry e Fleur estavam saindo da pista de dança em um breve ataque de risadas pois um conjunto de movimentos, particularmente complicados, fizeram com que a professora Vector inchasse o próprio nariz em estado de choque.
Suas palhaçadas também fizeram com que vários meninos que dançavam perto deles, confundissem seus próprios pés e caíssem, levando seus parceiros de dança com eles.
Eles finalmente decidiram que estavam causando muita confusão e deixaram a pista de dança em busca de mais bebidas.
Harry voltou para o lado de Fleur depois de pegar um par de sucos. Ela ainda estava sem respiração e recuperando suas risadas.
— Oh, ‘arry, você é muito divertido – ela disse, cobrindo a boca com a parte de trás de sua mão, enquanto finalmente acalmava suas risadas.
— Eu tento, eu tento – ele disse com uma risada fingida antes de tomar um gole de sua bebida.
Harry estava prestes a abrir a boca para dizer outra coisa quando sua atenção foi de repente atraída para uma voz familiar e irritada. Harry virou-se para o som a tempo de ver uma Hermione, obviamente angustiada, de pé diante de um Ron indignado. Suas mãos estavam fechadas em punhos e os olhos dela estavam acesos em uma enorme fúria.
Ela resmungou com raiva, mas Harry não conseguiu distinguir nenhuma das palavras. A próxima coisa que ele viu foi Hermione pegando um como de bebida e jogando-a no rosto de Ron antes de pisar com raiva na direção da saída.
Harry piscou e depois voltou lentamente para Fleur, impedindo a diversão na sua expressão. Ele sabia que algo aconteceria.
— Sobre o que foi isso? – Fleur disse com grandes olhos curiosos enquanto continuava a olhar por sobre o ombro de Harry para Ron, agora totalmente molhado.
Harry sacudiu a cabeça e suspirou.
— Ron é um idiota. Ele provavelmente disse algo apropriadamente idiota.
— Ele não é um dos seus amigos?
Harry resmungou, mas rapidamente mudou de expressão.
— Er... Eu suponho que seja ou nós costumávamos ser. Nós nos separamos um pouco. Eu acho que o maior problema é que eu cresci um pouco desde o ano passado e ele... Bom, ele não cresceu.
— Ah. Você precisa verificar sua amiga Hermione?
— Ela deve ter corrido para algum lugar onde pudesse chorar. Provavelmente eu nem mesmo conseguiria ajudar, mesmo que eu pudesse encontrá-la.
Harry levou Fleur de volta a pista apenas mais uma vez naquela noite, para a música final. Finalmente, a banda saiu e todos os alunos restantes começaram a se dispersar.
Harry andou com Fleur de volta para o local onde os estudantes de Beauxbatons estavam sendo alojados durante sua estadia.
— Eu tive uma noite verdadeiramente maravilhosa, ‘arry. Obrigado por me convidar – Fleur disse com um sorriso e brilho nos olhos quando eles pararam ao lado do dormitório de Fleur, local onde eles teriam que se separar.
Harry sorriu e encolheu os ombros.
— Eu me diverti muito. Obrigado você por aceitar meu convite.
Fleur sorriu e deu a Harry um olhar bastante penetrante por um longo e silencioso momento. Harry sentiu uma estranha sensação de formigamento flutuando por ele por um momento. Era uma espécie de magia estrangeira que ele não conhecia e ele estreitou os olhos e olhou para ela com especulações.
— O que você está fazendo? – Ele perguntou quando sua curiosidade ficou muito poderosa para ignorar.
Fleur inclinou a cabeça, mas o sorriso dela era óbvio.
— Apenas testando uma teoria. Diga-me 'arry. Você é gay, não é?'
Os olhos de Harry se arregalaram e ele piscou para ela com surpresa.
— Er... –  ele começou, mas fechou a boca. Ele a examinou por um momento antes de rir e encolher os ombros. – Sim. Como você soube disso?
Ele riu e revirou os olhos.
— Eu sou Veela, ‘arry.
— Você diz como se supostamente isso significasse algo para mim.
— Eu acertei você com uma onda muito forte da minha aura e você nem piscou. Isso significa que você não tem nenhum interesse em mulheres ou você ainda não atingiu a puberdade e eu posso ver claramente que isso você já atingiu.
Harry riu e deu de ombros novamente.
— Não te incomoda, não é? Que te perguntei sobre o baile...
— Claro que não. Eu já suspeitava, mesmo antes dessa noite.
Por isso Harry levantou as sobrancelhas interrogativamente.
— Do jeito que você conseguiu se aproximar com tanta facilidade. Mesmo na primeira tarefa, e novamente quando você me convidou para o baile de Yule. Você não mostrou nenhuma das reações usuais à minha aura.
— Ah, eu entendo – Harry disse balançando a cabeça. – E isso realmente não incomoda você?
Ela riu disso.
— Me incomodar? Claro que não. Você foi engraçado e espirituoso e capaz de conversar. Foi uma noite muito melhor do que eu esperava que fosse quando nos falaram pela primeira vez sobre o baile.
Harry abaixou a cabeça e sorriu amplamente.
— Bem, fico feliz que você tenha se divertido.
Fleur sorriu e deu-lhe um simples aceno de cabeça. Ela inclinou-se para a frente, e os olhos de Harry se arregalaram com uma leve surpresa enquanto pressionava os lábios em sua bochecha. Ela foi para trás e aquele brilho malicioso estava em seus olhos.
— Boa noite e boa sorte com a segunda tarefa.
Harry sorriu e empurrou um rubor suave que conseguiu florescer nas bochechas.
— Boa sorte pra você também – disse ele, uma vez que recuperou a compostura. – Boa noite.
Fleur se virou deixou o local apenas para desaparecer por uma entrada um momento depois.
Harry a observou partir e suspirou. Ele estava exausto, mas tinha sido divertido. Muito mais divertido do que ele já esperava.
Ele se afastou da parede em que começou a se apoiar e virou na direção oposta. Um pequeno inseto tocou sua cabeça e ele o retirou com a mão distraída antes de correr para a grande escadaria e voltar para a torre da Grifinória.
Ele girou o copo de conhaque em seus pequenos dedos trêmulos. Seu primeiro Natal em um corpo em mais de uma década.
Ele riu de seus próprios pensamentos. Era ridículo que ele tivesse tais pensamentos sentimentais. Além disso, seu corpo atual era apenas um homúnculo atrofiado, embora seu controle sobre sua magia melhorasse gradualmente.
Ele passou o dia apenas com Nagini como companhia, ela era uma companhia surpreendentemente boa, então não era exatamente uma coisa ruim. Certamente preferia passar o dia com ela do que gastá-lo na companhia de Rabicho. Agora sim, essa era uma perspectiva decididamente patética. Passar os feriados com Rabicho. Ele poderia praticamente sentir a bílis se levantar na garganta ao simples pensamento.
Suspirou e colocou o copo pequeno sobre a mesa ao lado da poltrona que residia ali atualmente. Ao lado dele, pegou o livro que ele estava lendo no momento. Era um texto antigo. Um que Barty conseguiu encontrar para ele. A teoria da antiga magia do sangue. O assunto o intrigou. Ele teorizou que a querida Lily Potter estava brincando com magias mais sombrias do que qualquer outra pessoa suspeitava que ela fosse capaz.
Ele finalmente estava começando a formar uma teoria sobre como o pirralho Potter conseguiu sobreviver naquela noite e por que seu corpo tinha sido tão completamente obliterado. Ele odiava não saber disso. Qualquer conhecimento que escapava dele o frustrava além das palavras e o enchia de um desejo mais intenso de desvendar todo o segredo.
Além da fúria, ele se sentia privado do tempo tão necessário para completar seu trabalho, estar preso naquela horrível meia-vida tinha sido muito irritante. Totalmente incapaz de fazer qualquer coisa, enfim, estudar a natureza da magia ou melhorar suas habilidades. Sua percepção da passagem de tempo tinha sido distorcida. Os anos passaram em um borrão tão veloz e nebuloso, que ele não sofreu de tédio por quase todo o tempo que realmente passou.
Mas ao mesmo tempo, demorou tanto tempo para ele recuperar um mínimo de poder e começar a recuperar a consciência do mundo ao seu redor que treze anos inteiros se passaram desde que ele foi o último no poder. Treze anos. Ele tinha tanto trabalho a fazer. Muito terreno para se recuperar.
Muito a fazer e aqui estava ele, incapaz de fazer qualquer coisa.
O sentimento chamado “frustração” não era nem a ponta do iceberg.
Ele se empurrou para cima, em uma posição sentada, e arrumou seu corpo subdimensionado até a borda da cadeira antes de saltar e ficar de pé. Ele se sentiu como um maldito elfo de casa nesse corpo condenado.
Pequeno e nojento. 
Ele ansiava pela bela masculinidade de sua forma anterior e se perguntou se ele poderia recuperá-la completamente. As chances eram elevadas de que ele mais uma vez seria fisicamente distorcido pelas poderosas magias que ele estava usando para se restaurar. Isso era infeliz, mas certamente não era inesperado. Era mais importante que ele recuperasse um corpo totalmente funcional e voltasse a suas tarefas do que qualquer sensação de vaidade que ele ainda pudesse possuir. Ele não podia esperar por uma melhor opção, então ele teria que fazer o que era possível.
Poderia pensar em várias maneiras de impulsionar seu feitiço de ressurreição que alcançaria resultados mais ideais, mas as chances de qualquer uma dessas circunstâncias acontecerem eram basicamente inexistentes. Eram feitiços e rituais tão insondáveis que nem sequer valiam de tempo para considerá-los.
Ele atravessou o estudo, passou por Nagini que estava enrolada e dormindo junto à lareira e foi para a estante de livros. Ele pegou um livro sobre as peças de Shakespeare e levou-o de volta ao assento. Resmungou amargamente para si mesmo que ele tinha que se preocupar em caminhar para pegar o livro em vez de poder simplesmente convocá-lo, mas ele precisava reservar sua força mágica para quando realmente fosse importante.
Voltou para o assento com uma quantidade irritante de desconforto e abriu o livro “Rei Lear”. Ele sempre sentiu que ele e Júlio César eram particularmente parecidos em suas situações. Riu ao pensar em como seus seguidores reagiriam a ele lendo literatura trouxa. Seria algo totalmente sem sentido.
Pensando nisso, quantos de seus seguidores permaneceram fiéis a ele durante a passagem dos anos? Ele teria que começar tudo de novo? O pensamento era inteiramente desconcertante.
E frustrante. Tantas frustrações.
Ele suspirou, tentando simplesmente deixar isso de lado... Por enquanto. Ele só precisa esperar e assim poderia começar seus afazeres. Ele relaxou de novo na cadeira e começou a ler.
REI LEAR
Com isso queres dizer que sou bobo, menino?
Idiota
Todos os outros títulos que deres;
Com o qual você nasceu
Harry piscou os olhos e se sentiu completamente desorientado. Ele se sentou, balançando a cabeça ligeiramente enquanto uma pequena sensação de tontura martelava em sua cabeça. Ele olhou em volta da cama e virou para sua pequena mesa, tentando encontrar seu livro. Ele deveria ter adormecido lendo...
Harry parou e franziu a testa. Ele não estava lendo. Ele veio para a cama depois do baile e praticamente desmaiou na cama de esgotamento. Mas ele estava lendo... Era Shakespeare. Harry nunca havia lido nenhum Shakespeare antes. Sempre achou as palavras muito confusas e difíceis de entender. Era muito difícil para ele entender, mas ele não tinha tido problema na noite passada. Ele realmente ficou completamente absorto no livro.
Mas ele não chegou a terminar. Ele...
Harry não estava lendo o livro; Voldemort estava. Ele teve outra... Visão ou o que quer que fosse aquilo. Ele esteve na mente do Senhor das Trevas novamente.
O olhar franzido de Harry se aprofundou ligeiramente e ele suspirou pesadamente. Ele estendeu a mão e passou os dedos pelos seus bagunçados cabelos. Sua palma roçou na cicatriz, seus olhos involuntariamente se fecharam e um estremecimento o atravessou. Seus lábios se separaram e uma respiração lenta escapou dentre eles. Hesitantemente, ele deixou seus dedos passarem levemente sua cicatriz. Apenas uma vez, então duas vezes. Ele arrastou o dedo indicador na forma de raio levemente e depois com mais pressão. Pequenas energias quentes e de poder atravessaram sua mão e ele se perdeu nas sensações e no ato instintivo por vários minutos antes de finalmente perceber o que estava fazendo.
Os olhos de Harry se abriram e ele afastou a mão olhando-a para ela com um leve horror.
O que havia de errado com ele?
Harry ficou quieto e distante de seus amigos pelo resto do dia. Hermione estava claramente com raiva de Ron e Ron voltava com sua raiva. Como cada um estava recebendo tratamento silencioso, Harry não teve problemas para evitar uma conversa.
Ele estava distraído e... Confuso.
Uma hora depois do almoço, ele se viu entrando na biblioteca da escola e olhando ao redor com uma expressão perdida e confusa.
— Você precisa de ajuda com algo, Sr. Potter? –  perguntou a bibliotecária quando ela chegou até ele.
— Eu... Sim... A escola tem uma cópia de qualquer peça de Shakespeare?
Ela parecia confusa por um instante, mas então a expressão foi substituída por surpresa.
— Desculpe Sr. Potter, mas temo que não o possuímos.
Harry franziu a testa, sentindo-se legitimamente desapontado e se perguntou se havia qualquer lugar que ele pudesse mandar uma coruja para poder comprar o tal livro trouxa ou se ele teria que esperar até o verão, quando ele fosse abandonado de volta ao mundo trouxa.
— Oh, bem... Obrigado de qualquer maneira – ele disse com um suspiro enquanto se afastava e saiu da biblioteca.
Seu companheiro ficou em silêncio durante a maior parte do dia, mas Harry ainda podia sentir sua presença no fundo de sua mente. A presença serviu para lembrá-lo de que ele não estava sozinho e, constatar aquilo, era tranquilizador.
Ele vagou pelos corredores do castelo por um tempo, apenas tentando limpar a cabeça. Finalmente, ele parou de pensar em coisas mais urgentes e voltou para a Torre da Grifinória para preparar suas coisas pra tomar a primeira dose da poção aceleradora naquela noite.
Harry colocou o seu manto de invisibilidade, o Mapa do Maroto em sua bolsa juntamente com a primeira dose da poção aceleradora, e uma de cada dose das outras duas poções, já que ele precisaria tomá-las na manhã seguinte, então achou levá-las e tê-las na mão, caso ficasse lá por muito tempo. Sua bolsa também tinha outra roupa que ele poderia mudar, caso fosse necessário.
Estava frustrado porque ainda faltava muito tempo para dar o horário certo para ir até a Câmara.
Ele abriu caminho para a sala comum, onde encontrou Rony sentado em uma das mesas com Dean e Seamus, jogando snap explosivo. Eles estavam sendo bastante ruidosos e Harry ridicularizou mentalmente a pequena reunião.
— Harry?
Harry girou e rapidamente mascarou sua expressão quando ele ficou cara a cara com Hermione.
— Você está bem?
— Oi? Oh, sim. Estou bem – disse Harry, lhe dando o que ele esperava que fosse um sorriso convincente.
— Você tem certeza? Você pareceu bastante distante hoje.
— Sim, 'Mione. Estou bem. Realmente.
Ela sorriu para ele e acenou com a cabeça. Ela começou a sair de perto quando uma idéia passou pela mente de Harry.
— Ei, Hermione?
— Sim, Harry?
— Eu sei que isso pode ser estranho, mas você tem muitos livros trouxas em suas coleções, certo?
— Claro.
Harry piscou e ficou atordoado pela pequena esperança que floresceu em seu peito. Por que era tão importante para ele obter esse livro? Ele afastou o pensamento e falou:
"Você tem algum Shakespeare?"
Os olhos de Hermione se iluminaram e ela sorriu.
— Ah, sim. Tenho seus trabalhos completos!
— Sério? Eu posso vê-los?! – Harry perguntou excitado.
Dizer que Hermione parecia chocada, era um eufemismo.
— C-claro! Mas por quê?
— Eu só... Queria ler um par de suas peças.
— Quais?
— Uh, o Rei Lear e Júlio César?
Hermione assentiu com a cabeça, pensativa, e fez um zumbido com a garganta.
— Esses dois são realmente bons. Duas de suas tragédias.
— Sim. Você... Er, você acha que eu poderia emprestar agora?
— Oh! Claro. Eu volto logo – Hermione disse com um sorriso e correu de volta pelas escadas para o dormitório das meninas. Ela ficou quase cinco minutos lá e Harry começou a ficar impaciente. Finalmente, ela veio escada abaixo, agarrando um livro grosso e sorrindo.
Chegou perto do amigo e entregou o livro para um Harry ansioso. Ele pegou e olhou praticamente com reverência. Não era uma expressão que Hermione estava acostumada a ver no rosto de Harry ao olhar para um livro. Olhando para uma vassoura, talvez – mas para um livro?
— Você realmente mudou muito este ano, Harry – disse Hermione pensativa.
Harry olhou para ela de repente e franziu a testa.
— O que você quer dizer com isso? – Ele perguntou em um tom bastante conservado.
— Bom... Eu não vejo você jogando xadrez ou snap explosivo com os outros. Você não foi voar com Ron ou ficou entusiasmado com seus debates sobre Quadribol e parece que está lendo muito mais.
Harry deu de ombros com desdém e se afastou dela quando começou a se dirigir para uma das cadeiras.
— Eu não vejo isso como coisa ruim – ele disse calmamente enquanto seguia.
— Não... – ela disse devagar. – Não é. Na verdade, eu diria que você amadureceu muito. Você... Eu acho que você parece mais confiante com as pessoas. Estou realmente impressionada com o quão mais sério você está com seus estudos.
— Minhas prioridades mudaram. Eu também aprendi a ver Hogwarts pelo que realmente é.
Hermione o olhou, esperando que ele elaborasse, mas ele não o fez, então ela cutucou.
— O que você quer dizer?
— Bem... Eu acho que costumava ver isso como... Bem, antes de tudo, como uma fuga dos Dursleys. Mas em segundo lugar, era apenas a escola. Você vem aqui e você recebe tarefas, você faz testes e faz sua lição de casa. Sabe... Apenas a escola.
— Mas você não a vê mais desse jeito? –Hermione perguntou com um pouco de confusão em seu tom.
— Não. Não se trata de notas, testes ou trabalhos de casa. É sobre aprender. Sobre ganhar conhecimento. Trata-se de uma oportunidade para se tornar melhor. Para se tornar mais forte. Ao não levar a sério, eu estava desperdiçando uma grande oportunidade.
Ele olhou para cima e viu Hermione olhando para ele com uma mistura de admiração e alegria.
— Harry! Estou tão orgulhosa de você!
Harry abaixou a cabeça e mal conseguiu evitar de ficar irritado. Em vez disso, sua expressão tornou-se vaga e franzida.
— Sim, bem... Eu só... Eu percebi que eu era um idiota. Eu segui atrás de Ron porque era mais fácil, mas também porque eu pensei que era mais importante manter meu amigo do que conseguir O's. Se eu começasse a fazer muito pelos meus estudos ele ficaria todo alienado, sabe?
Hermione franziu o cenho e colocou o nariz pra cima.
— Sim, bem, ele é um idiota – Ela cuspiu duramente.
Harry riu. Realmente riu.
Hermione se assustou e o olhou estranhamente. Harry finalmente conseguiu se acalmar um minuto depois.
— Desculpe, 'Mione. Erm... sim. Ron é um idiota. Mas isso faz parte do que me fez perceber que eu também estava sendo um idiota, porque eu estava usando ele como um modelo. Eu estava imitando seu comportamento por todos os motivos errados. Então eu parei.
— Bem, estou orgulhosa de você, Harry –  disse ela, lhe dando um sorriso orgulhoso.
— Er... ok, obrigado.
Harry finalmente conseguiu escapar da conversa e se acomodou na cadeira para ler o livro. Ele se perdeu na leitura e só “voltou” quando Hermione bateu em seu ombro, informando que era hora do jantar.
Manteve o livro com ele e o leu durante o jantar, ganhando um olhar desconcertado de Rony. Passou a noite fazendo o mesmo, estava lendo “Júlio César” quando Ron disse que iria para a cama em breve.
— Oh, ei, Ron? – Harry gritou quando o ruivo começou a subir as escadas. Ele fez uma pausa e olhou interrogativamente.
— Preciso trabalhar em minha poção amanhã e vou me levantar muito cedo para isso. Provavelmente vou sair antes mesmo de você acordar e eu estarei nas masmorras até um pouco depois do almoço.
— Ugh, sério? Caramba, amigo! Você está trabalhando demais! Toda essa leitura e poções. Você precisa relaxar mais. Você deveria se juntar conosco amanhã à tarde para jogar snap explosivo.
— Claro... Vou pensar sobre isso, Ron – disse Harry com um sorriso falso.
— Você já está vindo para a cama?
— Sim, eu vou – Harry disse com um suspiro resignado quando ele fechou o livro e ficou de pé.
Ele seguiu o rumo até a escada e começou a se preparar para dormir, como todos os outros fizeram antes dele. O resto de seus companheiros de dormitório já estavam na cama e adormecidos, a julgar pelo ronco. Ron subiu na cama e abaixou as cortinas. Harry fez o mesmo e se sentou na cama por cerca de vinte minutos até ter certeza de que Ron também havia adormecido.
Harry saiu de sua cama, puxando as cortinas fechadas e aplicando um feitiço não verbal nelas. Ele puxou seu manto de invisibilidade, pegou sua bolsa e o mapa e silenciosamente saiu do dormitório.
Dez minutos depois, Harry estava entrando na sala de estudo de Slytherin na Câmara Secreta. Ele colocou os suprimentos em cima de uma mesa curta ao lado da espreguiçadeira e tirou suas roupas, ficando com calças de pijama de algodão macio e uma camiseta.
Ele observou cautelosamente a poção prateada. Ele sabia que isso não seria agradável. Ele também sabia que não havia nada que ele pudesse fazer sobre isso. Havia decidido fazer isso e ele não iria voltar atrás agora.
Ele se acomodou na espreguiçadeira e segurou a garrafa de poção na frente dele. Ele engoliu o nódulo na garganta e abriu a garrafa. Colocou todo o conteúdo em sua boca o mais rápido que conseguiu e que o liquido gosmento permitiu e engoliu tudo antes que seus nervos pudessem expelir aquilo com força.
Experimentou... Parecia menta. Ele ficou surpreso com o fato de que o gosto não era nojento, mas qualquer pensamento sobre o sabor dele o deixou no instante em que começou a queimação.
Suas costas se arquearam e então seu corpo se encurralou em uma bola fetal apertada quando as ondas de dor começaram a atravessá-lo. Ele gritou em estado de choque, sua agonia era intensa e o atingiu com rapidez. Se perguntou, por um momento, se ele tivesse cometido algum erro horrível, mas sabia das advertências no livro que era suposto se sentir assim. Ele tinha sido avisado. Ele não podia dizer que fora ignorante sobre isso.
Harry apertou os dentes e escutou seus terríveis gemidos enquanto as mãos se erguiam e puxavam seus cabelos arranhando seu couro cabeludo.
Merlin, ele era um idiota! Como ele poderia suportar isso por doze horas? E depois fazer tal coisa uma vez por semana por dois malditos meses!
Harry sentiu as lágrimas começarem a fluir por suas bochechas e todo o seu corpo estava torcendo e se convulsionando, a mente tentava esmagar os espasmos de dor. Ele temia que a dor o deixasse louco antes que a manhã surgisse, se continuasse assim.
Harry...
Harry continuou a se contorcer e a gemer.
Harry... Venha até mim. Escape... Na sua mente... Escape da dor... Aqui... Comigo.
Harry conseguiu processar as palavras através da névoa do fogo ardente. Ele tentou acalmar sua respiração, mas rapidamente desistiu como um mau trabalho. Em vez disso, ele deixou seus instintos praticamente guiá-lo e mergulhou profundamente em sua mente.
Ele ofegou em alívio enquanto toda a dor de repente o deixava e ele ficou parado no centro de sua mente cinza. A silhueta negra de seu companheiro estava parada ali com uma tensão nervosa nos ombros.
Você está bem, Harry?
Harry suspirou e acenou com a cabeça enquanto ele avançava para a frente rapidamente. Quando ele se aproximou, seu companheiro abriu os braços, num gesto de boas-vindas, e os envolveu em torno de Harry, calorosamente.
O sentimento de plenitude o encheu quando ele envolveu seus braços em volta da cintura do seu companheiro e ele suspirou aliviado.
Harry "acordou" na manhã seguinte sentindo-se dolorido e completamente exausto. Ele ficou "consciente" durante as doze horas inteiras. Ficar adormecido significava arriscar a devolver sua mente consciente ao seu corpo e instantaneamente seria despertado pela dor abrasadora. Então, ele permaneceu, seguramente trancado dentro de sua própria mente. Seguro contra a dor.
Ele se encontrou na espreguiçadeira com membros fracos e bambos. Sua garganta estava seca, ele suspeitava que estava assim por gritar durante toda a noite. Ele atravessou rapidamente o escritório até um grande espelho que descansava em um lado da sala. Harry sibilou um feitiço de limpeza e acenou com a mão, soprando cinquenta anos de poeira e teias de aranha, depois olhou para si mesmo.
No começo, ele não viu muito. Alcançou a barra de sua camiseta e puxou-a sobre sua cabeça em um movimento lento e calmo.
Sua pele estava cheia de hematomas amarelos e verdes desbotados, parecendo ferimentos antigos mesmo que não fossem. O livro havia dito que eles ficariam assim até o final do dia e ele estava bastante confiante de que ninguém teria a chance de vê-los.
Olhando para isso, Harry observou uma notável diferença em sua massa corporal e ele sorriu. Ele não podia mais ver suas costelas, embora ele ainda parecesse bastante minguado. Ele se torceu, tentando examinar suas costas. As vértebras de suas costas costumavam ser chocantemente óbvias, mas já não eram. Os antebraços também não pareciam mais finos.
Apesar das contusões, em geral, sua pele parecia melhor. Mais saudável e tinha uma cor melhor. Não tão pálida ou aparentemente doente. Seu rosto parecia um pouco mais preenchido – suas bochechas e ossos perto dos olhos não estavam mais tão afundados; Mas ele esperava que a mudança fosse sutil o suficiente para ninguém questionar.
Em geral, as mudanças foram pequenas, mas já era um progresso. E ele sabia que era melhor se as mudanças fossem lentas ou então mais pessoas as notariam e questionariam.
Harry voltou para a espreguiçadeira e pegou sua varinha que estava na mesa ao lado. Ele lançou alguns encantos de limpeza sobre si mesmo, mas sabia que ainda precisaria de um banho real e em breve. Ele suou como louco durante todo o procedimento e se sentiu decididamente “grudento”. Ele também lançou um charme de limpeza na espreguiçadeira e de repente ficou grato por não ter perdido as entranhas durante tudo. Ele estava quase surpreso que não tivesse.
Ele fez uma careta. Isso definitivamente não era algo que ele queria lidar.
Ew.
Ele pegou as vestes limpas que ele trouxe na bolsa e tomou a dose das poções de nutrição e reestruturação muscular antes de arrumar as coisas e sair da Câmara.
No dia seguinte, Harry perguntou a Hermione se ela tinha alguma idéia de onde ele poderia tomar banho de banheira. Ela olhou para ele com graça e perguntou por que queria uma banheira e por que um banho normal não era suficiente.
Harry explicou que o ovo precisava ser aberto sob a água para recuperar a próxima parte da pista e ela pareceu aceitar essa explicação sem pressionar por mais. Ela informou que ela sabia que os banheiros dos monitores tinham banheiras, e ele sempre podia pedir permissão para usar um deles.
Ele atendeu seu conselho e procurou McGonagall logo após o jantar. Ela sabia claramente sobre o ovo, porque ela não estava nem um pouco surpresa por ele estar pedindo acesso ao banho e lhe deu a senha para o banheiro do monitor da Grifinória.
Ele recolheu o ovo do malão, pegou alguns artigos de higiene pessoal e uma muda de roupa. Indo até o local.
Dez minutos depois, Harry estava parado, ao lado de uma enorme banheira cheia de bolhas, com o ovo de ouro na mão. Ele deslizou para o calor glorioso e se derreteu na água perfumada cercada por bolhas mágicas. Ele se permitiu mergulhar por alguns longos momentos antes de finalmente suspirar e se sentar. Harry pegou os óculos, respirou fundo e mergulhou debaixo da água.
Destravou o ovo e deixou-o abrir. O som das vozes cantando reverberou através da água instantaneamente.
* Procure onde nossas vozes parecem estar,
Não podemos cantar na superfície,
E, enquanto nos procura, pense bem:
Levamos o que lhe fará grande falta,
Uma hora inteira você deverá buscar,
Para recuperar o que lhe tiramos,
Mas passada a hora – adeus esperança de achar.
Tarde demais, foi-se, ele jamais voltará.*
Harry se levantou da água, respirando profundamente e franzindo a testa um pouco enquanto refletia as palavras em sua cabeça. Ele respirou fundo e a escutou novamente.
Algumas vezes mais e ele ficou positivo de que tinha tudo memorizado. Ele colocou o ovo, agora fechado, no chão ao lado da banheira e relaxou de volta na água.
 Procure onde nossas vozes parecem estar, não podemos cantar na superfície..
Então, debaixo d'água. As sereias não podem cantar acima da água. De fato, agora que ele pensou nisso, ele havia lido em um livro de criaturas mágicas que a linguagem da sereia parecia algo desagradável para as pessoas, acima da água. Ele balançou a cabeça e suspirou, irritado por não ter lhe ocorrido nada disso antes. Havia sereias no lago negro, certo?
Uma hora inteira você deverá buscar.
Essa era provavelmente a maior complicação. Então ele tinha que ficar debaixo d’água por uma hora inteira, e ele tinha que encontrar algo enquanto fazia isso. Portanto, não só respirar debaixo d'água, mas também poder nadar e navegar. Harry teria que ser capaz de ver melhor para que pudesse realmente encontrar o que quer que fosse, já que ele não seria colocado no lago negro por nada. O lago era profundo e escuro.
Assim; Respiração subaquática. Alguma espécie de ajuda para natação e algo para ajudar a sua visão...
E eles iriam pegar algo dele.
Levamos o que lhe fará grande falta.
O que eles poderiam levar? Sua capa de invisibilidade? Isso certamente seria difícil de encontrar. Especialmente sob a água. Ele com certeza esperava que esse não fosse o caso. Não havia muito que pudessem tirar dele que ele "sentiria falta". O manto, o mapa e sua varinha. Tudo o resto poderia ser facilmente substituído.
Então, além das outras coisas que ele precisava procurar, provavelmente também seria útil pesquisar alguns tipos diferentes de feitiços de rastreamento que ele poderia usar sob a água.
Com isso decidido, Harry aproveitou seu tempo restante no banho e relaxou até que todas as bolhas tivessem desaparecido.

Harry Potter e a Descida na Escuridão Capítulo 4









— Caramba, Harry! Como você fez isso?! - Exclamou Ron quando os três deixaram a sala de aula de DCAT e começaram a abrir caminho para a grande escadaria. Era terça-feira e eles finalmente terminaram todas as aulas do dia e sobrava espaço ainda para o horário da janta.
— Fiz o que? – Harry respondeu ligeiramente confuso quanto ao "que" Ron estava se referindo agora. Ele tinha tido a impressão de que Ron foi inconsciente da maioria das coisas que ele fez na ultima meia hora.
— Isso... Que... Essa coisa que você fez! O que foi isso?
— Ron, sinceramente, eu não tenho ideia do que você está falando – Harry mal conseguiu esconder o ar de exasperação irritada em sua voz.
— Harry, acho que Ron está se referindo ao feitiço não verbal que você usou e que fez o manequim de treinamento se desintegrar – disse Hermione, enquanto lhe dava um olhar bastante cauteloso através de seus olhos estreitos .
— Oh aquilo? – Harry respondeu. Não tinha sido o feitiço de nível mais alto que ele usara em sua classe de Defesa naquele dia, embora ele tenha certeza de que ninguém tenha notado os mais interessantes.
Cada um tinha sido colocado na frente de um manequim encantado que foi feito para enviar feitiços aleatórios para eles. Moody lhes disse para desativar o manequim da maneira mais rápida e eficientemente quanto fosse possível e fazê-lo sem se deixar enfeitiçar. Harry cuidou disso de maneira bastante eficiente. Seu feitiço o atingiu no seu primeiro disparo, e o desabilitou completamente. Definitivamente eficaz.
Foi mais tarde que ele começou a ser criativo e fez um pouco mais de... Magias sutis ao redor da sala de aula.
Harry ficou entediado, já que ele completou sua tarefa primeiro. Ele estava encostado na parede, bem trás, na sala de aula, observando como o resto de seus colegas de classe eram repetidamente atingidos por feitiços menores, apenas animavam objetos e foram incapazes de realizar seus ataques além dos encantos fracos e pequenos escudos contra seus manequins. Foi patético, na verdade. Então ele começou a mexer com as pessoas - apenas enviando maldições e feitiços menores aqui e ali, só para se divertir. Eles tinham sido complexos e sutis, e o fato de ele ter feito tudo sem que ninguém mais percebesse envio-lhe uma grande excitação na espinha dorsal.
Mas Ron não estava entusiasmado com os resultados sutis de Harry. Ron não teria notado nenhum deles, mesmo que Harry tivesse feito isso enquanto segurava sua varinha diretamente sob o nariz do ruivo. Não. Ron nunca apreciou a sutileza. Ele estava entusiasmado com o estúpido feitiço que ele usara no início da aula. Harry mal conseguiu abster-se de revirar os olhos.
— Sim, isso – disse Hermione, com um tom bastante acusatório. – O que foi isso, Harry? Onde você aprendeu algo assim?
— Erm ... Li em um livro, em algum lugar. Não lembro onde exatamente – Harry disse com um encolher de ombros desdenhoso. A verdade era que seu companheiro tinha sussurrado em sua orelha uma semana antes quando ele estava tentando encontrar diferentes maldições e feitiços para praticar na preparação para o torneio. Ele ainda não sabia qual seria a próxima tarefa, mas ele não viu nenhum mal com a prática de maldições. Parecia um uso bastante decente do seu tempo livre.
— Eu não ouvi você dizer nada quando o jogou – disse Ron, sua voz ficou cheia de admiração. – Você realmente o lançou sem dizer nada!
Hermione sorriu com exasperação.
— Merlin, Ron! Harry tem feito quase todo seu trabalho de classe sem verbalizar por mais de um mês! Como você não pode ter notado!?
— Sério?! – Exclamou o garoto, virando-se para Harry.
— Uh ... sim, Ron. Eu tenho – Idiota, distraido, imbecil. Harry pensou quando revirou os olhos. Seu companheiro explodiu em gargalhadas, tornando muito difícil para Harry manter um rosto inexpressivo até que ele parou de rir.
— Como você aprendeu a fazer isso! – Exclamou Ron.
— Aprendi enquanto eu estava estudando sozinho - você sabe - para o dragão – Harry disse em um tom bastante irritado.
As orelhas de Ron ficaram coradas e ele olhou para os pés.
— Então, que magia foi? – Hermione perguntou, virando-se para Harry e dando-lhe um visual bastante expectante – Quero dizer, a que você usou hoje em Defesa.
Harry apertou o queixo com irritação, tentando amenizar o desejo de cercá-la e lhe dizer para se importar com o suas próprias coisas. Em vez disso, ele respirou devagar e puxou para seu rosto uma máscara desinteressada.
— Se chama distraxi — ele respondeu quando teve certeza de que poderia manter a raiva fora da sua voz.
Hermione franziu a testa.
— Eu nunca ouvi sobre isso.                                                        
Harry não conseguiu evitar de revirar os olhos desta vez.
— Obviamente – ele observou sarcasticamente.
Eles chegaram ao primeiro andar e começaram a abrir caminho para o hall de entrada.
— Que feitiço é exatamente? – Hermione prosseguiu. – Quero dizer, o que isso faz?
A mão de Harry estava tão forte na bainha da manga do manto que os dedos estavam ficando brancos, mas conseguiu manter um exterior vagamente calmo.
— É um feitiço que dissolve, Hermione. Literalmente significa arrancar em pedaços. – A verdade era que não era um feitiço. Era uma maldição. Mas ele sabia que Hermione só iria lhe irritar se admitisse isso a ela.
— Sim, mas quais são os limites? Certamente, você não poderia usar esse feitiço contra... Contra uma pessoa, você deveria? Nós deveríamos estar praticando uma maneira de parar alguém nos atacando com feitiços leves, Harry. Certamente você não usaria esse feitiço contra uma pessoa, não é?
Harry parou e se virou para olhar nos olhos dela. Seu rosto estava na maior parte em branco, mas a irritação ainda estava totalmente clara. Suas pálpebras estavam ligeiramente abaixadas e suas sobrancelhas estavam planas.
— A tarefa era parar o manequim com ataques e não ser atingido. O desafio era passar do encanto do escudo do manequim e desativá-lo. Eu fiz isso.
— Bem, sim, mas você não deveria encontrar uma maneira de fazer isso de um jeito que pudesse ser usado em um cenário real? Você poderia usar esse feitiço para parar um manequim, mas você não poderia fazer isso se fosse uma pessoa real... Certo? O que esse feitiço faria contra uma pessoa real?
— O que exatamente você está sugerindo? – Ele perguntou, sem rodeios.
— Bom, parece um pouco... Destrutivo, é tudo. Você tem certeza de que é apenas um feitiço? Parecia uma maldição, Harry. Especialmente porque conseguiu superar o escudo do simulador de treinamento tão facilmente...
— E o diffindo não é destrutivo? Bombarda não é destrutivo? E sobre o Confringo? – Ele perguntou num tom zombeteiro.
— Onde você quer chegar? – Hermione perguntou, assumindo uma postura bastante defensiva.
— Meu ponto é que todos esses feitiços são neutros e são ensinados como parte do currículo padrão de defesa de Hogwarts, e todos eles são destrutivos também. O maldito bombarda é ensinado nas aulas! Não vejo como o feitiço que eu fiz pode ter sido pior.
— Bombarda não é ensinada até o sexto ano, Harry!
— Você usou isso no ano passado! – Ele apontou.
— Bem, sim, eu leio os livros de classes superiores e você não respondeu a minha pergunta. O que esse feitiço faria se fosse usado em uma pessoa viva?
Os olhos de Harry se estreitaram e ele olhou furiosamente para a morena de cabelos grossos.
— Isso faria exatamente o que fez com o manequim – ele murmurou com um sussurro áspero.
Os olhos de Hermione se arregalaram lentamente e Harry se virou e continuou a caminhar pelo corredor. Hermione ficou atordoada no lugar e Ron ficou parado com a cabeça girando para frente e para trás, de Hermione para Harry, antes de correr depressa pelo corredor para alcançar o amigo.
— Você está brincando, certo, amigo? – Ron falou enquanto alcançava os passos bruscos de Harry. – Quero dizer... Rasgou aquele manequim em pedaços e o dissolveu em poeira! Em tipo... cinco segundos! Não aconteceria realmente isso com uma pessoa, certo?
Harry resmungou de frustração quando ele parou e se virou para olhar para seus "amigos".
— Você sabe por que a maldição da morte é chamada de maldição?
Ron balançou, mas sacudiu a cabeça, não.
— Porque isso é tudo o que pode fazer. Isso te mata É rápido, indolor e, pra ser honesto,  provavelmente a forma mais humana que você pode matar uma pessoa. Você sabe quantas outras magias podem matar uma pessoa? Centenas, provavelmente, milhares se você for criativo o suficiente.
"Você pode matar uma pessoa se você cortar a garganta com um diffindo bem lançado. Você pode matar alguém com uma bombarda, caso você a exploda em uma janela, ou perto de uma borda, ou exploda um grande pedaço de algo duro perto da cabeça. Se você  colocar força suficiente no feitiço, você provavelmente pode deslocar uma pessoa com a confringo! Que merda, gente, você pode matar uma pessoa com um lápis se você realmente quiser! Apenas porque eu usei um feitiço que poderia ser usado para matar alguém não significa que é só isso que vou usar. *Você precisa se livrar de todas as facas só porque alguém poderia esfaquear seu olho com uma?*
— Não... Claro, mas esse feitiço parecia um feitiço muito escuro, Harry – sussurrou Hermione enquanto ela estava ao lado de Ron. – Simplesmente... Senti que era das trevas.
— Bem, não é. É um feitiço neutro como os outros e seu uso não têm a ver com mutilar ou matar uma pessoa – gritou Harry. Claro, não é apenas um feitiço neutro... ele silenciosamente admitiu a si mesmo. – Além disso, você pensa honestamente que eu seria estúpido o suficiente para usar um feitiço escuro na escola? Na aula!
— Você está dizendo que você conhece alguns?! – Hermione ofegou.
Harry rosnou de raiva.
— Não, claro que não! – Bem... Talvez alguns... Mas não é como se fosse lhe dizer isso. Ele modificou a frase mentalmente e seu companheiro riu.
— Bem, eu realmente espero que não! É a classe de Defesa Contra a Artes das Trevas e não a classe das Artes das Trevas!
— Merlin! Eu aprendo alguns feitiços fora do currículo padrão e, de repente, você está pensando que "Harry Potter está ficando escuro" como a maioria!
— Eu simplesmente não vejo por que você precisaria aprender um feitiço que rasga as coisas assim! – Hermione argumentou, defensivamente.
— Duh... O Torneio Tri-Bruxo, tocou os sinos ai, Hermione? Você sabe, eu realmente preferiria não acabar morto este ano. Eu vou aprender o que for preciso para sobreviver a essa coisa.
Hermione abriu a boca, mas fechou-a e olhou para baixo.
— Sinto muito, Harry. Você está certo.
— Obrigado! – Harry disse com irritação enquanto jogava as mãos no ar.
Hermione suspirou pesadamente e voltou para o corredor. Os três voltaram a caminhar até o Grande Salão.
— Você está se saindo muito bem nas aulas ultimamente – Hermione sussurrou com uma voz muito mais tranquila depois de um momento de silêncio incômodo.
Harry entrecerrou os olhos e olhou para ela com desconfiança por um momento antes de encobrir isso, assumindo uma expressão tímida forçada.
— Er, obrigado.
— Você... Você acha que você poderia me ensinar alguma magia não-verbal que você estava fazendo? Talvez me apontar para qualquer livro que você tenha aprendido?
Harry piscou para ela com surpresa.
— Uh... Eu... Eu realmente não conheço Hermione. Quero dizer, não lembro exatamente de algum livro ou de qualquer coisa.
Hermione parou e olhou para ele com uma sobrancelha franzida e confusa.
Como você aprendeu então?
— Eu apenas fiz... Comecei a fazer isso. Eu tive uma epifania antes deste período, num sábado de manhã, quando eu estava pensando muito. Na verdade não posso explicar isso, mas eu descobri como tocar na minha magia de uma maneira que eu nunca havia feito antes. Eu apenas... Entendo agora. Ainda não tenho idéia de como instruir alguém sobre isso.
Ela franziu a testa e suspirou.
— Oh... Tudo bem.
O trio entrou no grande salão e abriu caminho para a mesa da Grifinória. Harry conseguiu evitar conversar na maior parte da refeição. Ron e Seamus, que estavam sentados em frente a Harry e Hermione na mesa, entraram em uma discussão acalorada sobre um próximo jogo de Quadribol entre os Morcegos de Ballycastle* e os Canhões de Chudley*. Hermione acabou comendo enquanto lia, e Harry estava agradecido pela oportunidade de ficar sozinho por um tempo. Ele sabia que teria que aproveita-lo enquanto pudesse, já que seus amigos esperavam que ele ficasse com eles na sala comum para fazer sua lição de casa.
Harry acabava de comer quando ouviu um barulho estridente de Ron. Ele olhou para cima e viu o maxilar do amigo pendurado, a boca estava praticamente descansando sobre a mesa. Um olhar para a esquerda revelou uma expressão idêntica que adornava o rosto de Seamus.
Harry estava prestes a perguntar o que eles estavam olhando quando ele sentiu alguém batendo em seu ombro. Ele virou em seu assento e viu ninguém menos que Fleur Delacour, logo atrás dele.
Seus olhos se arregalaram e seus lábios se separaram de surpresa apenas por breves momentos antes de se virar totalmente com um sorriso confiante e assentir com a cabeça.
— Mademoiselle Delacour, que prazer te ver nesta bela noite – disse Harry com uma seriedade simulada, dando um aceno engraçado com sua cabeça. Ela riu e revirou os olhos para ele. Harry ouviu um ruído estranho emanar de algum lugar na garganta de Rony, mas ignorou.
— Por favor, 'arry. Me chame de Fleur – ela disse sorrindo.
— Minha senhora, você me honra – disse Harry, ainda sorrindo de forma gentil. – Então, a que devo o prazer...? Você já tomou sua decisão?
— Eu tomei – disse ela, sorrindo ainda mais.
— Você vai me manter ansioso aqui? Estou absolutamente desesperado com a expectativa.
Ela riu.
— Você realmente é muito divertido. Espero que continue me divertindo com no Baile de Yule.
As sobrancelhas de Harry levantaram demonstrando um breve questionamento.
— Isso significa que você aceitou meu convite?
Ela revirou os olhos e riu suavemente.
— Sim, 'arry. Eu aceito.
Harry sorriu para ela.
— Perfeito.
— Eu vou te avisar depois sobre o local que você pode me pegar para irmos ao Baile, mais só quando o evento se aproximar.
— Estou ansioso para isso.
— Eu também – ela disse com um sorriso amigável enquanto se afastava – Até mais, ‘arry.
—  Tchau, Fleur.
Harry voltou-se para a mesa, rindo levemente e sentindo uma sensação de sucesso. Ele olhou para cima e olhou para a longa mesa da Grifinória... E para as outras mesas também - estavam todos olhando para ele.
O rosto de Ron era quase tão vermelho quanto seu cabelo e ele estava fazendo barulhos com sua garganta.
— Você está bem, Ron? – Harry perguntou com uma preocupação falsa.
— Isso foi o que eu acho que foi? – Seamus perguntou em um suspiro sufocado.
— O que você pensa que foi? – Harry perguntou, sorrindo.
— Foi... Espere, você pediu a Fleur Delacour para ir ao baile com você! – Seamus exclamou.
— Sim – Harry disse, encolhendo os ombros desdenhosamente.
— Quando?
— Hum... Na semana passada. Na manhã depois que McGonagall anunciou o baile.
— Sério?!
— Sim.
— E ela acabou de aceitar! – Seamus continuou, sua voz foi aumentando em cada palavra.
Harry riu e balançou a cabeça de forma afirmativa.
— Sim, Seamus. Eu perguntei pra ela e ela disse que sim – Harry falou devagar, como se ele estivesse falando com uma criança pequena.
A mandíbula de Ron agora estava flutuando para cima e para baixo e seus olhos estavam estranhamente dilatados. Harry alcançou a mesa e acenou com a mão na frente do rosto de Rony.
— Você está bem, amigo?
— F-ff-fleu... –  ele começou a gaguejar.
Harry revirou os olhos e voltou para Seamus.
— Então, você já perguntou a alguém?
— Oh, sim. Pedi a Lavender. Ela disse que sim.
— Parabéns.
Seamus tossiu uma risada.
— Nah, Harry. Se alguém estivesse felicitando qualquer um, eu deveria estar parabenizando você. Eu não consigo acreditar que você teve a chance de perguntar a Fleur! E mais... Eu não posso acreditar que ela disse "sim"!
Harry riu.
— É realmente tão difícil acreditar que eu poderia ter um par?
— Não é isso, Harry. É só que ela é Fleur Delacour! E você é apenas um aluno normal!
— Ff-fl-fl... – Ron continuou a gaguejar, idiota.
Harry riu.
— Sim, eu sei. Penso que o fato de que eu seja capaz de falar com ela sem gaguejar e babar como um idiota balbuciante realmente melhorou minhas chances, no caso.
O maxilar de Ron fechou-se e o rosto ficou vermelho novamente.
— Porém, eu não sei como você consegue – disse Seamus com admiração em sua voz. – Quero dizer... Você estava apenas falando com ela de um jeito tão fácil ali! Como você não pode ficar meio idiota em torno dela?
Harry encolheu os ombros e se abaixou para pegar sua bolsa.
— Eu não sei, eu simplesmente não sei. – Ele se virou para Hermione, que lhe estava dando um pequeno sorriso e ele revirou os olhos para ela. – Eu vou voltar para a sala comum. Vejo você mais tarde, ok?
— Tudo bem. Até mais tarde, Harry – respondeu Hermione.
Na manhã seguinte, no café da manhã, uma coruja com pintas cinzas atravessou o grande salão, juntamente com as inúmeras outras corujas e se acomodou na mesa em frente a Harry. A emoção de Harry cresceu e ele rapidamente alcançou o pergaminho que estava envolto na perna do animal. Ele a deu um pedaço de bacon e rapidamente desenrolou a carta.
— De quem é isso, amigo? – Rony perguntou com a boca cheia de ovos triturados. Harry mal conseguiu parar o desprezo que queria se espalhar por seu rosto quando alguns pedaços da comida caíram da boca do Ron sobre a mesa.
Desprezível...
Ele balançou a cabeça e olhou de volta para a carta. Era do boticário, o Sr. Mulpepper,  do Beco Diagonal.
Harry rapidamente leu a carta e em seus lábios foi formado um sorriso diabólico.
— O que é Harry? – Hermione perguntou enquanto se inclinava um pouco sobre o ombro dele.
Harry franziu o cenho e fechou rapidamente o pergaminho antes dela poder lê-lo. Ele mascarou seu aborrecimento e assumiu uma expressão simples e inocente.
— Eu ordenei algumas coisas do boticário em Hogsmeade, mas eles não tinham alguns dos ingredientes que eu precisava, então eles recomendaram que eu escrevesse para um boticário no Beco Diagonal. Estes são materiais que eu precisava.
— Que tipo de ingredientes? – Hermione perguntou, franzindo o cenho ligeiramente confusa.
— Eu precisava de algum sangue de Re’em.
Hermione pálida.
— Meu Deus, pra que?!
Harry revirou os olhos.
— Para uma poção.
Hermione franziu o cenho com leve irritação.
— Isso é obvio, Harry. Que poção você está tentando preparar?
— Uma poção pra reforçar a musculatura pra a próxima tarefa – Harry mentiu facilmente.
— E é permitido poções na próxima tarefa? – Ela perguntou surpresa.
— Claro. É por isso que foi dado a pista com tanta antecipação. Quanto mais cedo você descobrir, mais tempo você ter para se preparar.
— Oh. Isso faz sentido. Então você descobriu...
— Mmmmm – Harry cantarolou de uma forma bastante incomum enquanto tomava um pouco de comida. – Assim que todos os meus ingredientes aparecerem, eu vou ter que gastar algum tempo na preparação lá nas masmorras.
— Nós podemos ajudá-lo, amigo – disse Ron. Harry quase resmungou. Como se eu quisesse sua ajuda com poções.
— Não –  Harry disse com facilidade. – É para a tarefa. Eu devo fazer isso sozinho.
— Oh, ok.
Harry sorriu. Muito fácil.
Agora, ele tinha uma ótima desculpa pra se afastar deles para fabricar sua poção sem ter que dar desculpas extras. E ele sempre poderia falar que as poções nas quais ele estava fazendo lavavam vários dias para se preparar e, com isso, se afastaria deles ainda mais.
Na manhã seguinte, uma pequena caixa do Boticário de Hogsmeade chegou carregada por duas corujas marrons. Dois dias depois, a caixa contendo os ovos de Runespore e o sangue de Re’em chegou do Beco Diagonal. Era o último dia do semestre e Harry tinha um exame de poções naquele dia. Fabricação de antídotos.
Harry sabia que ele teria um tempo mais fácil com sua poção se ele realmente tivesse permissão para usar o laboratório de poções durante o intervalo, ao invés de tentar se esgueirar ou tentar preparar as poções em algum lugar mal equipado para fazê-las, então ele decidiu perguntar a Snape depois da aula.
O exame foi surpreendentemente fácil. Harry estava bastante certo de que ele tinha escrito a maioria das respostas corretamente e, como sua poção prática foi elaborada sozinha em vez de com um parceiro, ele conseguiu concluí-la sem nada explodir. Ele completou com um quarto de tempo atrás de Malfoy, Daphne Greengrass e Hermione, mas sua poção parecia melhor do que o de Greengrass, ele nunca esperava fazer melhor em poções do que Hermione ou Malfoy.
Infelizmente, já que era uma aula de prova, significava que, uma vez que Harry terminou o teste, não havia nada para ele fazer até que os outros tivessem terminado ou o tempo tivesse estourado. Quase todos saíram quando o tempo acabou e Ron olhou para Harry com uma leve confusão quando viu o amigo ficar para trás depois de entregar sua poção e o pergaminho que continha o teste.
Não demorou muito para que Harry ficasse incrivelmente entediado, então ele pegou a bolsa e tirou o livro de poções da seção restrita.
As duas poções "não restritas" que Harry planejava preparar eram uma poção restauradora nutricional avançada e uma poção de reestruturação de osso e músculo.
Ambas as poções, no entanto, normalmente exigem que Harry as tome todos os dias por anos até atingir o nível de correção que ele queria ganhar. Eles gradualmente conseguiriam corrigiam o dano causado por uma década de desnutrição.
A terceira poção - a que ele obteve do livro de seção restrita - era uma poção aceleradora e tinha sido inventada por um mago que achava que as outras duas poções, e outras poções restauradoras como elas, demoravam muito. Isso aceleraria e ampliaria os efeitos das outras duas poções, além de ter uma série de benefícios menores.
Ele ainda precisaria preparar as duas primeiras poções e tomar uma dose todos os dias, mas apenas por dois meses em vez de vários anos. A poção aceleradora seria tomada na oitava vez, ou seja, uma vez por semana. Ele precisaria tomar essa dose idealmente em um momento em que ele poderia permanecer na cama por doze horas sem ser perturbado, porque seria doloroso e o deixaria completamente acamado.
Assim, seu plano era fazê-lo nas noites de sexta-feira ou sábado e encontrar alguma desculpa sobre treinamento ou algo assim, para manter seus amigos afastados. Claro que ele ainda precisava descobrir onde ele iria ficar enquanto sofria essas sessões. Ele ainda estava trabalhando nessa parte.
Harry começou a passar por alguns dos capítulos posteriores do livro de poções. Poções e Rituais de Melhoria Permanente de Scaliea Vanity. Era um livro fascinante. Tudo colocado no livro era... Bom, permanente. Os rituais de aprimoramento da memória, as poções de fortalecimento físico, promovem o aumento drástico da clareza mental e do pensamento cognitivo.
Harry teve que admitir que mais do que alguns eram tentadores. No entanto, eles tendem a ter efeitos colaterais que seriam visivelmente óbvios para ele se arriscar a fazer muitos deles na escola. Possivelmente, depois que ele se formasse passaria a fazer vários deles.
Claro, as poções que ele estava planejando tomar mostrariam uma mudança obviamente  visível também. Esperava que ele pudesse alegar que teve um surto de crescimento mágico e que se exercitou para ficar em forma no torneio.
Ele olhou de volta para o livro.
Definitivamente, havia um número razoável de coisas que ele estava interessado em tentar mais tarde. Ele desejava que pudesse apenas copiar a maldita coisa, mas negocio sobre direitos autorais impediu-o de fazer isso. Ele considerou apenas mantê-lo pra si. Ele realmente não tinha sido "verificado" pela bibliotecária, então ninguém sabia que ele tinha, mas Harry suspeitava que houvesse encantos em todos os livros da biblioteca que os impediam de serem removidos da escola.
Escreva o... Editor...
Harry piscou e depois revirou os olhos para si mesmo por não ter pensado nisso sozinho. Ele virou a página da capa e procurou qualquer informação sobre o editor. Ele o encontrou imediatamente e puxou um pedaço de pergaminho para copiá-lo.
Jasper Beech; Crespus Publishing
Ele escreveu uma carta perguntando se poderia comprar uma cópia do livro diretamente deles, assim que terminasse com Snape.
Falando nisso... Harry olhou ao redor da sala e viu que Goyle e Lavender Brown eram os únicos que ainda restavam na sala. Nenhuma das poções parecia muito promissora e Harry duvidava que Snape tivesse paciência para esperar que os dois as finalizassem.
Ao descobrir que ele poderia usar o tempo que ainda tinha, Harry começou a escrever para a editora. Era algo bem simples. Apenas perguntando sobre o livro específico e se ele poderia ou não comprar uma cópia diretamente da editora e, se ele não pudesse, perguntava também se havia um revendedor no qual ele poderia entrar em contato. Assinou a carta sob o mesmo nome, Notechus Noir, que ele havia usado com o boticário, dobrou-o e o colocou na capa de seu livro.
Olhou para cima vendo Snape caminhar furiosamente pela sala e olhar para Lavender e Goyle. O homem rosnou para eles apenas para pegar o que eles tinham e transformar as “poções” em seus testes. Harry arrumou suas coisas e se sentou na cadeira, esperando até que os outros dois terminassem.
Assim que a porta da masmorra se fechou atrás de Goyle, Snape girou e olhou para Harry.
— Potter, – ele sibilou em um tom silencioso e ameaçador – o que você ainda está fazendo aqui?
— Eu preciso preparar algumas poções para a próxima tarefa. Estava planejando fazê-lo durante as férias de Natal e estava esperando que pudesse fazê-las em um dos seus laboratórios de poções – disse Harry rapidamente, chegando direto ao ponto. Ele sabia que enrolar só irritaria mais Snape.
O mestre das poções estreitou os olhos e olhou para Harry de forma especulativa.
— E você realmente precisa usar uma das minhas salas de aula para essa pequena tarefa sua? – Snape zombou com ar de ceticismo.
— Eu creio que sim. Preciso de um lugar calmo onde eu possa me concentrar e onde eu não terei nenhum amigo da minha casa respirando no meu pescoço. Eu também preferiria fazê-lo em um laboratório de poções devidamente equipado, em alguma sala de aula vazia aleatória. Eu queria obter sua permissão primeiro e me certificar que não estaria causando qualquer inconveniente usando um dos seus laboratórios.
O lábio de Snape enrolou com desdém.
— Que atitude diferente de você mesmo, Potter. Atendendo as necessidades de outras pessoas e as regras de consideração antes dos seus próprios interesses...
Internamente, Harry revirou os olhos. Externamente, Harry manteve uma expressão perfeitamente em branco.
— Estaria tudo bem, senhor?
Os olhos de Snape se estreitaram e ele observou Harry durante um longo minuto antes de dar um rápido aceno de cabeça.
— Você pode usar o laboratório de poções B. Ele permanecerá sem uso durante toda a pausa.
Os cantos da boca de Harry viraram para cima num sorriso pequeno e imperceptível.
— Obrigado, senhor – ele disse ansiosamente. – Eu realmente aprecio sua boa vontade.
Snape pareceu desgostoso e rapidamente enxotou Harry da sua sala de aula.
Harry rapidamente deixou as masmorras e começou a abrir caminho para o corujal. Se ele tivesse sorte, ele poderia enviar essa carta antes que Ron ou Hermione o alcançasse de novo, então ele não precisaria mentir sobre pra quem ele estava escrevendo ou por quê.
No dia seguinte, sábado, uma vez que o almoço terminou, ele abordou Ron e Hermione, lhes informando que começaria a preparar suas poções e não estaria disponível para o resto do dia.
Coletou todos os ingredientes dele em uma única caixa e os pegou, juntamente com os utensílios necessários para preparar os materiais para o laboratório de poções B. Rapidamente configurou tudo.
Levou toda a tarde e uma parte da noite para preparar a primeira poção. Ele tinha uma grande quantidade de objetos quando terminou. Conjurou tudo numa caixa de madeira e seis dúzias de frascos de vidro pequenos. Ele mediu cuidadosamente dois meses de doses e coloque uma dose em cada frasco.
Guardou todos os seus suprimentos em sua nova caixa cheia de poções e limpou seu local de trabalho. Ele fez um rápido feitiço que encolheu a caixa de madeira e, em seguida, uma barreira de amortecimento em torno dela antes de colocá-la na bolsa e sair da masmorra.
Ele estava completamente “morto” quando finalmente terminou e se dirigiu para a cama.
O dia seguinte foi o mesmo. Ele criou a poção de crescimento muscular e ósseo, e demorou bastante tempo também. Mais uma vez, ele conjurou outra caixa de madeira e outro grande conjunto de pequenos frascos de cristal – tudo era maior desta vez, já que a dose desta poção era cerca de três vezes mais grossa que a outra.
Chegou segunda-feira e Harry tomou sua primeira dose de cada uma das duas poções. Não eram boas, mas também não eram tão ruins como algumas das outras poções que ele tomou quando estava aos cuidados de Madame Pomfrey ao longo dos anos.
Sexta-feira era o baile de Yule, então Harry planejou fazer a primeira dose da poção aceleradora no sábado à noite, até o domingo de manhã. Mas primeiro ele tinha que preparar. Como ele sabia que essa levaria um tempo mais longo, ele planejava deixar Ron e Hermione logo após o café da manhã. Cerca de metade da refeição, chegou uma coruja com o que parecia um catálogo de atacado de pedidos por correspondência na perna da ave. Harry olhou para ele com leve confusão por um momento antes de removê-lo do pássaro e deu-lhe algumas salsichas.
Após um exame mais aprofundado, Harry percebeu que era da editora de livros, Crespus Publishing, de onde veio seu livro de poções. Ele sorriu ao ler uma pequena nota anexada do Sr. Jasper Beech; Proprietário e editor, dizendo que o livro que ele indagava tinha uma edição mais nova disponível e que ele poderia comprá-lo diretamente deles, usando seu serviço de ordem das corujas. Os detalhes foram incluídos em seu catálogo.
Harry empurrou-o em sua bolsa e disse a Ron e Hermione que ele estava saindo para começar a trabalhar em sua poção. Ron gemeu sobre Harry estar desperdiçando suas férias com trabalhos de poções e Hermione lhe disse para se certificar de que ele ainda tinha tempo para dedicar aos trabalhos de casa nas férias.
Harry se segurou e conseguiu ir embora sem dizer algo sarcástico para eles. Fazendo assim seu caminho para as masmorras.
Harry não conseguiu descrever o quanto ele estava agradecido pela presença de seu companheiro quando se tratou de preparar a última poção. Era um assunto incrivelmente delicado e era, honestamente, acima do nível dele. Mas seu companheiro foi surpreendentemente paciente e sua orientação sempre o manteve no caminho certo.
Durante as pausas entre os ingredientes ou entre os momentos em que ele teve que ficar de pé e mexê-lo tantas vezes no sentido anti-horário antes de adicionar um único movimento no sentido horário, Harry se sentou na sua cadeira de trabalho e folheou o catálogo.
Tornou-se bastante óbvio imediatamente que a Crespus Publishing se especializava em livros questionáveis ​​sobre questões questionáveis. No entanto, alguns desses assuntos "questionáveis" provocaram uma onda de curiosidade excitante em Harry.
Ele mastigou a borda de sua pena, travando uma batalha interna. Um sorriso perverso se espalhou por seus lábios fazendo-o rir e deu de ombros quando colocou a pena no pergaminho e marcou todos os livros que ele queria pedir.
Havia alguns.
Quando o jantar passou, Harry terminou. Sua poção parecia uma lama prateada semi-translúcida. Saiu da concha e entrou nos oito frascos que a comportaria. Não se imaginou gostando de engolir isso, mas ficou surpreso ao descobrir que realmente cheirava muito bem.
Harry limpou o local de trabalho, empacotou os suprimentos e abriu caminho para a torre da Grifinória. Ele guardou suas coisas, antes de pegar o formulário de pedido de sua bolsa e correr para o corujal.
O resto da semana passou pacificamente. Todas as manhãs, tomava outra dose das duas primeiras poções e passava o dia lendo na sala comum ou relaxava na cama, dentro da sua mente com seu companheiro.
A coloração cinzenta e manchada se espalhou por quase todos os espaços da sua paisagem mental. A névoa negra também ocupava quase um quarto do grande espaço e dava a seu companheiro mais espaço para vagar. Harry descobriu que poderia fazer a massa escura e ambígua – que ele uma vez relaxou – ficar em uma forma específica, se ele desejasse, então ele o transformou em um grande sofá de couro preto estofado.
A coisa toda estava em sua cabeça e ter um sofá para descansar não afetava efetivamente o tempo que passava com seu companheiro, era um luxo que ele gostava de dar a si mesmo, então ele manteve lá.
Além disso, ele gostava da imagem dos dois enrolados no grande sofá de couro. O couro também era legal e luxuoso contra a pele, mesmo que ele soubesse que isso estivesse apenas em sua cabeça.
Harry não estava presente para o incidente real, mas Ron aparentemente conseguiu ofender Hermione no início da semana. Ele, de repente, percebeu que Hermione era uma menina e lhe pediu para ir ao baile com ele, num ataque de desespero, enquanto também insinuou que ela não poderia ter um par para ir ao tal baile. O pobre idiota também tinha sido estúpido o suficiente para apontar que, embora fosse ruim que um cara aparecesse sem um par, era absolutamente mortificante para uma menina.
Hermione se recusou a falar com ele depois disso.
Em algum momento, naquele mesmo dia, Ron finalmente ficou tão horrorizado com a perspectiva de aparecer na dança sem um par que ele acabou gritando um "convite" para a primeira garota que ele havia encontrado no momento - o que aparentemente tinha sido Parvati Patil.
Noite de terça-feira, Harry se sentou em sua mente com seu companheiro e ambos tentaram achar a um lugar privado onde ele poderia tomar sua poção. Ele precisava de um lugar onde ninguém poderia incomodá-lo. Poderia lançar encantos silenciosos, então não precisava necessariamente ser um a prova de som, mas essa possibilidade – de ser um lugar fora do alcance do som – não seria tão ruim.
Harry estava frustrado com a falta de opções e, finalmente, entrou no sono, ainda não tendo certeza sobre o que faria.
Ele acordou aquela manhã com inspiração. Por alguns minutos sólidos, ele tinha certeza de que ele conhecia o lugar perfeito onde só ele poderia ir e ninguém poderia incomodá-lo. Então a realidade caiu sobre si como um balde de água gelada e ele franziu a testa.
A Câmara... Foi o que ele pensou. Ele poderia ir para a Câmara e não se preocupar com absolutamente ninguém que possa o interromper, mas então ele se lembrou do estado da Câmara e de quão completamente enojado com o lugar que ele estava.
Além disso, também havia um grande basilisco apodrecido lá embaixo. Já deveria estar com um cheiro ruim lá. Agora, haveria o benefício adicional de dois anos de do corpo de uma cobra gigante em decomposição.
Harry fez uma careta.
No entanto, ele estava tendo a impressão distinta da pequena presença que ele sentia de seu companheiro no fundo de sua mente. Ele ainda deveria investigar a idéia.
Após o almoço, ele disse a Ron e a Hermione que ele precisava verificar uma poção que tinha deixado a um baixo fogo de longa duração e que ele não sabia quanto tempo ficaria longe. Correu até a torre da Grifinória e pegou seu manto de invisibilidade e o mapa do Maroto. Ele entrou em uma sala de aula vazia no terceiro andar, se cobriu com o manto e ativou o mapa. Uma vez que ele tinha certeza de que ninguém estava “atrás” de si e que ninguém estava por perto para vê-lo ir para o banheiro de Murta, ele foi ao 2º andar e entrou.
Felizmente, o fantasma parecia ausente, então ele foi direto para a pia que não funcionava e sibilou § abra § na torneira. A pia se moveu e se afastou, revelando uma ampla abertura num túnel profundo e escuro.
O lábio de Harry virou num sorriso desagradável à vista do túnel. Ele não queria ir deslizando, coisa que tinha feito no segundo ano. Se perguntou se ele deveria ter trazido sua vassoura junto com ele. Logo sentiu a presença de seu companheiro crescer em sua mente.
Escadas...
— Huh?
Chame as... Escadas.
Harry franziu a testa, confuso por um momento, mas ele se ajoelhou na beira do buraco e sibilou.
As bordas lisas do túnel de repente começaram a mudar de forma e degraus estreitos e íngremes surgiram. A primeira seção era tão íngreme que era praticamente uma escada estreita, mas ainda era uma tremenda melhoria. Harry sorriu.
Ele começou a descer e, uma vez que a cabeça dele estava abaixo da entrada, ele sibilou o comando fechado a passagem o deixando instantaneamente envolto na escuridão. Ele puxou sua varinha e lançou um lumus para iluminar a ponta. Não demorou muito para descer, e uma curta distância do túnel alargou-se e mudando para um deslizamento gradual o suficiente para que ele pudesse atravessar os degraus sem se dobrar ou descer como se fosse uma escada.
Ele terminou de descer e entrou no túnel maior que estava preenchido com os ossos de inúmeras coisas mortas. Quando ele encontrou a seção de túnel que cedeu ligeiramente, sibilou alguns feitiços de banimento e ajeitou a pilha de pedras, revelando uma sensação de calor que vinha da sua magia e que girava ao redor dele, percorrendo-o. Ela formigou de maneira deliciosa fazendo seu estômago enrolar enquanto ele fazia coisas grandes como mover tais pedras. Infelizmente, ele raramente tinha a oportunidade de fazer coisas grandes como essa.
Harry pensou que, mesmo se ele não usasse a Câmara para tomar sua poção, ele ainda poderia vir ali para praticar magia em particular. Esse pensamento o deixou excitado e um grande sorriso se espalhou por seus lábios.
Ele encontrou a segunda entrada e a abriu com outro assovio. Se preparou para uma onda de horrível odor podre, mas ficou surpreso ao descobrir que não houve aumento significativo no cheiro de coisas mortas.
Entrou na Câmara e logo viu o cadáver do basilisco. Quase esqueceu quão enorme era o maldito animal.
Ele realmente lutou contra esse monstro quando tinha doze anos?
Balançou a cabeça, ficou cheio de uma raiva fervente pois sabia que ele havia sido forçado a uma situação como essa. Por que diabos ele tinha que continuar lidando com essas coisas? No entanto, os professores não eram capazes de entrar ali via oral, então eles não poderiam ter chegado à câmara, mas não havia realmente nenhuma maneira de usar magia para encontrar o lugar?
Embora, ele acreditava, que Slytherin provavelmente tinha tido muitos problemas para manter o lugar escondido, então a magia convencional deveria ser inútil, especialmente se você não sabe o que está procurando.
Ainda assim... A escola não tem proteções que detectam artefatos escuros? Por que o diário nunca foi detectado? Todos alegaram que as proteções de Hogwarts deveriam ser uma das mais poderosas do mundo e que a escola era o lugar mais seguro na Grã-Bretanha.
Harry bufou.
Aham, claro.
Eram apenas palavras vazias. As proteções não detectavam merda nenhuma. E se o fizeram ou Dumbledore não sabia como lê-los ou os ignorou de bom grado.
Inferno! Voldemort esteve na escola por um ano inteiro, preso na parte de trás da cabeça de Quirrell! O que essas proteções poderiam mesmo faze? Elas não conseguiram pegar Voldemort que estava na escola bem na parte de trás da cabeça de um professor, e nem um artefato escuro como aquele diário. Claramente, eram inúteis.
Harry balançou a cabeça.
Ele sempre esteve sozinho. Ninguém o protegeu. Ninguém nunca o fez. Ele sempre teve que cuidar de si mesmo. Ele teve que cuidar de si mesmo no Dursley e isso não mudou nem um pouco quando entrou no mundo mágico. Tudo o que mudou foi que agora mais pessoas estavam tentando matá-lo.
E por quê? Ele percebeu que mal sabia.
Harry lutou contra eles simplesmente pra se defender. Apenas tentando desesperadamente se manter com vida. Ele entrou na metade das suas aventuras-bagunças porque ele sentiu a necessidade de tentar salvar as pessoas, mas qual era o objetivo de correr como um idiota, salvando pessoas se tudo o que queriam era matá-lo?
Ele suspirou pesadamente e tentou retirar os pensamentos incômodos da sua mente. Harry começou a avaliar a enorme serpente e ficou levemente perplexo em constatar como ela parecia... Intacta.
Não estava apodrecido!
Magicamente preservada... A voz de seu companheiro explicou com um sussurro de respiração que enviou um arrepio na sua espinha dorsal.
Harry acenou com a cabeça e olhou para a monstruosa besta aprovando aquilo. Realmente era uma pena que ele tivesse tido que matá-la. Claro que era isso ou ser comido.
Vá para a estátua...
Harry parou e se virou para olhar a grande estátua de Salazar Slytherin, na qual o basilisco havia surgido dois anos. Ainda estava aberta e ele rapidamente se aproximou dela. Ele olhou para a escuridão e entrecerrou os olhos. Ele ergueu o braço e enviou uma série de pequenas bolas incandescentes de luz no local, cada uma parando cinco pés mais abaixo do que a última e acendendo o longo do grande túnel.
Ele percorreu um caminho surpreendentemente longo.
Cerca de 20 metros de distância depois, sentiu um desejo preenchê-lo. Ele sentiu que estava vindo de seu companheiro, mas a sua presença permanecia em silêncio. Harry olhou ao redor do grande túnel em que ele estava de pé e sentiu um pulso de magia na parede ao lado dele. Ele estendeu a mão e a escovou contra a superfície lisa e rochosa. Havia algo lá e ele aproximou sua varinha.
Uma pequena serpente foi esculpida na rocha. Curioso, ele se inclinou e sussurrou § Abra §, só para ver se iria funcionar.
Um segundo depois, uma costura apareceu na pedra lisa na forma de uma porta. A rocha se afundou e deslizou para o lado revelando uma entrada.
Curioso, Harry entrou e ficou atordoado com o que encontrou.
Era uma sala de estudo. E estava revestido com uma espessura grossa de poeira. O local era do mesmo tamanho que o escritório de Dumbledore. Havia um tipo de espreguiçadeira luxuosa, uma mesa esculpida em madeira e bem ampla e uma grande cadeira de madeira alta também esculpida com desenhos de cobras ondulando as pernas e no apoio das costas. As paredes estavam alinhadas – do chão ao teto – com prateleiras, todas cheias de livros.
Harry se aproximou e começou a examinar a sala ansiosamente.
Ele lançou um lumos maxima e enviou a luz brilhante até o teto para iluminar melhor o espaço enquanto ele explorava. Embora fosse verdade que estava coberto de poeira, não era o suficiente para o valor de mil anos. Tom Riddle deve ter entrado neste lugar também, ele raciocinou. Provavelmente limpou alguns livros durante seu tempo em Hogwarts.
Harry caminhou até a espreguiçadeira e com uma varredura rápida de sua varinha e um redemoinho controlado de sua magia, toda a poeira e a sujeira foram banidas.
Parecia de veludo ou algo semelhante. Era um verde esmeralda profundo e tinha pequenos botões pretos brilhantes na forma de caveiras costuradas nas costas e no lado, puxando o tecido de pelúcia, a cada seis polegadas ou mais.
Ele passou a mão pelo tecido e o sentiu suave e macio na sua pele. Ele sorriu. Isso era perfeito.
Ele poderia descer aqui uma vez por semana para tomar sua poção e ter a garantia de privacidade completa. E ele poderia praticar seu trabalho de magia aqui embaixo na câmara com o basilisco. Sabia que as salas das escolas não detectaram nada aqui embaixo, então não havia tanta preocupação...
Ele parou e sentiu uma sensação de antecipação emocionada subir por ele. Ele poderia tentar alguns desses... Feitiços escuros... Ele se sentia seguro, realmente, lançando algum deles, já que sabia que não havia alguma coisa que detectasse para o que ele estava fazendo. Além disso, ele realmente não tinha nenhum lugar privado o suficiente para fazer tais coisas antes. Agora ele tinha.
Ele só tinha mais algumas pequenas reservas sobre praticar magia negra. Sua opinião sobre o ramo da magia mudou drasticamente nos últimos dois meses, embora ele não conseguisse identificar exatamente o porquê.
Era tudo magia. Leve, escuro, neutro. Era muito conhecimento para se limitar apenas a um ou dois ramos da magia, ele estava apenas se segurando. Se mantendo ignorante de um poderoso bem de conhecimento e magia, parecia algo idiota para ele agora.
Ele estava na escola para aprender magia e, pela primeira vez desde que ele chegou a Hogwarts, ele se viu consumido com fome de conhecimento. Cada novo feitiço que ele aprendeu - cada nova teoria que ele entendeu - mais excitado ele se tornava. Era emocionante exercer esse poder.
Por que ele não deveria aprender a usar todos os ramos da magia que o interessavam?
Harry passou duas horas explorando a sala de estudo e os livros contidos nela. Ele estava literalmente alegre - vibrando com entusiasmo. Ele deslizou dois livros em sua bolsa e deixou a sala. Ele continuou pelo longo túnel e encontrou a enorme câmara onde o basilisco vivia. Estava cheio de ossos e sujeira e Harry rapidamente saiu para retornar à câmara de entrada e depois voltou a subir as escadas.
Ele verificou o Mapa para se certificar de que tudo estava limpo antes de comandar a pia para se afastar pra que ele pudesse sair. Ele glamuriou a capa de um dos livros para parecer seu livro de transfiguração e se instalou em uma das cadeiras da sala comum.
Ron tentou fazer com que Harry se juntasse a ele num jogo de xadrez, mas Harry disse que estava ocupado e não podia. Hermione sorriu com aparente aprovação para a nova e estudiosa atitude de Harry. Harry sorriu, internamente. Ela dificilmente daria tal aprovação se soubesse que ele estava lendo sobre os fundamentos da teoria da obscuridade.